quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Plástica chinesa sobre o Brasil
A produção que tem dedo chinês, japonês e brasileiro aportou na Liberdade, o bairro oriental de São Paulo, para contar uma história que tem como inspiração outro chinês, Law King Chong, conhecido como o maior contrabandista do Brasil, dono de shopping na 25 de Março e figurinha fácil dos noticiários entrando e saindo da prisão entre uma brecha legal e outra.
Yu disse que queria neve em São Paulo e fez nevar. Assim como ali fez o mar. E na Amazônia botou um tigre siberiano, além de ter feito da selva o ponto de encontro indígena-asiático, onde todos se esbarram, basta dobrar à esquerda na placa para lá do fim do mundo, onde começa o Brasil, ali no Oiapoque. Da terra brasilis, teve muito mais, teve favela, teve o credo cego nas igrejas estilo Universal (destas pentecostais que se espalham feito rastilho de pólvora salvando as almas de corpos de gente que se sente sem ter onde cair morta), teve o povo pobre, a corrupção, a violência, a prostituição e a simbiose dos asiáticos com o caldo já misturado de brasilidade. Pivetes ensaiando em pista de skate o que seria kung fu e finalmente uma luta de gangues numa cena plástica com mistura de animação e realidade cheia de clichês – apesar de o diretor negar que haja qualquer lugar comum no seu olhar oriental sobre o Brasil. Foi luta de gangue com espada. Espero que a moda não pegue. A navalha é afiada que só. E no Kill Bill a plástica está bem melhor, viva o Tarantino.
Este caldo todo que só não entorna porque temos paciência e afinal, arte é arte, e todo o esforço é válido para se contar uma história, tem ingredientes peculiares. A produção aportou no Brasil com prazo apertado, gravar tudo em 42 dias. E lasca o diretor:
- Eles são muito americanizados, seguem os padrões da indústria americana de cinema, trabalhando apenas 12 horas por dia, e ainda querem intervalo para almoço.
Parece que o estranhamento de Yu é o mesmo da equipe dona da casa. Perguntada sobre qual a principal diferença no fazer cinema chinês e brasileiro, a atriz Tainá Muller, que encarna Rita no filme, responde:
- A rapidez. Eles filmam com um ritmo que nunca tinha visto no cinema brasileiro. Eles também acham estranho essa coisa de parar para almoçar, ter folga... (risos). Mas eu não esperava diferente. Quando morei na China chegava a fazer um catálogo de 200 roupas em menos de quatro horas. É o ritmo dos chineses. Outra coisa que achei diferente foi a preocupação com detalhismo, o cuidado com a estética e a fotografia. Não que no Brasil não tenha, mas acho que culturalmente os chineses são mais atentos aos detalhes e isso acaba imprimindo na tela.
Plastic City não tem data para estréia no Brasil, mas segundo Yu, ocorrerá entre outubro e setembro. E o que esperar?
– Eu acho que essa questão é realmente um mistério (risos). Não sei mesmo o que os brasileiros vão achar do filme. Quando assisti, achei muito curiosa a leitura do Yu Likwai. Por exemplo, tem uma cena super violenta de assassinato que ele colocou de trilha sonora um forró. E não é que combinou? - diz a atriz.
A audiência em Beijing, onde o filme foi exibido em agosto, curtiu. Faltou o carnaval, claro, mas muita favela de Cidade de Deus e a violência retratada na história dirigida por Fernando Meirelles e que virou febre mundo afora aparecem também, satisfazendo os olhares gringos e dando a eles a falsa impressão de que, enfim, este é o Brasil. Não que não seja também, mas é muito mais, você entende, não.
Tainá contracena com o japa Jô Odagiri, escolhido a dedo pelo diretor, mas cuja limitação da língua acabou por deixar o samurai dublado tanto em português quanto em mandarim. Pena. O peso pesado do filme é o Anthony Wong Chau-Sang, que vive o chefão Yuda. Para o público asiático, ele é o cara dos filmes de gangues e máfias. E tá dublado bem poucas vezes, para sorte dele.
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Na web chinesa, o filme já está no ar, basta acessar aqui
http://v.youku.com/v_show/id_XMTExMDg2NzA4.html
O nome em mandarim é 荡寇 (Dangkou), ou Anti-Pirataria. Um bom título, porque o filme trata disso. Tema, aliás, espinhoso para quem produz arte. E pirataria atrapalha o cinema, caríssimo diretor?
- Não, o que atrapalha o cinema é a fixação da audiência pelos filmes feitos segundo o modelo norte-americano - disse o senhor
Yu, para a platéia que o acompanhava aqui em Beijing.
Se não tem tanto problema, clica sem medo no link do Youku e curte no teu computador.
Para quem não sabe, o Youku é praticamente o paraíso online de séries e filmes na China. Só cresce e vai muito bem, obrigado, graças ao sem número de concessões - ou inexistência - da lei chinesa sobre propriedade intelectual. Aqui - http://raulnachina.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-23_2009-08-29.html#2009_08-24_06_49_08-130436097-0 -, entrevista impagável do gerente de relações internacionais do site ao jornal Folha de São Paulo. Curtam este pedacinho, pelo menos, postado pelo jornalista Raul Juste Lores.
"Por que as empresas chinesas pagam por anúncios de dez segundos antes de cada episódio americano, o que não acontece com as novelas chinesas?", pergunto. O relações públicas perde a diplomacia. "Se for para escrever sobre Youku e pirataria, a entrevista está encerrada", responde, aos gritos. "Dou entrevistas à CNN e à Fox sobre internet livre. Se for para nos acusar de pirataria, não."
sexta-feira, 24 de julho de 2009
E a dona Rebiya expulsa hans
Os diretores Chinese Jia Zhangke, Tang Xiaobai e Zhao Liang anunciaram que se retiravam do festival nesta quinta-feira. Segundo eles, foi uma decisão pessoal em decorrência da exibição de The 10 Conditions..., documentário de 59 minutos produzido neste ano e que conta a história de Rebiya Kadeer, a ex-milionária uigur que deixou a China em 2005 e é acusada de ter incentivado os protestos que resultaram na morte de quase 200 pessoas no início deste mês em Urumqi, a capital de Xinjiang. Kadeer é acusada de promover separatismo e outros quetais que afetam a tão proclamada harmonia da sociedade - gigante, complexa e multiétnica - chinesa.
O jornal em inglês China Daily traz uma matéria hoje (http://www.chinadaily.com.cn/china/2009-07/24/content_8466373.htm) em que tanto Jia quanto Tang explicam que deixaram o festival por iniciativa própria, visto que a exibição do documentário sobre Rebiya é uma afronta à China.
Tem tanta coisa neste caldo. China e Austrália vêm se estranhando faz um tempinho. Os chineses queriam muito abocanhar parte da gigante Rio Tinto, uma das maiores mineradoras do planeta, num negócio que acabou barrado pelo governo australiano - haveria risco de ficar na mão de Beijing? Depois, foi descoberta espionagem envolvendo funcionários da Rio Tinto na China.
Num clima de talvez até nem tão propositais afrontas, o documentário sobre Rebiya será exibido no dia 8 de agosto. Os ingressos já estão esgotados, e a curisiodade fica por conta da data. Será o primeiro aniversário da abertura da Olimpíada de Beijing. Num ano de tantos aniversários sensíveis para Beijing, bem que este é de se comemorar.
Eu não posso assistir aqui, mas você pode ter uma mostra de o que o australiano Jeff Daniels realizou aqui www.youtube.com/watch?v=qxiGQ9uacgs.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Desejo e Perigo atrasados
Passei a tarde agora lendo sobre o filme e me deparei com críticas - todas em português - que exaltam a beleza do filme e outras que dizem se tratar de uma obra certinha, capaz de trazer elementos de suspense, amor, além de conter uma ambientação histórica impecável e só. Para mim, o só já significa tudo.
Sim, concordo que uma história de amor é meio demais para retratar um jogo tão complicado como aquele envolvendo um espião que delata, tortura e não está nem aí na Shanghai ocupada pelos japoneses da década de 1940. E o filme é por aí. Nem vou dizer que a personagem era uma mocinha tonta que se destaca por seus dotes pra que você não perca a vontade de ver. Até porque vale muito a pena.
Eu vi duas vezes, ambas no cinema, e isso que por aqui cinema está longe de ser barato, coisa de R$ 20, R$ 30, dependendo da sala. A primeira, logo depois de ser lançado e ter provocado polêmica pelas cenas de sexo e de violência - tem um assassinato na trama -, foi em Hong Kong. Estava curiosa pela versão sem cortes e resolvi gastar o pouco tempo que tinha na cidade enfiada duas horas e meia numa sala escura. Adorei.

De volta à capital chinesa, faltou mesmo o sexo e o assassinato. Mesmo que os cortes sejam assinados pelo próprio Ang Lee, faltou vigor. E, neste ponto, discordo de quase todos que dizem se tratar de um filme erótico. Pra mim, a intimidade da menina e do malvadão só se revela na cama, e vai fazer todo o sentido depois.
Na época, logo vi DVDs piratas sendo vendidos pelas ruas de Beijing. Sem cortes, diga-se. Foi uma bela lição sobre o modus vivendi chinês. A gente proíbe o que considera ruim e faz de conta que todos aceitarão os limites. E todos fingem que não sabem como ultrapassá-los. Até acho que a grande maioria não sabe, mas isso é outra história.
Desejo e perigo em chinês é 色,戒, que em mandarim lemos Shai Jie. Aí vai o trailer, em português mesmo.
Uma das cenas mais sensuais pra mim, não eróticas, é quando a atriz, Wei Tang, canta 天涯歌女,ou a Cantora Errante, que pode ser lido como Tianya Genu, para o amante, vivido por Tony Leung Chiu Wai. Aliás, graças ao filme, comecei a achar o cara O cara sensual da China, isso que ainda nem vi todos os filmes do Wang Karwai que ele faz, como Amor à Flor da Pele. Bueno, segue esta palhinha pra vocês.
A música originalmente foi cantada por Zhou Xuan, atriz chinesa famosa lá longe. Olha a performance de 1937 aí, gente.
Aliás, as duas personagens vestem qipao (旗袍), que é como são chamados os maravilhosos vestidos chineses, criação de Shanghai, onde se passam as duas tramas apresentadas rapidamente nas imagens acima.
Drops
Wei Tang (http://www.tang-wei.org/) foi banida da mídia chinesa após protagonizar as cenas de sexo e hoje vive em Hong Kong.
domingo, 19 de abril de 2009
Golpe de mestre

Chan figura em diversas propagandas por aqui, durante a Olimpíada, era quase mais famoso do que astros esportivos locais, como o jogador de basquete Yao Ming e o medalhista dos 110m com barreira em Atenas, Liu Xiang.
Pois neste sábado, Chan saiu das telas para entrar em cena e agradar uma plateia de elite, a de líderes políticos chineses, que junto a outros governantes da Ásia estavam reunidos em Hainan, ilha ao sul da China, para o Fórum de Boao. O evento anual seria a versão asiática do Fórum de Davos.
Pois bem, diante destes senhores, Chan, segundo a agência de notícias AP, foi breve:
- Eu não tenho certeza se seria bom ter liberdade ou não. Eu estou realmente confuso. Se você é livre, será exatamente como Hong Kong é hoje em dia. Super caótico, assim como Taiwan é caótica – disse o ator, que, aliás, é de Hong Kong.
A estrela do cinema – que tem uma legião de fãs por aqui, onde é conhecido como o Dragão Cheng, ou 成龙 – foi ainda mais querida para com o público que o assistia.
- Eu estou começando a sentir que os chineses precisam ser controlados. Se não for assim, faremos apenas o que quisermos – disse o ator.
Ao avaliar os jovens chineses, Chan disse que eles preferem o que outros (apesar de eu não ter entendido exatamente quem são estes outros) fazem, não o que os chineses fazem. Bueno, talvez ele também.
- Se eu preciso comprar uma TV, definitivamente comprarei a de uma marca japonesa. Uma chinesa poderá explodir.
Bom discurso para um encontro onde a maioria era de líderes chineses. Se tivesse Olimpíada de novo, garanto que ele novamente seria convidado para cantar na cerimônia de encerramento. Apesar de eu ter ficado de cara com a fala do astro cinematográfico, às vezes, sou obrigada a concordar com ele. Alguns produtos chineses são realmente uma bomba.
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Página em português do gajo.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Stand by me
Stand By Me from David Johnson on Vimeo
O vídeo aí de cima integra o projeto Playing for Change: Peace Through Music, documentário dos diretores Mark Johnson e Jonathan Walls. Em 2005, eles já haviam lançado outro documentário, com músicos de rua. Desta vez, escolheram 100 músicos em diversos cantos do mundo, do Tibete ao Zimbábue. Do Rio, vem o Cesar Pope, pelo menos em Stand By Me, que já está disponível na web. Além de reunir esta gente tocando e cantando, o documentário traz depoimentos dos músicos.
O projeto será lançado em CD e DVD e também no site da Fundação Playing for Change (Tocando por mudanças, numa tradução livre). A idéia, além de mostrar a música pelo mundo, é ajudar na vida das pessoas, efetivamente. O primeiro centro já existe em Gugulethu, África do Sul.
Segundo Johnson, a ideia surgiu há sete anos, a partir de um conceito simples, o de que a música sempre foi uma linguagem universal. A partir daí surgiu o projeto, que se classifica como um movimento multimídia cirado para inspirar, conectar e trazer paz ao mundo. Eu achei tão legal que vou dar um replay no vídeo. E você?
quarta-feira, 25 de março de 2009
Filme chato
Tudo ruim, do início ao fim. O roteiro não colou, achei os atores ruinzinhos e, como disse o Bruno Porto num comentário no meu blog antigo, o China in Blog, o que mais se curte são as cenas que mostram Shanghai.
Eu total lembrei da viagem que fiz para lá com meus irmãos no ano passado. Há uma cena em que a Coco, a personagem principal, está dançando num bar e eis que este é o Zapatas, uma casa noturna bacana (e uma das únicas que conheço), um lugar onde estrangeiro pega chinesa. Acho que é assim, salvo engano. Alguém de Shanghai que me leia que me corrija.
A tal Shanghai Baby é vivida pela chinesa Ling Bai, expert em aparecer. Pena que ao aparecer na tela, nem sempre convence. No ano passado, a mocinha sugeriu um sexo a três interessante, com a Angelina Joelie e o Brad Pitt. Até eu proporia, você não? Não sei se a Ling Bai levou.
Talvez o talento da Ling Bai tenha ofuscado o do gato Gregory Wong, o chinês que contracena com ela, vivendo o pobre drogado artista frustrado Tian Tian. Ai, homem gostoso. Não achei uma foto do guapo pela internet. Que popularidade mais baixa.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Greta Garbo à chinesa

Lingyu nasceu em Shanghai em 1910. Foi ali que morreu, aos 25 anos, após uma ingestão exagerada de remédios para dormir. O suicídio teria ocorrido porque, além de ter uma vida amorosa conturbada, ela seria vítima das fofocas da mídia da época. Não que as pessoas se matem hoje em dia por causa disso, mas bisbilhotar a vida das celebridades ainda ocorre. Canseira.
Lingyu era a queridinha do cinema na China - e como Cousins disse, nos anos 30, Shanghai e Tokyo viviam épocas de ouro. O cortejo da atriz, dizem os registros, reuniu milhares de pessoas. Três garotas teriam também cometido suicídio durante o funeral. O jornal New York Times deu na capa a história, dizendo que era o maior cortejo do século.

Até hoje Lingyu é lembrada por quem entende de cinema - em Shanghai, um monumento homenageia a atriz, já que a lápide em si foi destruída durante a Revolução Cultural. Ela é considerada uma lenda, um patrimônio da cultura shanghainense.

Goddess (神女), de 1934, é considerada uma das melhores atuações da chinesa de origem cantonesa (e é um trecho deste filme que você pode assistir logo abaixo).
Cousins compara Lingyu a Greta Garbo e se pergunta por que o Ocidente não conhece a mocinha dos olhos puxados. Sabem, mesmo aqui se conhece pouco da história do cinema. Em qualquer loja de DVD ou camelô de rua, se encontra uma gama sem fim de últimos lançamentos nacionais e do mercado internacional. Agora, filmes mais antigos, prata da casa, quase nada.
***
Bueno, mas depois de falar um pouco da diva do cinema (mudo) chinês e mostrar algumas fotos da bonitinha, deixo com vocês um pouco sobre o Cousins.
Todos os meses, ele escreve artigos sobre cinema na revista britânica Prospect. Neste, de 2004, ele fala especificamente sobre as produções da Ásia e conta, claro, a história de Lingyu (mas é tudo em inglês). No ano passado, ele foi curador da mostra internacional de documentários no 13°Festival É Tudo Verdade. Escolheu 10 filmes que "Mudaram o Mundo" e justifica os eleitos neste texto, mal traduzido para o português. Achei a linguagem chaaaata.
De qualquer forma, ele afirma o que depois eu vi reafirmando ao vivo, que filmes podem ser, sim, instrumentos de educação e informação, por meio dos quais as pessoas podem aprender sobre uma sociedade, comportamento, cultura, etc - mesmo quando estes não têm qualquer traço documental, já que aqui em Beijing discutíamos mais as obras ficcionais. Cousins arrancou gargalhadas as dizer quem nem sempre é preciso ler livros para se manter informado - e se desculpou por estar dizendo isso justamente dentro de uma livraria que promovia um festival literário para o qual ele havia sido convidado. :p
Fato é que, segundo ele, ao ir mais fundo na ironia, disse que quem lê, lê para parecer mais inteligente, lê para conhecer mais, se tornar mais culto. Ao passo que quem assiste filmes, o está fazendo apenas como lazer. Aliás, superconcordo com estas perspectivas do moço escocês - que, pena não ter levado uma câmera para fazer uma fotita, vestia confortavelmente um kilt, aquelas sainhas escocesas com pregas e padrão xadrez. Cousins, cheio de estilo e várias teorias, também já se rendeu à escrita, que fique claro. Ele é autor do livro The Story of Film, sem tradução para o português.
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Toque brasileirinho
O 14°Festival É Tudo Verdade ocorre agora, de 25 de março a 5 de abril, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
quarta-feira, 18 de março de 2009
O cachorro roqueiro tibetano que meditava
Zheng Jun (郑钧) é um roqueiro quarentão chinês (e gato, vai) que entre outras pérolas, gravou em mandarim uma versão para Yellow, a fofa música do Coldplay. Para quem ficou curioso, o clipe está no final deste post. Para quem aguenta esperar, vou contar outra história sobre o cantante, antes mostrando por que eu disse que o moço era bonitão - a foto foi roubada do blog dele, cujo link abre este post, mas está tudo em chinês, já vou avisando.

Zheng tem outras duas paixões, além da música: quadrinhos e animais. E parece que o moço é criativo. Juntou todas elas para criar o Tibetan Rock Dog, uma história bacana, cheia de referências pop e trocadilhos em chinês - esta parte eu perdi...
A história começa no Tibet, onde o mastim Metal (麦头) nasceu. Ele cresceu num templo budista, depois que os pais morreram ao tentarem proteger camponeses. No templo, o avô, que aprendeu a meditar e a falar a língua dos homens depois de alcançar o mais alto grau da yoga canina, ensina a Metal os segredos da meditação canina e sobre o inimigo dos cães, o lobo tibetano.

Eis que um rock star adota Metal e traz o cão para Beijing, onde ele forma uma banda de... rock. Ah, os cães iluminados, além de conseguirem conversar com as pessoas, também podem tocar instrumentos!
Zheng já anunciou que vai transformar a história - lançada pela primeira vez há quatro anos - em filme. Eu achei divertidíssimo e, sinceramente, espero que ele faça isso. Ele quer conquistar o mesmo sucesso de Kung Fu Panda. Bobo ele não é, né: E é gato, eu já disse.
Agora, vamos à banda do Metal:
Nas guitarras, Zorro (佐罗), um dinamarquês cujo dono é também dono de um estúdio de tatuagens
Nos teclados, iKey, um labrador viciado em internet, culpa do dono, que trabalha em uma companhia de TI
Na bateria, Vaisly (瓦西里), um rotweiller descendente de família de cães que conhecem artes marciais
Wangcai (旺财), um são bernardo vegeteriano. Ele deixou de comer carne depois de encher o saco porque vivia em um restaurante de churrasco coreano, onde os clientes sempre insistiam em comê-lo. No pior sentido. O que me fez pensar se este cãozinho talvez seja veggie
Dingding (丁丁), um shnauzer hábil em bater papo, que virou o produtor da banda
Vivian (薇薇安), a golden retriever namorada do Metal

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Esta não é a primeira vez que Zheng usa a temática Tibet. Ele tem uma música chamada De Volta a Lhasa. Esta você poderá escutar após o vídeo e a letra em mandarim para a versão de Yellow, que entre os chineses ficou conhecida como Meteoro, ou 流星 (líuxīng).
流星
我想知道流星能飞多久
它的美丽是否
值得去寻求
夜空的花
散落在你身后
幸福了我很久
值得去等候
于是我心狂奔
从黄昏到清晨
不能再承受
情愿坠落在你手中
羽化成黑夜的彩虹
蜕变成月光的清风
成月光的清风
我纵身跳
跳进你的河流
一直游到尽头
那里多自由
我许个愿
我许个愿保佑
让我的心凝固
在最美的时候
情愿缀落在你手中
羽化成黑夜的彩虹
情愿不再见明媚的天
不再见明媚的天
幸福跳进你的河流
一直游到尽头
跳进你的河
我许个愿保佑
在最美的时候
我许的愿
我想知道
流星能飞多久
幸福了我很久
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Agora, De Volta a Lhasa
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Vai um cinezinho aí?
Primeiro vieram os Oscar, depois os holofotes todos para Slumdog Millionaire, o filme baseado no livro do indiano Vikas Swarup, batizado em 2006 no Brasil como Sua Resposta Vale Um Bilhão - e que agora tem nova edição em português.
Imagino que você saiba do que falo. A história se passa na Índia. Um ex-garoto de rua sofre durante infância e adolescência justamente em razão da condição financeira miserável - o que destrói a família, o leva para o mundo dos pequenos crimes, o deixa em contato com gente grande do crime. De repente, ele se vê prestes a botar a mão numa bolada por acertar respostas de perguntas sobre conhecimento geral em um programa de TV.
Na ficção, os responsáveis pela versão indiana do Show do Milhão (ai, o Sílvio Santos) desconfiam de Jamil Malik (o personagem principal, vivido por Dev Patel). Ele seria ou alguém de muita sorte, ou um gênio, ou um trapaceiro. Melhor mandar prender.
O roteiro eu vou parar de contar, caso alguém ainda não saiba. E se já sabe, menos motivo pra falar disso. Fato é que a história de miséria na Índia, em que há criminalidade, favelas e grandes diferenças entre ricos e pobres e que termina com final feliz, no jogo e no amor, chegará aos cinemas chineses até abril, segundo anunciou o Grupo de Cinema da China, responsável pela importação dos filmes estrangeiros no país.
Passou assim pela minha cabeça se um programa de TV como o que conduz o filme faria sucesso por aqui. Imagino que sim, que muito. Segundo o governo, Slumdog Millionaire irá para as telas sem cortes, pois traz uma mensagem positiva, de perseverança. E viva a liberdade! O anúncio oficial diz assim: "A decisão de adquirir os direitos de exibição do filme se deu devido ao valor artístico e ao tema positivo, saudável e inspirador da produção, comprovados pelos oito Oscar que conquistou neste domingo".
No site IMDb, o Internet Movie Database (ou banco de dados de filmes na internet), quem gostar da obra indiana com roteiro e direção ingleses também deve gostar de O Caçador de Pipas e de Cidade de Deus. Basicamente um sessão de "vamos entender como a pobreza funciona em diferentes países".
Pobreza indiana
Para mim, que pouco entendo do riscado, os planos e as sequências na favela indiana muito lembram Cidade de Deus. Como se não bastasse uma galinha aparecendo, destaque para a fala do bandido mirim Salim, irmão de Jamil (que quando criança é interpretado pelo fofo aí abaixo, o Ayush Mahesh Khedekar), que muda de nome quando resolve assumir a pose de chefe do crime.
- Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno, porra - você deve ter lembrado. Ou deveria. Eu lembrei, pelo menos.
Toda a plasticidade sobre a pobreza em amarelo - a brasileira era mais cinza, tinha uma cor ocre só lá no início da Cidade de Deus - explorada pelas lentes e olhares britânicos, no entanto, viaja sem dó no mundo da pieguice de Bollywood ao terminar o filme dum jeito água com açúcar, com uma coreografia de "gosto duvidoso" ilustrando os créditos. Olha, foi de propósito, né? Tanto o final meloso quanto a dancinha, eu digo. Era uma ironia acerca de quão pobre um filme pode terminar, se esta for a intenção. Eu sinceramente espero que sim. Não vi nenhuma conexão entre o final e o resto.
Estrangeiros na China
Desde a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), 20 filmes estrangeiros podem ser exibidos nos cinemas do país, desde que haja divisão de lucros. Antes, eram 10 títulos.
A restrição, somada às pesadas taxas impostas às distribuídoras, faz que somente filmes muito atraentes aos espectadores chineses venham parar nas telas. Perder dinheiro por aqui é que não dá.
Para além de 20
Claro que um DVDzinho sempre rola. Eu já comprei meu Slumdog, assim como uma lista gigante de indicados e vencedores do Oscar por cerca de R$ 4, cada. Tenho restrições a esta prática, mas tem horas que me sinto tão feliz atualizada. Aliás, se alguém ainda não se atualizou, aqui vai o trailer do filme.
Constatação. Mesmo que seja para menos gente, a magia do cinema ainda está lá. Ver um filme na tela grande é outra história. O preço do ingresso aqui em Beijing varia entre algo em torno de R$ 10 e R$ 35, dependendo do cinema e também da classe da sala. Tem umas tais de salas VIP a que nunca fui. O truque é pegar o cineminha esperto às terças, quando todos os estabelecimentos da capital oferecem 50% de desconto. Adoro esta ideia!
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O Jogo das Nossas Vidas

O poster aí de cima foi lançado na Coréia do Norte em 1966, quando a seleção do país participou da Copa do Mundo, realizada naquele ano na Inglaterra. Os donos da casa, aliás, foram os campeões, na competição que reuniu outras 15 equipes e da qual o Brasil se despediu ainda na primeira fase.
Apesar de ter sido o palco da última atuação oficial conjunta de Pelé e Garrincha, não houve brilhantismo para seguir adiante. Eles foram até marcaram os gols na única vitória do Brasil naquela campanha, quando o time estreou com um 2 a 0 sobre a Bulgária.
Voltemos à Ásia. Até agora, esta foi a única participação da Coréia do Norte no torneio (cujo cartaz você vê ali abaixo) - talvez em 2010 a coisa mude, pois a equipe está em segundo lugar no Grupo 2 das Eliminatórias Asiáticas para a Copa, atrás da vizinha Coréia do Sul. Na competição regional, classificam-se automaticamente os dois primeiros colocados de cada grupo (ainda há mais quatro jogos pela frente, mas quem sabe, né).

A estréia norte-coreana nas Copas ocorreu de forma inusitada. Após um boicote dos países africanos e de uma vitória inesperada sobre a Austrália em território neutro - Mianmar -, os norte-coreanos garantiram a vaga na Inglaterra. Fechados em seu regime, foram recebidos com curiosidade pelos ingleses.
Um feito brilhante - ou apenas golpe de sorte - alçou os moços ao topo. Na primeira fase, eles foram responsáveis por despachar os italianos, ao vencerem a Azurra por um modesto, mas surpreendete 1 a 0. A garra norte-coreana parecia não ter limite. Nas quartas, em 22 minutos de jogo, a equipe abriu uma vantagem de três gols sobre os portugueses, fato no qual ninguém acreditava, nem mesmo o narrador da partida. Os lusos, no entanto, não deixaram barato. Eusébio - que terminou como artilheiro em 1966, com nove gols, e cuja foto está logo ali abaixo - marcou quatro vezes, na partida que terminaria em 5 a 3 para os portugueses. Fim de competição para o único representante da Ásia, que resultou numa volta para casa celebrada como um retorno de heróis. A história é fofa, fofíssima.

Pois Dan Gordon e Nichollas Bonner fizeram um documentário exatamente sobre ela, chamado O Jogo das Suas Vidas (numa tradução totalmente livre que eu fiz para o título original The Game of Their Lives). O documentário vale a pena cada minuto. Não só pela história, pelas imagens de arquivo, mas pelo valor que tem como documento de um país tão fechado em si mesmo que, para ser mostrado, exige mil e uma aprovações, o que a dupla Dan e Nichollas garantiu.
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Hoje pesquisando na internet, vi que há outro documentário sobre futebol chamado The Game of Their Lives, este falando sobre os norte-americanos na Copa de 1950, aquela mesma entalada na garganta dos brasileiros quando os donos da casa, o Brasil, perderam a final em pleno Maracanã para o Uruguai. Não confunda os dois documentários, pois.
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O documentário sobre os norte-coreanos, não sei se há como encontrar na internet. Mas, repito, vale cada minuto. Recomendo.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Hein? Fala mais devagar

Sobre Amor, produção de 2005 dos diretores Ten Shimoyama (Japão), Chin-yen Yee (Taiwan) e Yibai Zhang (China) conta três histórias sobre três casais. Todas se interligam.
Bacana... Mas e daí? Daí que assisti hoje a este romance e pensei: Encontros e Desencontros (a tradução super estranha para o Lost in Translation, 2003, de Sofia Coppola) já era. Tá, não é pra tanto, mas eu me apaixonei por Sobre Amor, fazer o quê?
Primeiro, o que tenho a fazer é contar um pouco do filme pra vocês.
Bem, Sobre Amor é a tradução para o título em inglês About Love. Em mandarim, a película é 恋爱地图, Lian Ai Ditu, ou Mapa do Amor. Chineses e japoneses vivem romances dificultados - ou ampliados e aprofundados - pelas barreiras da língua. No casal, ou projeto de, um fala japonês, outro chinês. Num dos casos, um inglesinho bem básico ajuda.
Sempre há um estrangeiro nas histórias, ou seja, gente que vive fora do seu país - e que não fala, ou não domina e até está bem longe disso, o idioma local. Perfeito para eu me sentir quase dentro do filme. Também perfeito para saber que esqueci o japonês que sabia, que estou longe de saber mandarim. Mas isso é outro papo.
Lian Ai Ditu é pura poesia nas ruas de Tokyo, Taipei ou Shanghai. Mostra solidão, insegurança, conquista, amizade e curiosidade na medida certa, aquela que te faz te aproximar de alguém pra falar mais com olhos e o corpo do que usando palavras.
Para quem é apaixonado pela Ásia, nada melhor do que passear pelas ruas abarrotadas de Tokyo, visitar a beira da praia em Taipei (lá ainda não fui, será que é legal como parece? Tinha até um Fuca estacionado numa das ruas) e curtir a mistura moderna e suburbana/caótica de Shanghai. Destaque para as roupas penduradas para fora das janelas todo o tempo.
O filme é delicado sem ser meloso, e o desafio está em entender o outro na comunicação falha que leva à irritação, aos momentos de profundo silêncio, às gargalhadas inevitáveis e a uma curiosidade crescente. E o "Te Quiero", espanhol que cruza a fronteira e representa com louvor uma língua latina nesta babel asiática, tem um papel fundamental. Entenderá o corajoso que seguir a minha dica e resolver assistir ao filme.
Estou mesmo encantadíssima. Quem se aventurar, encontra inteirinho aqui (em japonês e mandarim, com legendas em chinês). Talvez haja em locadoras no Brasil. Numa busca rápida pela internet, vi em algumas listas de sites brasileiros especializados em cinema. Aqui, encontrei o filme graças a Aida, chinesa que me ensina mandarim e que... já morou em Porto Alegre.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Tela Grande

Warlords eh candidato a campeoníssimo de bilheteria na China
Foto: Reprodução/Chinainblog
E o cinema chinês vai bem? Olha, eu acho que sim. Há alguns comentários abaixo, o Gérson perguntou sobre o tema. Vamos às três produções nacionais campeãs de bilheteria até o final de 2007 - duas das quais eu assisti.
Campeoníssimo, aparece Warlords, do diretor de Hong Kong Peter Chan. Este eu não vi, mas o site já deixa com água na boca. A história? Mais ou menos assim: conta de forma épica o destino de três irmãos em meio a uma guerra sobre o assassinato do general chinês Ma Xinyi, isso durante a Dinastia Qing (1644-1911).
Bom, o Warlords embolsou US$ 26 milhões apenas na China desde que foi lançado, em 13 de dezembro. Com estréia uma semana depois, mas correndo no encalço, aparece Assembly, sobre o qual falei dia desses e cuja bilheteria já rendeu US$ 25 milhões.
Querido pra mim, pela história de dor, também com guerra como pano de fundo, mas que fala da relação homem e mulher de forma poética é o Lust, Caution, do diretor Ang Lee, aquele mesmo de Brokeback Mountain.
Vi Lust, Caution pela primeira vez em Hong Kong e adorei a história. Sabia que o filme havia sido cortado pelo próprio diretor, pois na China continental algumas cenas de sexo e violência não são aceitas. Bem, voltei ao cinema em Beijing poucos dias depois. Gostei também, mas confesso que preferi a versão que vi primeiro.
Vai aqui uma sinopse: Wang Jiazhi (Wei Tang) é uma jovem chinesa que entra na faculdade durante o período de ocupação japonesa, na 2ª Guerra Mundial. Lá ela participa de um grupo de teatro patriótico, tornando-se rapidamente a artista principal. Entretanto os planos do grupo são mais ambiciosos. Eles decidem assassinar o sr. Yee (Tony Leung Chiu Wai), um colaborador do lado japonês. Wang, então, se transforma em Mak, a fictícia esposa de um mercador. Sua função é se tornar amante do sr. Yee, para facilitar a ação do grupo.
Ah, em tempo, o Warlords pode ser um dos primeiros a chegar a bilheterias antes só conseguidas por Zhang Yimou, diretor de Lanternas Vermelhas e Heróis. O diretor cultuado na China é, aliás, o responsável pela cerimônia de abertura da Olimpíada 2008. Hmmmm, mas isso pode ser assunto para outro post.
Agora, esqueça a pipoca e se grude em frente às telas assim que puder pra curtir as produções chinesas.
;)
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
O primeiro filme de guerra chinês

Assembly chegará ao Brasil como Toque de Recolher
China in Blog/Divulgação
Assembly, cujo título no Brasil deverá ser Toque de Recolher, foi o meu primeiro filme de guerra sobre a China, visto aqui. A obra do diretor Feng Xiaogang é considerada o primeiro grande filme de guerra chinês, num estilo Resgate do Soldado Ryan ou da série produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks para a norte-americana HBO chamada Band of Brothers.
De fato, o filme é forte, traz imagens fortes. Conta a história de uma companhia do Exército de Libertação que luta até quase o último homem contra forças nacionalistas durante a guerra civil chinesa (1946-49). Apenas Guzidi (Zhang Hanyu) sobrevive à batalha e passa a dedicar a vida a resgastar a honra e a memória dos soldados mortos.
É nesse ponto, pra mim, que o filme passa a ser um filme de guerra, com todos os horrores que ela traz. Fala de determinação, companheirismo, solidariedade e dor. Pra quem assistir, desejo que mantenha um olhar atento nestas questões e esqueça um pouco dos comentários sobre os efeitos especiais que tornam as cenas mais reais ou não. Sob minha ótica, pouco importa.
Agora, vou dizer o que mais me impressionou ao ver Assembly num cinema em Beijing: o impacto do filme sobre a platéia, e o que pude discutir com meus olhos e ouvidos chineses, a Mariana. Sobre história, sobre o espírito chinês que hoje ainda se vive no país. Foi uma experiência bem rica.
Alguém por aí quer me acompanhar num cineminha chinês? Ah, claro, tínhamos legenda em inglês, apesar de estas passarem bem rápido.
Ainda sobre o mundo da sala de cinema:
- Nas salas a que fui, se pode comer pipoca dentro das salas, igualzinho ao Brasil (ai, eu tenho problemas com este hábito)
- Aqui em Beijing, na maioria dos cinemas - modernos como os nossos da Grande Porto Alegre - o ingresso é caro, a exceção das terças-feiras, quando cai para a metade do preço. Filmes há mais tempo em cartaz podem ter bilhetes mais baratos
- Noha, colega do departamento árabe da Xinhua e que é do Egito estava espantadíssima: "Aqui não tem intervalo pra gente poder ir ao banheiro", me disse, ao final do filme. "No Brasil tambem não", respondi, não achando nada estranha a falta do tal intervalo.
Alguém sabe se em outros países há este hábito de intervalo?