sexta-feira, 23 de maio de 2008

International Favorito


Fernandão treina para jogo contra Flamengo
Foto: Alexandre Lops/Internacional

Ontem eu estava procurando informações na página sobre futebol do site oficial da Olimpíada e uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi o fato de as notícias sobre o Brasil, futebol e atletas brasileiros dominarem a lista de notícias sobre o esporte.

Tudo bem, talvez nem seja tanta supresa. Somos reconhecidos pelo mundo como os craques da bola - e aqui na China, as mulheres também são as donas da bola, depois do vice-campeonato mundial conquistado pelas meninas (elas perderam para a Alemanha) no ano passado e pelo chocolate de 5x1 ante Gana, que garantiu a vaga na Olimpíada.

Aliás, acho que é justamente por causa da fama das gurias por aqui que muitos me perguntam:

- Sabes jogar futebol?

A pergunta me espanta porque mesmo tendo meninas atuando nos campos, o futebol ainda não é no Brasil um esporte tão "unissex" quanto o badminton ou o ping pong são aqui na China. Às vezes eu tenho a impressão de que eles têm esta impressão - e meu chinês parco não me permite ir muito adiante nos diálogos.

Mas voltando à página sobre futebol e às notícias sobre o futebol brasileiro, eis que resolvi clicar numa que contava sobre o início do Brasileirão. Os times favoritos? Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e International. Tá, bem que tem um "T" onde nao deveria, eles traduziram o nome do Colorado. Mas que tá citado na China como favorito, isso está!

Já na tabela da vida real... :(

Bem, neste domingo é hora de torcer contra outro dos favoritos, segundo os chineses. O Inter enfrenta o Flamengo, no Maracanã, às 18h10min.

Sobre a foto

O Fernandão está de visual novo. Quem conta é a Cláudia, no blog N9ve.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

60 mil poderão ver estréias do futebol do Brasil


A construção do estádio de Shenyang, capital da província de Liaoning, será finalizada em junho
Foto: Zhang Wenkui/Agência Xinhua

O futebol brasileiro tem endereço definido na estréia na Olimpíada 2008: o Estádio Olímpico de Shenyang, cidade a cerca de 700 quilômetros de Beijing, no nordeste da China.

A construção está quase pronta e terá capacidade para 60 mil torcedores. Ali, serão disputadas 12 partidas de futebol. As meninas do Brasil entram em campo já no dia 6 de agosto, uma quarta-feira, ante a Alemanha. Os garotos encararão a Bélgica no dia seguinte. Ambas as partidas ocorrem antes da abertura oficial dos Jogos, marcada para o dia 8 de agosto de 2008 - uma sucessão de números 8 que significam sorte para os chineses. É que a pronúncia "ba" para o numero oito é semelhante a da palavra que significa prosperidade por aqui.

O estádio tem forma de pétalas. O gramado, resistência para os invernos rigorosos da região. A cobertura de vidro, aliás, foi pensada para que a grama crescesse saudável.

A obra teve início em 1º de março de 2006. Além do estádio de futebol, o complexo inclui um ginásio para 10 mil pessoas, um centro de natação com capacidade para 4 mil espectadores e uma quadra de tênis com o mesmo porte. No total, são 260 mil metros quadrados de área voltada ao esporte.

Solidariedade com tempero brasileiro em Beijing


No aniversário do SambAsia, em abril, encontrei o Cui Jian sambando e conferindo a performance dos amigos
Foto: Algum fã do Cui Jian, do SambAsia, ou dos dois

Três gerações do rock chinês se reúnem na noite desta quinta-feira para o show beneficente "Para Superar Aquele Dia" em Beijing. Toda a renda será revertida para as vítimas do terremoto que atingiu Sichuan no dia 12 de maio. O evento, organizado pela rádio Hit FM, é capitaneado pelo pai do rock por aqui, Cui Jian.

Além de idealizar o show, é ele quem batiza a função. Para Superar Aquele Dia, ou, em chinês, Chaoyue Nayitian, é o nome de uma das suas músicas. E, aí, um tempero brasilieirinho no show de solidariedade. Cui Jian convidou o SambAsia, a escola de samba aqui de Beijing, para tocar com ele. O SambAsia vai ainda participar de Congtou Zailai e tocar outra música solo (ainda não definida, me contou há pouco um dos fundadores do grupo, o taiwanês Leon Lee).

A escola de samba aqui de Beijing repete a dobradinha que fez em janeiro deste ano para um público de 8 mil pessoas na cidade e que, por coincidência, reeditou em abril em Chengdu (a capital de Sichuan, a província mais atingida pelo tremor de 8 graus na Escala Richter).

O show ainda tem a queridinha Ai Jing, os cantores Jun Zheng, Wang Feng e Lao Lang, além da banda Zaiyue Akino, outra do tempo de Cui Jian.

Fim do Luto

O show desta quinta ocorre depois de um luto oficial de três dias decretado pelo governo e que impediu atividades de recreação e lazer em todo o país. Na TV, filmes e programas de entretenimento foram proibidos. O revezamento da tocha olímpica foi suspenso. Até mesmo em bares e restaurantes, não havia música ou shows, em sinal de respeito pelas vítimas.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Revezamento é retomado, mas muda data em Sichuan


Na segunda, quando comecou o luto e a tocha deveria chegar a Ningbo, portadores prestaram homenagens a vítimas do terremoto
Foto: Xing Guangli/Agência Xinhua

O revezamento da tocha olímpica na China foi retomado nesta quinta-feira, após três dias de luto oficial em razão do terremoto de 8 graus na escala Richter que atingiu a província de Sichuan no dia 12 deste mês.

A parada foi em Ningbo, cidade de mais de 5,6 milhões de habitantes a leste da China.

A novidade na manhã desta quinta (horário local chinês) foi a mudanca das datas do revezamento em Sichuan. Originalmente previsto para ocorrer entre os dias 15 e 18 de junho na província, a região agora receberá o símbolo olímpico entre os dias 3 e 5 de agosto, ou seja, às vésperas de o evento comecar.

Ningbo

Ningo fica perto de Shanghai e é um porto importante da China. Aliás, desde a Dinastia Tang (618-907), a cidade é destacado porto comercial internacional. É considerada uma cidade vital do sul do Delta do Rio Yangtze - o mais longo rio da China e o terceiro do mundo.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Gaúcho ganha férias forçadas de terremoto


Gustavo e os companheiros de clube Danilo, outro brasileiro, o uruguaio Pablo e o argentino César
Foto: Arquivo Pessoal

O resultado de uma lesão no joelho são férias forçadas para Gustavo Saibt Martins, de 28 anos, centroavante do time chinês Wuhan. O gaúcho natural de Gravataí embarca ainda esta semana para o Rio Grande do Sul. Vai ficar em Canoas, sob cuidados médicos e, claro, na companhia da mulher, Silvana, 26, e do filhote Davi, 4 anos.

A lesao não é grave.

- Mas com joelho não se brinca - avalia o jogador, que já enviou imagens da ressonância magnética a fim de que o médico brasileiro adiante os trabalhos.

Será boa esta pausa, ele admite. Na China há pouco mais de dois meses, está louco de saudades de casa. E com o terremoto que atingiu o país:

- Vai ajudar bastante - afirma ele, em relação à ida ao Brasil. E completa:

- Os meus familiares ficam a toda hora ligando pra eu voltar pra casa. Acho que ficam mais assustados do que nós que estamos aqui - diz Gustavo, ou o Papa, apelido que ganhou nos tempos em que atuava no Colorado.

Wuhan fica a 1,1 mil quilômetros de Chengdu, capital da província de Sichuan, onde ocorreu o epicentro do terremoto de 8 graus na Escola Richter. É praticamente o que separa Porto Alegre de São Paulo. O gaúcho não sentiu nada de tremor, estava de carro. Mas ele viu o pânico nas ruas.

- Todo o mundo saiu correndo dos prédios e bancos. Eu não sabia o porquê, só depois fiquei sabendo - conta ele.

Gustavo relata o que muitos outros contam por aqui: quem estava pelas ruas, no térreo, não sentiu. Isso se repetiu em Beijing e mesmo em Chengdu, durante os tremores secundários que ainda ocorrem pela China. Mas deu medo de continuar em Wuhan?

- Sim, você fica nervoso, pensando: "E se der um mais forte?", "E se o epicentro for perto?". Tudo passa na cabeça - lembra o jogador.

Volta marcada

Com ou sem nervosismo, Gustavo volta para Wuhan. Quer ajudar o time da primeira divisão do campeonato chinês. Até agora, o gaúcho fez um gol pela equipe asiática. Vai ter de fazer bem mais no retorno. É que o Wuhan (nome do time, nome da cidade) ocupa a lanterna, atrás de outras 15 equipes que compõem a elite do futebol chinês. Hein? Como é a elite do futebol chinês?

- A maneira de jogar do chinês é muito diferente. A primeira coisa que eles pensam é em defender. Já no Brasil, a primeira coisa é atacar - compara o centroavante que, ironia ou não, se pegou defendendo a meta pelos campos asiáticos numa partida em que o goleiro foi expulso.

Gustavo se vira. Já jogou por um ano na Suécia, outro meio ano na Alemanha. Em gramados gaúchos, além do Inter (clube em que ficou por dois anos), defendeu o Juventude e o Grêmio, esses no início da carreira. No ano passado, foi campeão da Serie B do Brasileirão pelo Coritiba.

No Wuhan, o contrato vai até dezembro. A passagem de volta para a China tem data, 12 de junho. Hm... Dia dos namorados. A Silvana vai entender? Ele garante que sim. Aliás, está ansioso por julho, quando a mulher e o filho embarcam rumo à Asia. Por enquanto, aguardam o fim do semestre dela, que cursa Direito na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas.

Resgate depois de 179 horas


Ma pediu comida assim que deixou escombros
Foto: Agência Xinhua

Faça as contas: 179 horas equivalem a sete dias e 11 horas. Foi este o tempo que o executivo Ma Yuanjiang, de 31 anos, ficou preso sob escombros da usina de energia onde trabalhava em Wenchuan - a cidade onde ocorreu o epicentro do terremoto de 8 graus que atingiu a China na segunda-feira retrasada.

Ma foi resgatado a 0h50min desta terça-feira (horário local chinês). Saiu lúcido e conversando. A primeira providência foi pedir algo para comer, conta o colega Wu Geng, que acompanhou o resgate.

Até domingo, Ma nem tinha sido descoberto. Como participava de uma reunião no primeiro andar do prédio, ficou preso sob uma montanha de cimento e ferro retorcido.

O executivo foi encontrado graças ao resgate do colega Yu Jinhua - outra das vítimas que teve de ser amputada para se ver livre dos destroços, como o caso que relatei ontem aqui no blog. Desde então, Ma era alimentado com água açucarada por meio de uma sonda.

Agora, o executivo vai para um hospital maior em Chengdu, capital da província de Sichuan, para se recuperar.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Vida em meio ao horror


Gong Tianxiu amputou a própria perna para escapar dos escombros após 73 horas presa
Foto: Reprodução

A chinesa Gong Tianxiu, de 46 anos, ganhou as páginas dos jornais chineses nesta segunda-feira pela história de coragem e o desejo de sobreviver. Presa sob escombros de um condomínio do Banco da Agricultura da China em Beichuan, uma das localidades mais atingidas pelo terremoto de 8 graus na Escala Richter que atingiu a China há uma semana, foi resgatada com vida após 73 horas. O marido morreu ao seu lado meia hora depois de o prédio desabar.

Para deixar os escombros, ela amputou a própria perna direita usando tesouras e uma serra. Os equipamentos, pediu às equipes de resgate.

O motivo para tanta vontade de viver? Reecontrar o filho, Wangtao, que vive em Chengdu, capital de Sichuan, a província onde ocorreu o epicentro do tremor. Durante os dias em que ficou presa, Tianxiu se alimentou de urina e do sangue que escorria pelos ferimentos.

A história da gerente de empréstimo do banco foi publicada hoje pela manhã no jornal Beijing News - e ganhou espaço em diversos sites chineses. Quem me alertou para o exemplo dado por Tianxiu foi a Mariana - que, como uma vez já disse, é meus olhos, ouvidos e muito do que sei sobre a China. Claro que foi ela que me ajudou na tradução.

Tianxiu já reencontrou o filho e está internada em um hospital, onde passa bem. Viva, quer agora adotar dois órfãos do terremoto. Wangtao, o filho, conhece a vitalidade da mãe. Ela já havia sido baleada durante um assalto a banco. Sobreviveu.

- Ela é muito corajosa. Só que tem medo de dormir sozinha - contou Wangtao.

O medo de ficar sozinha fez Tianxiu gritar por socorro, mas ela passou muito tempo sem resposta. Somente quando um dos colegas voltou para procurar sobreviventes, é que ouviu os apelos da mãe obstinada.

Três minutos de silêncio


Crianças em silêncio na cidade de Harbin, capital da província de Heilongjiang
Foto: Li Yong/Agência Xinhua

Às 14h28min desta segunda-feira, chineses e estrangeiros que vivem no país se uniram em uma corrente solidária. Houve três minutos de silêncio para homenagear as vítimas do terremoto de 8 graus na Escala Richter que atingiu a província de Sichuan há uma semana (neste mesmo horário). O silêncio total foi quebrado pelas sirenes e buzinas de baterias anti-áreas, navios, trens e automóveis.

Eu estava com a minha colega Paula Coruja no cruzamento das avenidas Xuanwumen Xidajie e Xuanwumen, aqui em Beijing. A poucos minutos da homenagem, as pessoas começaram a se aglomerar nas esquinas. Quase na hora, a polícia chegou, as sinaleiras foram fechadas e os buzinaços tomaram conta do ambiente, enquanto os cidadãos oravam, choravam, homenageavam as vítimas.

Em empresas, também houve respeito aos três minutos de silêncio. Ainda pela manhã, via celular, a Paula recebeu uma mensagem, em inglês, convidando todos os estrangeiros a participarem da mobilização.

O clima aqui é de consternação. Em meio a tudo isso, dados oficiais elevam para 34,073 o número de mortos - e o governo estima que a cifra chegará a mais de 50 mil. Os feridos já somam 245.108.


Integrantes de equipes de resgate fazem silêncio em Mianzhu, província de Sichuan - Crédito: Yang Ying/Agência Xinhua


No Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro, funcionários prestam homenagem - Crédito: Xu Tao/Agência Xinhua

Reconstrução: objetivo após o tremor


Praça Tiananmen amanheceu com bandeira a meio mastro, em Beijing
Foto: Tang Zhaoming/Agência Xinhua

A manhã desta segunda-feira é de luto. Por toda a China, as bandeiras a meio mastro revelam o sentimento em relação às vítimas do terremoto que já deixou pelo menos 32 mil mortos e mais de 220 mil feridos. O terror espalhado pelo sismo em Wenchuan é revisto em números, cada vez mais sombrios. Até a intensidade do sismo foi revista para cima pelas autoridades chinesas. Segundo o Departamento de Sismologia da China, o terremoto atingiu 8 graus na Escala Richter, de acordo com novas medições realizadas no domingo.

A gravidade e o tempo decorrido após o tremor já diminuem as chances de se encontrarem sobreviventes. Apesar de o resgate ser encorajado todo o tempo pelas autoridades, o foco agora parece ser mesmo a reconstrução. Os sites chineses reforçam hoje o dia de luto (e muitos trocaram as cores para cinza, em forma de homenagem), mas alertam para a necessidade constante de doações para as áreas atingidas - um total de 100 mil quilômetros quadrados.

De hoje até quarta-feira, o país vive luto nacional. Às 14h28min (horário local, na China) todas as sirenes de carros, trens e navios devem soar no país enquanto as pessoas deverão prestar três minutos de silêncio. É exatamente nesta hora que o terremoto atingiu Wenchuan há uma semana.


O sina.com, um dos mais populares, adotou mesmas cores em homenagem às vítimas


Site da agência Xinhua usa cores cinzas nesta segunda

domingo, 18 de maio de 2008

China de luto


Os chineses estão unidos em torno de uma causa: auxiliar as vítimas do terremoto que já deixou 32.476 mortos até este domingo, segundo dados oficiais, e mais outros 220 mil feridos. A rede de solidariedade país afora mobiliza empresas, setor civil, autoridades.

Dentro e fora da China há mobilização. Países como Japão, Rússia e Cingapura enviaram equipes às regiões mais atingidas, na província de Sichuan, para ajudarem no resgate. Estrangeiros que vivem por aqui auxiliam como podem.

Internautas exibem nos programas de trocas de mensagens eletrônicas imagens de apoio. E esta manifestação online já percorreu o mundo. Quem me alertou para ela foi o português Manuel Lopes, que mora em Lisboa.

Silêncio e sirenes às 14h28min

Às 14h28min desta segunda-feira a China lembrará os mortos pelo terremoto. É quando se completa uma semana do abalo principal em Wenchuan, província de Sichuan. Em todo o país, os habitantes deverão fazer três minutos de silêncio. Apenas as sirenes e buzinas de carros, trens e navios deverão soar.

O governo também declarou luto oficial de três dias e ordenou o cancelamento de todas as atividades públicas de diversão, inclusive o revezamento da tocha olímpica durante o periodo. As bandeiras devem ser hasteadas a meio mastro. O mesmo deverá ocorrer nas embaixadas da China pelo mundo, que ainda abrirão livros de condolências.

Manifestação online

O Manuel explicou o que diz cada uma das imagens utilizadas pelos internautas e reproduzidas aqui.

Na primeira, no canto superior esquerdo, está escrito Wenman Zhongguo, que significa "calor que enche a China". Na segunda, a mensagem é Women zai yiqi, ou "estamos juntos".

As outras duas imagens remetem a Wenchuan, epicentro do tremor. À esquerda, Xinji Wenchuan, ou "coração em Wenchuan". A ultima é Xinxi Wenchuan, que singifica "unidos pelo coração a Wenchuan".

Recado direto de Portugal

O Manuel também deixou um comentário bem interessante sobre o terremoto no post "Solidariedade Online" e que reproduzo aqui:

Janaina: Estou convencido que este terramoto vai ter as mais profundas implicações sociais na China, pela intensíssima divulgação e acompanhamento pelos Media nacionais e internacionais. A China como que se desviou das Olimpíadas de Beijing para se centrar nas mais diferentes formas de apoio e solidariedade às vítimas do Sismo em Wen Chuan. Julgo que vale a pena mostrar algumas imagens que interpretam o grau de mobilização actualmente em curso. .

Manuel, concordo contigo. E prometo mais imagens sobre a mobilização, que é realmente impressionante por aqui.

Táxis adaptados em Beijing

A frota de táxi de Beijing ganhou 70 táxis adaptados para facilitar o acesso de portadores de deficiência. Com assento traseiro melhor e acesso facilitado a cadeirantes, os veículos poderão ser solicitados por telefone - mas o número ainda não foi divulgado.

A iniciativa foi de uma das companhias de táxi da capital chinesa e visa atender a demanda durante a Olimpíada e a Paraolimpíada. Mas o serviço continuará na cidade - e poderá até aumentar, se houver demanda.

O valor cobrado é o mesmo dos táxis atuais, ou seja, de 2 yuans por quilômetro rodado, algo em torno de R$ 0,40. O serviço já comeca nesta terça-feira.

Revezamento da tocha é suspenso


Portadores participam de revezamento neste domingo em Hangzhou
Foto: Xing Guangli/Agência Xinhua

A China declarou luto oficial de três dias a partir desta segunda-feira e suspendeu todas as atividades públicas de lazer ou entretenimento no país em memória às vítimas do terremoto que atingiu a província de Sichuan. Com isso, o revezamento da tocha olímpica está suspenso.

A última cidade por que a tocha passou foi Hangzhou, província de Zhejiang, neste domingo. Na quinta, o percurso será retomado, garante o comitê organizador dos jogos.

sábado, 17 de maio de 2008

4,8 milhões de desabrigados


Universo de pessoas sem endereço busca abrigo nas cidades atingidas
Foto: Jana Jan - China in Blog

A China tem 4,8 milhões de desabrigados em razão do terremoto. Em cidades como Beichuan, 80% dos prédios foram destruídos. É um universo de gente que tem como necessidade fundamental agora comer, beber, ter um local para dormir, ter remédio e mínimas condições de higiene.

O governo instalou as vítimas em tendas ao longo de estradas, parques, avenidas. Suprimentos onde as estradas estão em operação chegam diariamente. E muitos destes suprimentos acabam vindo ou de doações, ou do trabalho de voluntários.

Em Chengdu, um grupo de estudantes estrangeiros que está mobilizado para auxiliar as vítimas já sabe: irá pedir doações de material de higiene (xampu, sabonete, pasta de dentes). Motivo: os jornais informam que há comida e bebida suficientes para os próximos dias, mas os desabrigados precisam se manter asseados - especialmente porque se tratam de áreas com alto risco de epidemias.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Solidariedade online


Crianças são foco da solidariedade de casais que desejam adotar órfãos do terremoto
Foto: Jana Jan - China in Blog

Os últimos números divulgados pelo governo chinês mostram que há 22.069 mortos vítimas do terremoto desta segunda-feira, além de 168.669 feridos. Apenas na província de Sichuan, onde ocorreu o epicentro, são 21.577 mortos. Ainda há cerca de 14 mil soterrados e, embora haja histórias milagrosas de sobreviventes sob escombros, as esperanças de encontrar gente com vida diminuem a cada dia.

Apenas na cidade de Mianyang, são pelo menos 8.767 mortos. Além disso, 59.616 pessoas ficaram feridas. Cerca de 4,1 milhões de moradores da cidade - que tem 5,2 milhões de habitantes - foram afetados pelo terremoto.

As histórias pessoais revelam tragédias ainda mais pungentes. Famílias que vivem sob a política do filho único (em vigor na China desde o final da década de 1970) e que o perderam. Filhos únicos que perderam os pais.

É justamente em relação aos órfãos que a internet chinesa revela outra face da solidariedade. Muitos casais já expressaram o desejo de adotar as crianças sem pai e mãe vítimas do horror. Apesar da política de filho único, a lei chinesa permite que um casal adote uma criança e tenha um filho biológico.

O chão está tremendo


Evânia acampou durante três dias no campus da universidade em Chengdu
Foto: Jana Jan/China in Blog

Vir à China era o sonho de criança da acreana Evânia Maria Maia, 30 anos. Há quatro meses, ela garantiu o passaporte - e o dinheiro suficiente - e se instalou em Chengdu, capital de Sichuan, onde estuda mandarim na Southwest University for Nationalities. Aí na segunda-feira passada, o sonho ganhou contornos de pesadelo.

- O chão está tremendo - alertou a colega com quem Evânia divide o apartamento no terceiro andar, a mexicana Arele Barde Perez, 42.

- Tremendo? - duvidou a acreana, que estava entretida mesmo em uma faxina.

É, tremia. Quando se deram conta, foi o tempo de correrem aos quartos e pegarem os passaportes. Uma eternidade para alcançar a rua.

- Demorou muito, foi o tempo mais longo do mundo - diz Evânia, ao lembrar do tremor de 6.5 graus na escala Richter que atingiu a cidade por volta das 14h28min.

Na rua, hora de decidir para onde ir: o campus da universidade onde estuda. Ela, a colega e milhares de pessoas (o milhares fica por conta de Evânia) tiveram a mesma idéia.

- O campus tava cheio. Mas qual o lugar que não é cheio quando se fala em China, né? - ri a estudante.

Cheio ou não, o fato é que o pátio do campus se transformou na casa de Evânia por três dias. No primeiro, ela nem buscou roupa, dinheiro, celular. Ganhou emprestada esteira e cobertor de uma colega e foi com isso que passou a noite. No campus, eles também receberam alimentação e orientações pela rádio da universidade. Além disso, tendas coletivas foram instaladas. O objetivo dela e dos recentes vizinhos do acampamento improvisado era o mesmo: estar o mais longe possível de prédios, a fim de escapar de queda de lajes, paredes, aço e qualquer outra coisa na eventualidade de um novo terremoto.

Aulas suspensas, trabalhadores sem trabalhar, a rotina deu lugar à apreensão.

- Tive de ligar pra casa, imagina a minha mãe lá no Acre, sabendo que estou aqui - conta Evânia.

É, parece que foi bom mesmo ligar para a dona Maria de Nazaré, 75. Ela leu a notícia de que nenhum brasileiro havia se ferido no terremoto, mas...

- Entendeu que não havia nenhum brasileiro por aqui. Ficou em pânico pelo que pudesse ter acontecido comigo - diz a filhota que resolveu vir para o outro lado do mundo. Foi aí que Evânia telefonou para a embaixada brasileira em Beijing para dar um sinal e fazer o registro como cidadã do Brasil que mora na China.

Com a Evânia, agora há seis brasileiros registrados que vivem entre Chengdu e Chongqing, diz o primeiro-secretário da embaixada, Celso França.

Susto na volta ao apartamento

Evânia e Arela voltaram para casa quinta-feira. Era o que podiam fazer, pois o governo local pediu que as pessoas deixassem o campus. A primeira noite foi relativamente tranquila, apesar de o sono ter demorado a chegar.

- Dormi só pelas 2h. Lembrava das rachaduras pelo teto e da sensação de que iria morrer soterrada pelos escombros do edifício - diz a brasileira, que mora no terceiro andar de um prédio de 11.

- Apaguei de cansaço mesmo, mas acordei às 6h, ao sentir um novo tremor - conta. Ela se referia a um aftershock, fenômeno comum após terremotos. E constantes na região: foram mais de 1,9 mil nas últimas 28 horas perto de Chengdu. O pior na cidade hoje foi por volta do meio-dia, quando até um porta-retrato caiu da estante.

- Deu medo, mas vou dormir em casa hoje de novo. O que ainda não consigo é pegar elevador. Quem sabe amanhã? - fala a garota, sem demonstrar convicção.

Pouco depois Evânia encerrou a entrevista. Hora de comprar lona para fazer uma tenda.

- Só para alguma eventualidade - riu.

Medo, mas bem pouquinho

A acreana levou a sério o que sentiu na infância. Se antes era só um desejo de vir à China, com o tempo, se transformou na vontade de aprender mandarim.

- Fiz as contas. O custo de vida aqui é bem mais barato do que pagar universidade particular no Brasil - fala Evânia.

Foi graças a esta contabilidade que ela saiu da pequena Sena Madureira, na fronteira com o Peru e a Bolívia, e foi morar em Rio Branco. Fez só o Magistério, era professora do Ensino Fundamental. Perfeito. Com este currículo, pouco tempo depois se mudou para São Paulo, onde juntou dinheiro por dois anos e conheceu o bairro da Liberdade. O contato no cantinho oriental da cidade aumentou o desejo de vir à China. Frequentou algumas aulas de mandarim e, sim, não tinha mais volta. Queria vir pra cá. O plano inicial era ficar um ano. E agora, com o terremoto?

- Em um mês, já sabia que teria de ficar dois anos se quisesse falar mandarim. Agora, já sei que tenho de ficar três ou quatro anos. Essa língua, sim, é difícil. Com terremoto, a gente acostuma - garante.

Medo de epidemia


Equipes de resgate trabalham com máscaras, as mesmas usadas pela população nas áreas atingidas
Foto: Jana Jan - China in Blog

A tragédia de um terremoto como o que atingiu a província de Sichuan nesta segunda-feira pode ter consequências ainda mais trágicas para os sobreviventes. O governo chinês está preocupado agora com o possível aparecimento de epidemias.

O motivo para preocupação é a demora em enterrar os corpos das vítimas. Muitos estão soterrados em locais onde máquinas pesadas estão impossibilitadas de ir, o que impede o resgate.

Na prefeitura de Aba, uma das mais atingidas pelo tremor, as altas temperaturas aceleram a decomposição dos corpos, fator que pode levar a doenças. Bai Licheng, da prefeitura, afirma que são necessários sacos para a remoção dos mortos. Muitos estão depositados no chão, relata ele.

Outro problema é a falta de água potável. Com recursos limitados nas áreas de mais difícil acesso, algumas pessoas recorrem a mananciais da montanha - e não se sabe se estas águas são potáveis ou não.

Mais de 4,4 mil tremores desde segunda


Sem ter onde morar, pessoas levam consigo os poucos pertences que restaram
Foto: Jana Jan - China in Blog

Até a meia-noite desta quinta-feira, horário local da China, um total de 4.432 abalos secundários foram registrados no sudoeste do país, depois do terremoto devastador de 7.8 graus na Escala Richter ocorrido segunda-feira na província de Sichuan. As informações foram divulgadas hoje pelo Departamento de Sismologia local.

Os abalos secundários são comuns após um terremoto. A expressão em inglês que designa o fenômeno, aftershocks, é uma nova conhecida para mim - e já bastante íntima.

É em razão dos inúmeros aftershocks que muita gente procurou as ruas para se proteger. Mesmo morando em prédios cujas estruturas não foram abaladas pelos tremores, Chengdu foi tomada por barracas, onde as pessoas buscavam abrigo durante a noite e, de alguma forma, se sentiam mais seguras. A Tati Klix relata aqui o que viu pelas ruas da capital de Sichuan.

Nas regiões mais atingidas, a situação é pior. Muitos estão na rua por não terem mesmo outra opção - perderam as casas ou estas estão condenadas. Após o tremor principal, o sismo mais forte foi de 6,5 graus na escala Richter, segundo o departamento de sismologia.

Turistas ficam retidos em reserva natural


Grupo de turistas chegou nesta manhã a Chongqing
Foto: Liu Chan - Agência Xinhua

Cerca de 200 turistas estrangeiros retidos desde o terremoto desta segunda-feira na província chinesa de Sichuan se preparam para voltar para casa. Eles estavam no parque Jiuzhaigou (九寨沟), cenário do filme O Clã das Adagas Voadoras, de Zhang Yimou (o diretor responsável pelas cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada, aliás).



A reserva natural tem mais de 620 km². Nesta manhã, quatro dias após o tremor de 7,8 graus na escala Richter, um grupo de 31 turistas estrangeiros aterrisou no aeroporto de Chongqing, município vizinho a província de Sichuan. De lá, seguem para seus países. Durante os dias retidos no parque, este grupo foi abrigado no berçário de pandas da reserva, segundo a mídia local em Sichuan.

Jornais locais falam em 4.557 pessoas resgatas em perfeito estado de saúde de dentro do parque Jiuzhaigou.

Ainda não há informações sobre as nacionalidades de todas as pessoas que estavam no parque - onde os sinais de telefone ainda são precários (tentando telefonar nesta manhã, não consegui contato). Mas entre os resgatados, há turistas australianos, europeus, norte-americanos, taiwaneses e de Hong Kong.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Alerta tecnológico


Foto: Agência Xinhua

Em meio ao pânico pós-terremoto em Chengdu, capital da província de Sichuan, a mais atingida pelo terremoto desta segunda-feira na China, as mensagens via celular tiveram papel fundamental. Por volta das 14h de terça, os moradores começaram a trocar mensagens alertando sobre os perigos de tomar água da torneira, que poderia estar contaminada.

O medo disseminado via celular fez com que milhares de pessoas corressem a supermercados e mercados, o que deixou o estoque de água - e de todas as bebidas disponíveis, o que vai de cerveja a leite - a zero.

Às 18h, o governo local entrou em ação. Também via celular, enviou mensagens aos moradores garantindo a potabilidade da água. A prática é praxe por aqui. Em muitos casos emergenciais, o governo recorre ao SMS para alertar a população.

A difícil volta para casa

Voltar para casa pode ser uma tarefa difícil após um terremoto como o que atingiu a província chinesa de Sichuan nesta segunda-feira.

–Você não estava aqui, por isso diz que posso voltar. Sinto o chão tremer, jamais vou poder pisar forte, tenho a impressão de que meu apartamento irá desabar - desabafa a espanhola Sara, 35 anos, há três em Chengdu, capital de Sichuan.

Na segunda, quando o terremoto atingiu 6.5 graus na escala Richter na cidade de 3,2 milhões de habitantes, Sara estava trabalhando no apartamento em que vive, no sétimo andar. Ela não sabe quanto tempo durou o tremor, mas sabe que foi tempo suficiente para sair correndo e alcançar o térreo. E tudo ainda balançava.

Descalça, sem celular e sem dinheiro, buscou ajuda com amigos. As pessoas estavam todas nas ruas, segundo conta. Ela ainda não conseguiu dormir em casa, mesmo sabendo que o pior já passou. O departamento de sismologia local ainda prevê outro tremor forte para as próximas 24 horas, mas há quem diga que isso não ocorrerá.

Sara acredita que tudo ficará bem, mas fica a sensação ruim de ter visto a casa tremer. Há rachaduras nas paredes do quarto e da sala. E o clima da cidade aumenta a sensação de insegurança. Segundo ela, pessoas dormem em barracas improvisadas nos parques, há falta de agua nos mercados.

– Todo o mundo quer estocar. Eu mesma comprei três litros de água e uma caixa de chá – conta. Para ela – e para muitos outros moradores – a segurança está em ficar o mais perto do solo possível. Quem não optou por barracas, dorme em carros, mesmo em esteiras estendidas no chão. Salões de festa, saguões de prédios, tudo parece ser mais seguro para quem sentiu seu lar tremer, teve medo por sua integridade física, pelo que poderia acontecer.

– Você não tem noção do barulho dentro de casa, nas escadas do prédio.

Chengdu não foi o local mais atingido. As principais perdas se deram em áreas rurais, vilas como a de Wenchuan, onde milhares de pessoas morreram ou estão feridas ou desaparecidas. Após o tremor principal, vários tremores se seguiram, o que agrava a sensação de insegurança.

Os primeiros dias de resgate foram de chuvas intensas (e, mesmo assim, muita gente dormiu em barracas nas ruas de Chengdu, conta Sara). Agora, o sol parece ter voltado, o que pode auxiliar as equipes de socorro.