quinta-feira, 12 de junho de 2008

Um ano de paixão chinesa

12 de junho de 2008. Há um ano, eu chegava a Beijing. Pouca informação sobre a cidade, um monte de expectativa. A mistura chinesa e cosmopolita da capital logo me encantou e caí de amores. Por aqui, se olha para todos os lados o tempo todo e tudo encerra curiosidade, surpresa, espanto. Se olha para todos os lados e se olha para cima, sempre para cima.

Primeiro, devido à poluição – um dos problemas que Beijing mais se esforça para acabar –, é sempre pro céu que a gente olha para saber como será o dia: de céu azul, cinzento ou até com uma certa névoa.

Olhar pra cima não decepciona. Impossível não esticar o pescoço pra ver os imensos guindastes por sobre as estruturas dos enormes edifícios sendo construídos. O convite para observar os prédios já prontos é outro irresistível. Nunca deixo de ver como anda a construção do prédio da CCTV, a televisão estatal chinesa, cujas duas torres serão ligadas nas alturas.

E, bom, esse olhar para o alto deixa uma sensação de busca de novos horizontes. Novos horizontes que aqui também se traduzem em cores, desenhos e formas inusitadas nos telhados dos templos e das construções antigas, heranças das dinastias como Qing e Ming, que estiveram no poder ao longo de séculos.

Tanta informação nos telhados chineses me deixou com uma mania: clicar os tais telhados. Trago hoje algum destes registros pra tentar passar um pouco do porquê desta minha paixão. As fotos são da Capital e também de fora dela, de outras cidades que visitei neste um ano. Espero que vocês também se encantem um pouco – até porque o dia hoje pede bons prazeres, não é mesmo?

Falando nisso

Feliz dia dos namorados aos namorados, casados, amigos coloridos, amantes e amados. Aos solteiros, como eu, feliz dia de recordar as velhas e doces paixões e de planejar os futuros desejos (desejos se planejam? Bom, não sei, na verdade). Voltemos aos telhados chineses.


Beijing (北京), Estádio Nacional,ou Niao Chao (鸟巢) - Em 8 de agosto, a abertura da Olimpíada será ali. Todos os olhos voltados para o Ninho de Pássaro, apelido que ganhou devido à forma


Beijing (北京) - Centro Nacional para Performances Artísticas (国家大剧院), conhecido também como Ovo, e o prédio da CCTV, lá atrás, com guindastes acoplados ao topo


Beijing (北京), Xuanwumen Xidajie (宣武门西大街) - Casas antigas, construções novas, guindastes, a mistura que se espalha pela cidade


Beijing (北京), Parque Zhongshan (中山公园) - Ao lado da Cidade Proibida, parque tem corredor cujo telhado traz figuras de histórias e lendas chinesas


Beijing (北京), Cidade Proibida, ou Gugong (故宫) - O complexo que antes abrigou o poder tem quase mil cômodos. Esquadrinhar cada detalhe é impossível, mas olhar para o teto dos locais que visitamos é fundamental


Beijing (北京), Parque Beihai (北海公园) - O local já foi restrito apenas a imperadores e à corte e hoje é considerado o parque mais elegante da capital


Beijing (北京), Parque Beihai (北海公园) - A história do parque remonta ao século 13, quando o mongol Kublai Khan (1215-1294), fundador da dinastia Yuan (1271-1368), elegeu o local como seu palácio


Beijig (北京), Templo Lama, ou Yonghegong (雍和宫) - O local mistura arquitetura tibetana, mongol e han (etnia majoritária na China) e serviu como residência de Yin Zhen até 1723, quando este se tornou o imperador Yongzheng


Beijig (北京), Templo Lama, ou Yonghegong (雍和宫) - Após a morte de Yongzheng, o seu filho Qianlong converteu o local em um templo budista da seção Chapéu Amarelo, de orientação tibetana


Beijing (北京), Templo do Céu, ou Tiantan (天坛) - O local teve papel fundamental nas dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1616-1911), quando os imperadores iam até lá no solstício de inverno para rituais de oração e sacrifícios


Beijing (北京), Templo do Céu, ou Tiantan (天坛) - Considerado a ligação entre imperadores e o Céu, o templo hoje é um dos mais famosos de Beijing


Beijing (北京), Palácio de Verão, ou Yihe Yuan (颐和园) - Os corredores somam 700 metros e todas as 10 mil pinturas que aparecem nos telhados são diferentes umas das outras


Beijing (北京), Palácio de Verão, ou Yihe Yuan (颐和园) - O nome em chinês significa Jardim para Cultivar a Harmonia, apropriado para um local que sofreu ataques como na Segunda Guerra do Ópio, em 1860, e em 1895, dos japoneses


Beijing (北京), Distrito de Arte 798 - Opa, tem um homem caindo do telhado. O Distrito 798 reúne a arte contemporânea chinesa num complexo de fábricas da época da fundação da República Popular da China por Mao Zedong, hoje desativado


Badaling (八达岭), Grande Muralha, ou Chang Cheng (长城) - O símbolo do país não poderia faltar, no top das montanhas. Badaling é o trecho mais turístico, a cerca de uma hora de ônibus de Beijing


Shanghai (上海), Huangpu Qu (黄浦区), Distrito Central - Encravadas entre arranha-céus e prédios de escritórios modernos, centenas de antigas construções servem como estrutura para pendurar roupas (e como moradia, óbvio)


Shanghai (上海), Pudong (浦东) - Tem horas em que é impossível fotografar os telhados dos prédios sem fim da cidade (o clique é do meu irmão, Cristiano Silveira)


Shanghai (上海), Parque Yu (豫园) - No coração da Cidade Antiga, foi construído entre 1559 e 1577 pela família Pan, poderosos oficiais dos tempos da Dinastia Ming (1368-1644)


Shanghai (上海), Parque Yu (豫园) - A arquitetura típica da região sul da China foi alvo de sucessivos ataques, mas hoje está restaurada e é ponto turístico obritório do coração financeiro chinês


Macau (澳门), Ruína da Igreja de São Paulo - Construída em 1602 por padres jesuítas, a igreja foi destruída em 1835, mas a fachada ficou intacta e revela a cultura religiosa trazida pelos portugueses, que receberam permissão para atuar comercialmente na península em 1557


Macau (澳门), Templo A-Ma - Datado do início do século 16, o templo pode ser a origem do nome Macau, pois os portugueses teriam perguntado que terra era aquela e os habitantes respondido A-Ma Gau, ou Templo A-Ma. O A-Ma Gau teria sido entendido como Macau


Hong Kong (香港) - O verde da ilha de Hong Kong lembra, pra mim, um pouco do Rio de Janeiro


Hong Kong (香港) - À noite, um espetáculo de luzes ilumina os famosos arranha-céus de Hong Kong enfileirados ao longo de Victoria Harbour


Chengde (承德) - Mesmo com o frio do inverno, vale a vista da cidade cercada pelo Rio Wulie (a foto é do Cláudio Meirelles)


Chengde (承德), Putuozongsheng Zhi Miao (普陀宗乘之庙) - A cidade abriga uma réplica do templo tibetano de Potala, construída para a visita de tibetanos e mongóis que foram celebrar os 60 anos do imperador Qianlong em 1780


Chengde (承德), Putuozongsheng Zhi Miao (普陀宗乘之庙) - Próxima a Beijing, a cidade foi residência dos imperadores durante o verão, a partir de 1703


Wutaishan (五台山), Templo Tayuan (塔院寺)- O nome da cidade significa cinco terraços e o local é mesmo alto, a mais de mil metros acima do nível do mar


Wutaishan (五台山), Templo Tayuan (塔院寺) - Na região, começa a nevar em setembro, ainda outono, e só pára em abril, quando já é primavera na China


Wutaishan (五台山)- Uma pequena vila quase se perde em meio aos 47 templos que ainda se mantêm no local, onde foram construídos mais de 360


Yangshuo (阳朔), Xi Jie (西街) - Paraíso de mochileiros, Yangshuo mistura antigos hábitos, e o telhado serve como local perfeito para secar roupas


Pingyao (平遥)- A cidade onde o passado e o presente convida a passeios a pé ou de bicicleta para que se possa ver a arquitetura típica das dinastias Ming (1368-144) e Qing (1616-1911)


Pingyao (平遥)- A cidade foi muito próspera no passado, berço do sistema bancário da China

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Blog de férias

Estou em Hanói, na segunda parada na capital vietnamita para estas férias de 10 dias pelo Vietnã. Desta vez, a parada é rapidinha - cerca de quatro horas. Passo para dizer que o blog ficará um pouco abandonado até o próximo domingo. Eu e a Paula, com quem viajo, estamos indo para uma cidade do interior chamada Sapa, ao norte do Vietnã, perto da fronteira com o sul da China. Lá, com certeza, será difícil encontrar internet...

Voltarei com novidades deste vizinho chinês, um tanto instigador. Conto para vocês um pouco destas férias, mesmo que o tema deste blog seja a China. Bem, o Vietnã teve uma ocupação chinesa ao longo de mil anos. Há influências chinesas para se falar, não é mesmo?

Como estou correndo e sem os apetrechos necessários, fica o post sem imagens - e sim, elas são bem melhores do que descrições minhas...

Agora volto às férias. Antes, uma historinha.

A maioria do povo aqui é budista. No entanto, não hesitam em falar em Deus. Domingo, eu e Paula estávamos na van que nos levaria ao porto de Halong Bay (lembram que nuns posts abaixo comentei sobre as formações de carstes? Ficam em Halong Bay e são realmente impressionantes). Voltando à van, estava um dia nublado e nosso guia resolveu fazer gracinha.

- Telefonei para Deus agora há pouco e pedi que fizesse sol. Ele respondeu que tudo bem. À tarde teremos sol. Ele está com o dia livre para pensar em mudar o tempo, pois hoje é domingo e a mulher e as crianças saíram para passear.

Bem, fez-se silêncio. Eu mesma não entendi a que Deus ele se referia - e caso fosse o cristão, soou um tanto estranho. Esta estranheza entre as culturas é que me motiva a ficar mais e mais pela Ásia e descobrir tanto as diferenças quanto as pequenas "ignorâncias" que temos uns em relação aos outros. Nosso guia, o Kenny, não falou por mal, não cometeu nenhum erro, segundo o que ele conhece ou pensa conhecer sobre nosso Deus.

De qualquer forma, choveu à tarde. E à noite, choveu mais ainda!
:)

Até domingo.

Vôo olimpico


Os Fuwa na fuselagem do avião
Foto: Jana Jan/China in Blog

Tem avião olímpico na China! A Air China, maior companhia do país e parceira nos Jogos de Beijing, mudou a cara de algumas das aeronaves, que agora estampam os Fuwa, o quinteto de mascotes da edição 2008 da Olimpíada.

Ainda não tive a oportunidade de viajar num avião destes, mas achei tão fofo que não resisti ao clique dia destes, quando estava num outro aparelho vizinho - e pintado bem mais sobriamente.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Meu nome? Fala mais alto!


Eu sou Janaína. Fácil para você que leu até aqui, né?

Nome brasileiro, do qual tenho muito orgulho, o Janaína no entanto não é o nome mais fácil de ser pronunciado. Falantes de língua inglesa adoram um "Janáina" - com a sílaba tônica no primeiro "na" e esquecendo do "i" forte - e outros estrangeiros vão entre um Djanáina a Jenain'na. E segue o baile!

Pois entre os chineses, eu sou Renayina. Pelo menos é assim que se transcrevem os caracteres 热娜伊娜. Ganhei o nome mesmo antes de pisar em terras chinesas.

Os caracteres não encerram um significado, como muitos poderiam pensar, no estilo "Esplendor da Aurora nos Campos Verdejantes". Nem mesmo um "Rainha das Águas", significado de Janaína. É formado a partir dos sons e só. Daí, vários aprendizados sobre o chinês e viver na China.

- Familiarizar-se com estes caracteres para designar meu nome foi engraçado. E nada fácil

- "Re" lê-se algo entre "Je" e "Ja", mas na hora de fazer um som meio de "r", meio de "j", a língua fica parada um tempo no céu da boca, quase que curvada pra trás. É, nada, nada fáceis os fonemas chineses!

- "Re (热)" é quente. "Na (娜)" é mulher. "Yi (伊)" é mulher de corpo bonito.

De volta ao português, a mistura parece até apelativa, não? Melhor mesmo é esquecer dos significados dos caracteres separados. Mas eles escritos assim, lado a lado, formam um conjunto bonito. Eu acho, pelo menos.

domingo, 1 de junho de 2008

Houhai de noite e de dia


Lago congela mesmo no inverno, mas agora é aí que se anda de pedalinho
Foto: Moya Buxton/Especial China in Blog

Praticamente regra. Pegue qualquer guia sobre Beijing e se depare com um roteiro obrigatório para curtir a noite: Houhai (后海). A região de lagos - são dois - é central e cercada por bares e restaurantes. Agito na certa.

Mas eu, moradora da cidade, discordo um pouco sobre Houhai como destino pra balada. Acho uma mistura musical meio demais (agora no verão, principalmente, há um monte de grupos tocando com sons que "vazam" para a rua, e não é possível ouvir nem a música do bar que o vivente escolheu, nem a do boteco vizinho).

Também acho os preços altos - uma cerveja long neck sai por até R$ 10, e às vezes, mais do que isso. E a gastronomia deixa a desejar, salvo honrosas exceções, como a Pizzaria Hutong (bom, mas quem vai querer pizza se está recém chegado aqui?) ou o vietnamita No Name (comida apimentada e nem tanto, preço sempre salgado).

Mas tudo bem, melhor não desencorajar totalmente. A região é agradável, ponto. Agora, pra mim, o segredo está em curtir Houhai de dia. Foi lá que passeei de riquixá com a Tati, assim que ela chegou por aqui. No lago, ainda é possível andar de barquinho, pedalando e pedalando. Seria andar de pedalinho?

No inverno, outra diversão garantidíssima: patinar. Olha, esta é uma das coisas mais difíceis que tentei, a tal de patinação no gelo. Na boa, não consegui mesmo. A foto aí foi de sacanagem, o povo não estava caindo de maduro. Eu mesma, que não consegui sair do lugar, praticamente, só levei um tombão uma vez. Mas a foto ficou legal. Ainda do tempo em que meus irmãos estavam de férias comigo - e pagaram o mico coletivo junto a outros amigos daqui.

sábado, 31 de maio de 2008

Depois da Olimpíada, a Paraolimpíada


Fu Niu Lele retrata espírito de lealdade e amor à vida
Foto: Reprodução/Site oficial Beijing 2008

Beijing se prepara para receber a Paraomlimpíada de 6 a 17 de setembro, ou seja, 12 dias após o término da Olimpíada. Os atletas irão disputar medalhas em 20 modalidades. E você já conhece o mascote da Paraomlimpíada?

A Fu Niu Lele é uma vaquinha inspirada em antigas culturas de fazendas chinesas. O animal escolhido para representar os jogos em 2008 traz, segundo os chineses, um espírito de lealdade, amor à vida, além de ser realista e prático. Seria a síntese do conceito paraolímpico deste ano "transcendência, eqüidade e integração".

A vaquinha Fu Niu Lele representa ainda a simbiose entre homem e natureza. Na cultura tradicional chinesa, as vacas são consideradas amuletos para atrair bom tempo e boa colheita.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Contribuições às vítimas do terremoto


Funcionários da Agência Xinhua prestam homenagem às vítimas do terremoto
Foto: He Meng, a Mariana/Especial China in Blog

O terremoto de 8 graus na escala Richter que atingiu a província chinesa de Sichuan no dia 12 de maio deixou um saldo de mais de 68 mil mortos, segundo dados do governo chinês, e há mais de 20 mil desaparecidos. As perdas para os sobreviventes são inúmeras.

Cálculos estimam entre um ano e três anos o prazo para a reconstrução da região atingida. De urgente, se sabe que é preciso alimentar e garantir um lugar para ficar para quem perdeu casa, trabalho, lavoura. Também é preciso investir em saúde e evitar epidemias nestas áreas.

Em face desta realidade de devastação é que a solidariedade se torna tão importante. Contribuir é fundamental. Aqui, deixo a foto enviada pela Mariana como contribuição para mostrar a comoção e o respeito do povo chinês às vítimas e duas iniciativas tomadas em Portugal, enviadas pelo querido e assíduo leitor Manuel Lopes, de Lisboa.

O governo português enviará material de ajuda às vítimas. São tendas, esteiras, cobertores, "kits" de cozinha, de higiene, além de alimento. Já a sociedade civil, lembra o Manuel, recolhe doações em dinheiro por meio de uma conta bancária.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Eu e o carste


Os picos rochosos se enfileiram pela beira do rio
Foto: Jana Jan/China in Blog

Hoje saio para novas férias. Desta vez, o destino é o Vietnã, país vizinho à China. Além da capital, Hanói, vou a Halong Bay e Sapa. Mas é em Halong Bay que encontrarei uma das paisagens mais espetaculares de carstes. Carstes? Bom, eu não sabia. Na verdade, são formações rochosas - e porosas -, em geral de calcário. Formam o que se chama dolinas (parecem montanhazinhas) e cavernas. Caverna eu conhecia por caverna. Agora sei que o nome da rocha é carste.

Bueno, nas últimas férias, fui a Guilin e Yangshuo, cidades chinesas famosas pelos carstes e natureza exuberante, localizadas na província de Guangxi. Merecem o título. Mas meu guia sobre o Vietnã diz que são apenas um ensaio para o que verei em Halong Bay. A mesma formação se repete em Krabi, na Tailândia, caso alguém esteja querendo ir até lá. De novo: dizem que o top é Halong Bay.

Antes da ida ao país vizinho, deixo vocês com um pouco de carste em Yangshuo, mas da parte visível sobre as águas. Se é um ensaio para o que conhecer depois, não sei. Mas fiquei encantada com a paisagem: muito verde, água e rochas.

Yangshuo fica a cerca de uma hora de ônibus de Guilin. Bem menor, é recanto de mochileiros e lugar pra se fazer escalada ou curtir os rios da região, como o Rio Li. Aliás, de barco de Guilin para Yangshuo, a viagem dura cerca de quatro horas e meia, com paisagens muito bonitas - carste, carste, carste! - em todo o percurso. Vale muito a pena.

Além de tudo, é barato viajar por lá. Hospedagem e comida caem bem para um turista estrangeiro - e mesmo nacional. É possível dormir por menos de 10 dólares em bons hotéis (nada de quatro estrelas, mas com ar-condicionado, chuveiro quentinho) e jantar por uma média também de 10 dólares, ou até menos. Olha, o tal paraíso de mochileiros ainda é pródigo em comida ocidental. Sou da opinião de que quem está na China, tem de comer comida chinesa. Mas o café da manhã é difícil para a maioria dos brasileiros, pelo menos, então outra vantagem de Yangshuo: os inúmeros pubs e cafés da cidade abrem logo cedo e oferecem opções de café ocidental. Ah, o café chinês traz pães diferentes, massas, conservas de verduras e umas sopas de arroz bem típicas.

Se pensarem em férias na China, incluam Yangshuo, pelo menos, no roteiro de pesquisa.


Yangshuo tem rafting com estes barquinhos de bambu para duas pessoas


Yangshou tem o parquinho Shangri-La. Cês não têm noção da minha alegria com este verde todo


Yangshuo é paraíso dos mochileiros, muita gente vai pra escalar


Yangshuo tem cenários deslumbrantes, como este no fim da tarde no Rio do Dragão alguma coisa


Yangshuo tem este passeio de barquinho em que o verde é deslumbrante


Yangshuo tem barqueiros que falam ao celular numa boa enquanto "dirigem" a embarcação

Hein? Fala mais devagar


Sobre Amor, produção de 2005 dos diretores Ten Shimoyama (Japão), Chin-yen Yee (Taiwan) e Yibai Zhang (China) conta três histórias sobre três casais. Todas se interligam.

Bacana... Mas e daí? Daí que assisti hoje a este romance e pensei: Encontros e Desencontros (a tradução super estranha para o Lost in Translation, 2003, de Sofia Coppola) já era. Tá, não é pra tanto, mas eu me apaixonei por Sobre Amor, fazer o quê?

Primeiro, o que tenho a fazer é contar um pouco do filme pra vocês.

Bem, Sobre Amor é a tradução para o título em inglês About Love. Em mandarim, a película é 恋爱地图, Lian Ai Ditu, ou Mapa do Amor. Chineses e japoneses vivem romances dificultados - ou ampliados e aprofundados - pelas barreiras da língua. No casal, ou projeto de, um fala japonês, outro chinês. Num dos casos, um inglesinho bem básico ajuda.

Sempre há um estrangeiro nas histórias, ou seja, gente que vive fora do seu país - e que não fala, ou não domina e até está bem longe disso, o idioma local. Perfeito para eu me sentir quase dentro do filme. Também perfeito para saber que esqueci o japonês que sabia, que estou longe de saber mandarim. Mas isso é outro papo.

Lian Ai Ditu é pura poesia nas ruas de Tokyo, Taipei ou Shanghai. Mostra solidão, insegurança, conquista, amizade e curiosidade na medida certa, aquela que te faz te aproximar de alguém pra falar mais com olhos e o corpo do que usando palavras.

Para quem é apaixonado pela Ásia, nada melhor do que passear pelas ruas abarrotadas de Tokyo, visitar a beira da praia em Taipei (lá ainda não fui, será que é legal como parece? Tinha até um Fuca estacionado numa das ruas) e curtir a mistura moderna e suburbana/caótica de Shanghai. Destaque para as roupas penduradas para fora das janelas todo o tempo.

O filme é delicado sem ser meloso, e o desafio está em entender o outro na comunicação falha que leva à irritação, aos momentos de profundo silêncio, às gargalhadas inevitáveis e a uma curiosidade crescente. E o "Te Quiero", espanhol que cruza a fronteira e representa com louvor uma língua latina nesta babel asiática, tem um papel fundamental. Entenderá o corajoso que seguir a minha dica e resolver assistir ao filme.

Estou mesmo encantadíssima. Quem se aventurar, encontra inteirinho aqui (em japonês e mandarim, com legendas em chinês). Talvez haja em locadoras no Brasil. Numa busca rápida pela internet, vi em algumas listas de sites brasileiros especializados em cinema. Aqui, encontrei o filme graças a Aida, chinesa que me ensina mandarim e que... já morou em Porto Alegre.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Girassol


Aqui em Beijing, ao ouvir falar em Girassol, procure o endereço do bar que receberá os músicos. Você encontrará uma bossa nova daquelas.

- Super Tropicália esse nome - opina o músico Leon Lee, amigo do trio Girassol e responsável pela casa de jazz OT Lounge, localizada na região de Jianguomen, rodeada de embaixadas, cheia de estrangeiros, cheia de chineses, claro.

Foi no OT que ouvi Girassol pela primeira vez. Tive a honra de acompanhar a segunda performance dos músicos. Achei ótimo. Tenho certeza de que serão cada vez melhores. Mas quem são os responsáveis pela bossinha brasileira aqui?

A vocalista é a Kamila Nasr, canadense que vive hoje em Beijing, mas já morou um ano em Recife. Aliás, ela costuma brincar que alem de inglês, fala portuchinês, numa referência a estas duas línguas tão diversas e que tenta de todo o jeito dominar. Cantando, o português sai fluente. A Kamila é responsável por escolher o repertório, junto aos amigos, claro. Chega de Saudade tá lá. Garota de Ipanema também, claro. Ambas da dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes. E vamos a um sambinha gostoso, como Danca da Solidão, de Paulinho da Viola.

A guitarra é do Benny Oyama, de Nova York. O norte-americano descendente de japonês está com viagem marcada de volta para casa: julho. Motivo pelo qual o Girassol procura um integrante.Isso quem me contou foi o percussionista Jimmy Biala, outro norte-americano, este de São Francisco, Califórnia.

Bom, falei do trio, apresentei o povo, e você está vendo quatro pessoas na foto. Loucura minha? Não, é que é assim: Kenny, daqui mesmo de Beijing, está tocando flauta. No entanto, ele é um músico convidado, fazia uma participação especial. E que participação. Parece que tocou música brasileira a vida toda.

O Girassol também conta com o saxofonista Nathanial Gao, outro dos Estados Unidos. Mas neste dia ele não estava, ainda não tive a oportunidade de vê-lo.

E se estávamos falando em oportunidades, a bossa nova vai soar outra vez na noite de Beijing no sábado 7 de junho no Stone Boat Cafe, um bar gracinha dentro do parque Ritan. Ao ar livre, dá quase os ares do Café do Lago, pra quem é de Porto Alegre e já foi até a Redenção (aliás, ouvi dizer que a versão porto-alegrense havia fechado). Depois, no dia 28, eles voltam ao OT Lounge.

Percussão brasileira autêntica

O Jimmy já morou no Brasil dois anos - entre Salvador, especialmente, e Rio. Trouxe o samba de lá. A música já corria nas veias desde os cinco anos, quando aprendeu a tocar bateria. Junto ao samba, Jimmy trouxe percussão brazuca. Nos shows de bossa, lá estão rebolo, pandeiro, tamborim e ganza.

Pára o metrô, começam boatos

Os trens da linha 2 de metrô em Beijing, que circunda a área central da cidade, pararam hoje por cerca de 30 minutos por volta das 18h - horário local -, hora de pico, em que muita gente tenta voltar pra casa.

Metrô parado, adivinha qual a suspeita? Sempre, sempre os boatos são de ataque terrorista. A polícia negou prontamente qualquer ameaça deste tipo e disse que se houvesse qualquer suspeita, o serviço não teria sido retomado em tão pouco tempo.

Eu saio do trabalho às 20h. Por via das dúvidas, vim de táxi. Já haviam me alertado que a cidade estava praticamente sem táxi, talvez porque muitos moradores resolveram tomar um ao invés de ficarem esperando a reabertura das estações de metrô. No entanto, por volta das 20h, a situação estava normal, havia vários táxis vazios pelas ruas. Também passei por uma estação de trem, só para conferir. Tudo normal.

terça-feira, 27 de maio de 2008


Crianças recebem apoio psicológico em frente a barracas em Chengdu
Foto: Agência Xinhua

Todo o dia, a rotina se repete. Novos tremores assustam moradores das regiões próximas a onde ocorreu o terremoto de 8 graus na escala Richter no dia 12 de maio, em Sichuan, na China.

Ou melhor, assustam quase todo mundo. O português Paulo Xavier, 25 anos, que vive em Chengdu, está super calmo.

Hoje, por volta de 16h20min, horário local, me deparei com uma nota urgente aqui na agência onde trabalho sobre uma réplica na capital de Sichuan. Chamei o moço no msn e perguntei se havia se assustado com o tremor.

- Que nada. Há um minuto acabou de dar um mais forte. Não me assusto mais com isso - digitou o estudante de chinês.

Tá bom, então. É bom ver pessoas tranqüilas como Paulo. Até porque hoje um especilista no asunto, o ex-subdiretor do Departamento de Sismologia da China He Yongnian, afirmou que um forte terremoto, especialmente acima de 8 graus, como o que atingiu Sichuan há pouco mais de duas semanas, pode trazer sismos secundários por meses.

Relato

O Paulo tem relatos bem legais sobre o terremoto e as réplicas no blog dele. Vale muito conferir.

Ali você descobre por que as pessoas estão acampadas nas ruas!

domingo, 25 de maio de 2008

Manicure sempre em dia


A Lily Nails fica no quarto andar do Yashow, shopping que vende de tudo perto de Sanlitun, reduto de estrangeiros da cidade
Foto: Jana Jan/China in Blog

Minha vinda pra China foi decidida rapidamente - ou não. Digamos que foram cerca de três meses entre o convite e a partida. Até é um tempo considerável, mas na confusão de deixar emprego, entregar apartamento e se despedir da família e dos amigos, este tempo passa num susto. Quando lembro desta época, lembro das coisas que procurava na internet sobre Beijing, a cidade que seria minha nova casa.

A primeira coisa que descobri é que as informações em português eram poucas. A segunda, pelo Youtube, é que praticamente sá haveria ou hot pot (a Tati explica sobre este prato aqui) ou insetos para comer. Depois, que eu poderia sair à noite em Houhai (vou fazer um post sobre a região outra hora).

Tá, mas e como seria encontrar as facilidades a que tanto estava acostumada no Brasil e indispensáveis pra quem é minimanente vaidoso, como manicure, pedicure, cabeleireiro? Lembro de ter achado alguma informação sobre mãos no blog de uma canadense - que agora me escapa. Sem crise. Na dúvida, trouxe uma base e lixas de unha. Chegando aqui...

A capital chinesa tem salão de beleza a cada 10 metros. Óbvio, esta não é uma estatística oficial, é uma percepção desta que vos escreve, tamanho o número destes estabelecimentos espalhados pela cidade. Mas aqui tem um detalhe: salão para fazer unhas, é salão para fazer unhas. Lugar de cortar cabelo é outro. Pra se depilar, então, é preciso procurar outro lugar. Surpresa pra mim. E você, garota que pensa em passar um tempo aqui, prepare-se: ficar bonitona praquela ocasião especial requer troca de salões, ou seja, mais tempo disponível.

Vamos ficar pelas mãos hoje. Com tanta oferta, não é preciso marcar hora pra fazer unhas. Os preços variam entre o equivalente a R$ 5 e R$ 20, numa média. E esta média depende da marca de esmalte que se escolhe, se queres tratamento especial para as unhas e mãos, massagem nas mãos, algum desenho diferente. O resultado é bem semelhante ao que temos no Brasil e esta foi a grata surpresa: descobrir que não passaria trabalho na hora de procurar manicure.

Pra mim, o inusitado mesmo é a distribuição dos lugares de clientes e manicures e pedicures nestes lugares. Na maioria deles, são sofás lado a lado e fica uma confusão e uma barulheira típica daqui, imagino. Se optares por pé e mão, terás duas pessoas te atendendo. Se ainda fizeres sobrancelha, chega a três o número de gente trabalhando ao mesmo tempo para a cliente ficar mais bonita ;p (isso já me aconteceu e foi engraçado, pois há quase um contorcionismo tanto de clientes quanto de profissionais para caberem todos num espaço limitado).

Ah, outra coisa. A maioria das manicures é mulher (uma vez só fui atendida por um homem). Mas há muito, muito menino trabalhando como pedicure.

Perigo de inundações após tremores


Em Sichuan, oito dos lagos represam mais de 300 milhões de metros cúbicos de água
Foto: Wang Jianmin/Agência Xinhua

Na China, já é segunda-feira, 15 dias após o tremor de 8 graus na Escala Richter que deixou milhares de mortos, especialmente na província de Sichuan. O país vive agora o risco de uma nova tragédia: inundações provocadas pelos lagos formados depois dos tremores - tanto o principal, quanto os secundários que se sucederam na região.

O governo garante que a situação está sob controle, mas admite que ainda preocupa. O principal desafio está nos próximos três dias, quando há previsão de chuvas.

Os tremores criaram 35 lagos deste tipo, 34 em Sichuan, o que coloca em risco uma população de mais de 700 mil pessoas. O maior problema é o lago Tangjiashan, cujo nível subiu 2 metros apenas no sábado, chegando a 723 metros, apenas 29 abaixo da parte menor da barragem que o represa. Há cerca de 1,6 mil soldados trabalhando para desviar as águas e evitar uma inundação.

O governo já estuda planos de evacuação nos arredores de 19 dos lagos recém formados.

Perigos nas represas

Há 69 represas em risco de se romper em Sichuan. Outras 310 foram gravemente afetadas pelo terremoto e há mais de 1,4 mil com risco moderado de acidente. A prioridade é consertar as unidades com maiores danos até julho, quando começa o período de chuvas na área.

A represa de Zipingpu, a apenas 17 quilômetros do epicentro do terremoto, em Wenchuan, será a primeira a receber reparos. A estrutura se mantém estável, diz o governo, mas caso se rompa, pode afetar 11 milhões de pessoas.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Futebol começa em cidade histórica


O palácio começou a ser construído em 1625 e ainda há 114 prédios na área de 60 mil metros quadrados
Foto: Li Gang/Agência Xinhua

O futebol brasileiro irá aportar na maior cidade do Nordeste da China: Shenyang. Será lá que tanto as seleções feminina e quanto a masculina começarão a busca pelo ouro olímpico, ainda inédito.

Shenyang é a capital da provínia de Liaoning, mas sua importância não reside apenas no tamanho da população, estimada em 7,2 milhões, nem na potente indústria. A cidade já foi capital da Dinastia Qing, antes de Beijing ser nomeada novamente como o centro político da época, em 1644.

O berço da Dinastia Qing, aliás, guarda a prosperidade chinesa daquele tempo e mostra a decadência do sistema de dinastias feudais. Um resumo de tudo isso é o Palácio Imperial de Shenyang, cuja importância histórica, segundo se lê por aqui, só fica atrás do complexo que chamamos de Cidade Proibida, em Beijing. Outras duas estruturas da Dinastia Qing famosas na cidade são as tumbas Fuling e Zhaoling.

Como ir para Shenyang?

Shenyang fica a pouco mais de mil quilômetros distante de Beijing. Há mais de 30 viagens de trens diárias atá lá, algumas durando até 11 horas. Mas nos trens rápidos, é possivel viajar em quatro horas. A passagem sai por cerca de R$ 65 - um trecho.

De avião, há 15 opções todos os dias - e há promoções cujas viagens ida e volta saem por pouco mais de R$ 120. O vôo dura perto de uma hora.

International Favorito


Fernandão treina para jogo contra Flamengo
Foto: Alexandre Lops/Internacional

Ontem eu estava procurando informações na página sobre futebol do site oficial da Olimpíada e uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi o fato de as notícias sobre o Brasil, futebol e atletas brasileiros dominarem a lista de notícias sobre o esporte.

Tudo bem, talvez nem seja tanta supresa. Somos reconhecidos pelo mundo como os craques da bola - e aqui na China, as mulheres também são as donas da bola, depois do vice-campeonato mundial conquistado pelas meninas (elas perderam para a Alemanha) no ano passado e pelo chocolate de 5x1 ante Gana, que garantiu a vaga na Olimpíada.

Aliás, acho que é justamente por causa da fama das gurias por aqui que muitos me perguntam:

- Sabes jogar futebol?

A pergunta me espanta porque mesmo tendo meninas atuando nos campos, o futebol ainda não é no Brasil um esporte tão "unissex" quanto o badminton ou o ping pong são aqui na China. Às vezes eu tenho a impressão de que eles têm esta impressão - e meu chinês parco não me permite ir muito adiante nos diálogos.

Mas voltando à página sobre futebol e às notícias sobre o futebol brasileiro, eis que resolvi clicar numa que contava sobre o início do Brasileirão. Os times favoritos? Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e International. Tá, bem que tem um "T" onde nao deveria, eles traduziram o nome do Colorado. Mas que tá citado na China como favorito, isso está!

Já na tabela da vida real... :(

Bem, neste domingo é hora de torcer contra outro dos favoritos, segundo os chineses. O Inter enfrenta o Flamengo, no Maracanã, às 18h10min.

Sobre a foto

O Fernandão está de visual novo. Quem conta é a Cláudia, no blog N9ve.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

60 mil poderão ver estréias do futebol do Brasil


A construção do estádio de Shenyang, capital da província de Liaoning, será finalizada em junho
Foto: Zhang Wenkui/Agência Xinhua

O futebol brasileiro tem endereço definido na estréia na Olimpíada 2008: o Estádio Olímpico de Shenyang, cidade a cerca de 700 quilômetros de Beijing, no nordeste da China.

A construção está quase pronta e terá capacidade para 60 mil torcedores. Ali, serão disputadas 12 partidas de futebol. As meninas do Brasil entram em campo já no dia 6 de agosto, uma quarta-feira, ante a Alemanha. Os garotos encararão a Bélgica no dia seguinte. Ambas as partidas ocorrem antes da abertura oficial dos Jogos, marcada para o dia 8 de agosto de 2008 - uma sucessão de números 8 que significam sorte para os chineses. É que a pronúncia "ba" para o numero oito é semelhante a da palavra que significa prosperidade por aqui.

O estádio tem forma de pétalas. O gramado, resistência para os invernos rigorosos da região. A cobertura de vidro, aliás, foi pensada para que a grama crescesse saudável.

A obra teve início em 1º de março de 2006. Além do estádio de futebol, o complexo inclui um ginásio para 10 mil pessoas, um centro de natação com capacidade para 4 mil espectadores e uma quadra de tênis com o mesmo porte. No total, são 260 mil metros quadrados de área voltada ao esporte.

Solidariedade com tempero brasileiro em Beijing


No aniversário do SambAsia, em abril, encontrei o Cui Jian sambando e conferindo a performance dos amigos
Foto: Algum fã do Cui Jian, do SambAsia, ou dos dois

Três gerações do rock chinês se reúnem na noite desta quinta-feira para o show beneficente "Para Superar Aquele Dia" em Beijing. Toda a renda será revertida para as vítimas do terremoto que atingiu Sichuan no dia 12 de maio. O evento, organizado pela rádio Hit FM, é capitaneado pelo pai do rock por aqui, Cui Jian.

Além de idealizar o show, é ele quem batiza a função. Para Superar Aquele Dia, ou, em chinês, Chaoyue Nayitian, é o nome de uma das suas músicas. E, aí, um tempero brasilieirinho no show de solidariedade. Cui Jian convidou o SambAsia, a escola de samba aqui de Beijing, para tocar com ele. O SambAsia vai ainda participar de Congtou Zailai e tocar outra música solo (ainda não definida, me contou há pouco um dos fundadores do grupo, o taiwanês Leon Lee).

A escola de samba aqui de Beijing repete a dobradinha que fez em janeiro deste ano para um público de 8 mil pessoas na cidade e que, por coincidência, reeditou em abril em Chengdu (a capital de Sichuan, a província mais atingida pelo tremor de 8 graus na Escala Richter).

O show ainda tem a queridinha Ai Jing, os cantores Jun Zheng, Wang Feng e Lao Lang, além da banda Zaiyue Akino, outra do tempo de Cui Jian.

Fim do Luto

O show desta quinta ocorre depois de um luto oficial de três dias decretado pelo governo e que impediu atividades de recreação e lazer em todo o país. Na TV, filmes e programas de entretenimento foram proibidos. O revezamento da tocha olímpica foi suspenso. Até mesmo em bares e restaurantes, não havia música ou shows, em sinal de respeito pelas vítimas.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Revezamento é retomado, mas muda data em Sichuan


Na segunda, quando comecou o luto e a tocha deveria chegar a Ningbo, portadores prestaram homenagens a vítimas do terremoto
Foto: Xing Guangli/Agência Xinhua

O revezamento da tocha olímpica na China foi retomado nesta quinta-feira, após três dias de luto oficial em razão do terremoto de 8 graus na escala Richter que atingiu a província de Sichuan no dia 12 deste mês.

A parada foi em Ningbo, cidade de mais de 5,6 milhões de habitantes a leste da China.

A novidade na manhã desta quinta (horário local chinês) foi a mudanca das datas do revezamento em Sichuan. Originalmente previsto para ocorrer entre os dias 15 e 18 de junho na província, a região agora receberá o símbolo olímpico entre os dias 3 e 5 de agosto, ou seja, às vésperas de o evento comecar.

Ningbo

Ningo fica perto de Shanghai e é um porto importante da China. Aliás, desde a Dinastia Tang (618-907), a cidade é destacado porto comercial internacional. É considerada uma cidade vital do sul do Delta do Rio Yangtze - o mais longo rio da China e o terceiro do mundo.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Gaúcho ganha férias forçadas de terremoto


Gustavo e os companheiros de clube Danilo, outro brasileiro, o uruguaio Pablo e o argentino César
Foto: Arquivo Pessoal

O resultado de uma lesão no joelho são férias forçadas para Gustavo Saibt Martins, de 28 anos, centroavante do time chinês Wuhan. O gaúcho natural de Gravataí embarca ainda esta semana para o Rio Grande do Sul. Vai ficar em Canoas, sob cuidados médicos e, claro, na companhia da mulher, Silvana, 26, e do filhote Davi, 4 anos.

A lesao não é grave.

- Mas com joelho não se brinca - avalia o jogador, que já enviou imagens da ressonância magnética a fim de que o médico brasileiro adiante os trabalhos.

Será boa esta pausa, ele admite. Na China há pouco mais de dois meses, está louco de saudades de casa. E com o terremoto que atingiu o país:

- Vai ajudar bastante - afirma ele, em relação à ida ao Brasil. E completa:

- Os meus familiares ficam a toda hora ligando pra eu voltar pra casa. Acho que ficam mais assustados do que nós que estamos aqui - diz Gustavo, ou o Papa, apelido que ganhou nos tempos em que atuava no Colorado.

Wuhan fica a 1,1 mil quilômetros de Chengdu, capital da província de Sichuan, onde ocorreu o epicentro do terremoto de 8 graus na Escola Richter. É praticamente o que separa Porto Alegre de São Paulo. O gaúcho não sentiu nada de tremor, estava de carro. Mas ele viu o pânico nas ruas.

- Todo o mundo saiu correndo dos prédios e bancos. Eu não sabia o porquê, só depois fiquei sabendo - conta ele.

Gustavo relata o que muitos outros contam por aqui: quem estava pelas ruas, no térreo, não sentiu. Isso se repetiu em Beijing e mesmo em Chengdu, durante os tremores secundários que ainda ocorrem pela China. Mas deu medo de continuar em Wuhan?

- Sim, você fica nervoso, pensando: "E se der um mais forte?", "E se o epicentro for perto?". Tudo passa na cabeça - lembra o jogador.

Volta marcada

Com ou sem nervosismo, Gustavo volta para Wuhan. Quer ajudar o time da primeira divisão do campeonato chinês. Até agora, o gaúcho fez um gol pela equipe asiática. Vai ter de fazer bem mais no retorno. É que o Wuhan (nome do time, nome da cidade) ocupa a lanterna, atrás de outras 15 equipes que compõem a elite do futebol chinês. Hein? Como é a elite do futebol chinês?

- A maneira de jogar do chinês é muito diferente. A primeira coisa que eles pensam é em defender. Já no Brasil, a primeira coisa é atacar - compara o centroavante que, ironia ou não, se pegou defendendo a meta pelos campos asiáticos numa partida em que o goleiro foi expulso.

Gustavo se vira. Já jogou por um ano na Suécia, outro meio ano na Alemanha. Em gramados gaúchos, além do Inter (clube em que ficou por dois anos), defendeu o Juventude e o Grêmio, esses no início da carreira. No ano passado, foi campeão da Serie B do Brasileirão pelo Coritiba.

No Wuhan, o contrato vai até dezembro. A passagem de volta para a China tem data, 12 de junho. Hm... Dia dos namorados. A Silvana vai entender? Ele garante que sim. Aliás, está ansioso por julho, quando a mulher e o filho embarcam rumo à Asia. Por enquanto, aguardam o fim do semestre dela, que cursa Direito na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas.

Resgate depois de 179 horas


Ma pediu comida assim que deixou escombros
Foto: Agência Xinhua

Faça as contas: 179 horas equivalem a sete dias e 11 horas. Foi este o tempo que o executivo Ma Yuanjiang, de 31 anos, ficou preso sob escombros da usina de energia onde trabalhava em Wenchuan - a cidade onde ocorreu o epicentro do terremoto de 8 graus que atingiu a China na segunda-feira retrasada.

Ma foi resgatado a 0h50min desta terça-feira (horário local chinês). Saiu lúcido e conversando. A primeira providência foi pedir algo para comer, conta o colega Wu Geng, que acompanhou o resgate.

Até domingo, Ma nem tinha sido descoberto. Como participava de uma reunião no primeiro andar do prédio, ficou preso sob uma montanha de cimento e ferro retorcido.

O executivo foi encontrado graças ao resgate do colega Yu Jinhua - outra das vítimas que teve de ser amputada para se ver livre dos destroços, como o caso que relatei ontem aqui no blog. Desde então, Ma era alimentado com água açucarada por meio de uma sonda.

Agora, o executivo vai para um hospital maior em Chengdu, capital da província de Sichuan, para se recuperar.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Vida em meio ao horror


Gong Tianxiu amputou a própria perna para escapar dos escombros após 73 horas presa
Foto: Reprodução

A chinesa Gong Tianxiu, de 46 anos, ganhou as páginas dos jornais chineses nesta segunda-feira pela história de coragem e o desejo de sobreviver. Presa sob escombros de um condomínio do Banco da Agricultura da China em Beichuan, uma das localidades mais atingidas pelo terremoto de 8 graus na Escala Richter que atingiu a China há uma semana, foi resgatada com vida após 73 horas. O marido morreu ao seu lado meia hora depois de o prédio desabar.

Para deixar os escombros, ela amputou a própria perna direita usando tesouras e uma serra. Os equipamentos, pediu às equipes de resgate.

O motivo para tanta vontade de viver? Reecontrar o filho, Wangtao, que vive em Chengdu, capital de Sichuan, a província onde ocorreu o epicentro do tremor. Durante os dias em que ficou presa, Tianxiu se alimentou de urina e do sangue que escorria pelos ferimentos.

A história da gerente de empréstimo do banco foi publicada hoje pela manhã no jornal Beijing News - e ganhou espaço em diversos sites chineses. Quem me alertou para o exemplo dado por Tianxiu foi a Mariana - que, como uma vez já disse, é meus olhos, ouvidos e muito do que sei sobre a China. Claro que foi ela que me ajudou na tradução.

Tianxiu já reencontrou o filho e está internada em um hospital, onde passa bem. Viva, quer agora adotar dois órfãos do terremoto. Wangtao, o filho, conhece a vitalidade da mãe. Ela já havia sido baleada durante um assalto a banco. Sobreviveu.

- Ela é muito corajosa. Só que tem medo de dormir sozinha - contou Wangtao.

O medo de ficar sozinha fez Tianxiu gritar por socorro, mas ela passou muito tempo sem resposta. Somente quando um dos colegas voltou para procurar sobreviventes, é que ouviu os apelos da mãe obstinada.

Três minutos de silêncio


Crianças em silêncio na cidade de Harbin, capital da província de Heilongjiang
Foto: Li Yong/Agência Xinhua

Às 14h28min desta segunda-feira, chineses e estrangeiros que vivem no país se uniram em uma corrente solidária. Houve três minutos de silêncio para homenagear as vítimas do terremoto de 8 graus na Escala Richter que atingiu a província de Sichuan há uma semana (neste mesmo horário). O silêncio total foi quebrado pelas sirenes e buzinas de baterias anti-áreas, navios, trens e automóveis.

Eu estava com a minha colega Paula Coruja no cruzamento das avenidas Xuanwumen Xidajie e Xuanwumen, aqui em Beijing. A poucos minutos da homenagem, as pessoas começaram a se aglomerar nas esquinas. Quase na hora, a polícia chegou, as sinaleiras foram fechadas e os buzinaços tomaram conta do ambiente, enquanto os cidadãos oravam, choravam, homenageavam as vítimas.

Em empresas, também houve respeito aos três minutos de silêncio. Ainda pela manhã, via celular, a Paula recebeu uma mensagem, em inglês, convidando todos os estrangeiros a participarem da mobilização.

O clima aqui é de consternação. Em meio a tudo isso, dados oficiais elevam para 34,073 o número de mortos - e o governo estima que a cifra chegará a mais de 50 mil. Os feridos já somam 245.108.


Integrantes de equipes de resgate fazem silêncio em Mianzhu, província de Sichuan - Crédito: Yang Ying/Agência Xinhua


No Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro, funcionários prestam homenagem - Crédito: Xu Tao/Agência Xinhua

Reconstrução: objetivo após o tremor


Praça Tiananmen amanheceu com bandeira a meio mastro, em Beijing
Foto: Tang Zhaoming/Agência Xinhua

A manhã desta segunda-feira é de luto. Por toda a China, as bandeiras a meio mastro revelam o sentimento em relação às vítimas do terremoto que já deixou pelo menos 32 mil mortos e mais de 220 mil feridos. O terror espalhado pelo sismo em Wenchuan é revisto em números, cada vez mais sombrios. Até a intensidade do sismo foi revista para cima pelas autoridades chinesas. Segundo o Departamento de Sismologia da China, o terremoto atingiu 8 graus na Escala Richter, de acordo com novas medições realizadas no domingo.

A gravidade e o tempo decorrido após o tremor já diminuem as chances de se encontrarem sobreviventes. Apesar de o resgate ser encorajado todo o tempo pelas autoridades, o foco agora parece ser mesmo a reconstrução. Os sites chineses reforçam hoje o dia de luto (e muitos trocaram as cores para cinza, em forma de homenagem), mas alertam para a necessidade constante de doações para as áreas atingidas - um total de 100 mil quilômetros quadrados.

De hoje até quarta-feira, o país vive luto nacional. Às 14h28min (horário local, na China) todas as sirenes de carros, trens e navios devem soar no país enquanto as pessoas deverão prestar três minutos de silêncio. É exatamente nesta hora que o terremoto atingiu Wenchuan há uma semana.


O sina.com, um dos mais populares, adotou mesmas cores em homenagem às vítimas


Site da agência Xinhua usa cores cinzas nesta segunda

domingo, 18 de maio de 2008

China de luto


Os chineses estão unidos em torno de uma causa: auxiliar as vítimas do terremoto que já deixou 32.476 mortos até este domingo, segundo dados oficiais, e mais outros 220 mil feridos. A rede de solidariedade país afora mobiliza empresas, setor civil, autoridades.

Dentro e fora da China há mobilização. Países como Japão, Rússia e Cingapura enviaram equipes às regiões mais atingidas, na província de Sichuan, para ajudarem no resgate. Estrangeiros que vivem por aqui auxiliam como podem.

Internautas exibem nos programas de trocas de mensagens eletrônicas imagens de apoio. E esta manifestação online já percorreu o mundo. Quem me alertou para ela foi o português Manuel Lopes, que mora em Lisboa.

Silêncio e sirenes às 14h28min

Às 14h28min desta segunda-feira a China lembrará os mortos pelo terremoto. É quando se completa uma semana do abalo principal em Wenchuan, província de Sichuan. Em todo o país, os habitantes deverão fazer três minutos de silêncio. Apenas as sirenes e buzinas de carros, trens e navios deverão soar.

O governo também declarou luto oficial de três dias e ordenou o cancelamento de todas as atividades públicas de diversão, inclusive o revezamento da tocha olímpica durante o periodo. As bandeiras devem ser hasteadas a meio mastro. O mesmo deverá ocorrer nas embaixadas da China pelo mundo, que ainda abrirão livros de condolências.

Manifestação online

O Manuel explicou o que diz cada uma das imagens utilizadas pelos internautas e reproduzidas aqui.

Na primeira, no canto superior esquerdo, está escrito Wenman Zhongguo, que significa "calor que enche a China". Na segunda, a mensagem é Women zai yiqi, ou "estamos juntos".

As outras duas imagens remetem a Wenchuan, epicentro do tremor. À esquerda, Xinji Wenchuan, ou "coração em Wenchuan". A ultima é Xinxi Wenchuan, que singifica "unidos pelo coração a Wenchuan".

Recado direto de Portugal

O Manuel também deixou um comentário bem interessante sobre o terremoto no post "Solidariedade Online" e que reproduzo aqui:

Janaina: Estou convencido que este terramoto vai ter as mais profundas implicações sociais na China, pela intensíssima divulgação e acompanhamento pelos Media nacionais e internacionais. A China como que se desviou das Olimpíadas de Beijing para se centrar nas mais diferentes formas de apoio e solidariedade às vítimas do Sismo em Wen Chuan. Julgo que vale a pena mostrar algumas imagens que interpretam o grau de mobilização actualmente em curso. .

Manuel, concordo contigo. E prometo mais imagens sobre a mobilização, que é realmente impressionante por aqui.

Táxis adaptados em Beijing

A frota de táxi de Beijing ganhou 70 táxis adaptados para facilitar o acesso de portadores de deficiência. Com assento traseiro melhor e acesso facilitado a cadeirantes, os veículos poderão ser solicitados por telefone - mas o número ainda não foi divulgado.

A iniciativa foi de uma das companhias de táxi da capital chinesa e visa atender a demanda durante a Olimpíada e a Paraolimpíada. Mas o serviço continuará na cidade - e poderá até aumentar, se houver demanda.

O valor cobrado é o mesmo dos táxis atuais, ou seja, de 2 yuans por quilômetro rodado, algo em torno de R$ 0,40. O serviço já comeca nesta terça-feira.

Revezamento da tocha é suspenso


Portadores participam de revezamento neste domingo em Hangzhou
Foto: Xing Guangli/Agência Xinhua

A China declarou luto oficial de três dias a partir desta segunda-feira e suspendeu todas as atividades públicas de lazer ou entretenimento no país em memória às vítimas do terremoto que atingiu a província de Sichuan. Com isso, o revezamento da tocha olímpica está suspenso.

A última cidade por que a tocha passou foi Hangzhou, província de Zhejiang, neste domingo. Na quinta, o percurso será retomado, garante o comitê organizador dos jogos.

sábado, 17 de maio de 2008

4,8 milhões de desabrigados


Universo de pessoas sem endereço busca abrigo nas cidades atingidas
Foto: Jana Jan - China in Blog

A China tem 4,8 milhões de desabrigados em razão do terremoto. Em cidades como Beichuan, 80% dos prédios foram destruídos. É um universo de gente que tem como necessidade fundamental agora comer, beber, ter um local para dormir, ter remédio e mínimas condições de higiene.

O governo instalou as vítimas em tendas ao longo de estradas, parques, avenidas. Suprimentos onde as estradas estão em operação chegam diariamente. E muitos destes suprimentos acabam vindo ou de doações, ou do trabalho de voluntários.

Em Chengdu, um grupo de estudantes estrangeiros que está mobilizado para auxiliar as vítimas já sabe: irá pedir doações de material de higiene (xampu, sabonete, pasta de dentes). Motivo: os jornais informam que há comida e bebida suficientes para os próximos dias, mas os desabrigados precisam se manter asseados - especialmente porque se tratam de áreas com alto risco de epidemias.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Solidariedade online


Crianças são foco da solidariedade de casais que desejam adotar órfãos do terremoto
Foto: Jana Jan - China in Blog

Os últimos números divulgados pelo governo chinês mostram que há 22.069 mortos vítimas do terremoto desta segunda-feira, além de 168.669 feridos. Apenas na província de Sichuan, onde ocorreu o epicentro, são 21.577 mortos. Ainda há cerca de 14 mil soterrados e, embora haja histórias milagrosas de sobreviventes sob escombros, as esperanças de encontrar gente com vida diminuem a cada dia.

Apenas na cidade de Mianyang, são pelo menos 8.767 mortos. Além disso, 59.616 pessoas ficaram feridas. Cerca de 4,1 milhões de moradores da cidade - que tem 5,2 milhões de habitantes - foram afetados pelo terremoto.

As histórias pessoais revelam tragédias ainda mais pungentes. Famílias que vivem sob a política do filho único (em vigor na China desde o final da década de 1970) e que o perderam. Filhos únicos que perderam os pais.

É justamente em relação aos órfãos que a internet chinesa revela outra face da solidariedade. Muitos casais já expressaram o desejo de adotar as crianças sem pai e mãe vítimas do horror. Apesar da política de filho único, a lei chinesa permite que um casal adote uma criança e tenha um filho biológico.