segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

De olho em vocês

Não apareço há dias, e peço desculpas. O frio em Beijing há tempos passou da época de renguear cusco. Hoje acordei a menos nove graus, e isso é uma experiência nova, e bastante chata pra mim. Definitivamente, não fui feita pro frio. Vivendo e aprendendo, bastante lugar comum. Uma vez que se experimenta algo, isso passa a ser parte da sua vida, fica gravado, você pode reviver, não é mesmo?

Toda essa minifilosofia tem hoje uma razão de ser. Eis uma aulinha de chinês, pra mim, pra lá de interessante.

Lia um texto sobre um jornalista que visitou a China. E ele fala sobre uma das maiores contradições da língua chinesa pra mim.

Rapidinho, prestem atenção:

- Qian (前)= pra frente. Assim, quando alguém te disser que alguma coisa é qianbianr (前边), siga em frente.

- Hou (后)= pra trás. Assim, quando alguém te disser que alguma coisa é houbianr (后边), volte duas casas. Ou quantas forem necessárias.

Aí você tem uma linha de tempo. Assim:

Hoje - jintian (今天)
Amanhã - mingtian (明天)
Ontem - zuotian (昨天)

Chega um dia em que você sente a necessidade de dizer: anteontem. Então, perguntei pra professora: como é anteontem?

E ela fez a linha, em português, primeiro

Anteontem - Ontem - Hoje - Amanhã - Depois de Amanhã

E escreveu:

Qiantian (前天) - Zuotian (昨天) - Jintian (今天)- Mingtian(明天) - Houtian (后天)

Eu que sou chata, disse. Gisela, acho que você se enganou. Hou (后)é pra trás, então Houtian (后天)é anteontem.

Não, ela me assegurou, e, bem, não explicou muito. Só disse que em chinês é assim. Aí vem o amigo jornalista no texto dele pra explicar o que explicaram pra ele (e que é mais uma das aulas de chinês que explicam bem mais que a língua, explicam uma lógica, uma forma de ver a vida). Olhem que fofo:

Para nós o futuro está na frente, certo? Pois, para eles está atrás. E por isso "hou tian (后天)" (literalmente "atrás dia") significa o dia depois de amanhã. "O futuro está atrás de você porque você não vê o que o futuro te reserva. O passado está à tua frente porque você consegue vê-lo." É. Até faz sentido.

Então lia um livro interessante, o tal A China Sacode o Mundo.

Lá o autor, 19 anos de China, muito mais entendido do que eu nos assuntos chineses, falava que muitas vezes os chineses têm as mais diversas explicações pra filosofias chinesas.

Algo como: o velho sábio chinês que te ensinou alguma coisa interessante era muito sábio, mas num país de população extensa, imaginem quantos sábios velhos e que sabem coisas interessantes as quais podem te ser úteis existem...

Perguntei a Mariana sobre o hou (后) e o qian (前) e tenho a dizer duas coisas.

- ou a filosofia chinesa de ver o passado, e somente o passado, é mesmo nacional, ou o velho sábio chinês que ensinou isso era um cara famoso. Ela contou a mesma história.

Agora, podemos confiar!

Ela lembrou mais:

Duas palavras que já sabia:
Yihou (以后) - depois (um pouco pra trás, na tradução)
Yiqian (以前)- antes (um pouco pra frente, na tradução)

Aí, falávamos sobre namorados. pra mim, a palavra namorado é ótima: "nanpengyou" (男朋友), que significa amigo homem.

Voltando ao qian (前), se o que a palavra que significa pra frente traduz passado, porque é o que a gente viu, logo o teu ex-namorado, será o teu pra frente amigo homem, ou qiannanpengyou (前男朋友).

Agora, só me fica uma dúvida: a gente chama o próximo ou chama o último?

A China me confundiu sobre esta história de figurinha repetida não completar álbum.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O chinês, o português e as desculpas

Primeiro, minhas desculpas a Marcelle, cujo nome eu troquei pra Michelle. Sim, era tu, querida. Perdoa?

Então, e não é que hoje tentei praticar? Eu falo, muitas vezes dá errado. Bem errado. E outras vezes eu tenho a nítida impressão de que o que está funcionado mesmo é a mímica.

Uma provinha de fogo foi pedir tele-entrega de água. Enquanto a água não chegou, não tinha certeza de que funcionaria. Funcionou. Tive de dar endereço e tudo!

Pode parecer bobagem, mas do jeito que a coisa é complicada, fico feliz a cada nova conquista. E hoje, eu, bem faceira, cheguei numa rede de fast food faceira pra treinar o chinês.

- Por favor, o número um. Mas não quero refrigerante, quero aquela bebida, não sei o nome, que mistura leite e morango - disse, num chinês nada impecável, mas "entendível"? e que havia me deixado orgulhosa de mim mesma, não vou negar.

- Ah, shake? - me respondeu a atendente.

Poutz, e não é que a moça falava inglês? Fiquei sem aprender como é milk shake em chinês...

De resto, Marcelle, é assim: faço aula duas vezes por semana (três horas de cada vez), mas é muito difícil mesmo. Ainda assim, decidi: vou aprender, pelo menos, a falar o básico antes de ir embora.

Eu só me pergunto o que é o básico numa língua. É, talvez não vá embora tão cedo.

Português e brasileiro em Macau?


Estive em Macau no ano passado. Precisava ir, não acham? Lugar onde se fala português em plena China é imperdível, né? Olha, bem, não é bem assim falaaaaaaaaaaaar português. À exceção das placas (algumas escritas em português errado), só quem é de Portugal, do Brasil ou estudante de língua portuguesa pra se comunicar nesta língua.

De resto, esqueça. Nem mandarim rola muito, pois o povo lá fala mesmo o cantonês. Eu quero contar mais pra vocês sobre Macau. Mas hoje vou ficar no Orkut, na geografia e nas explicações.

As explicações
Estava eu na rede de relacionamentos pra achar brasileiros perdidos por aqui - e que poderiam ser fontes minhas, ou inspiração, ou novos amigos - quando me deparei com a comunidade Brasileiros em Macau (para este link funcionar, é preciso estar registrado no Orkut). Não tive dúvidas. É aí que eu vou achar uma galera bacana, pensei, ao ver a foto que identifica o grupo: uma bandeira brasileira mixada a de Macau. E eis um tópico interessante: Sou de Macau. Pensei: "Nossa, tem filho de brasileiro nascido em Macau. Que doido! Que passaporte deve ter esta pessoa?" Já tava eu doida pra descobrir tudo sobre o cara.

É aí que entra a Geografia... O amigo confundiu totalmente o Macau chinês a Macau, que fica no Rio Grande do Norte - e cuja existência, aliás, eu ignorava.

O amigo explica que trabalha em Quixadá (Ceará) e manda um abraço a todos os macauenses. Até estas alturas, eu ainda estava mega-curiosa pelo suposto brasileiro nascido na Macau chinesa, que havia retornado ao Brasil. Aí outra pessoa foi ao tópico e explicou a diferença (pra mim e o amigo também perdido na geografia) entre as duas cidades. A parte mais engraçada, pra mim (azar, eu achei, sei que não é exatamente politicamente correto), foi um moço espirituoso, ao tirar uma ondinha no mesmo tópico: "Maldita inclusão digital".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Gigante cresce a passos largos


O site mais popular é sina.com
Foto: Reproducao/Chinainblog

Assim, as previsões para o crescimento do consumo pela internet na China neste ano indicam que o ramo deverá crescer 45,8%, segundo o estudo Netguide 2008, divulgado há pouco por aqui. E daí? Daí que se o índice estiver correto, o setor abocanhará pouco mais de US$ 77,5 bilhões em 2008. Parece bom, né?

O consumo na internet leva em conta todos os gastos relacionados com a rede, da instalação da banda larga, por exemplo, a compras online, propriamente ditas.

Bem, e o que se faz na net chinesa? Os internautas daqui buscam, e buscam muito. Os sites de buscas cresceram 82,8% no ano passado, segundo o mesmo levantamento, realizado pelo Centro de Dados de Internet da China.

Mas a escala de tempo, é mais ou menos assim:

Os internautas chineses gastam
- 38,8% do tempo lendo notícias
- 11% respondendo e mandando e-mails
- 9,2% lendo blogs.

Aliás, acho ler blog uma boa, agradeco a visita de todos, espero não ter tomado muito o tempo de vocês, mas, sempre que puderem, deixem aqui seu recadinho.

Aliás, ainda devo posts sobre outras curiosidades do Gerson a respeito da China e um agradecimento todo especial a Iara, com quem, sim, quero ter muitas aulas sobre barganha!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ni hao!



Os mascotes da Olimpíada de Beijing são mesmo uma mão na roda. Lembram que falei do quinteto Fuwa dia destes? Além de os nomes significarem "Bem-vindo a Beijing", eles ensinam como se sentir mais em casa por aqui.

Explico já. No site oficial dos Jogos, tem um cantinho só para aprender mandarim, inglês e francês. Assim, estrangeiros podem saber como se virar por aqui, chineses podem aprender como se comunicar com o povo do resto do mundo que deverá aportar no país em agosto deste ano (juro que iria escrever agosto do ano que vem... Eita!)

. O processo é bem simples. Você clica primeiro no link Listen and Practice que aparece sob as frases e terá três gravações disponíveis. A primeira em inglês, segunda em mandarim, terceira em francês. Clique no player e preste muita, muita atenção!

Quem bolou o site, ainda pensou num detalhe fundamental: eles oferecem cartões com os caracteres que formam a frase - ou pergunta ou expressão - para voce imprimir. SUMA IMPORTÂNCIA! É que o chinês tem quatro tons, além de fonemas, pelo menos para mim, totalmente desconhecidos antes de chegar aqui. Não é assim "ouvir e sair falando". Resultado? Mesmo que a gente se esforce, às vezes é impossível ser compreendido pelos chineses. E os cartões? Bom, imprima os cartões sobre as frases que queres e, pronto, terás resultado!

Escolhi dois exemplos pra vocês:

"Onde acontecerão as partidas de futebol?" (essa tem a resposta, que é pra você tentar saber o que o chinês vai dizer pra você).
O de ontem, que é para matar a sede no calorão que faz aqui em agosto: "Quero um copo de cerveja e dois de suco de laranja!

No mais, divirta-se aprendendo mandarim. Aliás, Michelle, aprovaste as aulinhas dos Fuwa?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Tela Grande


Warlords eh candidato a campeoníssimo de bilheteria na China
Foto: Reprodução/Chinainblog

E o cinema chinês vai bem? Olha, eu acho que sim. Há alguns comentários abaixo, o Gérson perguntou sobre o tema. Vamos às três produções nacionais campeãs de bilheteria até o final de 2007 - duas das quais eu assisti.

Campeoníssimo, aparece Warlords, do diretor de Hong Kong Peter Chan. Este eu não vi, mas o site já deixa com água na boca. A história? Mais ou menos assim: conta de forma épica o destino de três irmãos em meio a uma guerra sobre o assassinato do general chinês Ma Xinyi, isso durante a Dinastia Qing (1644-1911).

Bom, o Warlords embolsou US$ 26 milhões apenas na China desde que foi lançado, em 13 de dezembro. Com estréia uma semana depois, mas correndo no encalço, aparece Assembly, sobre o qual falei dia desses e cuja bilheteria já rendeu US$ 25 milhões.

Querido pra mim, pela história de dor, também com guerra como pano de fundo, mas que fala da relação homem e mulher de forma poética é o Lust, Caution, do diretor Ang Lee, aquele mesmo de Brokeback Mountain.

Vi Lust, Caution pela primeira vez em Hong Kong e adorei a história. Sabia que o filme havia sido cortado pelo próprio diretor, pois na China continental algumas cenas de sexo e violência não são aceitas. Bem, voltei ao cinema em Beijing poucos dias depois. Gostei também, mas confesso que preferi a versão que vi primeiro.

Vai aqui uma sinopse: Wang Jiazhi (Wei Tang) é uma jovem chinesa que entra na faculdade durante o período de ocupação japonesa, na 2ª Guerra Mundial. Lá ela participa de um grupo de teatro patriótico, tornando-se rapidamente a artista principal. Entretanto os planos do grupo são mais ambiciosos. Eles decidem assassinar o sr. Yee (Tony Leung Chiu Wai), um colaborador do lado japonês. Wang, então, se transforma em Mak, a fictícia esposa de um mercador. Sua função é se tornar amante do sr. Yee, para facilitar a ação do grupo.

Ah, em tempo, o Warlords pode ser um dos primeiros a chegar a bilheterias antes só conseguidas por Zhang Yimou, diretor de Lanternas Vermelhas e Heróis. O diretor cultuado na China é, aliás, o responsável pela cerimônia de abertura da Olimpíada 2008. Hmmmm, mas isso pode ser assunto para outro post.

Agora, esqueça a pipoca e se grude em frente às telas assim que puder pra curtir as produções chinesas.
;)


Fumaça na paisagem de Beijing
Foto: Wang Jingguang/Xinhua

A China vai mapear as principais fontes de poluição nos próximos meses. O Censo Nacional sobre Poluição deverá pesquisar 82 mil pontos no país, incluindo indústrias, instalações agrícolas, residências e estações de tratamento de poluentes. Em todo o trabalho, estarão envolvidas 7 mil pessoas.

A coleta de dados se inicia já em fevereiro, e deverá terminar ainda no primeiro semestre deste ano. Os dados, no entanto, só serão divulgados pela Administração Geral de Proteção Ambiental do Estado - o nome do órgão chinês que cuida dos assuntos relativos ao ambiente - em 2009.

Falando em ambiente...

O Tibete tem agora uma estação de monitoramento da camada de ozônio. A região é conhecida por, no verão, apresentar um dos níveis mais baixos de ozônio na comparação a outras com as mesmas características geográficas.

A estação ficará a 3.648,9 metros acima do nível do mar. Todas as informações serão enviadas para o Centro Mundial de Dados da Camada de Ozônio e Radiação Ultravioleta, no Canadá.

Ah, a foto aí de cima foi tirada em 2 de janeiro deste ano e mostra a fornalha número 4 da Beijing Shougang Company, na capital chinesa, que deixou de funcionar no último sábado. Este é mais um dos esforços do governo chinês para reduzir emissões de poluentes. A companhia afirma que terá perdas de US$ 350 milhões com a redução das operações, mas, em contrapartida, apenas as emissões de fuligem deverão cair 50,32% neste ano.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Notícias tristes



Na última sexta-feira, recebi uma notícia muito triste por msn. A Sandrinha, Sandra de Moura Mesquita, lá de Terra de Areia, morreu em um acidente de carro na manhã de 1º de janeiro, na Estrada do Mar. A tragédia ainda vitimou a colega de Sandrinha, Vera Lúcia Souza Teixeira.

Acidentes de carro me sensibilizam muito, as mortes causadas pela violência no trânsito não parecem ser justificáveis. Há muitos anos não via a Sandrinha, mas sou muito amiga do irmão mais velho dela, o Junior, e guardo lembranças muito boas dos pais dela, o Ademir e a Cidinha. Na sexta, quando a Mara me contou do acidente, fiquei muito chateada, querendo fazer algo. Neste ano, a RBS está trabalhando com a campanha pelo fim da violência no trânsito. Acho que é hora, cada vez mais, de pensar em como nós mesmos nos comportamos no trânsito, como motoristas, caroneiros, pedestres, ciclistas. É hora de lembrarmos as vítimas das estradas, como dia desses o Sant'Ana fez com o meu querido colega do clic Bruno Neumann, vítima de um atropelamento numa tarde de sábado em Porto Alegre, pertinho da Redenção.

O pai da Sandrinha, como fez o pai do Bruno, também fez seu relato triste e contudente, o qual reproduzo um trecho para vocês.

Minha filha e seu companheiro, Renato Borges da Rocha, vieram na noite do dia 31/12 passar conosco a virada do ano em nossa casa de praia em Santa Rita de Cássia, distrito de Terra de Areia. Sandra era nossa filha adotiva e de pele negra.

No dia seguinte, os dois saíram as 6h, pois Renato estava a levando ao trabalho, na praia de Rainha do Mar, no seu carro, um Fiat Uno, ano 1996. No caminho, encontraram a colega de Sandra e deram carona. Vera era uma pessoa humilde, separada e com dois filhos menores para criar.

Na Estrada do Mar, Km 38, em Capão Novo, as 6h45min, sofreram o trágico acidente. Um Gol, conduzido pelo jovem Vagner Galli da Foutoura, invadiu a pista contrária, colidindo contra o carro de meu genro. Minha filha e sua colega tiveram morte instantânea.

Meu genro, que estava consciente, pedia por socorro e IMPLOROU aos policias um telefone, para que pudesse avisar os familiares. Os policiais diziam que os familiares já tinham sido avisados e que estavam chegando. Nós, (eu, minha esposa e meus outros filhos) estávamos em casa sem saber de nada, só ficamos sabendo do ocorrido através de um amigo às 12h15min. Eles haviam assistido a notícia no Jornal do Almoço. Ali, pediam a presença dos familiares, pois os corpos já estavam no IML. O mesmo aconteceu com os familiares das outras vítimas, que só ficaram sabendo através de nós.

Minha filha e sua colega estavam mortas, ficaram três horas em cima do asfalto esperando a chegada do IML, imcompatiblizando o tempo necessário para doação dos órgãos, uma vontade minha, de minha esposa e de seu companheiro, já que minha filha gozava de ótima saúde.

Tamanha é minha indignação que resolvi fazer este relato, sei que minha filha e sua colega não voltarão mais a este mundo, mas quero divulgar para que não aconteça mais com outras vítimas humildes.

Atenciosamente,

Ademir da Silva Mesquita

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

China a mais de cem

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita chinês deverá chegar a US$ 3 mil em 2010, dez anos antes do que o estabelecido pelo Congresso Nacional do Partido Comunista da China, realizado em 2002. Pelo menos esta é a opinião de um dos especialistas da Academia de Ciências Sociais da China, Lu Xueyi.

No ritmo atual, diz ele, a cifra ultrapassará os US$ 6 mil em 2020. Há dois anos, o PIB per capita chinês aumenta cerca de US$ 200 e deverá fechar 2007 em US$ 2,2 mil.

Rapidez?Bem, o país parece saber como trabalhar com isso. Em seis anos, o PIB per capita pulou dos US$ 800 (em 2000) para US$ 2 mil em 2006.

O diretor do Instituto de Sociologia da Academia de Ciências Sociais da China, Li Peilin, no entanto, adverte: é preciso que os números não mascarem um problema conhecido pelos brasileiros: a crescente diferença entre ricos e pobres e entre o urbano e o rural.

Falando em PIB per capita, o brasileiro ficou, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em R$ 11.658 em 2005. O número é de levantamento divulgado agora em dezembro.

O choro é livre


Sapatos artesanais saem por cerca de R$ 20
Foto: Jana Jan/Especial

A Leticia Echevarria, de Santa Maria, perguntou num comentário abaixo sobre os preços de roupas, calçados e alimentação aqui na China. Olha, tenho a dizer que, em geral, é bem barato. Ou, pelo menos, mais barato do que no Brasil.

Pra começar, a minha fantasia de ketchup custou 388 yuans, algo em torno de R$ 100. E, bem, é um casaco de pena de ganso, ideal para temperaturas bem baixas. Além disso, é impermeável, o que ajuda bastante. Não pretendo comprar outro, pois não sei se usaria no Brasil, e o acho grande, feio e desajeitado. No entanto, incrível, uso roupas de outono, por assim dizer, sob ele.

Um dos segredinhos pelas ruas de Beijing é pechinchar, barganhar. Quando você pensar naquela expressão "O choro é livre", saiba que aqui o choro é livre mesmo. Não se acanhe, pechinche. Em geral, sairá com uma boa oferta. A prática da barganha ocorre principalmente em shoppings multimarcas, ou sem marcas, por assim dizer. Entre os estrangeiros, o mais famoso é, com certeza, o Silk Market (Xiu Shui em chinês, Mercado da Seda, em português).

Ali, de roupa a brinquedo, passando por malas e sedas (claro!), você encontra de tudo. E encontra os vendedores falando em quase todas as línguas que possa imaginar. Não ache que estás sonhando caso reconheças um sonoro e familiar "Amigo".

Eu, particularmente, acho barganhar um mistério, e até hoje não entendo quando faço um bom ou um mau negócio. Em geral, a prática dos vendedores é pedir que você diga o preço que acha razoável. Eu nem sempre sei o que é muito de menos, e o que é muito demais. Brasileiros que vivem por aqui, por favor, me ajudem!

Quando faço compras, opto por lojas com preços nas etiquetas ou vou com a Mariana, minha salvadora por aqui. Olha, outro lugar pra comprar é Xidan. Menos estrangeiro, mas outro bairro cercado de shoppings e lojas onde é bem possível barganhar. Em Wangfujing você pagará mais caro, mas é um dos bairros de compras mais famosos para turistas. Fora dos shoppings, as ruas estão cheias de barraquinhas, cheias de badulaque. Ali, outra vez, a pechincha é a regra. Dentro dos shoppings, estive no tal Oriental Plaza no último sábado, é caro, Leticia. Mas você encontra todas as marcas famosas do mundo inteiro.

Pra teres uma idéia, aquele chapéu que estou usando na foto ali da coluna da direita (e que perdi, infelizmente), me saiu por pouco mais de R$ 40, comprado numa das lojas de chapéus mais tradicionais de Beijing (localizada ao lado do tal Oriental Plaza). Lá dentro do shoppingzão bonito, um parecidinho me custaria mais de R$ 1,1 mil. Hello!!!

No fim, acaba sendo parecido com a realidade que conhecemos. Você pode pagar muito por marcas famosas ou em lugares famosos ou pagar menos em estabelecimentos mais populares. Nestes, com certeza, pagarás menos do que no Brasil!

Bueno, eu ainda teria de falar de comidas, imagino, capítulo à parte.
Sério, eu acho muito barato, muito barato mesmo!
Combino com vocês de falar num próximo post, tá?


Silk Market é quase parada obrigatória para estrangeiros (Crédito: Divulgação/Especial)


Este mercado já fechou, mas comércio de rua também é comum (Crédito: Divulgação/Especial)


Vai dizer que não lembra as nossas chitas? (Crédito: Jana Jan/Especial)


Che é pop mesmo na pequena lojinha de rua (Crédito: Jana Jan/Especial)


Badulaques vendidos em Wangfujing (Crédito: Jana Jan/Especial)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

As mulheres e os blogs

Você sabia que a China tem 47 milhões de blogueiros, a maioria dos quais, mulheres?

O número, passado por mim pelo meu colega jornalista e gaúcho Glênio Paiva, que desde outubro tambem está na Xinhua, mostra que um quarto dos internautas chineses escrevem em blogs e que os diários online registrados já passaram os 33 milhões desde que a moda começou na China, há cinco anos.


Os números têm como base uma pesquisa feita pelo Centro de Informação da Internet na China, quando foram entrevistados 1.862 internautas chineses na segunda metade de novembro.


De acordo com a pesquisa, 57% dos blogueiros chineses são mulheres, enquanto entre os 180 milhões de internautas chineses, 45% são mulheres.

Falar em mulher escrevendo blog - sobre a China ou da China - acho super querido o modo como o blog me aproxima do meu mundo aí no Rio Grande do Sul. Eis que o Gerson comentou abaixo sobre cerveja em Ibicuí. Bueno, a casa do Luiz e do Motta foi meu endereço de Ano-Novo em muitos e muitos 31 de dezembro. Se conheces Ibicuí e és de Novo Hamburgo, com certeza sabes do que estou falando.

Já a Michelle me escreveu pra perguntar de Terra de Areia, pois leu que eu me criei lá. Fã de jornalismo e da China, a guria agora precisa fazer um trabalho sobre a cidade onde eu cresci, e me pediu umas dicas, via e-mail. Espero ter te ajudado, querida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Dias de Fúria e um bom Ano-Novo


Paguei mico na agência pra mostrar o ketchup
Foto: He Meng (Mariana)/Especial

Primeiro, as explicações. Tenho uma lista no Brasil pra quem mando minhas novidades. Esse era um e-mail pessoal, pros amigos mais íntimos. O Márcio Gomes, meu editor no clic, achou engracado e disse que ele deveria estar no blog. Pois bem, agora ele está...

Fiz um texto grande, do tamanho das minhas saudades, com pitadas de bom-humor, do tamanho da minha vontade de rir até quando não tá tudo bom. Aí deu pau no computador, e eu perdi tudo. Vamos rir, respirar, digitar de novo. Será que com a mesma naturalidade?
Ai...

A primeira parte, bem, esta é daqueles desejos gostosos de um novo ano repleto de alegrias, conquistas e amor, muito amor pra todos vocês. Polar gelada também cai bem, Tsingtao quente é a maior curtição!

Meu ano-novo eu contei ali na outra casa, a www.clicrbs.com.br/chinainblog, prestigiem esta que vos escreve, passem lá, vejam meus amigos. Meu ano-novo foi tão comportado que não há nem partes impublicáveis, todas estão no blog.

***

Bem... Aqui na China o impublicável às vezes vai até pra televisão. O mico do final de ano foi a apresentadora de TV que invadiu o programa do marido, também apresentador, ao vivo, e denunciou o infiel. Ela havia descoberto há duas horas que tinha um par de chifres. E resolveu contar pro país todo. No fim, o mundo soube da história. Se alguém quiser ver a cena, está aqui!

Aliás, você que ficou longe da internet no feriado ficou porque, provavelmente, precisou ir pra praia, usar bronzeador, se sujar de areia, tomar cerveja gelada, comer peixe, camarão, beijar na boca, dizer "não, muito obrigado" pro vendedor de canga, e também pro vendedor de óculos escuros e também pro vendedor de brincos, saiba que eu estou morrendo de inveja. Ai, coisa chata! Eu fiquei a menos zero, com um casaco que parece uma barraca, me sentindo uma bruxa vestida de preto e vermelho e jurando: ano que vem, ou estarei no Brasil, ou na Tailândia, Filipinas, algum paraíso à beira-mar. Sério. DEPRÊ PASSAR ANO-NOVO NO FRIO. Odeio com todo o meu amor cada um de vocês que estava na praia. Mas com o maior, carinho, respeito e de coração!

E, que super, né? Não que eu tenha marido, nem que trabalhe numa rede nacional de televisão, mas eu tenho um blog. Sei lá, numa dessas, vai que eu tenha algum babado forte pra publicar... Adorei esta idéia de acesso fácil à mídia!

***

Agora, sobre meu dia de fúria.

Dia desses eu disse pra Paula que o sistema interno de trancar a porta da nossa casa era aberto à chave pelo lado de fora. Dias desses depois, tou eu voltando de uma noitada de ceva no meu bar favorito na minha rua favorita na minha cidade favorita para trabalhar na China quando, depois de subir seis andares de escada (sim, nosso elevador não funciona da meia-noite às seis, dizem que pra poupar energia) me deparo com a porta trancada. De jeito maneira consegui abrir e me grudei a ligar pra casa. Ao tentar o celular da Paula, uma chinesa me fala no meu celular:

- Duibuqi. Nin xi ni zhi xi qi ni zhai pin tin de - ou alguma coisa parecida com isso, e logo emenda:

- Sorry, you have late money. Please, recharge in time.

Ou seja, tava quase ficando sem crédito no celular! Depois do recado bilingüe, a chinesa completa a ligação. Ouço o celular da Paula bem ao meu lado, na cozinha, ou seja, a quilômetros do quarto dela. Tremo mais do que tremia de frio com os -5C certo que estavam fazendo naquela madrugada! O medo? A guria não acordar... Liguei pro fixo, que fica na sala e, sim, ninguém ouviu... 3 e tantas da manhã, sem muitas opções...

Beijing é tão cidade do vento quanto Osório, e isso pode ser interessante quando as janelas do corredor do teu prédio estão quebradas. Na madrugada gelada e escura, interessante por dois motivos. Um é que o frio aumenta, outro é que o barulho de vidro e porta de metal batendo é uma loucura. Descobri duas coisas. Eu não tenho medo do escuro, nem de fantasmas. Também comprovei a tese do Cláudio: O inferno é gelado. Na sala de quem fez muito mal na Terra, ainda tem vento, que é pra gelar e cortar!

Eu, boa que dói, vou pro céu com certeza. Ainda mais que fiquei algumas horas experimentando a péssima sensação do inferno e da inveja. Invejei a praia, o calor, as pessoas felizes, os pandas, os peixes, o universo, a cama quente, a cerveja, me perguntei que diabos estava fazendo na China e pensei: 2007 foi um ano em que tudo deu certo! Tinha de ter um perrengue, nao é mesmo? Ah, mas perrengues servem pra gente resolver, que tal descer os seis andares e ir até o hotel que FICA EXATAMENTE embaixo do meu prédio?

Fui!

- Boa noite, o senhor fala inglês?

- Sim.

- Quanto custa um quarto?

- 232 yuans.

- Olha, eu estou sem meu passaporte. Moro no prédio justamente aqui em cima, mas minha amiga dormiu e me deixou na rua, não consigo entrar, está frio e eu gostaria de dormir, pois estou muito cansada. Eu tenho aqui meu crachá da Xinhua, trabalho há seis meses em Beijing.

- A senhora tem amigos na cidade?

- Sim, tenho, o senhor gostaria de telefonar para algum deles para comprovar as informações?

- Não, pra senhora telefonar e pedir pra dormir na casa de um deles. Não aceitamos estrangeiros.

- Não aceitam estrangeiros?

- Não, senhora.

- Não aceitam estrangeiros mesmo ou não aceitam estrageiros sem passaporte?

- Não aceitamos estrangeiros.

- Mas então por que inferno o senhor me informou o preço, ficou falando horas comigo e por que diabos o senhor é um dos únicos recepcionistas da China que fala inglês decentemente se não aceita uma porcaria de estrangeiro neste inferno de hotel com seis andares e uma porr** de um milhão de quartos?

- Desculpe, senhora.

- Ok, desculpe - me resignei eu com frio, sem achar um sofá pra me atirar e fazer escândalo, caso ele quisesse engrossar. Tentei celulares da Mariana e da Elisa, nada. Ok, subamos mais seis andares...

Gente, que péssima, minha noite de despedida de 2007, eu, sentada ao lado do aquecedor do corredor do prédio que não aquece nada, enrolada no meu casaco-barraca (eu já achando a fantasia de ketchup a melhor aquisição de até então aqui na China) querendo matar a chinesa que me avisava em duas línguas que meu crédito tava acabando a cada ligação que fazia todo o tempo pra tentar acordar a Paula. Sério, na 35151° vez que tu ligas pra casa e ouve a mensagem, isso comeca a irritar. MUITO. Se estiveres com sono, irrita MAIS AINDA. Se estiveres com frio, ÉS CAPAZ DE QUASE ENTRAR EM SURTO.

Pronto, uma hora e meia depois de ligações, a Paula acordou. Entrei em casa extremamente mal-educada, eu sei... Eu podia matar alguém, e nem era culpa dela, mas eu estourei mesmo com a minha amiga quando ela disse:

- Jana, mas foi tu que disse que a porta poderia ser aberta a chave pelo lado de fora.

- Sim, claro, desculpe, a culpa foi minha...

Depois da manhã, fui acordada pela Paula e pelo Iugo com café da manhã na cama!

Um bom início de último dia de 2007

Que acabou sem comida. Fui a um bar cubano novo pra ceia de réveillon, paguei 250 kuais e só me serviram a salada e a entrada. O prato principal chegou gelado, à meia-noite, quando não importava mais e eu já estava quase bêbada. Sério, ainda bem que 2007 foi. Foi ótimo!

Mas 2008 há de ser melhor ainda!

**

Quem vai pra praia comigo na próxima virada???

** Aliás, na última virada, um casal de argentinos na minha frente foi o primeiro a achar super eu ter um blog na RBS. De Misiones, viam RBS durante a infância e adolescência.

O outro assunto em comum? Este é o primeiro ano da vida deles que eles não vão nesta época a CAPÃO DA CANOA... Os pais dele, inclusive, estão indo pra lá semana que vem.

Cão farejador


Mamãe australiana dá à luz a ninhada chinesa
Foto: Arquivo/Xinhua

Vai dizer, labrador é a coisa mais fofa, né?

Agora, em estações de metrô em Beijing, vez que outra oito destes lindões estarão trabalhando: são cães farejadores, atrás, especialmente, de artigos inflamáveis. O mais comum por aqui, segundo notícia de hoje da agência Xinhua, são fogos de artifícios e tintas a óleo.

Os cachorros foram treinados especialmente pra atuarem em lugares cheios de gente e com piso escorregadio. Eles cumprem direitinho o trabalho, mas que são a coisa mais querida, são, né? Aliás, as autoridades por aqui orientam aos usuários de metrô que não tentem brincar com os cachorros, muito menos alimentá-los. Com estas carinhas, quem resiste.

Ah, na foto, está a mamãe Tess, uma das primeiras labradoras que veio para a China atuar como farejadora. Ela é australiana e, na época, finalzinho de 2006, dava de mamar à primeira ninhada chinesa.

Falando em atuar em lugares cheio de gente... Em 16 de novembro do ano passado, o metrô de Beijing bateu o recorde de público: foram 2,89 milhões de usuários num só dia!

2008: Muito dinheiro no bolso



Saúde pra dar e vender!

Aqui do outro lado do mundo, os meus votos de um feliz 2008 estão atrasados, ainda que o Ano-Novo tenha vindo com 10 horas de antecedência, na comparação com o Brasil. E que ano-novo diferente!

Pra mim, o mais estranho foi o fato de me vestir com muita roupa, muita mesmo. Temperatura abaixo de zero não é brincadeira. Em segundo lugar, ninguém nem bola para o branco - ou pouca gente, pelo menos. Minhas amigas italianas aqui ensinaram que o importante é vestir algo vermelho, algo novo e algo velho. Branco, aqui na China, lembra morte, vejam só...

O festival de estranhamento, fora uma saudade grande dos amigos e da família, foi pelo fato de na nossa ceia não ter havido lentilha, champanha ou uvas. Sete pulinhos nas ondas, então, nem pensar. Fogos de artifício? Nadica. A meia-noite foi comemorada mesmo com badaladas de sino reproduzidas em uma caixa de som. Depois? Bom, depois a coisa fica mais parecida com o que já conhecia: festa, música, dança, alegria, todos se abraçam, afinal é Ano-Novo!





O Ano-Novo na China não é tradição, aqui a reunião familiar mesmo se dá no Ano-Novo Chinês, ou Festival da Primavera, data regida pelo calendário lunar chinês e que, neste ano, será em 7 de fevereiro.

O 31 de dezembro é lembrado de formas diversas a que eu estava acostumada no Brasil. Há bastante gente na rua, algo como véspera de feriado, mas sem uma tradição mais específica. Os registros chineses que mostro a vocês são de 1º de janeiro, quando houve comemorações na Grande Muralha - em um trecho próximo a Beijing (foto lá de cima) - e em Shenzhen, na província de Guangdong, onde ocorreu o 9 Casamento Internacional Coletivo da cidade.



O clique da meia-noite, algo mais parecido com o "nosso" jeitinho fica para a cidade de Suzhou, onde as pessoas esperaram a badalada da meia-noite no templo Hanshan, por acreditar que esta traz bençãos.



Diferente ou não, chegou 2008

Então, eis 2008. Como quase todo o mundo já sabe, este é o ano da Olimpíada em Beijing. E 8 aqui é coisa séria. O som, ba, lembra Fa, palavra que designa alguém muito rico, ter muito dinheiro. Logo, o 8 é ligado à prosperidade. Estamos, pois, no ano da prosperidade.

E a Olimpíada, bem, esta começará em oito de agosto de 2008 - 8/8/08 -, que é pra dar bastante sorte e atrair muita, muita prosperidade. Lembram do som do oito? É bah!

Em bom gauchês, então, "Bah, que 2008 seja tri legal pra todos nós"!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Primeira parada: Tianjin


Eu e minha amiga Társila cercadas pela torcida
Foto: Alexandre Souto/Especial

A Tati contou hoje no delicioso blog dela que virá para a China em abril (oba, terei visita em casa) e que precisa começar a pensar no planejamento de viagem. Pois bem, eu ainda não posso ajudar muito, mas decidi que vou trazer aqui pro blog um pouquinho das cidades chinesas por onde já andei. Claro, ainda tenho de mostrar as belezas de Beijing, mas tudo a seu tempo.

Pra começar, escolhi Tianjin. Aproveito pra contar um pouquinho sobre uma das cidades-sede das partidas de futebol durante a Olimpíada e pra atender a um pedido do Gerson de Oliveira, de Novo Hamburgo, que escreveu no dia 19 de dezembro num comentário: "Este povo Chinês adora brasileiro, ouvi falar". Gerson, gentem, adoram, sim! Ou muitos adoram, que é pra não generalizar. Vamos lá?

Tianjin é uma cidade portuária e centro econômico em constante expansão. O aeroporto acabou de ser ampliado - em cinco vezes - para receber um público estimado em 300 mil pessoas durante os Jogos Olímpicos no ano que vem. E os encantos - esses eu preciso voltar lá para ver - estão na arquitetura e nas belezas naturais, que mesclam influências chinesas e de outras oito nações que já obtiveram o poder sobre a região, antes da fundação da República Popular da China, a saber, Itália, Alemanha, França, Rússia, Grã-Bretanha, Áustria, Japão e Bélgica.

Eu estive em Tiajin apenas à noite, precisamente em 23 de setembro, quando fui assistir a Brasil e Austrália na partida que valia vaga para a semifinal do Mundial Feminino de Futebol. O Brasil passou num apertado 3 a 2, apesar da superioridade mostrada em campo. Fora de campo, o que se viam eram chineses com a bandeirinha brasileira pintada no rosto, vibrando a cada lance da Marta, cercando a escassa torcida brasileira (na qual eu me incluo) pra tirar fotos! Sério, foi uma sensação muito engraçada esta de ver as pessoas nos abraçando e pedindo pra segurar a bandeira brasileira.




Durante o intervalo, então, o assédio não parou. E quando resolvemos dar voltas pelo estádio, até sermos barrados pela segurança, éramos aplaudidos tanto quanto as meninas da seleção.



Foi uma experiência bacana e deu pra sentir que o Brasil tem boa fama por aqui, sim!

Ah, o estádio, bueno, o Estádio Olímpico de Tianjin é bonitão, com uma mega-estrutura. Eu nunca havia ido a um local sede de Olimpíada, achei tudo limpo e organizado. Bebida alcóolica, nem pensar. E ficar de pé provoca reclamação de quem está atrás e diz que pagou o mesmo ingresso (essa reclamação eu ouvi de gente que não tinha olhos puxados, os chineses tavam eram se divertindo com nossa bagunça). Botar a bandeira pendurada na lateral das arquibancadas também não podia, vinha uma fiscal da Fifa gentilmente pedir pra gente tirar. Vamos ver como será essa organização toda até a Olimpíada...

Tianjin fica a 120 quilômetros de Beijing e, imagino, o trem seja a melhor opção para chegar lá, indo da capital chinesa. No dia do jogo, fomos de van, e um acidente na estrada fez uma viagem estimada em duas horas durar mais de quatro (o que nos custou 10 minutos perdidos no primeiro tempo da partida). O clima, de um calor seco e forte aqui no verão, é amenizado por lá devido ao mar.

Ainda sobre a China e o Brasil, Marta fez o cartaz dela por aqui durante o Mundial. Se já éramos conhecidos pelo futebol masculino, o show de bola da mulherada fez os chineses ampliarem a admiração deles pelos nossos jogadores. E eu comecei a frustrar expectativa de muitos por aqui: se sou brasileira, como não sei jogar?

Agora, se antes quem arrasava por aqui era o Ronaldo, agora não tem pra ninguém. O queridinho é o Kaká. Aliás, ele e Marta foram notícia por aqui ao serem escolhidos os melhores de 2007, segundo a Fifa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ligados nas alturas



Em qualquer lugar do mundo, nao é necessário estar aqui em Beijing para comprovar que é verdade, se ouve falar da rapidez com que a China está mudando, que Beijing é uma cidade em constante movimento, não para nunca, nem pra dormir. Obra e obra, a maior parte delas pra ficar pronta antes da Olimpíada.

Beleza, até aí, tudo bem. Agora, espanta observar esse turbilhão - e pensar que mais rápido do que as mudanças na arquitetura da cidade, está a velocidade dos dias.

Já estou aqui há mais de seis meses, e me propus a observar alguns locais com mais cuidado pra perceber as mudanças. E registrá-los também.

Um dos eleitos foi a futura sede da CCTV, o canal de televisão estatal da China, localizado na região conhecida como CBD, o distrito de negócios central de Beijing, bem ao lado do Terceiro Anel (vá se acostumando a estes nomes, são fundamentais pra se localizar por aqui). Será a partir dele que a TV fará a cobertura da Olimpíada 2008.

Logo que cheguei, eram duas torres sendo construídas lado a lado. Eu sabia que seriam unidas lá em cima, pois havia lido sobre isso.

Bueno, as duas primeiras vigas da estrutura que ficará suspensa a 162 metros foram ligadas ontem, dando início ao pavimento que suportará 14 escritórios e consumirá 18 mil toneladas de aço. O projeto do holandês Rem Koolhaas já foi muito criticado dentro do país mesmo pelo desperdício de material. Mundo afora, é simbolo da pujança chinesa e classificado pela revista norte-americana Business Week como a estrutura mais radical do país.

No sábado, me espantei em ver os dois prédios quase unidos. Susto: quem anda mais rápido? Os empregados da construção ou o tempo, pra me lembrar que não cheguei aqui ontem?

Há de ser o tempo, com certeza, pois ele vive me pregando peças e deixando o meu dia apertado, com cada espaço ocupado, razão pela qual eu não tenho tantas fotos de cada etapa da construção do prédio como eu havia planejado.

Resolução pra antes do fim do ano: Vou lá neste feriado tirar umas fotinhos do estágio atual da construção pra vocês, ok?


Esta avenida que aparece é o Terceiro Anel, uma das vias que circunda Beijing - no total, a cidade tem cinco (Crédito: Jana Jan/Especial)


Estes cliques são de setembro, quando os prédios começavam a ficar inclinados (Crédito: Jana Jan/Especial)


Sábado me surpreendi com a obra, e tentei tirar uma foto de dentro do táxi mesmo, mas não fui muito feliz (Crédito: Jana Jan/Especial)

O primeiro filme de guerra chinês


Assembly chegará ao Brasil como Toque de Recolher
China in Blog/Divulgação

Assembly, cujo título no Brasil deverá ser Toque de Recolher, foi o meu primeiro filme de guerra sobre a China, visto aqui. A obra do diretor Feng Xiaogang é considerada o primeiro grande filme de guerra chinês, num estilo Resgate do Soldado Ryan ou da série produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks para a norte-americana HBO chamada Band of Brothers.

De fato, o filme é forte, traz imagens fortes. Conta a história de uma companhia do Exército de Libertação que luta até quase o último homem contra forças nacionalistas durante a guerra civil chinesa (1946-49). Apenas Guzidi (Zhang Hanyu) sobrevive à batalha e passa a dedicar a vida a resgastar a honra e a memória dos soldados mortos.

É nesse ponto, pra mim, que o filme passa a ser um filme de guerra, com todos os horrores que ela traz. Fala de determinação, companheirismo, solidariedade e dor. Pra quem assistir, desejo que mantenha um olhar atento nestas questões e esqueça um pouco dos comentários sobre os efeitos especiais que tornam as cenas mais reais ou não. Sob minha ótica, pouco importa.

Agora, vou dizer o que mais me impressionou ao ver Assembly num cinema em Beijing: o impacto do filme sobre a platéia, e o que pude discutir com meus olhos e ouvidos chineses, a Mariana. Sobre história, sobre o espírito chinês que hoje ainda se vive no país. Foi uma experiência bem rica.

Alguém por aí quer me acompanhar num cineminha chinês? Ah, claro, tínhamos legenda em inglês, apesar de estas passarem bem rápido.

Ainda sobre o mundo da sala de cinema:

- Nas salas a que fui, se pode comer pipoca dentro das salas, igualzinho ao Brasil (ai, eu tenho problemas com este hábito)
- Aqui em Beijing, na maioria dos cinemas - modernos como os nossos da Grande Porto Alegre - o ingresso é caro, a exceção das terças-feiras, quando cai para a metade do preço. Filmes há mais tempo em cartaz podem ter bilhetes mais baratos
- Noha, colega do departamento árabe da Xinhua e que é do Egito estava espantadíssima: "Aqui não tem intervalo pra gente poder ir ao banheiro", me disse, ao final do filme. "No Brasil tambem não", respondi, não achando nada estranha a falta do tal intervalo.

Alguém sabe se em outros países há este hábito de intervalo?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Mei you


Cerveja gelada? Mei you
Foto: Paula Coruja/Especial

Sério, antes de vir pra China, é melhor que você esteja preparado para ouvir essa expressão: "Mei you". Diferente do inglês, em que o "you" pode parecer com o som de "iu", aqui fica um "iou" mesmo. O "mei", este continua igual a nossa pronúncia brasileira. O que significa? Hm... deixa ver.

1 - Não tem
2 - Não há
3 - Tem, mas acabou

Arrisque-se a pedir uma cerveja gelada, como estas aí da foto tirada na noite do Natal e ouvirás: "Mei you". Aventure-se num refrigerante saindo da geladeira (ligada! pois aqui muitas são usadas como armário) e provavelmente vais ouvir: "Mei you". Ouse agora tentar um singelo cubo de gelo (caso voce já esteja graduado o suficiente em mandarim pra pedir "You bing kuai?") e, mais uma vez, provavelmente virá um cortês - ou nem tanto - "Mei you".

Essa expressão bate e fica, é uma das primeiras a se aprender por aqui, talvez mais útil do que "Xiexie", ou "Obrigado" - útil, é, pelo menos, saber o significado dela.

Como bem lembrou o queridíssimo Cláudio, comentando no post abaixo, afinal de contas, "Mei you" ou não na hora de comprar? Seja por mímica, mandarim parco ou fluente, sempre que a resposta do atendente for "Mei you", desista. Troque de loja, bar, estabelecimento. Ou mude o pedido. Não adianta insistir, "Mei you" é "Mei you" mesmo.

Aliás, estou preocupadíssima com o "Mei you" ou não. Estou indo com a Mariana e outros colegas da Xinhua ver um filme chinês hoje à noite, sobre o qual quero comentar, ou não, amanhã para vocês. Quer dizer. Vou comentar se houver legenda em inglês - o que me fará compreender a história.

Caso ocorra algo tipo:

- O filme tem legenda em inglês? - pergunta hipotética da Mariana ao chegar ao guichê - e cuja resposta seja um sonoro "Mei you", bueno, amanhã correremos sério risco de "Mei you" post sobre o filme.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ninho de Pássaro

O projeto do Ninho de Pássaro é a menina dos olhos de Beijing para a Olimpíada 2008. A conclusão da obra está prevista para março do ano que vem, mas, na internet, já dá para ver passo a passo como está o projeto. Hoje foi lançado o site oficial do estádio - apenas em inglês e em chinês.

O Ninho de Pássaro, nome que faz alusão à forma retorcida da estrutura tubular, será o palco principal dos Jogos do ano que vem. Será o local das cerimônias de abertura e encerramento do evento, com capacidade para 91 mil pessoas sentadas - 11 mil assentos são removíveis.

A mega-estrutura, que terá 258 mil metros quadrados, começou a ser construída em dezembro de 2003.


O Ninho de Pássaro, numa perspectiva noturna
Divulgação/Site Oficial

Apesar da língua estrangeira, vale a pena visitar o site. Uma das partes mais interessantes pra mim foi o processo de construção, apresentado aqui.

Sucesso com o vizinho

Hoje aqui na Xinhua, onde trabalho, uma matéria que editei chamou a atenção: a China ultrapassou o Brasil em exportações de roupas para a Argentina.

Segundo relatório do Instituto de Economia Industrial argentino, citado, em parte, pela Xinhua, o motivo do sucesso seria, além dos preços competitivos, a qualidade dos produtos oferecidos.

Agora, chamou a atenção mesmo o salto chinês. Em 2005, os asiáticos respondiam por 11,3% das importações de têxteis argentinas, número que chegou a 34,1% em 2007.

Quanto ao Brasil, este despencou de um patamar de 27,2% de vendas para os vizinhos dois anos atrás para apenas 16,2% agora.