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sexta-feira, 24 de julho de 2009

E a TV chinesa agora fala árabe

A partir de hoje, 24 de julho, a televisão estatal chinesa, a CCTV, tem um canal em árabe, a exemplo do que já ocorre com a pioneira em inglês e as seguintes francesa e espanhola. Os canais em português e em russo são os próximos da lista, segundo plano anunciado no início do ano na mídia em Hong Kong.

O objetivo é simples, divulgar a visão de mundo chinesa, na língua daqueles que se pretende alcançar. No caso árabe, os episódios em Xinjiang aceleraram os planos. É bem verdade que o canal já estava sendo preparado e o pessoal contratado desde o início do primeiro semestre. Mas o cronograma previa um lançamento algo entre setembro e outubro. Aí corre todo o mundo e ação. Ah, claro que ninguém reconhece o motivo da antecipação, não oficialmente.

O canal lançado hoje terá transmissão de 24 horas, focado em notícias, educação e entretenimento. Os programas especiais, como documentários e de aulas de chinês, por exemplo, serão transmitidos seis vezes ao dia. O resto é notícia.

Segundo o vice-presidente da CCTV, Zhang Changming, a TV chegará via satélite ao Oriente Médio, região da Ásia Pacífico e África, num total de 200 milhões de potenciais espectadores.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pra TV

Hoje a agência estatal chinesa de notícias, a Xinhua, divulgou uma singela nota. A CCTV, a televisão estatal chinesa, lançará um canal em português. Prazo brasileirinho: demorará entre um e dois anos para que a emissora entre em operação (tipo assim, há uma bela distância entre uma previsão e outra).

A característica da nota seguia os moldes do jornalismo chinês. Nenhum detalhe, nada de aprofundar a informação que, aliás, foi gerada via escritório de Brasília, a partir de dados da portuguesa Lusa.

A CCTV tem endereço de luxo, o prédio cujas torres inclinadas se encontram no alto, tipo o que nos faz pensar que a coisa toda está ou de cabeça pra baixo ou prestes a desabar. Mas esta seria apenas uma ótica simplista e carente de qualquer senso estético ou valor arquitetônico. Quer dizer, eu não tenho nenhum nem outro, mas vai que algum fã do seu Rem Koolhaas venha parar no blog, ou ele mesmo, afinal nunca se sabe quando um arquiteto holandês pode entender português, não é mesmo? Aliás, vai ver é por isso o Roupa Nova cantava tão empolgado "Eu te abraçava, tu e o holandês,/ e perguntava "tu e o holandês?"/ Beijar você um sonho a mais não faz mal".

O endereço é tão de luxo que o povo trabalhador ainda nem se mudou para lá. Pelas contas originais, deveria ser antes da Olimpíada, mas como vimos, não rolou. Os jogos já acabaram há quase um ano e nada. Claro que agora o motivo é resolver o que fazer com o prédio do Oriental Hotel localizado no complexo e que se consumiu-se todinho em chamas no último dia do Festival da Primavera aqui. Pirotecnia pura.

A ver quem vem primeiro, o canal em português ou a mudança pra casa nova. A TV já exibe canais em inglês, francês e espanhol e prepara o árabe. O russo, assim como o tuga, está na lista. Aliás, pra duas línguas tão parecidas, acho que poderiam contratar a mesma equipe.

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Depois de imaginar que este post tenha acabado com qualquer chance de ser contratada pela dita emissora tamanho festival de nonsense (aliás, querido leitor, chegou até aqui?), deixo uma singela homenagem dos tempos olímpicos aos holandeses. Som na caixa, Roupa Nova.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Se você disser que eu desafino, amor

Dashan (大山) é o nome do cara que fala um chinês impecável, conhecido China afora pelo mandarim perfeito. Todos os dias, ele aparece no canal em inglês da TV estatal chinesa, a CCTV, para dar aulas de mandarim. São 15 minutos de muita atenção em frente à tela.



大山 é o nome chinês adotado pelo canadense Mark Rowswell. Significa Grande Montanha. Pois o amigo Grande Montanha antes de chegar à China havia estudado mandarim por quatro anos. Aqui, aprimorou de vez o que já sabia e até integra peças e programas televisivos humorísticos falando em chinês. Celebridade, considerado o cara que mais entende de cultura chinesa sem ser chinês. Pelo menos, o cara que mais aparece na TV com estas características, vamos combinar.

A carinha dele ainda estampa um sem fim de materiais para chineses aprenderem inglês, basta ir a qualquer das grandes livrarias chinesas para conferir. Carisma puro, ainda mais porque ele tem um discurso de ser um estrangeiro, mas não alguém de fora (大山虽然是外国人,但不是外人). Fácil ser alguém como 大山? Nãnãninanão.

Há quem diga que o aprendizado do mandarim - incluindo aí falar, ler e escrever - leva em torno de oito anos, para quem se dedicar, pelo menos, seis horas à língua todos os dias.

No ano passado, quando mantinha o China in Blog, falei sobre a estrutura do mandarim, que tem cerca de 400 verbetes monissilábicos que combinam os fonemas de 21 letras classificadas como iniciais a 44 diferentes combinações chamadas de finais.

São apenas com estes 400 verbetes que se forma toda a estrutura fonética do mandarim, ou seja, todas as palavras necessárias são resultado destes sons. Ou melhor, da utilização destes sons seguindo os padrões de uma língua tonal - um certo requinte de crueldade para acrescentar um nível a mais de dificuldade no que já é bastante complicado. Temos no mandarim quatro tons, ou até cinco, levando-se em consideração que há um tom neutro. Sopa no mel, eu juro, não reclame. Você poderia se dar ainda pior se resolvesse aprender o tailandês e seus seis tons ou o cantonês e o vietnamita, com nove cada um.

Feliz por saber que tem gente em pior situação neste mundo? Eu não. Confesso que os tons não são comigo. Apesar de boa memória, na hora de falar não sei usá-los bem. Quando começamos a aprender chinês, as primeiras aulas são chatíssimas repetições de cada um dos sons, representados por quatro sinais gráficos diferentes - ā, á, ǎ e à.

Em tese, eu sou realmente fraca. Os sinais indicam direitinho o que é pra fazer. Quer ver:

Primeiro tom. O ¯ que se usa chama-se mácron e indica que a vogal é longa. Ou seja, deve ser pronunciada de forma contínua. Quem nunca escreveu em e-mails ou msn um Obaaaa que atire a primeira pedra. Entendeu mais ou menos sobre o que estou falando?

Segundo tom. O ´ é o nosso velho amigo acento agudo. No mandarim, significa mais ou menos que você terá de pronunciar a sílaba como se estivesse fazendo uma pergunta. Sacou? Isso aí, exatamente o som que saiu quando você pronunciou o "ou".

Terceiro tom. O ˇindica um sobe e desce no meio da sílaba. Imagine que "Ahan" é uma única sílaba. Esta ondinha sonora existente entre o primeiro e o segundo "a" é exatamente o movimento necessário quando você tem de pronunciar o terceiro tom. Louvores para o "Ahan" pronunciado no final da propaganda da Polar a que vocês podem assitir abaixo.

Quarto tom. O ` é outro sinal gráfico bem conhecido dos brasileiros, nosso acento grave. Grave mesmo é o tom. Imagine que está encerrando uma fala meio brabo, meio enfático. E não enche mais o saco, pô! Pronto, taí a dica para um bom quarto tom.

Tom neutro. Ele é neutro, mas significa que deve ser pronunciado como a maioria das sílabas no português. Pena que aparece tão pouco, 是吗?

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Pra encerrar o post, uma frasezinha em que vamos do primeiro ao quarto tom, encerrando com o terceiro, que é pra você ir treinando tudo desde cedo: huāníng nǐ péngyǒu!

Ou "bem-vindo, amigo", que em chinês a gente deve escrever assim: 欢迎你朋友. E, claro, lembrar dos tons na hora de ler cada um dos caracteres. E, claro, lembrar dos fonemas de cada um dos caracteres. E, óbvio, lembrar dos significados de cada um dos caracteres também.

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Agora uma cervejinha, por favor!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Esqueça o Youtube


Os sites chineses populares por aqui não são Youtube ou Google, muito menos Orkut. Aqui se assiste vídeo no Youku, se faz buscas no Baidu. Redes sociais, não sei, mas que o Facebook até que tem adeptos por aqui, ah, isso tem.

Pois hoje buscando no Baidu, descobri inúmeros vídeos sobre o incêndio que atingiu o prédio do hotel Mandarin Oriental logo atrás da nova sede da CCTV, no centro econômico e financeiro de Beijing.

Ontem, ao chegar ao local, foi fácil perceber todo o mundo capturando imagens com telefones e câmeras. Hoje a rede está inundada de flagras.

O governo chinês hoje se pronunciou oficialmente sobre as causas do fogo. Uma empresa contratada para fazer um show pirotécnico do topo do prédio de 40 andares teria usado artefatos proibidos. No incêndio, não houve vítimas, mas um bombeiro que atuou no combate ao fogo morreu na manhã desta terça-feira em decorrência de problemas respiratórios. Outros seis bombeiros estão internados, além de um trabalhador da construção civil.

O que eu ainda não ouvi falar é sobre o destino do prédio.

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As imagens sáo da página do Baidu sobre o incèndio de ontem.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Hotel no complexo da CCTV arde em chamas em Beijing


Beijing – e a China inteira – celebra hoje o Festival das Lanternas, comemoração de origem milenar que marca o fim dos festejos do Ano-Novo Chinês e última data em que é possível soltar fogos de artifício na região central da Capital. E talvez um destes fogos tenha dado início a um incêndio que, pelo que vi, destruiu um prédio de 40 andares que daria lugar a um hotel da rede Mandarin Oriental, marca de luxo.

O edifício fica no novo complexo da CCTV, a rede estatal de televisão chinesa cujo projeto arquitetônico é aclamado como uma das maravilhas contemporâneas. Quem assina é o holandês Rem Koolhaas. Certo é que deveria estar pronto antes da Olimpíada, mas não deu, a área toda ainda estava vazia. Motivo por que se acredita que não haja vítimas.

A hipótese do fogo provocado por petardos pra mim ainda é muito remota. A gente sai pela rua e tem foguinho de tudo quanto é lado. Difícil um acertar justamente um dos prédios modelo de arquitetura e urbanismo contemporâneo. Ou só uma triste coincidência, ainda mais no último dia em que a brincadeira era permitida. Mais, só no ano que vem.

Correndo para pegar um táxi e ver as chamas, um fogo estorou bem perto de mim, dentro do meu condomínio, fazendo com que uma janela de um apartamento simplesmente se estilhaçasse. Pensei: onde estou me metendo...

O táxi parou a cerca de dois quilômetros do prédio que ardia em chamas. Corri como uma louca, mas quando cheguei, se o fogo ainda estava longe de ser controlado, pelo menos não se viam mais labaredas gigantes, como eu soube que teve ao ver vídeos e fotos de pessoas que haviam chegado bem antes do que eu. Atravessando um viaduto para acessar a região, apinhada de chineses tentando entender o que acontecia próximo a um dos símbolos da cidade – fincado no centro financeiro de Beijing – alguns avisavam: feiji lai le, feiji lai le, que significa que vinha vindo um avião. Realmente algo se movia no céu, e acho que deveria ser um helicóptero da polícia. As referências ao 11 de Setembro e um temor de ataque terrorista, acho, no entanto, acabam sendo inevitáveis.

Já perto do complexo, um vaivém de carros da polícia e ambulâncias, além de viaturas do corpo de Bombeiros, dava um tom de filme. Surreal, na minha frente. Mesmo tendo chegado mais de 21h à região de Guomao – cuja tradução é World Trade Center -, ainda não havia um cordão de isolamente, e os curiosos, que somavam milhares, sem ser exagerada, andavam pra lá e pra cá fazendo imagens, conversando com as pessoas, observando. Jornalistas de todo o mundo brotaram e se perguntavam o que poderia estar acontecendo.

Velhos, jovens, adultos, crianças, policiais, freelancers, fotógrafos, repórteres de todas as mídias estavam todos ali, alguns dos quais me provocando inveja. Sem um smartphone ou algo que o valha, estava no local da cena, mas nem sequer o Twitter eu poderia atualizar. Fiquei pensando o quanto somos já dependentes da informação instantânea, mesmo que ela não contenha o número de vítimas, as causas do fogo, o que vai acontecer com o prédio.



Mais, daqui a pouquinho.

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A primeira imagem é minha, mas cheguei quando as chamas já estavam meio que sob controle e, além disso, minha maquininha é bem ruim.

A segunda imagem é de um especial sobre o caso publicado pelo site chinês Tencent QQ, um dos mais famosos do país. Detalhe: o especial está no ar desde cerca de três horas depois do início do fogo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ligados nas alturas



Em qualquer lugar do mundo, nao é necessário estar aqui em Beijing para comprovar que é verdade, se ouve falar da rapidez com que a China está mudando, que Beijing é uma cidade em constante movimento, não para nunca, nem pra dormir. Obra e obra, a maior parte delas pra ficar pronta antes da Olimpíada.

Beleza, até aí, tudo bem. Agora, espanta observar esse turbilhão - e pensar que mais rápido do que as mudanças na arquitetura da cidade, está a velocidade dos dias.

Já estou aqui há mais de seis meses, e me propus a observar alguns locais com mais cuidado pra perceber as mudanças. E registrá-los também.

Um dos eleitos foi a futura sede da CCTV, o canal de televisão estatal da China, localizado na região conhecida como CBD, o distrito de negócios central de Beijing, bem ao lado do Terceiro Anel (vá se acostumando a estes nomes, são fundamentais pra se localizar por aqui). Será a partir dele que a TV fará a cobertura da Olimpíada 2008.

Logo que cheguei, eram duas torres sendo construídas lado a lado. Eu sabia que seriam unidas lá em cima, pois havia lido sobre isso.

Bueno, as duas primeiras vigas da estrutura que ficará suspensa a 162 metros foram ligadas ontem, dando início ao pavimento que suportará 14 escritórios e consumirá 18 mil toneladas de aço. O projeto do holandês Rem Koolhaas já foi muito criticado dentro do país mesmo pelo desperdício de material. Mundo afora, é simbolo da pujança chinesa e classificado pela revista norte-americana Business Week como a estrutura mais radical do país.

No sábado, me espantei em ver os dois prédios quase unidos. Susto: quem anda mais rápido? Os empregados da construção ou o tempo, pra me lembrar que não cheguei aqui ontem?

Há de ser o tempo, com certeza, pois ele vive me pregando peças e deixando o meu dia apertado, com cada espaço ocupado, razão pela qual eu não tenho tantas fotos de cada etapa da construção do prédio como eu havia planejado.

Resolução pra antes do fim do ano: Vou lá neste feriado tirar umas fotinhos do estágio atual da construção pra vocês, ok?


Esta avenida que aparece é o Terceiro Anel, uma das vias que circunda Beijing - no total, a cidade tem cinco (Crédito: Jana Jan/Especial)


Estes cliques são de setembro, quando os prédios começavam a ficar inclinados (Crédito: Jana Jan/Especial)


Sábado me surpreendi com a obra, e tentei tirar uma foto de dentro do táxi mesmo, mas não fui muito feliz (Crédito: Jana Jan/Especial)