segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

No mundo da lua



Quer um passeio rápido, fácil e barato de fazer em Beijing e ainda superinteressante, vá ao Antigo Observatório da Cidade, o Guguanxiangtai, ou 古观象台.

Pra chegar, basta pegar o metrô linha 2 até a estação Jianguomen, sair pela saída C e você vai dar de cara com a construção que se transformou no primeiro museu da república chinesa. São peças da astronomia antiga, algumas das quais datam dos idos - e que idos! - de 1400 e tantos, num mix de sabedoria astronômica chinesa com os conhecimentos trazidos pelos jesuítas já nos séculos 17 e 18.

Um dos instrumentos menina dos olhos é a Esfera Armilar (foto abaixo), criado pelos chineses e que teve papel fundamental durante as navegações, pois como mostra as coordenadas celestiais, servia para que os navegadores soubessem de sua posição aproximada em relação aos astros. É praticamente um bisavô dos telescópios, que, a partir de anéis articulados nos pólos, traz representações do equador, dos meridianos e dos paralelos, por exemplo.



Esta tal esfera armilar é tão importante para as expedições que virou símbolo do português Dom Manuel I - o rei português durante cujo reinado foi descoberto o caminho marítimo para as Índias e o valoroso Brasil, terra em que se plantando tudo dá. Aliás, até hoje a esfera compõe o brasão de armas de Portugal, que está na bandeira do país. Ela também já tremulou no pavilhão do Brasil Império, simbolizando as conquistas e a influência lusa em todo o mundo.

Outros dois ângulos da esfera:





Mas deixemos tanto papo familiar para voltarmos à China.

O observatório foi aberto em 1442, durante a dinastia Ming (1368-1644), na mesma época da inauguração da Cidade Proibida, quando a capital foi transferida para Beijing. À época, ficava colado a um dos muros de proteção da cidade - hoje, com a expansão da capital, a localização é supercentral.

Além da esfera armilar, feita em 1436, foi instalado uma esfera simplificada, que tinha as mesmas atribuições da primeira, mas era constituída de um mecanismo mais simples. Esta, foi desenvolvida em 1439 e você pode ver ali na foto abaixo. Além disso, havia um globo terreste e um relógio de água - para contar as horas e os dias do mês, construído quatro anos depois.



Em 1900, quando o local já estava bem mais preparado, Beijing foi invadida por tropas de oito países diferentes. França e Alemanha ocuparam o observatório. Os franceses confiscaram vários dos objetos - que misturavam o barroco à ciência astronômica chinesa - até a embaixada, devolvendo-os um ano depois. Já os alemães levariam cinco dos objetos para "casa", só os devolvendo em 1921, finda a I Grande Guerra Mundial.



O observatório funcionou ininterruptamente até 1929, quando foram criadas unidades em Shanghai e na Montanha Púrpura. Depois de instituída a República Popular da China, em 1949, o local passou a ser o braço histórico do Planetário de Beijing, só reaberto ao público em 1983.

Abaixo, outra esfera, com os detalhes que poderiam ser barrocos, mas com características mais do que chinesas.







Bichos



Os animais, na astronomia chinesa antiga, representam os quatro pontos cardeias e dividem as posições das estrelas, como mostra este esquema na foto acima. Pra se coordenar, lá vão as explicações:

- Dragão Azul: Leste
- Pássaro Vermelho: Sul
- Tigre Branco: Oeste
- Tartaruga Preta: Norte

Tudo bem que o desenho está em preto e branco, mas vocês podem imaginar o azul, o vermelho e o branco do dragão, do pássaro e do tigre, né!

**
Eu disse que o passeio era barato. Pra terminar este post gigante, a informação. O ingresso pra visitar o observatório custa 10 yuans, ou algo em torno de R$ 3 e R$ 4.

Figuras chinesas

Morar na China é viver eufemismos.

Bem, chegar aqui significa conhecer e incorporar uma gama incrível de novas habilidades, da gastronomia ao andar de bicicleta em meio a este trânsito maluco. Fora as questões práticas do dia a dia, talvez seja importante prestar atenção no quanto os eufemismos permeiam a sociedade. Eles podem ser a chave para uma vida tranquila por aqui. Pensando bem, eu classificaria o tema como outra das questões práticas do dia a dia.

Incorporar os eufemismos e conviver com eles pode ter dois impactos fortes: você pode se tornar cínico ou adotar uma postura um tanto quanto hipócrita em relação a tudo que o cerca. Entendê-los como fundamentos de uma sociedade que não é a minha me parece o melhor caminho. Sem meias palavras e sigo em frente, me resignando quando não tenho outra escolha.

No último sábado, fui com a Cláudia Trevisan ao distrito de arte 798, um antigo chão de fábrica da época de Mao que hoje abriga de galerias a restaurantes - e recebe democraticamente artistas de rua com violãozinho e voz chata e estridente na calçada, além de ambulantes.

O local, no qual a arte contemporânea começou a aparecer entre 2002 e 2003, já recebeu mais turistas do que a Cidade Proibida em 2007. Lá nos deparamos com a exposição Solution Scheme, ou um esquema para a solução, série de fotos em que a prostituta Yu Na é dirigida pelo fotógrafo Xu Yong, que ganhou fama na China ainda na década de 1990 ao fotografar hutongs, o emaranhado de casas e ruelas que abrigavam os altos funcionários de governo nas dinastias Qing e Ming em Beijing e que hoje servem de moradia para gente de classe mais baixa, especialmente.

Mas voltemos à Solution Scheme e aos eufemismos. As fotos trazem Yu Na nua, no comando das cenas, em que vários homens atuam como coadjuvantes. É ela quem tem o disparador na mão (claramente presente nas imagens) e escolhe o momento exato do clique. Na descrição em inglês, entendemos que se trata de uma prostituta dirigida por um artista. Na versão em chinês, ela é apresentada como uma acompanhante (getingzuotaixiaojie, ou 歌厅坐台小姐) - garota que trabalha em bares, boates e casas de karaoke, mas que, necessariamente, nao precisam fazer sexo com o cliente. Eufemismo, ainda que descarado. Ou imagens valem mais do que mil traduções?



Conversei com dois amigos chineses e fiz a mesma pergunta: Qual o significado de 歌厅坐台小姐? Um prontamente me disse que se tratavam de garotas pagas para fazerem sexo. O outro me "vendeu" a tese de se tratar apenas de acompanhantes. Seja qual for o caso, ainda na versão em inglês da apresentação da exposição, os artistas deixam claro que a prostituição é tema tabu na sociedade chinesa. Alguém duvida?

***

Eu precisava de uns dias de folga, e teria de tirá-los adiantado, pois ainda não os tenho. Tentei todas as negociações possíveis, mas não houve jeito. Resignei-me. Hoje me ligaram do Departamento Pessoal para avisar sobre meu cartão de saúde, que está pronto desde JUNHO. Estamos em FEVEREIRO.

Moral da história: a ligação ocorreu hoje apenas para que eles se certificassem de que eu não viajei escondida, tendo eventualmente negociado com instâncias inferiores. Dizer que meu cartão estava pronto foi um eufemismo. Poderia ter sido simplesmente: "Que bom que você está aí, não viajou".

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Crise na China?

A Rádio Internacional da China (CRI, na sigla em inglês) tem transmissão de notícias e programas em 43 idiomas - entre os quais o português. O site tem até seções de vídeos, mas estes são feitos pelo serviço em inglês, principalmente.

Hoje, um vídeo tenta mostrar como a crise econômica mundial afeta a vida de quem mora em Beijing, sejam eles chineses ou expatriados. Roteiro, edição e imagens são do indiano Rahul Venkit, jornalista que já teve experiências ainda em Cingapura e Londres, além de na própria Índia, obviamente.

A diversidade resulta num olhar preocupado com o cidadão comum e foi para estas pessoas que se perguntou como anda a crise por aqui. Quem quiser conferir, clica ali no vídeo abaixo, em inglês.



By the way, a província de Guangdong, ou Cantão, como a gente conhece, é considerada o motor do desenvolvimento econômico da China. No entanto, hoje o governo local baixou para 8,5% a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, abaixo dos 10% estimados anteriormente.

O valor combinado das importações e importações da província representa um terço do total do país, mas 40% das vendas vão para os Estados Unidos, superatingido pela crise e motivo pelo qual as perspectivas estão sendo revistas para baixo.


2020


Como o governo chinês não perde tempo, Guangdong já busca transformação. Até 2020, quer ser uma base para manufatura avançada, inovação e indústria pesada. Além disso, repetindo passos de 30 anos atrás, Guandong será um campo de teste para novas reformas econômicas que podem pintar por aí, abrindo-se mais par ao exterior. O plano do governo consiste em integrar o Delta do Rio da Pérola a Hong Kong e Macau numa espécia de região competitiva globalmente e um centro de produção e comércio com o maior vigor da região Ásia-Pacífico.

Tattoo - Coming Soon


Barriga fria é assim, espalha a notícia antes de ela se concretizar. Quero fazer uma nova tatuagem. Já decidi onde, o que vou fazer, falta ajustar o desenho. Na real, escolher bem todo o desenho. Coisa de mulher Gostosa. Quer algo mais sexy que tattoo?

Tá, tem várias coisas mais sexies, mas eu adoro tatuagem, assim mesmo. Aliás, tenho cinco até agora.

Hoje, fazendo uma busca por modelos, encontrei este site de um estúdio espanhol, cuja capa abre este post, que é um tudo. Adorei o site, adorei as tatuagens dos profissionais. Curtam, que os caras parecem feras.

Aqui, o link para um e outro que vão me servir de inspiração. Depois eu conto como foi tatuar na China.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dengjia!

Entrou no táxi, disse que é brasileiro, pronto, está dada a deixa para que o assunto seja futebol. Ontem, ao conversar com o shifu, mestre, ou, na gíria, o taxista, novamente o tema veio à baila.

Eu já conhecia os tradicionais Luonaerduo (Ronaldo - 罗纳尔多), Xiaoluo (Ronaldinho - 小罗), Beili (Pelé - 贝利) e até Luomaliau (Romário - 罗马里奥), mas aí ele me pegou com o tal Dengjia (邓加). Ao elencar jogadores brasileiros famosos, ele insistia no Dengjia, que tinha passado por Japão e Itália. E começou a comparar o cara ao Maradona, da Argentina. Bueno, só poderia estar falando do Beili, mas definitivamente o Dengjia não era o Beili.

Sem matar a charada, liguei para um colega chinês que fala português e é louco por futebol. O Dengjia é como eles chamam o Dunga por aqui. Esta coisa de ex-jogador de seleção virar treinador cria novos parâmetros de comparação, né, não?

Aqui, página da wikipedia chinesa sobre o Dengjia.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Uma brincadeira

Veio do Facebook, mas como eu fiz a lista, vou copiar aqui.

1. How am I feeling today?
Marina - Charme do Mundo

2. How far will I get in life?
Beatles - When I'm 64

3. What is my best friend’s theme song?
Vinicius de Moraes - Onde Anda Vocë

4. What was high school like?
Nação Zumbi - A Praieira

5. How will today be?
Belle & Sebastian - Like Dylan in the Movies

6. What is in store for me this weekend?
Diana King - I Say a Little Prayer for You

7. What is the best thing about me?
Chico Buarque - Folhetim

8. What song describes my parents?
The Platters - Smoke Gets in Your Eyes

9. How is my life going?
Cazuza - Blues da Piedade

10. What song will they play at my funeral?
Some samba

11. How does the world see me?
Santo Forte - Ultramen

12. What do my friends think of me?
Dívida - Ultramen

13. Do people secretly think I’m good looking?
Jorge Ben Jor - Ela é Gostosa

14. How can I make myself happy?
Os Mutantes - A Minha Menina

15. What should I do with my life?
Os Mutantes - Top Top

16. What is some good advice?
Bob Marley - Three Little Birds

17. Will I get married?
Vinicius de Moraes - Regra Três

18. Where will I go in life?
Chico Buarque - A Banda

19. Will I Have Kids?
Toquinho - O Filho que Eu Quero Ter

20. What is my current theme song?
Caetano Veloso - Ta Combinado

Gato na banca


Perto da minha casa há uma banca de revistas. As revistas - e os jornais e demais publicações - estão todas em chinês, motivo pelo qual é simplesmente melhorar ignorar o que talvez eles quisessem me dizer. Eu não entenderei de forma alguma.

No entanto, dia destes, ao ver a capa da Men's Health, não desgrudei do moço da capa. Gente, que gato. Ele ainda tem uma tatuagem abaixo do umbigo que é só pra deixar o cara mais perfeito ainda. Sério, tem gente que não curte muito asiático, mas com um destes por perto... Ouch...

Bueno, dando uma olhadinha no site da revista, achei esta foto pra lá de provocante.



Coloquei o texto no Google Translator e o que eu achei foi uma espécie de crônica a respeito do sexo em 2.049, quando um homem falava espantado que havia transado com uma menina de carne e osso, em vez do sexo que andava fazendo via msn, facebook e etc.

Pelo menos durante as fotos, o cara parece que se divertiu. Ou, será que mesmo em 2009, esta imagem é fruto de montagem? Olha...

Esqueça o Youtube


Os sites chineses populares por aqui não são Youtube ou Google, muito menos Orkut. Aqui se assiste vídeo no Youku, se faz buscas no Baidu. Redes sociais, não sei, mas que o Facebook até que tem adeptos por aqui, ah, isso tem.

Pois hoje buscando no Baidu, descobri inúmeros vídeos sobre o incêndio que atingiu o prédio do hotel Mandarin Oriental logo atrás da nova sede da CCTV, no centro econômico e financeiro de Beijing.

Ontem, ao chegar ao local, foi fácil perceber todo o mundo capturando imagens com telefones e câmeras. Hoje a rede está inundada de flagras.

O governo chinês hoje se pronunciou oficialmente sobre as causas do fogo. Uma empresa contratada para fazer um show pirotécnico do topo do prédio de 40 andares teria usado artefatos proibidos. No incêndio, não houve vítimas, mas um bombeiro que atuou no combate ao fogo morreu na manhã desta terça-feira em decorrência de problemas respiratórios. Outros seis bombeiros estão internados, além de um trabalhador da construção civil.

O que eu ainda não ouvi falar é sobre o destino do prédio.

***
As imagens sáo da página do Baidu sobre o incèndio de ontem.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Hotel no complexo da CCTV arde em chamas em Beijing


Beijing – e a China inteira – celebra hoje o Festival das Lanternas, comemoração de origem milenar que marca o fim dos festejos do Ano-Novo Chinês e última data em que é possível soltar fogos de artifício na região central da Capital. E talvez um destes fogos tenha dado início a um incêndio que, pelo que vi, destruiu um prédio de 40 andares que daria lugar a um hotel da rede Mandarin Oriental, marca de luxo.

O edifício fica no novo complexo da CCTV, a rede estatal de televisão chinesa cujo projeto arquitetônico é aclamado como uma das maravilhas contemporâneas. Quem assina é o holandês Rem Koolhaas. Certo é que deveria estar pronto antes da Olimpíada, mas não deu, a área toda ainda estava vazia. Motivo por que se acredita que não haja vítimas.

A hipótese do fogo provocado por petardos pra mim ainda é muito remota. A gente sai pela rua e tem foguinho de tudo quanto é lado. Difícil um acertar justamente um dos prédios modelo de arquitetura e urbanismo contemporâneo. Ou só uma triste coincidência, ainda mais no último dia em que a brincadeira era permitida. Mais, só no ano que vem.

Correndo para pegar um táxi e ver as chamas, um fogo estorou bem perto de mim, dentro do meu condomínio, fazendo com que uma janela de um apartamento simplesmente se estilhaçasse. Pensei: onde estou me metendo...

O táxi parou a cerca de dois quilômetros do prédio que ardia em chamas. Corri como uma louca, mas quando cheguei, se o fogo ainda estava longe de ser controlado, pelo menos não se viam mais labaredas gigantes, como eu soube que teve ao ver vídeos e fotos de pessoas que haviam chegado bem antes do que eu. Atravessando um viaduto para acessar a região, apinhada de chineses tentando entender o que acontecia próximo a um dos símbolos da cidade – fincado no centro financeiro de Beijing – alguns avisavam: feiji lai le, feiji lai le, que significa que vinha vindo um avião. Realmente algo se movia no céu, e acho que deveria ser um helicóptero da polícia. As referências ao 11 de Setembro e um temor de ataque terrorista, acho, no entanto, acabam sendo inevitáveis.

Já perto do complexo, um vaivém de carros da polícia e ambulâncias, além de viaturas do corpo de Bombeiros, dava um tom de filme. Surreal, na minha frente. Mesmo tendo chegado mais de 21h à região de Guomao – cuja tradução é World Trade Center -, ainda não havia um cordão de isolamente, e os curiosos, que somavam milhares, sem ser exagerada, andavam pra lá e pra cá fazendo imagens, conversando com as pessoas, observando. Jornalistas de todo o mundo brotaram e se perguntavam o que poderia estar acontecendo.

Velhos, jovens, adultos, crianças, policiais, freelancers, fotógrafos, repórteres de todas as mídias estavam todos ali, alguns dos quais me provocando inveja. Sem um smartphone ou algo que o valha, estava no local da cena, mas nem sequer o Twitter eu poderia atualizar. Fiquei pensando o quanto somos já dependentes da informação instantânea, mesmo que ela não contenha o número de vítimas, as causas do fogo, o que vai acontecer com o prédio.



Mais, daqui a pouquinho.

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A primeira imagem é minha, mas cheguei quando as chamas já estavam meio que sob controle e, além disso, minha maquininha é bem ruim.

A segunda imagem é de um especial sobre o caso publicado pelo site chinês Tencent QQ, um dos mais famosos do país. Detalhe: o especial está no ar desde cerca de três horas depois do início do fogo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Comer, comer


Este post é só para dar uma dica deliciosa: a reunião dos melhores blogs grastronômicos do Brasil numa só página. Fiquei com água na boca, depois de roubar a dica ali do Sérgio.

Engraçado é como há posts sobre comida chinesa, especialmente porque com a chegada do Ano-Novo chinês, teve muito blogueiro que resolveu aproveitar a data para se aproximar da culinária deste lado de cá.

Aqui tem uma história bacana do jornalista Daniel Buarque, que foi ao Chi Fu, restaurante chinês no bairro da liberdade, em São Paulo - que eu não conheço, mas fiquei com vontade de desde que o Sérgio havia me falado sobre ele.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Festival das Lanternas


Mais uma celebração chinesa se aproxima, o Festival das Lanternas, ou YuanXiaoJie (元宵节). Na tradução é algo como Festival da Noite do Primeiro Mês Lunar. Na prática, a comemoração se dá no 15°dia após o início do ano (ano segundo o calendário chinês, claro), quando ocorre a primeira lua cheia. É a data que encerra as festividades do Festival da Primavera (pra quem ainda não sabe, o Ano-Novo Chinês).

Neste dia, e durante a noite, as pessoas celebram carregando lanternas, cujo nome em chinés é tùzidēng (兔子灯), muitas das quais contêm espécies de enigmas, escritos em papéizinhos e que, se decifrados, trazem desejos de boa sorte. Estes bilhetes são chamados cāidēngmí (猜灯谜). Também é a data para comer bolinhos de arroz doce, chamados justamente de yuanxiao.

Bueno, será a partir desta noite que os fogos de artíficio irão parar de vez, não sem antes, claro, uma bela saraivada de luzes e estampidos - e estrondos. É certo que agora pouco se percebem espocares na cidade de Beijing, mas, de qualquer forma, o Festival das Lanternas será a última chance para fazer isso. Neste ano, a celebração será no dia 9, próxima segunda-feira.

Hoje as pessoas vão aos parques e às ruas. Talvez seja legal dar uma espiada para ver o que está acontecendo. Tomara que não seja super frio, mas até acho que não.

A origem do festival remonta mais de 2 mil anos, no entanto, várias lendas tentam contar como ele surgiu. Fato é que após a lua cheia, os agricultores se voltavam ao cultivo. Seria, então, também o momento para pedir boa sorte na plantação, antes de botar a mão na massa. Uma simbiose entre crença, natureza e festividade. Afinal, como eu contei no início do post, o YuanXiaoJie acontece na primeira noite de lua cheia do novo ano.

Ah, tem um detalhe. O festival também ganhou uma conotação romântica. É que durante a China feudal, moça não saía de casa. A exceção era justamente o festival, quando elas tinham oportunidade de conhecer rapazes. E eles, claro, de conhecê-las. Como a data marcava esta minialforria, passou a ter também um caráter de dia dos namorados.

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A imagem, roubada daqui, mostra um trabalhador de Zhengzhou enfeitando a cidade para a celebração com as lanternas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Qual o melhor homem?

Ok, caso você não saiba, invariavelmente um bando de mulheres reunidas falarão sobre homens. Sejam elas solteiras ou não, o tema das conversas serão aquele partidão, namorados, maridos e ou amantes e, sim, os ex.

Falar sobre as experiências passadas é tema recorrente. Morando no exterior e convivendo com gente oriunda de um monte de países, descobri uma coisa. Aqui, classificamos homens TAMBÉM pelas nacionalidades e origens.

Os brasileiros estão com tudo. Têm fama de quentes. Quem já leu o best-seller Comer, Rezar e Amar, da jornalista e escritora norteamericana Elizabeth Gilbert, sabe que uma das maiores delícias que ela descobriu no namorado brasileiro foi o fato de ele a chamar de gostosa na cama. A gente já sabia, poderíamos dizer, nós brasileiras.

Em alta estão os italianos, na visão de várias européias. Aplausos para os espanhóis e, diga-se de passagem, independente da nacionalidade, os moços afro têm forte cotação entre a galera feminina.

Nestas conversas noturno-etílicas pelas ruas de Beijing acerca de o que elas sonham sobre os homens, percebi algo: nós, expatriadas, somos atraídas pelo desconhecido. Assim, eu que já sei o quão bons são os brasileiros, aqui vou estender meus horizontes para cidadãos de outros países. O mesmo vale pra italianas, espanholas. Santo de casa não faz milagre, já diz a sabedoria popular. Até faz, mas a gente quer mais. E, ademais, vivemos num país onde a religião não está entre as prioridades, viva o pecado.

Tem horas em que se esquecem as barreiras linguísticas e até o aprender novas palavras se torna divertido. Mistura-se inglês ao chinês, com algumas incursões na língua nativa do casal e tá feita a receita de um tesãozinho internacional. Sério, quer mais gracinha que um francês tentar te chamar de gostosa? Sai com biquinho e tudo e única reação, involuntária, é encher o cara de beijo. Experimente, eu recomendo.

Aliás, tags sobre os franceses: eles te proveem perfume, cigarro, vinho, queijo, sexo sem compromisso e croissant! Surgiram agorinha mesmo, conversando com uma brasileira que entende do riscado.

Vive la France!



A imagem é de um francês pra lá de delicioso, o creme para o corpo ultra-hidrante de carité da L'Occitane, a marca de comésticos francesa que faz qualquer uma ficar cheirosa e com a melhor pele e cabelos do mundo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

E um tesãozinho intelectual não rola?


Neste mês, a publicação de uma pesquisa que indica que homens ricos garantem mais orgasmos às suas parceiras ganhou a atenção da mídia. Os evolucionistas Thomas Pollet e Daniel Nettle estudaram, sob o viés evolutivo, os resultados de um levantamento feito pelo governo chinês com 5 mil pessoas. Na análise, levaram em conta as respostas de 1.534 mulheres, sobre as quais tinham mais dados e variáveis para cruzar e formular conclusões.

A primeira é de que ricos dão mais prazer. Funcionaria mais ou menos assim: as mulheres, sob o ponto de vista evolutivo, procurariam machos mais capazes. E o dinheiro, na nossa sociedade, seria indicador fundamental da capacidade do parceiro.

Pollet e Nettle, no entanto, dizem não serem conclusivos. Aliás, mesmo informando que a pesquisa é a que tem a maior amostragem até agora neste gênero, deixam expresso no título e ao longo do texto (em inglês) que se trata de uma análise sobre as mulheres chinesas, sejam elas urbanas ou rurais, com diferentes níveis educacionais e de informação.

Logo, pra mim, fica claro que apesar do número, estamos falando de uma sociedade única. E 1.534 mulheres no universo chinês é bem pouco. No universo mundial, menos ainda.

Mas tudo bem. Estatísticas à parte, entre todas as variantes e hipóteses levantadas pelos pesquisadores, uma me chamou mais a atenção: talvez os parceiros ricos sejam aqueles homens que tenham namoradas, amantes, mulheres ou etc com mais nível de escolaridade, melhor situação financeira e um perfil mais ocidentalizado - sim, o perfil mais ocidentalizado está ali, definidor de que há uma diferença imensa entre o que pensam as chinesas e as brasileiras, por exemplo, só pra citar o quadro no qual me encaixo e sobre o qual tenho alguns relatos empíricos, mas não menos reveladores.

Anyway, voltando ao perfil da suposta maioria das mulheres que têm namorados ricos, não seriam estas mais instruídas e talvez com menos e pudores justamente as que conseguiriam ter mais prazer, por entenderem o sexo como não tabu?

A questão, neste caso, seria: as mulheres que atraem os homens ricos são as mais "evoluídas"? Se eles o são porque têm dinheiro, suas presas também o seriam, com carreira, dinheiro, educação, estilo e valores éticos e morais que as diferenceriam de outros exemplares do gênero.

Caso contrário, sobraria para nós acreditarmos que o dinheiro traz não só felicidade, mas, traduzido pelo homem-amante, mais prazer sexual. Ô, que triste! Pra piorar a situação dos pobres homens pobres coitados, o levantamento dos evolucionistas ainda sugere que são dos altos que elas gostam mais, porque estes também dariam mais prazer.

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Me poupe!
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Falar em altura, a dupla Pollet e Nettle publicou outro estudo bastante interessante no ano passado. Na zona rural da Guatemala, as mulheres mais altas se saem melhor em ambientes estressantes, na comparação com as de estatura baixa ou mediana.

Agora vai. Eu, aliás, vou ali comprar um plataforma pra ver se minha autoestima cresce aqui pela China.

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Sobre a pergunta título: um tesãozinho intelectual não rola? Poutz, meu mundo por um namorado criativo, online, culto e inteligente. De verdade.

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A primeira imagem lembra que, mesmo sem orgasmo, homem pobre às vezes é pura gozação. O infeliz dizer que esqueceu a carteira pra deixar a moça pagar a conta é de última, né? Pra estes, valem, sim, serem chamados de pobres e virarem piadas entre as amigas da vítima.

Já a segunda imagem é de uma mulher no interior da Guatemala. Não faço a mínima ideia se ela é alta ou não, mas não parece estressada.

O mundo lusófono está na China


"É um ópio...esta China! Que o vício da escrita (e o da leitura também) venha dar a este blog!". É acertando na mosca em relação ao ópio que é a China e pedindo leituras e escritas viciantes que a jornalista Vera Pêneda apresenta o seu De olho no Dragão.

Eu ontem estava procurando mais e mais blogs em português que falassem sobre a China (até agrupei-os na lista aí ao lado) e me deparei com o De Olho. A Vera é conhecida desde os tempos que chegou a Beijing, amiga de festas, amiga de outras horas. Mas não sabia que ela tinha um blog. Foi depois de buscar referências em Macau que descobri o diário desta jornalista portuguesinha que está por estas bandas há bem mais de um ano.

Minha intenção é, mesmo que os links estejam ali ao lado para vocês clicarem, falar um pouco de por que escolhi os blogs que estou recomendando. Algo como: leiam porque eu acho isso. Tudo bem, minha opinião pode até nem ser tão válida, mas se você está me lendo por aqui, imagino que dê bola para o que eu penso.

O blog da Vera tem inúmeras coisas giras. O layout é agradável, só pra começar. Os textos são uma delícia e a construção tem uma unidade que poucos conseguem dar, especialmente porque a moça é fã do teclado e digita posts grandes. Mais do que recomendadíssimos. Leitura é um vício, a Vera já avisou.

Para mim, outro destaque nos textos da Vera são a diversidade de temas que ela aborda e a quantidade de fontes que usa ao discorrer sobre os temas. Trabalho de quem pesquisou, se interessa, conhece e quer dividir o que sabe. Eu virei fã, irei sempre lá me informar mais e mais.

E, bom, tem mais uma coisinha. Ler em português de Portugal é um prazer por si só. Parece que a língua tem um tratamento mais elegante. E, claro, vários "c" que eu não sei pra que servem, de facto, mas que fazem parte da prosa escrita dos nossos lusófonos europeus.

Bueno, chega de ler sobre a Vera aqui. Quem perdeu a chance de clicar lá em cima, agora não tem mais desculpa. Tó o link!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Gostosa Way of Life

Agora vai. Vou tentar escrever sobre meninas, mas o endereço é outro: clica aqui.

Aí a gente separa um pouco, fala um tanto aqui, um tanto lá e vocês vão exercitando o Control^T, ou Control^N, depende do navegador, ou mesmo o Alt Tab.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Adeus Ano Velho



Simples assim: basta clicar em qualquer dos blogs aí ao lado que falam sobre a China e verás que estão contando sobre as comemorações do Ano-Novo chinês.

A festa é a mais importante para os chineses, é o momento de encontro familiar e descanso. São sete dias de lazer, não importa se há crise ou não. O país para. Ou quase isso. Na verdade, ocorre uma movimentação para lá e para cá de proporções chinesas: gente que não acaba mais embarcando e desembarcando de trens, ônibus, aviões, botes, jangadas. Bicicletas. É gente que viaja para encontrar parentes, gente que viaja com os parentes para conhecer destinos turísticos.

Apenas Beijing recebeu 3,24 milhões de visitantes no feriadão, 20% a mais do que no ano passado. Em termos de rendimento, foram 15% de incremento no setor turístico. Nada mal, não?

É bem verdade que eu não tenho fotos das comemorações. Sabia da confusão que estaria nas ruas e não fiz nenhuma questão de enfrentar multidões a -5C. Amigos contaram que estava difícil pegar o metrô, que houve quem desistisse de conhecer a Cidade Proibida e a o Templo do Céu devido às filas intermináveis. E isso que os locais mais populares durante o Festival da Primavera foram as instalações feitas para sediar a Olimpíada do ano passado. Quem passeou pelas feiras em Beijing, tradicicionais durante este período e que podem ser traduzidas como uma mega festa do interior, com barraquinhas, circos de bizarrices e ambulantes vendendo toda a sorte de bugigangas, também relata superpolação pelos parques.

Meu plano de uma programação mais zen em meio ao frenesi comemorativo chinês, no entanto, não foi totalmente satisfeito. Seguindo a tradição de estourarem fogos de artifício para espantar os maus espíritos no ano que chega, o que se percebe ao longo da semana é uma artilharia incessante de petardos, sejam eles coloridos ou apenas barulhentos. Aliás, se é o barulho que espanta os espíritos, nada mais natural imaginar que as cores e formas dos espocos são meros acessórios, caem bem à noite. Mas se é pra começar o ano com o pé direito (será que chinês tem esta expressão? Preciso perguntar) o que vale é o alarde sonoro. E viva a pólvora!


Findos os festejos, todos de volta ao trabalho. E, daí, sim, espanto. Hoje é domingo e quem folgou ao longo de sete dias, agora bota a mão na massa. O domingo virou dia útil e a pirotecnia exarcebada está na lembrança.

Agora não tem mais desculpa. Começamos mesmo a ano, é hora de cumprir as resoluções que eu havia tomado lá no distante 31 de dezembro, mas que posterguei porque haveria outra virada para ter como desculpa.



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France Connexion

A Anne-Laure, uma francesa que trabalhou comigo aqui no ano passado, explicou que, de um ponto de vista puramente francês, você ainda tem até o dia 31 de janeiro para desejar tudo de bom no ano novo. Algo como ter todo o primeiro mês do ano para se acostumar com a ideia de que temos de mudar o ultimo dígito na hora de datar documentos (no ano que vem, serão dois) e de darmos uma desculpa àquela preguiça tantas vezes implacável que nos faz NÃO mandarmos email, telefonarmos ou encontrarmos os amigos queridos logo nos primeiros dias de janeiro.

Seguem os desejos e as explicações da Anne:

D'un point de vue purement français, le 31 janvier est assurément le dernier moment pour vous souhaiter espoir, joie, amour, vaillance, ardeur et douceur, légèreté et profondeur (entre autres bonnes choses dont l'inventaire exhaustif prendrait jusqu'à l'an prochain).

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A primeira foto deste post é da Alma, tirada no 19°andar, onde eu moro com a Paula. Foi durante a nossa comemoração de ano-novo, como conta, em espanhol, outra Alma.

A foto sob fumaça é minha do Cris e da Maíra, quando meus irmãos vieram comemorar o ano-novo chinês comigo. Estávamos em Sanlitun, rua boêmia da cidade.

Por último, tem um clique da Mariana, feito pouco antes de irmos a Sanltiun, quando fomos até a casa dela para celebrarmos com pirotecnia a chegada do Ano do Rato.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ah, a Olimpíada

Hoje o departamento de turismo de Beijing divulgou que o Ninho de Pássaro, o estádio onde ocorreram as cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada do ano passado na capital chinesa é um dos destinos preferidos dos turistas neste feriado de Festival da Primavera na cidade. Em cinco dias, o parque já recebeu 80 mil turistas.

Lembrar do Ninho de Pássaro, me fez lembrar o período olimpíco na cidade, a expectativa das pessoas, a minha, do mundo. Então resolvi publicar aqui um vídeo feito para o extinto China in Blog, em que eu e a Aida, minha tradutora, saímos para saber o que os chineses esperavam do evento esportivo.

Passeamos por um hutong, que são os bairros por assim dizer em que viviam funcionários importantes do governo há coisa de 600 anos em Beijing, mas que hoje abriga, na maioria, camadas mais baixas da população. Abriga também um charme e um encanto únicos, com cheiro de Beijing de antigamente, com jeito de cidade pequena, com algo que me faz cair de amores por hutongs.

Bueno, vamos ao vídeo

sábado, 24 de janeiro de 2009

Um pulo no Japão

A dica veio da Paula, o vídeo é ótimo, apesar de eu ter ficado um pouco tonta com tanto movimento. Vale passear pelo Japão. Na página do autor do vídeo, ele explica passo a passo como fez. Legal compartilhar não só a experiência da viagem, mas como transformou o material num protudo internético.


This is Japan! from Eric Testroete on Vimeo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Violência Doméstica

Discutindo violência doméstica com um colega chinês, ele logo foi reclamando de que não são apenas as mulheres as vítimas, mas também os homens. Claro, fácil ponderar, há mulheres que mesmo se não são tão fortes, podem atirar objetos, arranhar, arrancar cabelos, até fazerem outras barbaridades.

- Que nada. Violência doméstica é chegar em casa e ter aquela mulher que fala, fala, fala... - respondeu ele.

HAHAHAHA.
Tem certas coisas que não há diferença cultural que faça parecer diferente.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Xampu


Acredite: é muito legal saber palavras novas quando se está aprendendo um idioma. Incrementar o vocabulário vai ser a chave para desenvolver mais e diferentes diálogos. Dia destes aprendi xiangping, 香槟, ou champanha em mandarim.

Prestando uma atençãozinha, fica fácil perceber que o xiangping chinês se assemelha ao som da palavra champagne. Este é um dos sistemas de "importação" de palavras para cá. Pega-se o som e tenta-se achar caracteres cujos fonemas se assemelhem. Em alguns casos, os caracteres encerram significados.

Falando sobre a bebida, teriamos os caracteres que designam perfume e noz-de-areca, uma planta típica da Ásia que serve como estimulante. A bebida francesa, então, manteria um nome em mandarim cujo som remete ao original e, de quebra, seria, pela leitura que os caracteres suscitam, um estimulante perfumado.

Très intéressant!

Daí que dia destes estava numa festa para comemorar o Ano-Novo Chinês na firma e havia champanha a rodo. Numa das tentativas de pedir à garçonete que me trouxesse mais uma taça, a confusão.

- 我要一杯香槟 - pedi, que é justamente "Eu quero uma taça de champanha" (Wo yao yi bei xiangping, pra ajudar na leitura), mas não houve entendimento.

Depois de uns três pedidos, resolvi ir até a mesa onde estavam as bebidas, a fim de mostrar para a mocinha qual líquido satisfaria o meu desejo.

- Ah, xampu - exclamou, tri feliz.

Eu fiquei megadesenxavida, tendo errado no nome de algo de que tanto gosto. A champanha, estou falando. Adoro xampu também, mas não pra beber, não era o que eu estava precisando na festa.

Mais tarde, quando confiscamos algumas garrafas de champanha - cansamos daquela coisa de ficar pedindo tacinhas - fui ler o rótulo, e lá estavam caracteres que eu conhecia. Os fofos 香槟, cuja leitura é xiangping. Não xampu!!!

Aliás, xampu não é uma palavra que tenha sido importada para o chinês tentando manter uma semelhança com o som em inglês (que é o que o Brasil fez, transformando - ou não - o shampoo em xampu). Como são um povo com mais de 4,5 mil anos de história, acho que estão lavando a cabeça há tempos. O produto esse para limpar e perfumar a melena por aqui se grafa 洗发水 e a gente lê xianfashui.


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Mandarim eno-etílico
Bom, segundo me explicou o Ricardo Duarte, champanha ainda pode ser chamada de 香檳酒, ou xiangbinjiu. Se quiserem um espumante, peça um 起泡酒, ou qipaojiu.

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Só para terminar este post bebumno-linguistico, ontem aprendi a terceira ou quarta frase em francês da minha vida:

J'adore la bièrre, ou "Eu adoro cerveja". Espero que vocês também.

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Ah, a foto foi feita pela Alma Soto na festa da firma, quando as garrafas já estavam em nossa mesa.

Au revoir

Trocadilhos e o Ano-Novo


No ano passado, alguns dias antes de começar a Olimpíada, conheci o Daniel Piza, o Felipe Machado e o Nilton Fukuda, trio do Estadão que veio parar nestas bandas para falar sobre a China, sobre os chineses, sobre a Olimpíada e, sim, algumas vezes sobre as competições.

No nosso segundo encontro, quando os levei para conhecer a Praça da Paz Celestial e o portão Qianmen, além da região revitalizada ali pelas imediações (os chineses reconstruíram uma das primeiras ruas de comércio da cidade, cujo nome também é Qianmen, literlamente portão da frente e, não por coincidência, um dos últimos antes do acesso à Cidade Proibida) eles perguntaram do que eu mais sentia falta dada a distância Brasil-China.

- De trocadilhos - eu disse, de tanta falta que os tais realmente fazem no meu cotidiano.

Naquele dia e nos próximos cerca de 30 que se seguiram, o Felipe, fazendo juz à fama que o Daniel e Fukuda haviam divulgado por aqui, me abasteceu de diversos trocadilhos. Infames, bons, horríveis, engraçadíssimos. Honrosas colaborações do Daniel e tiradas geniais do quieto, mas no ponto Fukuda.

A Olimpíada acabou, o trio Estadão voltou para onde tinha de voltar e eu fiquei sem os tais trocadilhos por aqui de novo. Triste. Aí, agora, tem um trocadilho no qual não consigo parar de pensar, mas que está em diversas revistas que tentam ser engraçadinhas, em nicks de msn e etc de chineses e estrangeiros que vivem aqui. É o happy 牛 year!

O símbolo entre as palavras happy e year lê-se como "niu", bem pertinho da pronúncia de "new" no inglês. A expressão happy new year, como todos sabem, significa feliz ano novo. O ano novo, como todos sabem, ainda não chegou aqui na China, só chegará dia 26. O que talvez nem todos saibam é que niu quer dizer boi, vaca. E o próximo ano será o ano do boi (apesar de eu adorar a expressão Ano da Vaca, uma vez que moro na Niu Jie, que é a Rua da Vaca).

Em resumo, voltando ao trocadilho, o Happy 牛 Year é um fofo trocadilho sino-inglês (ou seria anglo-mandarinico?Ugh) que deseja não só um feliz ano novo, mas um feliz ano da vaca nova. Quer dizer, um feliz ano novo da vaca. Ou do boi.

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Esse não é trocadilho, só uma curiosidade a respeito das gírias. E que tem tudo a ver com vaca!

No Brasil, quando algo é super supimpa, como um jogo de futebol na TV, um chope bem tirado ou um texto, ou o que quer que seja, isso é classificado como "do caralh*".

Pois aqui, algo "do caralh*" é algo "bucet* de vaca". Algum estrangeiro que fala super bem o mandarim, fala um chines bucet* de vaca, o show é bucet* de vaca, e assim por diante. Pra quem quer saber como se escreve, aí vão os caracteres: 牛逼, e a gente lê niu bi!

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Ah, a imagem que ilustra este post foi tirada daqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Quem bate?

13h, hora do banho, já que trabalho às 14h30min. Estava saindo do box, fiquei sem luz. Quem leu há poucos dias o blog, lembra que não pude voltar pra casa porque meu prédio estava sem energia, sem elevador, eu sem energia para subir 19 andares.

Lembrando disso, bateu certo panicozinho e alguém bate à campainha. Melhor atender, né? Vai ver é um moço que vai me explicar o que está acontecendo e resolver o problema.

Ainda perguntei:

- 谁啊?- Ou, Shei a? (uma expressão que significa "quem é", na qual o "a" final está ali por puro cacoete linguístico comum aos moradores de Beijing).

O moço do lado de fora respondeu muitas coisas que totalmente escapam à minha compreensão, mas entendi o 公司 (gongsi) do final, ou seja, companhia, empresa. Abri a porta, deixei entrar, não entendi xongas, liguei pra dona da casa, também chinesa, com quem pouco me comunico e deixei os dois conversando. Ela explicou alguma coisa que eu não entendi e então, fiquei olhando pro moço, que não ia embora.

Talvez nesta altura seja conveniente eu explicar que como eu havia recém saído do banho, eu estava vestindo uma camiseta e tinha uma toalha enrolada à cintura (sim, eu faço coisas ridículas na China que no Brasil não faria nem sob tortura, do tipo, abrir a porta mal vestida. Mas, poxa, imagina ter de descer 19 lances de escada... Eu jurava que era urgente).

Bueno, o cara não ia embora. Eu não entendia o que ele queria, a não ser cobrar 4 mil kuais, um montante que dá aí uns R$ 500, numa conversão grosseira e preguiçosa que fiz agora de cabeça. Liguei pro meu escritório, a fim de que alguém servisse de tradutor pra mim. Expliquei a situação pro meu chefe, que falou com o chinês e depois veio falar comigo, ao telefone:

- Jana, eu acho que ele é um ladrão.

- Ah, tá. Que que eu faço com um ladrão dentro da minha casa agora?

Bueno, a coisa era que o cara era de uma empresa de reforma de casas e apartamentos e não iria embora sem receber o dinheiro, grana que a dona ficou devendo pra ele. A dona não iria lá para pagar para o cara, eu precisava sair para trabalhar, o cara não saia da minha casa, meus colegas falavam comigo, com a dona, com o cara, tudo por telefone. Eu de toalha, já nervosa, quase ficando com um certo medo. Pedi pra chamarem a polícia.

A estas alturas, eu já gritava com o cara, num mandarim sofrível. Ele me dizia:

- Daqui não saio, daqui ninguém me tira. A dona vai chegar em cinco minutos.

- Eu não tenho cinco minutos. Eu preciso trocar de roupa. Você pode esperar ali fora, não pode esperar dentro do apartamento - eu respondia.

- 不明白 - ou, bu mingbai, que é não entendi, insistia.

E eu replicava que ele entendia, sim. E voltava a dizer:

- 我没有五分钟。 我想换衣服。 你可以等外边。 不可以等房子里边 - que é justamente "Eu não tenho cinco minutos. Eu preciso trocar de roupa. Você pode esperar ali fora, não pode esperar dentro do apartamento", ou "Wo meiyou wu fenzhong. Wo xiang huan yifu. Ni keyi deng waibian. Bu keyi deng fangzi libian". Sacou o mandarim?

Isso já era aos gritos, eu meio que empurrando a criatura e segurando a toalha já que, totalmente exasperada, a última coisa que eu poderia fazer naquele momento era jogar a toalha.

Passados uns 40 minutos, com a promessa de que a polícia subiria ao meu apartamento (a gente tem uma base da polícia dentro do nosso condomínio, exatamente em frente ao nosso prédio), alguém ligou para o chinês maluco, suposto ladrão, e ele foi embora.

Troquei de roupa, bateu a polícia. Minha explicação foi maluca, eu não sabia dizer tudo isso em chinês, liguei de novo pro meu chefe, que explicou o que tinha ocorrido, agradeceu a gentileza dos policiais e eu desci com os dois moços. Eles me ofereceram um cigarrinho, prontamente recusado, e eu fiquei contando que era brasileira, morava há um ano e meio em Beijing, era jornalista e não tinha tempo de estudar chinês, em resumo, as únicas coisas que sei dizer.

A dona é uma caloteira, eu agora não abro mais porta para estranhos e ainda fico me perguntando por que minhas semanas não podem passar sem uma emoção doméstica.

奥巴马入主白宫


Os sete caracteres aí de cima devem ser lidos assim: Aobama ruzhu BaiGong. Pra quem precisa de tradução, aqui vai: Obama dono da Casa Branca.

Nesta terça-feira, o afrodescendente se tornou o 44°presidente norte-americano, mas isso todo o mundo já sabe, tamanha a repercussão da posse em Wanshington. Só no local, segundo li em jornais por aí, havia 2 milhões de pessoas enfrentando o frio para ver o moço de perto.

Em Beijing, a Obama Mania garantiu faturamente extra a bares que nem sempre estão lá muito lotados durante a semana. O Saddle Cantina, por exemplo, apostou numa comemoração para a posse, com telões ligados a todo o volume e o resultado foi uma casa abarrotada. Estive lá por dois minutos e decidimos ir ao Lugas Villa, logo atrás do Saddle, ambos no bairro boêmio de Beijing, Sanlitun.

Ali três telões estavam ligados à transmissão da BBC, cujo som estava conectado ao sistema da casa. Volume máximo, outra casa cheia (mas não lotada) e silêncio total durante o discurso de Obama. Na plateia, chineses, norteamericanos, canadenses, indianos, franceses, portugueses, brasileiros e mais um monte que eu talvez soubesse, caso perguntasse prum público estimado - por mim, claro - numas cem pessoas.

Bush foi vaiado, Obama ovacionado, mas a sensação que ficou do discurso foi de uma fala morna, que não teria o impacto daquele de Lula em 2003, quando o petista tomou posse no Congresso Nacional. Pelo menos assim lembravam os brasileiros presentes.

Eu discordo. Pelo menos uma frase está nos discursos dos dois eleitos: A Esperança Venceu o Medo. Frase de efeito? Sim, mas é ela que simboliza a mudança, que marca a escolha pelo diferente - o caso do petista no Brasil, do afrodescendente nos Estados Unidos. Na verdade, interessa muito mais o que Obama fará na Casa Branca (já que é o dono do local, segundo o termo cunhado pelos chineses) do que a fala diante da família Bush, dos seus seguidores e de seus opositores. Ali, ele tinha de ser elegante, polido, burocrático, sim, e inteligente o suficiente pra apontar caminhos.

Neste sentido, acho que ele tocou em temas que precisava. A crise por que passam os Estados Unidos agora é comparada à de 1929, então não estamos brincando de eleger um presidente negro para mudarmos a cara do poder estadunidense. Estamos realmente diante de desafios que exigirão dele maturidade e competência. Uma palavra em todo o discurso me tocou, curiosidade. É desse valor, disse Obama, que os norte-americanos precisam para enfrentar os desafios e chegarem ao sucesso. Curiosidade aliada a trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância, lealdade e patriotismo.

Pra mim, é mais do que bonito falar em curiosidade. E, sim, tolerância ao lado da curiosidade, como usou Obama no discurso, é tudo o que faria do mundo um lugar melhor, na minha visão. Barulho ele já começou a fazer. Poucas horas depois de ser efetivamente o presidente, ele já pediu que os processos conduzidos ante comissões militares da Base de Naval de Guantánamo fossem suspensos por seis meses. Seriam 21 casos, um dos quais envolve cinco homens acusados de tramar os ataques de setembro de 2001 - momento emblemático do governo de Bush filho, em que a guerra ao terrorismo passou a ser a desculpa oficial para ocupações em outros países e aperto nas regras relativas a estrangeiros no país.

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A imagem deste post é uma reprodução do site especial que a CCTV, a televisão estatal chinesa, fez sobre a posse do Obama, que às vezes vem acompanhado só do Barack, às vezes do H. e, como ele usou na hora do juramento antes da posse, do Hussein que traz no nome.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A maternidade, a paternidade e o signo chinës


Hoje recebi a notícia do nascimento da Maria Júlia, a filha do Guisba e da Beta. Mais uma bebê ratinha, segundo o horóscopo chinês. De acordo com pesquisas que fiz agora, os nascidos sob o signo do Rato são sentimentais e muito apegados à família, além de serem superadaptáveis, o que os ajuda a serem bem sucedidos em todos os empreendimentos. Fofo!

Neste ano, ano e meio em que estou aqui na China, a quantidade de bebês dos meus amigos é algo impressionante. Vieram ao mundo Luíza, Valentina, João, Cecília e agora a Maria Júlia. Todos ratinhos e ratinhas.

A Cecília e a Maria Júlia são daquela porção de gente que tem de fazer as contas pra saber a qual signo chinês pertencem. O ano novo que eu comemorarei agora no dia 26 de janeiro muda a cada ano, pois segue o calendário lunar. Assim, nascidos entre o final de janeiro e o início de fevereiro têm de ficar de olho naquelas tabelas que aparecem na internet, dizendo que tal ano é ano do boi (como o caso de 2009), da serpente, do dragão. Na verdade, não é bem assim, a mudança vai demorar um pouquinho mais pra ocorrer, nunca será no dia 31 de dezembro.

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Pois dia destes um amigo perguntou se eu tinha vontade de ser mãe. Com esta profusão de bebês à minha volta, digo que ainda meu instinto materno não aflorou. No entanto, faço algumas descobertas com minhas amigas e amigos pais e mães - a maioria de primeira viagem. Algumas são um tanto óbvias, como os medos em relação a cuidar do filho (e que, apesar de óbvia, ainda assim é desesperador e encantador que só).

Mas num meio em que as crianças não fazem parte, exatamente o meu aqui em Beijing, às vezes percebo o quão legal é ter pequerruchos em volta vez que outra - até pra me preparar para tê-los de uma vez por todas, full time (aff :p).

Domingo veio a Maria, quatro anos, tomar chá da tarde lá na minha casa e da Paula. Tudo bem, a moça foi com a mãe, mas foi ela quem ajudou a explicar o endereço pro taxista e, não contente, ainda queria fazer o doce que a Simoni tinha prometido preparar. Em determinado momento, quando não havia nada pra ser feito, a não ser lavar os morangos, a Simoni foi categórica com a Maria:

- Filha, fica olhando bem concentrada pra panela. Se não olhar, o doce vai estragar - falou, ao se referir à panela onde estava o pó de chocolate misturado ao leite condensado, ainda sem ir ao fogo.

Pronto, eu, Paula e Tarsila caímos na risada e a Maria se sentiu muito importante em fazer parte de um momento tão crucial para a feitura do doce, enquanto a Simoni tinha tempo pra lavar e cortar os morangos sem se preocupar com as estrepolias da filhota. Sério, tem coisas que só a maternidade ensina. Falar com crianças é uma delas.

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Falar em falar com crianças, Beijing não é tão desprovida assim de bebês, mesmo que no meu círculo. Por aqui está grávida a Mariana, uma das minhas melhores amigas, grávida do primeiro filho, muito provavelmente o único. Se quiser ter dois, vai ter de pagar, e não é pouco, uma taxa para o governo até que o bebê se transforme num pseudo-adulto de 18 anos.

Desde os fins de 1970 a China exige o filho único, salvo pagando, ou em casos em que as crianças nascem com necessidades especiais, casos em que o filho mais velho pode vir a ser salvo por um irmão mais novo (transplantes de medula ou não sei mais que outras doenças), casos de famílias rurais cujo primeiro filho seja primeira filha, casos de descendentes de minorias étnicas, casos em que um dos cônjuges seja estrangeiro e casos de famílias cujos cônjuges sejam AMBOS filhos únicos.

Esta política foi implantada aqui porque o país cresceu muito. Em 1949, tinha 542 milhões de pessoas, população que saltou para 963 milhões em 1978 (o ano da implantação da política de filho único). O salto foi muito em decorrência de políticas da época, que estimulava o crescimento das famílias. Hoje, graças ao freio, são 1,32 bilhão de chineses no país, segundo os dados oficiais.

Mas agora, dois problemas: a geração de filhos únicos está chegando à fase de ter filhos (eles nasceram em 78, a conta é fácil, 30, 31 anos) e agora podem ter famílias com dois rebentos. Em razão disso, Shanghai, em 2007 já teve crescimento populacional após 15 anos de ou queda ou estagnação na taxa.

O outro problema é que as famílias estão acumulando dinheiro, ficando ricas, classe média alta, enfim, com poupança que pode, em termos práticos, resultar no direito de criar mais um filho, mesmo que pagando impostos. Pesquisa divulgada semana passada mostra que atualmente 70,7% das mulheres chinesas em idade fértil querem o segundo filho, um número 7,6 pontos percentuais maior do que o de 2001.

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No terremoto de Sichuan, em 12 de maio do ano passado, morreram mais de 10 mil crianças. O governo lançou uma política especial para a região que permite às mães terem o segundo filho, caso o primeiro tenha sido vítima da tragédia. Casais de viúvos do terremoto, por assim dizer, que já tenham filhos da união anterior, mas que casem novamente também podem tentar um filho do novo casal, desde que a soma dos filhos anteriores não ultrapasse dois. Ou seja, se cada um trouxer um filho do casamento anterior.

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Tanta matemática em relação às famílias deixa a coisa toda um tanto sem emoção, não? Como falei tanto de mãe, mas não falei de pais, deixo um texto do Tião, pai do João, pra vocês. Vocês vão clicar no link, depois procurar o post do dia 23 de novembro, combinado?

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A foto é minha e da princesinha Luíza, a filhota da Gisselle e do Vini, que eu conheci neste ano em Curumim.

Interatores

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Queijo da Serra com Guacamole


Morar fora, em geral, significa fazer amigos estrangeiros. Mais ou menos porque as pessoas do lugar já tem seus amigos e suas vidas e as pessoas de fora estao sozinhas, loucas por companhia. O resultado é que voce acaba por formar uma família multicultural, um grupo de gente que se torna unido e começa a planejar de passeios a jantares juntos, um grupo que se torna meio inseperável. Bem, pelo menos esse é o caso em que eu e meus amigos nos encaixamos.

A turminha reúne brasileiros, italianos, franceses, egípcios, portugueses, mexicanos, espanhóis e, claro, chineses. É, acho que estas sao as nacionalidades predominantes nos nossos encontros. Desta (con)fusao, uma das maiores delícias sao as trocas culturais. Em termos linguísticos, sempre dá pano pra manga. Em termos culinários, hum, eu que sou meio glutona, sempre fico com culpa depois de experimentar - e exagerar no consumo - delícias estrangeiras.

O queijo Serra da Estrela, ou só queijo da serra para os íntimos desta iguaria portuguesa, é um dos casos. Desde que conheci o Ricardo Duarte, ele me falava de o quao bom era o tal queijo. Produzido em pequenas propriedades na Serra da Estrela, é resultado da mistura do leite tirado das ovelhas Bordaleira da Serra da Estrela - o segundo maior rebanho portugues (na foto voces veem alguns exemplares) - ao cardo, uma flor típica de Portugal (que também aparece pela Argentina e algumas regioes da África) usada para coagular o queijo, além de sal.

O resultado é um queijo molinho, que vai do branco ao ligeiramente amarelado, numa consistencia amanteigada. A gente come de colher e bota em cima de torradinhas. Delícia. Entre conhecer o Ricardo e conhecer o queijo que o Ricardo nos trouxe, levou uns nove, 10 meses. Mas valeu a pena esperar. Ele nos trouxe um queijo da Casa Matias.

Agora, nem tudo o que é bom vem sozinho. A Alma, nossa mexicana fofa, fez um guacamole que vou te contar. Eu já tinha comido na rua, mas assim, em casa, nunca. O pure de abacate salgado é companhia perfeita pros nachos. E o Ricardo ficou reclamando que se comia a fruta com sal, nao com açucar. Pois a mistura ao doce é comum em Portugal e no Brasil, mas impensável no México. Pra quem quer seguir a receita, anota aí.

- Abacates maduros
- Cebola média cortada em pedacinhos minúsculos
- Um dente de algo super picado
- Salsinha picada
- Pimentas verdes
- Suco de limao
- Sal a gosto

Mistura tudo numa tigela, amassa, amassa, amassa e depois sirva com nachos. No México, me contou a Alma, algumas vezes ainda se bota tomate verde. Em receitas que vi em sites brasileiros, havia o tomate vermelho mesmo (aliás, já comi assim em outros bares de Beijing). Outras receitas ainda falam em pimenta malagueta e coentro. Bueno, tempere a gosto, mas coma guacamole! E se fores a Portugal, já sabes o que pedir.

A Ásia e o futebol

Mianmar quer um novo técnico de futebol, depois da saída do brasileiro Marcos Antônio Falopa, de 59 anos, que deixou a seleção masculina do país em dezembro após ter fracassado em levar a equipe adiante na Copa Suzuki da Federação de Futebol da Associação das Nações do Sudeste Asiático no ano passado.

Achei interessante, espraiamos conhecimentos futebolísticos pelo mundo, mas eu, ainda que não seja a maior fã do esporte, tão pouco sei sobre o que se passa nos campos aqui da Ásia.

Daí que fui atrás da página da Confederação de Futebol Asiática (AFC, na sigla em inglês). Além da separação por regiões do continente, eles tem três categorias de seleções, as desenvolvidas, as em desenvolvimento e as emergentes. A China está no grupo de elite, assim como o Japão.

Na ponta de baixo, as equipes têm desde 2006 a AFC Challenge Cup, uma competição que reúne os tais times emergentes do continente, um grupo simpático que reúne Tadiquistão, Afeganistão, Nepal, Sri Lanka, Paquistão, Taipei Chinesa, Guam, Filipinas, Butão, Brunei, Quirguistão, Laos, Camboja, Palestina, Macau e, claro, Mianmar - a antiga Birmânia .

Olha, na edição de 2008, o time capitaneado pelo brasileiro Falopa até nem fez feio, chegou em quarto lugar, após perder a disputa pelo terceiro posto para a Coréia do Norte, num jogo que terminou em 4 a 0 (pros coreanos, vocês entenderam, né. Eles, aliás, haviam sido convidados pro evento). A final foi entre Índia e Tadiquistão - o primeiro, time convidado -, e os donos da casa, os indianos, acabaram levando a taça após derrotarem os adversários por 4 a 1.

Em 2010, a Índia voltará a sediar o evento. A ESPN passa o torneio. Eu, se fosse você, já iria me preparando pra conhecer as estrelas dos emergentes times asiáticos.

Guam

Minha ignorância geopolítica mundial me fazia até agora solenemente ignorar a existência de Guam, uma base naval norte-americana da Oceania, na ponta sul das Ilhas Marianas. O posto estratégico parece um pedacinho de paraíso, com o chamorro e o inglês como línguas oficiais.

Como um bando de outras ilhas no Pacífico, por ali aportaram portugueses e espanhóis e é desta segunda cultura que se importaram algumas palavras e a maioria católica da região - fato que os faz comemorarem fiestas e celebrarem nobenas. O único detalhe é que nós brasileiros - e mais um montão de gente de diversas outras nacionalidades - precisa do visto norte-americano pra ingressar lá.

Voltando ao futebol, pelo menos na internet

O site da Confederação de Futebol Asiática tem versões em inglês, árabe, chinês simplificado, chinês tradicional, híndi, japonês, russo, coreano e persa. E o incrível é como muda o visual de cada uma das páginas. Impressionante!

Mas que nada


No último sábado, comemoramos o aniversário da Paula no Yu Gong Yi Shan, casa de espetáculos aqui de Beijing, uma das minhas preferidas pra sair na noite. É ali que quem procura música ao vivo de qualidade deve ir na capital chinesa. Bom, tem o Mao e o 2Kolegas também, mas sobre estes dois bares eu falo outra hora.

As atraçoes vao de gente conhecida por estas bandas - e até de outras, como o caso do AIR -, até gente que está começando por aqui. E o palco é democrático, vai de reggae a música experimental, passa por uma pegada rock n'roll, flerta com funk, se esbalda com blues e cai no samba.

Pois sábado, havia duas bandas, a chinesa Daya Band (大伢乐队) e a Mama Funker, esta última com os vocais e a guitarra do brasileiro Fábio, nascido no Pará, criado em Sao Paulo e expatriado na China - há pouco menos de um ano em Beijing. Foi neste meio tempo que ele deu início ao projeto, que traz a guitarra virtuosa do cubano Hansel, o baixo pesado e melódico de Tim, da ilhas de Dominica, e, pra honrar os donos da casa, os chineses, as baquetas estao sob o comando de Peng Fei.

A mistura multicultural deu um caldo bacana ao suingue brasileiro que nos palcos chineses aposta em funks e souls Tim Maia e Ed Motta, Lenine e até cai num roquezinho fofo do Capital Inicial, com os versos de Primeiros Erros. Pasmem, ou, pelo menos, eu pasmei: a estrangeirada, que na grande maioria nao entende lhufas do que está sendo cantado no palco, embala que é uma beleza e, além de pular e dançar, arrisca umas sílabas dos refroes.

Nem preciso dizer que o aniversário da Paula foi um sucesso, que o show foi um sucesso e que pra quem curtiu e quer mais, a boa notícia é que teremos repeteco. Nos dias 8 e 20 de fevereiro, a Mama Funker tocará no Mao Live (juro, juro que falo desta casa outra hora) e no dia 26 estará de volta ao Yu Gong Yi Shan. Aliás, quer saber mais sobre o YGYS - que é como os íntimos do local grafam o nome -, clica aqui.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Só comigo

2h, alguma coisa abaixo de 0C. Volto pra casa louca pela minha cama, após me fartar com paellas, tortillas espanholas e depois ainda dar uma de olho grande pra cima de quesadilla de pollo mexicana. Cama, cama, cama... Só isso o que eu gostaria de enxergar pela minha frente.

Ops, gostaria de enxergar alguma coisa pela frente. Prédio sem luz, corredor sem luz, caminho até os elevadores - até com um pouquinho de medo, pois é preciso andar prédio adentro na total penumbra - e tateio os botões. Nada, necas, nem em sonho. Óbvio, estamos sem energia.

Saio pra tentar alguma informação, só vejo uns chineses com lanternas, se dirigindo ao subsolo do prédio. Técnicos eletricistas, me parece óbvio. Ensaio uma conversa, mas não entendo nada. A não ser que não tem luz, mas isso se entenderia em qualquer língua.

Exasperada, nunca imaginei que um dia usuria esta palavra, ligo pra meu amigo que jantava comigo pra que ele me ajudasse na tradução. Tempo de espera para que se reestabeleça a energia: entre uma hora e algum período indeterminado. O chinês me olha curioso: "você mora em qual andar?". Respondo: "Décimo nono". Ele faz cara de quem tem pena de mim.

O meu amigo, acho, também sentiu pena. Convidou pra dormir na casa dele. Assim resolvi meu problema. A luz, pra quem quiser saber, voltou as 10h da manhã seguinte. Eu cheguei em casa às 11h.

No ano retrasado, nunca imaginei que usaria isso tão cedo pra me referir a 2007, já havia ficado fora de casa durante o inverno. Mas, veja bem, até calefação eu tinha, ainda que apenas a do corredor. Tem horas em que reclamamos de barriga cheia.

***

Ah, o décimo nono andar

Há dois meses moro num apartamento supimpa em Beijing. Foi o primeiro que escolhi com a marida Paula, pois os outros dois anteriores foram escolhidos por indicação, acomodação. Este foi todo pensado: perto do trabalho, numa região bonita, decoração decente, recém reformado. Fica no décimo nono andar e tem uma vista para algum canto da cidade que não consigo identificar. Não vejo nenhuma construção conhecida, nada de Cidada Proibida, Praça da Paz Celestial ou prédio da CCTV.

Vivo numa região conhecida como Niu Jie, ou rua da vaca - hmmmmmmmmmmm. Ali se concentra a maior comunidade de chineses muçulmanos de Beijing, o povo huimin. Não se come porco, a maior parte dos restaurantes servem os pratos que se comem em Xinjiang, região autônoma ao leste do país, na fronteira com um monte de países que terminão em quistão, como o Quirguistão e o Cazaquistão. Sinônimo de culinária maravilhosa. Muito tomate, pimentão, massas e batatas no cardápio.

Tudo perfeito. E, cerejinha do bolo, viver no décimo nono andar. A possibilidade de ver a cidade de dia ou de noite me é tão cara que foi este o principal critério de desempate na hora de eu escolher meu quarto - Paula havia me dado o privilégio porque no apartamento antigo, ela havia escolhido. Meu quarto tem janelões pra rua. O décino nono andar me encanta. Só nunca tinha pensado que talvez um dia teria de deixar de dormir em casa por justamente morar tão alto.

Será que tenho de levar lanternas quando for passear à noite? Subir 19 andares no escuro não é exatamente a experiência que quero ter na China.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Resolução de ano-novo: ler


Há pouco tomei uma nova resolução de ano-novo, ler. Tudo bem que ler é um dos exercícios a que mais me dedico, mas desta vez quero ler clássicos chineses e, então, escolhi as quatro principais novelas escritas por aqui pra começar. A categorização é dos próprios chineses. Mãos às obras.

O primeiro livro, Dream of the Red Chamber (sem tradução para o português) foi sugestao da Cacá, reforçada pela Tarsila, pelo Ricardo e pela Mariana. Neste balaio de gente boa aí tem uma descendente de chineses devoradora de livros no Brasil, uma brasileira devoradora de livros que dá aula de português na China, um português devorador de livros que mora na China e uma chinesa devoradora de livros falante de português.

A leitura se transformou em resolução de ano novo porque hoje recebi a escala para o Festival da Primavera que, apesar de ser no inverno, é quando os chineses comemoram a chegada do novo ano, seguindo o calendário lunar chinês. Durante este período, que soma nove dias sem trabalho - sábado, domingo, os cinco dias úteis subsequentes, mais o outro final de semana - o território chinês, com nada desprezíveis 9,5 mil quilômetros quadrados, mais um troco, se transforma num grande corredor turístico. É gente viajando para todos os lados para se reunir aos familiares ou conhecer novos lugares. Resumo da ópera de Pequim: fique em casa a maior quantidade de tempo que puderes. Com temperaturas máximas que não deverão ultrapassar os 0C na próxima semana, é o que eu vou fazer. Como não tenho internet, nem computador, e não posso escrever, qual a resolução? Ler.

Dream of the Red Chamber

O livro também é chamado de Histórias de Uma Pedra, estava me contando a Mariana. Em mandarim, seria Hong Luo Meng (红楼梦). Escrito no meio do século 18, durante a Dinastia Qing, a obra de Cao Xuequin é conhecida pela infinidade personagens. Só na linha de frente, são 30, apoiados por outros 600 personagens secundários. Haja fôlego pra acompanhar a história.

Complexidades à parte, o fato é que o título virou referência, já ganhou versões para o cinema, foi série da televisão estatal chinesa e agora está recebendo nova roupagem pra estrear novamente na telinha.

Eu vou parar de falar dela por aqui, mas você, do outro lado, torça para que eu encontre a versão em inglês numa das livrarias daqui antes do feriado. Começar o ano novo sem cumprir resoluções dá o maior azar, né? Já basta o 1 de janeiro que passou há tempos e no qual já deixei promessas abandonadas. Nada melhor do que vir pra China e ter outra chance de fazer novas resoluções no ano que novamente se inicia. Melhor não desperdiçar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Eu e o português

Paulo:
o que vais fazer no feriado?

Jana Jan:
ficar por aqui. nao gosto de viajar no feriado.

Paulo:
eu entendo.. é a pior época para viajar. cheio de chinocas em todo o lado

Jana Jan:
exato. chinoca la na minha terra, rio grande do sul, significa put*

Paulo:
ahahaha. nao sabia

Jana Jan:
ahan

Paulo:
para nós é chinês, só

Jana Jan:
as diferencas do portugues

Paulo:
isso já nem é português.. é dialecto de rio grande do sul!

Jana Jan:
haha, como pandorga, que significa papagaio. soh se usa no rio grande do sul

Paulo:
nunca tinha ouvido

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Aliás, um pouco mais sobre pandorga aqui

Pra falar em pandas

Meu amigo, via e-mail:
Oi Jana, tudo bem?
Nossa, os gatos-ursos são bravos!
Lembra do nosso passeio no zoológico? Delícia!

Eu, em resposta:
Óbvio que eu lembro no passeio no zôo.
Tenho ate foto com gorro de panda e tu com um chimpanzé.

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Ele tem 39. Eu, 31.

***
Aqui, aliás, eu falo sobre pandinhas

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2009

2008 foi e, pelo que tenho lido em vários lugares, ou mesmo ouvido em conversas entre amigos, é que já foi tarde, demorou para acabar e etc. Acho que tem um quê de crise econômica, percalços com escândalos políticos e outros motivos de fórum mais privado por aí. Eu, no entanto, não estou na turma do "ainda bem que acabou". Quer dizer, é legal que venha 2009, mas 2008 foi bem bacana.

Falo por mim, claro, mas vamos lá. Foi o ano em que recebi visitas na China, fui pra Tailândia com meus irmão, conheci o Vietnã com a Paula, visitei as Filipinas, li muito, me apaixonei ainda mais pela China, beijei pouca gente, mas me diverti. Fiz novos amigos, voltei de férias pro Brasil em dezembro e, de quebra, tive uma cobertura de Olimpíada no meio disso tudo.

Pode ter sido apenas no âmbito pessoal, mas eu repetiria 2008 de A a Z. Agora, como eu disse, é legal que venha 2009. Seria a hora de fazer resoluções? Eu tenho a velha companheira de quase todas as mulheres: emagrecer. Estou com 72 quilos. Mais do que na hora de emagrecer, desta vez não é exagero. Mas acho que as resoluções deveriam vir sempre baseadas em experiências boas ou más que tivemos no ano anterior.

Mais ou menos este post é pra dizer assim: mesmo que o ano anterior tenha sido ruim, é por meio das lições que tivemos com ele que iremos melhorar - e viver melhor, que é, pelo que entendo, nosso objetivo maior. Então, vamos lá.

- eu vou emagrecer - porque me sinto muito mais gostosa mais magra. Mãos à obra.
- eu vou aprender chinês - porque muitas e muitas vezes na vida deixei as coisas pela metade, como o aprendizado de japonês. Agora está na hora de fazer alguma coisa de verdade.
- eu vou ler e ler e participar de tudo o que eu puder acerca de jornalismo na internet - porque eu preciso me especializar em alguma coisa, e sou apaixonada por internet. Não posso só saber bem pouco de poucas coisas. Chega!
- eu vou ler muito - cada vez mais tenho vontade de escrever. Só se aprende a escrever lendo. Claro, se você não tem nenhum talento pra escrita, não adianta devorar uma biblioteca, mas eu acho que tenho um certo dom. Sem modéstia.
- eu vou viajar - porque a cada vez que viajei, amei mais ainda.
- eu vou tentar beijar mais - porque é muito legal pra mente e pro corpo.

Se cumprir minhas resoluções, seria uma mulher gostosa, culta, viajada e com sexperience. Se não cumprir, azar. O bom dos inícios de ano é que a gente sempre sonha, sem limites, sem culpa e, no fundo, com uma baita esperança de que vai dar certo!

Desejo a todos - sim, porque o final de um ano e início do outro a gente sempre sente esta vontade incrível de desejar coisas para nossos queridos - muita saúde e paz. E dinheiro suficiente, mas não demais.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ah, os acentos

Lá da China, é difícil escrever em portugues bem muitas vezes pela falta dos tais caracteres especiais, como acentos e cedilhas e que tais. Bueno... de volta ao Brasil, nao encontro na minha casa as teclas dos acentos til e circunflexo, muito menos a do cedilha.

MEDA!

Em fevereiro, ao me visitar na China, meu irmao me levou um presente que amei. Justamente as teclas de cedilha e til/circunflexo, numa brincadeira que me fez rir muito.

O que eu nao sabia é que ele havia levado a brincadeira super a sério, tirando do teclado ainda em uso as teclas que agora sao chinesas. Antes que alguém pergunte, nao, elas nao tem nenhuma outra funcao que nao apenas meramente ilustrativas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Pára que ninguem experimenta?

Eu hoje estava traduzindo uma expressão do espanhol que falava sobre "crudo leve y doce", e não sabia como. Fui fazer uma busca, afinal, sobre o que poderia ser petróleo leve e doce. Daí achei esta explicação na net:

"Às vezes os preços da gasolina sobem quando há muito petróleo bruto no mercado, dependendo do tipo de petróleo disponível. O petróleo pode ser classificado como pesado ou leve e doce ou azedo (ninguém realmente experimenta o petróleo, é só como o chamamos)."

Poxa, achei que alguém experimentasse. Se você, por algum motivo, se interessou pelo tema, pode seguir lendo aqui.

Ah, ontem perdi meu laptop. Esqueci no banco de tras do taxi. Tou muito, muito braba. Todas as fotos e videos de um ano e meio fora, fora um dinheira fora...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Cachorro

Hoje ao vir para o trabalho, vi uma velhinha falar com seu mascote:
- Deng yi huan! You che!

Nada como saber pelo menos um pouquinho do chinês. Ela falava ao cão:
- Espere um pouco, vem vindo carro!

O cãozinho voltou para a calçada e esperou pra atravessar a rua. Será que por aqui os caninos entendem chinês?

Antes de qualquer brincadeirinha que possa passar pela cabeça de algum ocidental desavisado, saiba que aqui os bichinhos são muito, mas muito mimados. Todo o mundo tem um cãozinho de estimação. Eles, aliás, são superobedientes, poucos andam na coleira e os donos, invariavelmente, andam com saquinhos pra recolher o coco do chão. A gente anda e anda por vários metros nas ruas, vê centenas de mascotes e tá tudo limpo.

Vou dizer, em termos de cuidados e carinhos entre dono e pet, Beijing é um exemplo bom pra cachorro!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Air China = Hell in the sky

Este é o singelo nick de um amigo meu. Pergunto por que e ele nada de responder. Meu vôo para o Brasil será via Air China, by the way.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Aff

Impossível nao constatar que, sim, as pessoas têm problemas. E muitos.

Eu tenho PAVOR de quem tenta ser certinho o tempo inteiro.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Sabado estarei de casa nova

A terceira aqui em Beijing, a primeira que escolhi com a marida Paula. O apartamento é uma gracinha, no meio do bairro muçulmano da capital chinesa. Os chineses muçulmanos vêm, na maioria, da região autônoma de Xinjiang. O que tem lá... bem, ainda não sei bem, nunca fui.

Mas o que tem aqui de melhor é a culinária daquela região. Já era fã do dapanji, um prato de galinha e massa regado com muito, muito molho de tomate. Sem contar os churrasquinhos de carne de ovelha e os modos como eles preparam arroz, muitas vezes misturados à carne ou legumes, com destaque pra cenoura.

Pois ontem eu e a Paula descobrimos ao lado de casa o kaobaozi, uma maravilha que consiste em minis-pastéis de forno com recheio de carne de ovelha num tempero pra lá de no ponto. Viramos absolutamente fãs. Sem contar o seguinte, no restau, a cerveja é gelada.

Nos avisaram que não teríamos problemas no bairro muçulmano, a menos que gostássemos muito de carne de porco. O maior super da região não vende...

Então, bem-vindos a uma nova viagem dentro da mesma cidade, às vésperas das férias. Tou na contagem regressiva. Falta um pouquinho mais de um mês, bem pouquinho!