sexta-feira, 16 de maio de 2008

O chão está tremendo


Evânia acampou durante três dias no campus da universidade em Chengdu
Foto: Jana Jan/China in Blog

Vir à China era o sonho de criança da acreana Evânia Maria Maia, 30 anos. Há quatro meses, ela garantiu o passaporte - e o dinheiro suficiente - e se instalou em Chengdu, capital de Sichuan, onde estuda mandarim na Southwest University for Nationalities. Aí na segunda-feira passada, o sonho ganhou contornos de pesadelo.

- O chão está tremendo - alertou a colega com quem Evânia divide o apartamento no terceiro andar, a mexicana Arele Barde Perez, 42.

- Tremendo? - duvidou a acreana, que estava entretida mesmo em uma faxina.

É, tremia. Quando se deram conta, foi o tempo de correrem aos quartos e pegarem os passaportes. Uma eternidade para alcançar a rua.

- Demorou muito, foi o tempo mais longo do mundo - diz Evânia, ao lembrar do tremor de 6.5 graus na escala Richter que atingiu a cidade por volta das 14h28min.

Na rua, hora de decidir para onde ir: o campus da universidade onde estuda. Ela, a colega e milhares de pessoas (o milhares fica por conta de Evânia) tiveram a mesma idéia.

- O campus tava cheio. Mas qual o lugar que não é cheio quando se fala em China, né? - ri a estudante.

Cheio ou não, o fato é que o pátio do campus se transformou na casa de Evânia por três dias. No primeiro, ela nem buscou roupa, dinheiro, celular. Ganhou emprestada esteira e cobertor de uma colega e foi com isso que passou a noite. No campus, eles também receberam alimentação e orientações pela rádio da universidade. Além disso, tendas coletivas foram instaladas. O objetivo dela e dos recentes vizinhos do acampamento improvisado era o mesmo: estar o mais longe possível de prédios, a fim de escapar de queda de lajes, paredes, aço e qualquer outra coisa na eventualidade de um novo terremoto.

Aulas suspensas, trabalhadores sem trabalhar, a rotina deu lugar à apreensão.

- Tive de ligar pra casa, imagina a minha mãe lá no Acre, sabendo que estou aqui - conta Evânia.

É, parece que foi bom mesmo ligar para a dona Maria de Nazaré, 75. Ela leu a notícia de que nenhum brasileiro havia se ferido no terremoto, mas...

- Entendeu que não havia nenhum brasileiro por aqui. Ficou em pânico pelo que pudesse ter acontecido comigo - diz a filhota que resolveu vir para o outro lado do mundo. Foi aí que Evânia telefonou para a embaixada brasileira em Beijing para dar um sinal e fazer o registro como cidadã do Brasil que mora na China.

Com a Evânia, agora há seis brasileiros registrados que vivem entre Chengdu e Chongqing, diz o primeiro-secretário da embaixada, Celso França.

Susto na volta ao apartamento

Evânia e Arela voltaram para casa quinta-feira. Era o que podiam fazer, pois o governo local pediu que as pessoas deixassem o campus. A primeira noite foi relativamente tranquila, apesar de o sono ter demorado a chegar.

- Dormi só pelas 2h. Lembrava das rachaduras pelo teto e da sensação de que iria morrer soterrada pelos escombros do edifício - diz a brasileira, que mora no terceiro andar de um prédio de 11.

- Apaguei de cansaço mesmo, mas acordei às 6h, ao sentir um novo tremor - conta. Ela se referia a um aftershock, fenômeno comum após terremotos. E constantes na região: foram mais de 1,9 mil nas últimas 28 horas perto de Chengdu. O pior na cidade hoje foi por volta do meio-dia, quando até um porta-retrato caiu da estante.

- Deu medo, mas vou dormir em casa hoje de novo. O que ainda não consigo é pegar elevador. Quem sabe amanhã? - fala a garota, sem demonstrar convicção.

Pouco depois Evânia encerrou a entrevista. Hora de comprar lona para fazer uma tenda.

- Só para alguma eventualidade - riu.

Medo, mas bem pouquinho

A acreana levou a sério o que sentiu na infância. Se antes era só um desejo de vir à China, com o tempo, se transformou na vontade de aprender mandarim.

- Fiz as contas. O custo de vida aqui é bem mais barato do que pagar universidade particular no Brasil - fala Evânia.

Foi graças a esta contabilidade que ela saiu da pequena Sena Madureira, na fronteira com o Peru e a Bolívia, e foi morar em Rio Branco. Fez só o Magistério, era professora do Ensino Fundamental. Perfeito. Com este currículo, pouco tempo depois se mudou para São Paulo, onde juntou dinheiro por dois anos e conheceu o bairro da Liberdade. O contato no cantinho oriental da cidade aumentou o desejo de vir à China. Frequentou algumas aulas de mandarim e, sim, não tinha mais volta. Queria vir pra cá. O plano inicial era ficar um ano. E agora, com o terremoto?

- Em um mês, já sabia que teria de ficar dois anos se quisesse falar mandarim. Agora, já sei que tenho de ficar três ou quatro anos. Essa língua, sim, é difícil. Com terremoto, a gente acostuma - garante.

Medo de epidemia


Equipes de resgate trabalham com máscaras, as mesmas usadas pela população nas áreas atingidas
Foto: Jana Jan - China in Blog

A tragédia de um terremoto como o que atingiu a província de Sichuan nesta segunda-feira pode ter consequências ainda mais trágicas para os sobreviventes. O governo chinês está preocupado agora com o possível aparecimento de epidemias.

O motivo para preocupação é a demora em enterrar os corpos das vítimas. Muitos estão soterrados em locais onde máquinas pesadas estão impossibilitadas de ir, o que impede o resgate.

Na prefeitura de Aba, uma das mais atingidas pelo tremor, as altas temperaturas aceleram a decomposição dos corpos, fator que pode levar a doenças. Bai Licheng, da prefeitura, afirma que são necessários sacos para a remoção dos mortos. Muitos estão depositados no chão, relata ele.

Outro problema é a falta de água potável. Com recursos limitados nas áreas de mais difícil acesso, algumas pessoas recorrem a mananciais da montanha - e não se sabe se estas águas são potáveis ou não.

Mais de 4,4 mil tremores desde segunda


Sem ter onde morar, pessoas levam consigo os poucos pertences que restaram
Foto: Jana Jan - China in Blog

Até a meia-noite desta quinta-feira, horário local da China, um total de 4.432 abalos secundários foram registrados no sudoeste do país, depois do terremoto devastador de 7.8 graus na Escala Richter ocorrido segunda-feira na província de Sichuan. As informações foram divulgadas hoje pelo Departamento de Sismologia local.

Os abalos secundários são comuns após um terremoto. A expressão em inglês que designa o fenômeno, aftershocks, é uma nova conhecida para mim - e já bastante íntima.

É em razão dos inúmeros aftershocks que muita gente procurou as ruas para se proteger. Mesmo morando em prédios cujas estruturas não foram abaladas pelos tremores, Chengdu foi tomada por barracas, onde as pessoas buscavam abrigo durante a noite e, de alguma forma, se sentiam mais seguras. A Tati Klix relata aqui o que viu pelas ruas da capital de Sichuan.

Nas regiões mais atingidas, a situação é pior. Muitos estão na rua por não terem mesmo outra opção - perderam as casas ou estas estão condenadas. Após o tremor principal, o sismo mais forte foi de 6,5 graus na escala Richter, segundo o departamento de sismologia.

Turistas ficam retidos em reserva natural


Grupo de turistas chegou nesta manhã a Chongqing
Foto: Liu Chan - Agência Xinhua

Cerca de 200 turistas estrangeiros retidos desde o terremoto desta segunda-feira na província chinesa de Sichuan se preparam para voltar para casa. Eles estavam no parque Jiuzhaigou (九寨沟), cenário do filme O Clã das Adagas Voadoras, de Zhang Yimou (o diretor responsável pelas cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada, aliás).



A reserva natural tem mais de 620 km². Nesta manhã, quatro dias após o tremor de 7,8 graus na escala Richter, um grupo de 31 turistas estrangeiros aterrisou no aeroporto de Chongqing, município vizinho a província de Sichuan. De lá, seguem para seus países. Durante os dias retidos no parque, este grupo foi abrigado no berçário de pandas da reserva, segundo a mídia local em Sichuan.

Jornais locais falam em 4.557 pessoas resgatas em perfeito estado de saúde de dentro do parque Jiuzhaigou.

Ainda não há informações sobre as nacionalidades de todas as pessoas que estavam no parque - onde os sinais de telefone ainda são precários (tentando telefonar nesta manhã, não consegui contato). Mas entre os resgatados, há turistas australianos, europeus, norte-americanos, taiwaneses e de Hong Kong.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Alerta tecnológico


Foto: Agência Xinhua

Em meio ao pânico pós-terremoto em Chengdu, capital da província de Sichuan, a mais atingida pelo terremoto desta segunda-feira na China, as mensagens via celular tiveram papel fundamental. Por volta das 14h de terça, os moradores começaram a trocar mensagens alertando sobre os perigos de tomar água da torneira, que poderia estar contaminada.

O medo disseminado via celular fez com que milhares de pessoas corressem a supermercados e mercados, o que deixou o estoque de água - e de todas as bebidas disponíveis, o que vai de cerveja a leite - a zero.

Às 18h, o governo local entrou em ação. Também via celular, enviou mensagens aos moradores garantindo a potabilidade da água. A prática é praxe por aqui. Em muitos casos emergenciais, o governo recorre ao SMS para alertar a população.

A difícil volta para casa

Voltar para casa pode ser uma tarefa difícil após um terremoto como o que atingiu a província chinesa de Sichuan nesta segunda-feira.

–Você não estava aqui, por isso diz que posso voltar. Sinto o chão tremer, jamais vou poder pisar forte, tenho a impressão de que meu apartamento irá desabar - desabafa a espanhola Sara, 35 anos, há três em Chengdu, capital de Sichuan.

Na segunda, quando o terremoto atingiu 6.5 graus na escala Richter na cidade de 3,2 milhões de habitantes, Sara estava trabalhando no apartamento em que vive, no sétimo andar. Ela não sabe quanto tempo durou o tremor, mas sabe que foi tempo suficiente para sair correndo e alcançar o térreo. E tudo ainda balançava.

Descalça, sem celular e sem dinheiro, buscou ajuda com amigos. As pessoas estavam todas nas ruas, segundo conta. Ela ainda não conseguiu dormir em casa, mesmo sabendo que o pior já passou. O departamento de sismologia local ainda prevê outro tremor forte para as próximas 24 horas, mas há quem diga que isso não ocorrerá.

Sara acredita que tudo ficará bem, mas fica a sensação ruim de ter visto a casa tremer. Há rachaduras nas paredes do quarto e da sala. E o clima da cidade aumenta a sensação de insegurança. Segundo ela, pessoas dormem em barracas improvisadas nos parques, há falta de agua nos mercados.

– Todo o mundo quer estocar. Eu mesma comprei três litros de água e uma caixa de chá – conta. Para ela – e para muitos outros moradores – a segurança está em ficar o mais perto do solo possível. Quem não optou por barracas, dorme em carros, mesmo em esteiras estendidas no chão. Salões de festa, saguões de prédios, tudo parece ser mais seguro para quem sentiu seu lar tremer, teve medo por sua integridade física, pelo que poderia acontecer.

– Você não tem noção do barulho dentro de casa, nas escadas do prédio.

Chengdu não foi o local mais atingido. As principais perdas se deram em áreas rurais, vilas como a de Wenchuan, onde milhares de pessoas morreram ou estão feridas ou desaparecidas. Após o tremor principal, vários tremores se seguiram, o que agrava a sensação de insegurança.

Os primeiros dias de resgate foram de chuvas intensas (e, mesmo assim, muita gente dormiu em barracas nas ruas de Chengdu, conta Sara). Agora, o sol parece ter voltado, o que pode auxiliar as equipes de socorro.

Mobilização pela China

O governo chinês está fazendo todos os esforços para auxiliar as vítimas do terremoto que atingiu a província de Sichuan. Apenas na tarde desta quarta-feira é que puderam alcançar a vila mais atingida, Wenchuan. Ainda assim, produtos alimentícios foram arremessados por helicópteros que sobrevoavam a área.

Longe da esfera governalmental, a mobilização também ocorre. Além de campanhas para doação em dinheiro via telefone ou sites populares pelo país, shows, como o que está ocorrendo agora em Beijing, reúnem centenas de pessoas - estrangeiros e chineses. Telefonei há pouco para o guitarrista da banda The Verse, que irá tocar:

- Aqui está cheio, muita gente veio para sentir que pode ajudar de alguma forma - disse Paul Lee, minutos antes de subir ao palco.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A dimensão de uma tragédia

A chuva que cai na região de Sichuan, província a sudoeste da China onde se localiza a vila de Wenchuan (汶川), epicentro do terremoto no país, retarda os trabalhos de resgate das vítimas e pode esconder a dimensão de uma tragédia ainda maior - se é que números podem transformar em maior ou menor a dor causada por vidas que vão cedo demais, por vidas que precisam ser refeitas.

Enquanto os dados sobre o número de mortos são incertos - e só crescem até agora -, o país se divide entre o clima de comoção e o sentimento de que é preciso continuar.

Cheguei no final da noite a Chongqing (重庆), cidade a menos de 300 quilômetros de Chengdu (成都), capital de Sichuan. Na capital, aeroporto fechado. Por aqui, onde 50 pessoas morreram, o clima é de aparente normalidade. Na madrugada desta terça-feira, muita gente ficou na rua, com medo de dormir nos arranha-céus da cidade. Hoje, o medo deu lugar à retomada das tarefas cotidianas, ao que se percebe.

Nas ruas, ao perguntar para taxistas, garçonetes, atendentes, o que mais se ouve dizer é que eles sabem, sim, do terremoto. E ponto. Apenas no aeroporto duas agentes de turismo admitiram que a terra tremeu por dois minutos na tarde de segunda-feira.

Não há informações sobre brasileiros feridos pelo terremoto. O presidente Lula enviou uma mensagem de condolências à China, reproduzida há pouco pelo canal estatal de televisão, CCTV. Diversos governantes seguiram o mesmo caminho, e o governo chinês já fala em aceitar ajuda internacional. Indicativo de que os números podem ser ainda mais sombrios.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

China vive pior terremoto em 30 anos


A China contabiliza as vítimas do terremoto de 7,8 graus na Escala Richter ocorrido às 14h28min (horário local) desta segunda-feira em Wenchuan (汶川) província de Sichuan (四川), sudoeste do país. Números desencontrados do início desta madrugada dão conta de entre 3 mil e 8 mil mortos - 8.533 segundo o site mais popular por aqui, o sina.com.

No início da tarde, 14h44min, recebo uma mensagem da Paula Coruja, jornalista gaúcha que mora comigo e trabalha na Xinhua, na redação em Beijing: "Guria, aconteceu um terremoto aqui, os elevadores estão parados".

Contei para a Tati Klix e achamos que pudesse ser um tremor menos grave. Não tardaram outras mensagens da própria Paula e também da Mariana.

Diversos amigos sentiram a terra tremer em Beijing. Em Shanghai, contou um guia de turismo aqui de Yangshuo, onde estou, os tremores foram sentidos ao longo de cinco minutos - e muita gente teve de deixar os prédios mais altos.

Locais foram evacuados também em Chongqing, nosso destino desta quarta-feira (estou com a Tati em férias). Segundo o repórter da TV estatal CCTV Zhou Yun, que vive em Chongqing, durante a tarde houve problemas nos sinais de celular. Lá, muitas pessoas correram às ruas para se proteger. A cidade confirmou mortos, mas não está entre as mais atingidas pelo terremoto. Amanhã, veremos de perto a situação.

Pelo país, as televisões estão ligadas nos noticiários. Por volta da meia-noite, horário local, o único mercadinho aberto tinha a TV ligada. O casal de donos, de olho grudado na tela. Não entendi muito do que disseram. Mas falaram em mais de 8 mil mortos e foi possível sentir o clima de comoção.

No msn, o tema terremoto também é o mais falado comigo tanto dos amigos no Brasil, querendo saber como e onde estamos, assim como dos amigos aqui, assustados com a tragédia.

Pior em décadas

O terremoto foi o pior em 32 anos na província de Sichuan. Como vou para mais perto nesta terça, recebi advertências de amigos como a Mariana e o Paul, de que talvez fosse melhor não ir para Chongqing. A brasileira Gisele Akiko, que mora na capital chinesa, onde estuda mandarim, também não aprova. Apesar de não ter sentindo o tremor desta tarde, está assustada.

O sentimento geral por aqui é que o número de vítimas deverá aumentar. O Felipe Barreto, outro jornalista que adotou Beijing como endereço, continua apreensivo - e triste - com as notícias que chegam. Depois do tremor principal, outros 19 se sucederam, todos com mais de 5 graus na Escala Richter. Ele (e vocês podem também) acompanha os registros dos abalos por aqui.

Quanto vale um panda?


Estes não são os adotados, são os extras que viram a Beijing para agradar aos esperados 6 milhões de turistas no zôo da Capital
Foto: Chen Xie/Agência Xinhua

Que panda é fofo, quase todo o mundo concorda. Ou, pelo menos, eu acho que quase todo o mundo concorda. Mas para além de ele ser preto e branco, viver na China ou em zoológicos (poucos pelo mundo), se alimentar de bambus e estar em risco de extinção, que mais se sabe sobre o urso?

Eu, bem pouco, confesso. Há poucos dias, lendo sobre a adoção de seis pandinhas pelo magnata taiwanês Terry Guo, fiquei sabendo mais.

Eles vivem, em média, 25 anos. Numa reserva natural de preservação, cada panda consome cerca de 50 mil yuans (pouco mais de US$ 7 mil) por ano. Durante toda a vida, são perto de US$ 178 mil.

Pois este montante multiplicado por seis foi o que Guo pagou para adotar os ursinhos. Foram criados alojamentos para os "primos ricos e sortudos" no Centro de Pesquisa para Reprodução dos Pandas de Chengdu, na China.

Com a doação, o magnata poderá visitar os pandas sempre que quiser, além de ter o direito de publicar fotos e vídeos dos seus filhotes.

domingo, 11 de maio de 2008

Pelsonagem made in China?


Omar, 10 anos, é filho de uma brasileira e de um tunisiano, fala português perfeitamente, mas não nasceu no Brasil. Vive na China. Aprendeu a língua da mãe com ela, claro. Mas foi nas páginas das revistas da Turma da Mônica que aprendeu além de ler, a descobrir brasis diferentes. E jeitos diferentes de usar o mesmo idioma.

No recente encontro com o criador da turma, Mauricio de Souza, aqui em Beijing, Omar lembrou do personagem Chico Bento, o menino da roça apaixonado pela Rosinha e que fala de um modo peculiar, diferente ao povo da cidade.

Pois é nesse pessoal urbano que ele identificou uma característica de um dos personagens semelhante ao modo de falar dos amigos da vida real neste lado de cá:

- Tem até o Cebolinha, que ao trocar o "r" pelo "l" fala como os chineses - afirmou categórico e sério o Omar.

Risos de quem tava na platéia. E do próprio Mauricio.

A propósito

Bem que já vi chinesinhos trocarem "R" por "L". Oh, mas sério: sem genelalizal. Ai, Cebolinha. Sem generalizar, ok?

sábado, 10 de maio de 2008

Mapa de Beijing


É fácil utilizar o gráfico
Foto: Reprodução/Site oficial da Olimpíada

Preparando a viagem para Beijing? Que tal um mapa em mãos? É certo que há guias turísticos que podem ser comprados nas melhores lojas do ramo, mas pra quem gosta de navegar pela internet, aqui tem uma boa dica de mapa online.

Todo em inglês, aponta as principais lojas de vendas de produtos olímpicos, onde há hutongs - as vilas chinesas construídas há séculos e que ainda servem de moradia para muita gente em Beijing -, por onde passam as linhas de metrô. É bem útil e ajuda na hora de começar a se situar por esta mega cidade!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Extra! Extra!


Jornal de graça na saída do metrô
Foto: Jana Jan/China in Blog

A quinta-feira 8 de maio foi um dia de conquista para os chineses. O registro mostra a edição extra do Jornal da Juventude que contava a chegada de alpinistas portadores da tocha olímpica ao topo do Everest.

O suplemento era entregue de graça em regiões movimentadas de Beijing, como a saída da estação de metrô Chongwenmen (崇文门).

Ah, as estações de trem

Aliás, o clique da distribuição do jornal ocorreu quando encontrei a Mariana e ela me mostrou o que estava acontecendo. Teve tempo para observar bem a distribuição do jornal. Uma meia hora, pelo menos.

Havíamos combinado de nos encontrarmos na saída C da estação Chongwenmen às 12h30min. Trata-se de uma estação em que se encontrar as linhas 2 e 5. Desci do metrô na linha 5, procurei a saída C, lá fiquei esperando a Mariana. Ela estava na linha 2, saiu pela saída C da linha 2, lá ficou me esperando.

Pra complicar a história, eu estava sem celular - havia esquecido em casa - e nós estávamos sem comunicação. Nos encontramos por acaso, quando decidi buscar um telefone público pra telefonar à Mariana.

Cuidado! Ao combinar encontro nas estações de Beijing, cuidem se nestas há linhas que se cruzam ou não. É capaz de o mesmo local ter mais de uma saída A, B, C ou D - uma para a linha X, outra para a linha Y. Só eu que acho que as letras deveriam ser diferentes, e azar que houvesse até a saída H?

Mini-férias a Turismo


Huang Yunba usa técnica milenar de pescaria ao lado de pássaros em Yangshuo
Foto: Zhou Hua/Agência Xinhua

Neste sábado, pego um vôo logo cedo (7h!) e vou para Guilin, na província de Guangxi, onde a Tati Klix e a Irmgard já estarão me esperando. Reservamos hotéis por internet, por meio de uma operadora bem legal, a Ctrip (tem site em inglês).

Graças à reserva, a Ctrip me fez o favor de mandar a previsão do tempo para Guilin. No meu pobre chinês, entendi que iria chover. Não sabia o quanto. Perguntei pra Mariana o que significava aquele caracter antes daquele para "chuva". Sim, é algo como muito, bastante, um montão, chuva torrencial, digamos assim. A ver...

Em Guilin, que recebe 14 milhões de turistas todos os anos (!), veremos formações de pedras calcárias caindo sobre lagos, o que parece ser um dos cenários mais bonitos aqui da China. De lá, pegaremos um barco até Yangshuo, uma pequena cidade perto. O passeio dura cerca de cinco horas pelo Rio Li e dizem ser imperdível.

Eu espero amar. E talvez convencer o Thiago Messias Lima Correa, 20 anos, a ir até lá. Ele e os amigos planejam para outubro uma viagem pela China. Há cinco meses na Austrália, este carioca é um viajante de marca maior e já gastou um mês deste tempo em passeios pela Tailândia, Malásia e Indonésia. Aliás, foi na Tailândia que o conheci. Espero agora ter o prazer de revê-lo por aqui.

Pra tentar ajudar o Thiago - e convencê-lo a ir a Guilin - prometo incrementar mais e mais a sessão Viagens com dicas e roteiros bacanas.

Agora, voltando ao meu roteiro destas mini-férias de uma semana com a Tati e a Irmgard, ainda faremos um cruzeiro pelo Rio Yangtze, o mais longo da China, e visitaremos Xi'an, a cidade dos soldados de terracota.

Ao longo desta semana, pretendo aparecer por aqui vez que outra. Deixei já algumas histórias preparadas para vocês, assim sempre vai ter novidade por aqui. E quando der uma brecha, contarei alguma novidade dos locais por onde estiver.

Carne de cachorro?

Guilin serve carne de cachorro. Definitivamente, não estou a fim de experimentar, já fiz questão de decorar os caracteres que podem indicar a iguaria, a fim de não cometer erros. Prato famoso lá, e que segundo meu amigo chinês Paul Lee, é bom, bonito e barato, é o tal peixe na cerveja. Esse eu já decorei também como se escreve e como se fala, com direito até a biquinho quase francês no final da última sílaba. Lá vai: chama-se "pijiuyu" - e se lê meio "pidiouii".

E aí?

Thiago, tu e a tua turma vão mesmo encarar a China?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Turma da Mônica em negócio da China


Mauricio de Sousa distribui autógrafos em evento realizado pela Brapeq na embaixada brasileira em Pequim
Foto: Huang Zhen/Agência Xinhua

O mago dos gibis do Brasil, Mauricio de Sousa –criador da Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali e outros personagens infantis que encantam, há décadas, crianças brasileiras e de mais 40 países– poderá ser o primeiro latino-americano a participar de um milionário e gigantesco projeto educativo na China.

Semana passada, ele esteve em Pequim, onde se reuniu com representantes do governo e empresários chineses. Ele tratou, entre outros assuntos, da ampliação de um projeto-piloto com livros didáticos, iniciado em fevereiro, voltado para brasileirinhos em fase de alfabetização que vieram estudar em Xangai, cidade onde o desenhista também esteve.

Em entrevista à agência Xinhua, Mauricio contou como pretende tornar realidade a proposta chinesa, que deverá atender a dezenas de milhões de crianças a partir dos seis anos e que poderá faturar para lá de US$ 90 milhões de dólares, segundo analistas de negócios na China.

Mas Mauricio ainda quer realizar outros sonhos com os chineses. Ele quer retomar um antigo desejo alimentado com seu amigo J. Wang, taiwanês e dono de um dos maiores estúdios de animação do mundo, para "agitar" ainda mais as estripulias da "turminha". E Wang confirmou para Xinhua que está ansioso para entrar nessa.

O pai da Mônica também está disposto a colaborar com o Brasileiros em Pequim (Brapeq) –entidade que promove o português e a cultura brasileira na capital chinesa– nas Paraolimpíadas. Disse que seu personagem Luca –um garoto paraplégico– poderia estar ao lado da delegação brasileira que virá disputar esses jogos na China.

Manuel Martinez-Especial

quarta-feira, 7 de maio de 2008

A Tocha no topo do mundo


Tocha chegou em 8 de maio, exatamente três meses antes do início da Olimpíada
Foto: Ngawang Chagxi/Agência Xinhua

Os alpinistas chineses que levariam a tocha Olímpica ao pico do Monte Everest haviam recebido um ultimato dos organizadores do revezamento. Que ela chegasse até esta quinta-feira ou nada. Pois bem. Às 9h12min desta quinta-feira no horário local eles atingiram o topo, a 8.844,43 metros acima do nível do mar.

Norbu Zhamdu acendeu a tocha, especialmente projetada por cientistas chineses para que esta suportasse tanto as baixas temperaturas quanto os ventos fortes do cume do Monte Qomonlagma, que é como se chama por aqui o Everest.

O acendimento da tocha no cume do Everest era considerado um desafio e uma das passagens mais importantes do trecho - que já percorreu cidades dos cinco continentes e agora cumprirá roteiros dentro da China. O site oficial da Olimpíada dedica uma sessão especial para o tema. Apesar de ser em inglês, vale o clique. Tem várias fotos e imagens legais tanto do Everest quanto do passo-a-passo até a conquista do topo do monte.

Confusão de horários

Meu post está com horário de Brasília, portanto, ainda final da noite desta quarta no Brasil. Parece quase aquela série de filme dos anos 80 De volta para o Futuro dizer que a tocha chegou às 9h12min desta quinta-feira. Mas é apenas questão de fuso horário.

Eu, aliás, até que dormi no ponto, fiquei sabendo da notícia apenas por volta das 10h, ou seja, com mais de 50 minutos de atraso depois do feito.

Fuso horário

A diferença de horário Brasil-China é de 11 horas. Aqui por estes pagos do Oriente, estamos 11 horas à frente.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Tomo guaraná, suco de caju


Frutas fresquinhas esperando pra virar suco
Foto: Jana Jan/China in Blog

Lembra da letra do Tim Maia? O refrão da música que inspira o título deste post ainda emenda um "goiabada para sobremesa". Aí, você canta, se diverte e, vivendo do outro lado do mundo numa parte nada tropical, chora num cantinho de saudade das delícias gastronômicas do Brasil. Nem tudo pode ser perfeito, viver coisas novas pela China teria de ter seu preço.

Eu aqui tenho surtos de saudades de suco de fruta natural. E olha que sempre fui bem fã ou de água com gás (alias, NUNCA VI ÁGUA COM GÁS AQUI), água tônica e coca-light (outro artigo difícil de encontrar, principalmente agora que está entrando no mercado a versão limão que eu sempre detestei com todas as minhas forças. Se antes já era ruim de achar, agora tá um pouco pior). Mas voltando ao suco... Então, era assim. No Brasil, vez que outra eu lá recorria a um suquinho. Melancia e melão estão entre os preferidos, fora aquela delícia quase indecente chamada smoothie de frutas vermelhas servida no Saúde no Copo no Moinhos de Vento, Porto Alegre, mas que eu conheci mesmo na beira da praia de Atlântida. Como aqui não tenho nada disso, saudades: SAUDADES!

Na minha ida a Macau ano passado, havia tirado a barriga da miséria. Tem barraca de suco em várias esquinas. A Rute, colega chinesa que me hospedou, ficou fã da misturinha de papaia e água de coco que a gente resolveu pedir. Daí, saudades do Brasil e de Macau. Isso até quinta passada!

Eis que andando com meus colegas Glênio Paiva e Felipe Barreto - dois outros jornalistas que vivem aqui - na minha rua preferida, a Nanluoguxiang, encontramos uma loja recém aberta de... SUCOS NATURAIS E SMOOTHIES - além de milk shake. Pronto, ponto de honra no verão. O smoothie de manga que eu tomei tava um espetáculo. O suco de pêssego do Glênio, uma maravilha. E o de melancia do Felipe, nota 10.

Vai te arriscar no verão beijinense? Vale a dica!

A moeda do Tio Patinhas


A nota de 20 patacas do Banco Nacional Ultramarino
Foto: Bi Yuming/Especial China in Blog

Fãs do Tio Patinhas sabem muito bem qual a moeda corrente em Patópolis, não? A Pataca.

Bem, em Macau tambem é a Pataca que circula. A cidade esteve sob o governo de Portugal até 1999 e hoje é uma Região Administrativa Especial da China. Com cerca de 600 mil habitantes, tem características especiais nesta mistura ocidente-oriente. Nas placas, é obrigatório o uso do mandarim e do português e o nome da moeda que hoje circula por lá se mantém o mesmo herdado pelos portugueses.

Ontem conversava com a Tati e ela me perguntava sobre a moeda corrente em Macau. Bom, é outra que não o Reminbi chinês ou o Dólar de Hong Kong mesmo. Há um detalhe: para pegar ônibus, é preciso ter moedinhas à mão - e no valor exato da passagem (muitas vezes quebrado, como 5,20 patacas). É que os ônibus não têm cobradores, e o passageiro precisa depositar o valor em moeda (apenas de metal) para usar o serviço. Sem direito a troco!


Em Tempo


Segundo a taxa de conversão publicada pela Bloomberg nesta terça-feira, 8 MOP (sigla para designar pataca) equivalem a US$ 1.

Lembrança Olímpica


Achei um amor estas blusas para crianças
Foto: Reprodução/Site oficial da Olimpíada

Vem para a China por estes dias? Está aqui e quer levar um presente para pai, mãe, filhos, amigos, marido, mulher, namorado ou namorada? Há diversos produtos licenciados sobre a Olimpíada e há quiosques, lojinhas e lojões espalhados pelo país para que você possa comprar os mimos. Super atual algo da Olimpíada de 2008, né?

E olha que bacana: o site oficial da Olimpíada (em inglês) traz uma sessão especial só com estes produtos em que, além de mostrar o que é possível comprar, ainda mostra os preços para venda online. Assim, não aceite pagar mais - ou muito mais do que o preço sugerido na página - nas lojas.

Ah, o governo está de olho para evitar produtos olímpicos falsificados, mas não tem jeito, sempre tem quem drible. Mesmo por Beijing, em lugares turísticos, sempre tem gente querendo vender algo da Olimpíada por preços bem menores e de qualidade meio duvidosa, digamos assim.

Preços

Os preços estão expressos em Renminbi no site, a moeda chinesa. Para ter uma noção em dólar, divida por sete (que é a atual média para o câmbio).

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Meimei


Gege e Meimei
Foto: Jana Jan/China in Blog

Meimei (妹妹) quer dizer irmã mais nova em chinês. Mas "meimei" pode ter significados diferentes. Já houve quem usasse a palavra para designar amante, para designar moça bonita, para se referir ao seu bem-querer.

"Meimei", me contou a Mariana, encerra ainda um outro conceito bem mais sutil: é aquela menina que não sendo exatamente só a sua amiga, também não é a sua namorada.

Desta vez, não se fala de amante, nem se critica de maneira alguma a forma de relação entre os casais. Mas foi com espanto que percebi que os laços de amor/amizade/cumplicidade ultrapassam barreiras culturais. E até na China, onde imaginei que se flertava-namorava-casava, os homens e mulheres tem os mais diferentes tipos de laços e dão nomes diferentes para o que eu chamaria de "rolinho".

Gurias!

Gurias, pra gente, nosso namoradinho, rolinho, casinho, gato é "Gege (哥哥)", mas não leiam "Jeje", e sim, algo como "Gaga" (eu estou sem acentos no meu teclado, imaginem acentos til em cima de cada um dos "a". Quase como a primeira sílaba de "Gana").

Eu aprendi a palavra Meimei - em outro sentido que não fosse irmã mais nova - por causa do chinês aí da foto. Só não sei exatamente se era pra ser amiga, moça bonita ou outra coisa. Casinho e rolinho é que não foi, isso eu asseguro - apesar de por alguns momentos eu ter achado que descobriria muito sobre o comportamento amoroso desta gente dos lados de cá.

O churrasquinho na China


Chuan'er (串儿) é supercomum por aqui
Foto: Agência Xinhua

Chega o verão e um dos programas preferidos por aqui após o trabalho é ir para a rua, sentar num botequinho, mesinhas ao ar livre e comer churrasquinho, ou chuan'er, como me explicou há pouco a Mariana.

Para mim, é dos programas mais chineses que posso curtir no meu lazer noturno (não sei cantar em chinês para ir ao Karaokê :(, não é a qualquer filme no cinema que posso assistir, apenas os legendados em inglês. E comer churrasquinho é simplesmete um barato! O trocadilho vale porque é legal mesmo e porque acaba saindo baratinho.

Um espeto de coração de galinha pode custar algo em torno de R$ 0,50. Carne de gado e asa de frango, então, menos do que isso. Entre meus chuan'ers favoritos estão os de coração de galinha e o de carne de ovelha.

Bom, vou ter de dizer, né? Apesar de hoje ser segunda-feira, tenho um motivo para ir em busca de um bom chuan'er. Um não, oito! Hoje, quando acordei, a Paula, que divide apartamento comigo, contou do glorioso Colorado. Ontem mesmo meu pai havia dito que estava se preparando para o jogo. Eu, do outro lado do mundo, fui vencida pelo sono e não acompanhei a partida. Imagino que os colorados de Porto Alegre que fizeram festa ontem talvez agora leiam este post meio de ressaquinha, mas de alma lavada, né?

Shanghai dos idosos


Vista do Bund dá a cara da modernidade de Shanghai
Foto: Agência Xinhua

Já imaginou Shanghai como uma sociedade de idosos? Pra mim é impensável, nas duas vezes em que estive lá, ficou registrado para mim muito do vai-vém das pessoas, da vida noturna agitada, do local onde se faz dinheiro - e onde circula muito dinheiro na China.

Pois hoje a Xinhua divulgou números que revelam que pela primeira vez na história recente da cidade caiu a população ativa, ou seja, a que compreende os moradores entre 15 e 59 anos. Esta população caiu de 9,8 milhões em 2006 para 9,76 milhões em 2007.

O diagnóstico do governo local é o seguinte: Shanghai se tornou uma cidade de idosos, pois 20,8% dos 13,78 milhões de moradores no ano passado tinham mais de 60 anos.

Pergunta: 60 anos é idoso?

domingo, 4 de maio de 2008

Feriado Popular


No dia 2, o Museu de Shanghai tinha entrada franca e atraiu muita, muita gente
Foto: Liu Ying/Agência Xinhua

Ou seria um feriado populoso?

A Tati Klix está bem feliz passeando pela China, agora em Shanghai, de onde fez um post falando sobre as multidões que encontrou nas ruas no feriado de 1º de maio.

Estive na cidade em duas ocasiões. Uma, em razão de um casamento, nem foi uma viagem tão turística, mas nos poucos locais a que fui, havia gente e gente por todo o lado. Era feriado pelo Dia Nacional, em outubro. Na segunda vez, com meus irmãos, feriado pelo Ano-Novo chinês e um mar de gente outra vez.

Shanghai é ponto tradicional de turismo para os chineses. Aqui, viajar pelo país é um hábito de muita gente. E sempre que tem feriado, tem chinês se deslocando de um lado a outro do país para conhecê-lo melhor. Shanghai e Beijing estão entre os destinos mais procurados.

Neste feriado pelo Dia do Trabalho, a multidão que espantou a Tati pode ter sido ainda um pouco maior do que o normal. Explico já: neste ano, as viagens de curta distância se tornaram mais atrativas para os chineses,isso porque é a primeira vez que o feriado pelo Dia dos Trabalhadores diminuiu. Caiu de sete para três dias neste ano.

Segundo a agência onde trabalho, a Xinhua, a situação provocou a grita das operadoras de turismo, que experimentavam um aumento na demanda por viagens internacionais neste período. Desta vez, os destinos dentro da China é que couberam no tamanho da folga.

Mas e feriado encolhe?

Lá em 1999, o governo chinês decidiu lançar duas outras semanas de feriados no país além da já concedida no Ano-Novo chinês, ou Festa da Primavera. Os chineses ganharam folgas de uma semana, então, durante o período do Dia do Trabalhador, em 1º de maio, e do Dia Nacional, em 1º de outubro. A medida visava promover o consumo nacional, abalado pela crise financeira asiática de 1997.

Foi assim até agora. No ano passado, no entanto, o governo decidiu reduzir os dias de feriado em maio, enquanto adicionou dois dias livres em dois festivais tradicionais chineses: o Qingming (清明节), Dia de Finados, e a Festa do Meio-Outono (esta, é lá em outubro, e ainda não contei para vocês, mas fica a promessa).

Fei Luo


Na China, acostume-se: os nomes ocidentais são "achinesados" para facilitar não apenas o entedimento, mas para que possam ser escritos em caracteres. É que muitos sons e sílabas simplesmente não existem aqui, então, é preciso adaptar. Meu nome, por exemplo, virou Renayina, 热娜伊娜 (mas isso é outra história e conto noutro post). Brasil, por exemplo, fica Baxi (巴西).

Bem, quando alguém me pergunta de onde eu sou, e digo "Baxi", muita gente logo lembra de futebol, logo lembra de Kaká, 卡卡 (esse é fácil, não trocou de nome), algumas vezes de Pelé e muitas, muitas vezes, do fenômeno, o Luonaerduo,罗纳尔多 (o Ronaldo, entenderam, né?). É algo mais ou menos assim:

- De onde você é?

- Do Brasil.

- Ah, futebol? Ronaldo! - ouço dos simpáticos e interessados interlocutores.

Aí, concordo e o papo, devido ao meu chinês precário nunca evolui muito.

Mas, bueno, o Ronaldo que aqui já havia virado Luonaerduo (são quatro caracteres que fazem o nome dele: 罗纳尔多) mudou de nome outra vez para os chineses. Querem saber? Agora é Fei Luo, 肥罗.

Um rolinho primavera para quem acertar o que significa Fei!

Chutou gordo? Fez gol. Agora aqui ele é o Luo Gordinho.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Livre de fumo


Beijing terá uma nova lei anti-fumo em 1º de maio: o cigarro está banido dos locais públicos. A medida visa garantir a Olimpíada livre de tabaco e também ajudar num problema de saúde pública. A China tem 350 milhões de fumantes - um terço do total mundial - e, segundo as autoridades, o fumo passivo afeta 540 milhões de habitantes - ou seja, quase metade de uma população de 1,3 bilhão.

A partir desta quinta-feira, então, há mais restrições na capital chinesa. Ficam livres bares, restaurantes e cyber-cafés, onde deverão ser oferecidas áreas para fumantes e não fumantes.

Na prática, alguns locais já haviam proibido o cigarro, como muitos lugares de interesse histórico (Cidade Proibida, Templo do Céu). Mas era realmente irritante ir cortar o cabelo e dar de cara com um fumante na cadeira ao lado.

Outra coisa, muitos, muitos restaurantes da cidade já adotam há tempos áreas para quem curte ou não o famoso "digestivo". Pelo menos, desde que eu cheguei aqui.

De olho na iniciativa de Beijing, outras cidades estudam tomar medidas para diminuir o fumo, tais como Shanghai, Ghangzhou e Qingdao.

Curiosidade

Beijing terá os "fiscais" anti-fumo. Um esquadrão de cem mil pessoas percorrerá a cidade para saber quem está infringindo a nova lei. Nada bom para o fumante. Quem for pego com a boca na botija (ou seria no cigarro?) paga uma multa de 10 yuans, pouco mais de R$ 2. Já os proprietários dos locais terão de desembolsar entre 1 mil yuans e 5 mil yuans.

Ah, desde outubro do ano passado, Beijing proibiu o fumo nos 66 mil táxis da cidade e impôs uma multa de 100 yuans a 200 yuans para os motoristas que desobedecerem.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Visitas ilustres


Cama de casal na casa que visitamos em Houhai (后海)
Foto: Guia turística dona de um inglês assim, assim

Desde domingo, estão aqui comigo a Tati Klix, autora do blog Ida&Volta, e a Irmgard (figura graças a qual muita gente pegou carona para Machu Picchu).

A Tati já começou a contar as aventuras chinesas, e sempre acho uma delícia ver nos outros as novidades que pra mim não são tão novas. A cereja do bolo desta vez, e que vocês vão acompanhar pelo olhar da Tati o que se descobre pelas ruas de Beijing - e de Shanghai, Hong Kong, Macau... e outras cidades no roteiro desta viajante (eu, aliás, vou acompanhá-la um pouco pela trip chinesa).

Sempre turista

A foto que ilustra este post foi tirada em uma casa tipicamente chinesa dentro da região de Houhai. Tipicamente chinesa significa uma moradia retangular, com um pátio no meio, cuja distribuição dos cômodos demonstra a hierarquia e o poder da família.

Avós - ou pais - ao fundo, filhos mais velhos ao leste (ponto cardeal considerado "melhor"), porta a sudeste.

A rápida explicação sobre a arquitetura tão típica chinesa teve um preço: 20 yuans. Algo por cerca de 10 minutos. Na conversão para o real, sai barato, em torno de R$ 7. Mas por aqui, achei até salgado. E fomos levadas ao local pelo tiozinho do riquixá. Imagino que seja tudo para ganhar um troco ali, outro troco aqui.

Mas que fazer turismo e bom, e bom, não?

Cheguei, e agora?


Terminal 3 é um luxo só, novidade em Beijing
Foto: Jana Jan/China in Blog

Há poucos dias, o Clery, internauta assíduo aqui do blog, perguntava: "Como faço para ir até o hotel?". Ele chega em Beijing em 6 de agosto e precisa de uma ajuda.

Bem, chegar até a China não é exatamente fácil. Depois de pelo menos 36 horas de exaustiva viagem, é preciso passar pela imigração, recolher as malas e enfrentar o mundo aqui fora. Sem saber ler, sem saber falar. Claro que inglês ajuda, tanto para o turista quanto para quem recebe os visitantes. A estrutura do Aeroporto Internacional da Capital é satisfatória (e o recém-inaugurado Terminal 3 é show!). Dá para ir sem medo. Pode perguntar em inglês, alguém responderá - mas treine o ouvido, sotaque de inglês é praga: tem inglês brasileiro, inglês alemão e, claro, inglês chinês. Todo o mundo bota seus próprios sotaques e cacoetes linguísticos no inglês, impressionante.

Para não criar pânico, há três opções:

- Ter a comodidade de ter alguém esperando
- Optar por ônibus especiais para a cidade - Airport Shuttle Bus
- Pegar um táxi.

Vou de ônibus

Esta é a opção mais barata (caso você não tenha uma carona amiga). Cada bilhete de ônibus custa 16 yuans, algo em torno de R$ 5. Há cinco linhas por Beijing, que você pode consultar de antemão aqui no mapa, em inglês. Ideal para quem tem uma certa noção sobre a capital chinesa ou para quem pegou direitinho a dica da linha certa com algum amigo ou o local onde ficará hospedado.

Há guichês de venda de passagens dentro e fora dos terminais (hoje, a maior parte dos vôos chega mesmo no Terminal 3) e basta seguir as placas de Shuttle Bus para saber onde ir. Mole!

Vou de táxi

Pode ser a opção mais segura para quem está inseguro. Não é tão barato, mas é bem em conta, considerando-se as tarifas por aqui. BEM acessíveis na comparação com os serviços de São Paulo ou Porto Alegre.

Não aceite negociar o preço ANTES de sair. Os táxis aqui ligam o taxímetro. Pegue o carro na fila indicada para isso. Ali, há fiscais que dão, inclusive, informativos sobre valores e telefones para eventuais reclamações.

Agora... o pulo do gato: não fala chinês? JAMAIS tente explicar onde você quer ir se não falas chinês. E como fazer? Ainda no Brasil, antes de vir para o outro lado do mundo, imprima o endereço em que deseja ir: do hotel, da casa do amigo, do albergue. Mas não é imprimir o endereco em pinyin, ou seja, nas letras que conhecemos e que reproduzem o som dos caracteres. É imprimir nos caracteres mesmo, que assim, não tem erro.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A camiseta da seleção. Que camiseta?


China e Tailândia empatam em 3 a 3 em amistoso em março
Foto: Zou Zheng, Agência Xinhua

Camiseta da seleção chinesa de futebol masculina é um mistério. Não o desenho da camiseta, até porque ela estampa banners gigantes de propaganda da Adidas, a patrocinadora, país afora. Vermelha, é essa aí que o jogador Li Weifeng está vestindo - aliás, no dia em que ele completou 100 jogos vestindo a camiseta!

Agora, quer comprar a camiseta? Esqueça! Minha irmã esteve aqui em fevereiro, queria levar o mimo de presente na volta ao Brasil. Sério, entramos em TODAS as lojas do patrocinador por que passamos tanto em Beijing quanto em Shanghai. Pouco importava se o banner gigante com a camiseta vermelha era a principal peça publicitária a chamar para a loja. A resposta dos vendedores foi sempre a mesma:

- Meiyou (没有)! - que mesmo quem não sabe chinês já sacou, né? É "não tem".

E continua não tendo. Fui procurar dia desses em uma loja grande, num shopping chique, onde havia o fotão de um jogador vestindo a camiseta. Ela, pra vender, no entanto, esqueça...

Bom, a explicação parece ser bem simples, não que eu tenha perguntado muito, mas realmente futebol não é o esporte que empolgue os chineses. No entanto, tem um detalhe que chama a minha atenção: o Ninho de Pássaro, o estádio menina dos olhos desta Olimpíada, será a sede da final de futebol masculino. Ou seja, por aqui, eles podem até nao curtir muito. Mas sabem a importância que precisam dar pra esta modalidade.

Os 100 jogos de Li

A foto é de uma partida amistosa entre China e Tailândia, em Kunming, no dia 15 de março. O resultado foi também amistoso, empate: 3 a 3.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Era uma vez um panda chinês


Bing repousa em meio aos bambus em Madri
Foto: Agência Xinhua

E outros internacionais

Panda chinês que é panda chinês é também quase um embaixador e representa a amizade da China mundo afora, como bem lembrou o Manuel num post em que eu falava sobre os ursos dias desses.

Também, quem não gostaria de ter no zôo de seu país estas coisas fofas em preto e branco?

Bom, para sabermos quantos pandas chineses estão fazendo um turismo por aí e encantando amantes dos animais por outros pagos, recorremos aos números oficiais dos programas de cooperação entre a China e demais países ou regiões. Hoje, são 27 ursos fora daqui, a maior comunidade é nos Estados Unidos: há 12 por lá!

O Japão tem oito pandas, Áustria três e Tailândia e Espanha, dois. Os dois que foram oferecidos a Taiwan ainda esperam pela conclusão do local onde serão hospedados.

Tem panda que não é chinês!

Ah, mas olha só. Buscando saber sobre a vida dos pandas no Exterior, foi fácil descobrir que tem alguns que nasceram fora do país de origem dos pais. Dos 27 pandas expatriados, 18 nasceram na China. Dentre os pandas estrangeiros, há quatro norte-americanos, quatro japoneses e um austríaco.

O mundo na China


Diliana é uma búlgara que veio à China mostrar a bossa no jazz
Foto: Arquivo Pessoal/China in Blog

Dia desses conversava pela internet com meu amigo português Ricardo, que vive aqui em Beijing. E ele sai com esta pérola - quase nestas palavras, vou tentar reproduzir da forma mais fiel possível:

"Jana, tive de ler duas vezes esta mensagem para entender. Quer dizer que tu vais encontrar uma búlgara quer quer aprender português na China porque gosta de música brasileira"

E eu disse: "Sim!".

Bueno, havia conhecido a Diliana Georgieva numa sexta-feira, numa apresentação de jazz por aqui. Fomos apresentadas e na quarta seguinte estava na casa dela para dar umas dicas de português e dirimir algumas dúvidas dela, que estuda português online e por meio de dicionários.

Ah, o dicionário! Eis que todo o dicionário tem ao lado da palavra os sinais gráficos que representam como é o fonema, o som que devemos pronunciar. Então, lá foi ela pedir pra pronunciar "divertido". Ok, divertido bem do jeitinho que gaúcho fala soou estranho pra ela:

- Mas não é diverrrrtido? - perguntou ela, num sotaque meio carioca.

Bom, expliquei as diferenças de sotaque no Brasil, mas nunca pensei que explicar português significasse também uma aula sobre a cultura das diversas regiões do nosso país. Claro, além do "r" puxadinho carioquês, ela tinha uma lista das palavras mais usadas no "Brasil". Querem ver? Óculos de sol, prancha de surf, praia, areia.

Bem, acho que tá mais pra praia do que pra o país inteiro, não acham?
;)

China no topo da Internet


Chineses acompanham casamento online
Foto: Agência Xinhua

Os chineses alcançaram o topo no ranking mundial de internautas levando mais usuários à rede do que o número de brasileiros, segundo dados dos governos chinês e brasileiro. Na China, havia 221 milhões de internautas até o final de fevereiro. Brasileiros? Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somos pouco menos de 187 milhões.

Apesar do rápido crescimento da população da internet, a proporção de usuários ante a população total é ainda mais baixa do que a média global, de acordo com o Ministério de Indústria e Informação (MII) chinês.

A proporção do país era 16% no fim de 2007, comparada com a média mundial de 19,1%.

Casamento Online

Cai de tudo na rede - e quanto mais internauta, mais criatividade e mais público. O clique aí de cima é da transmissão em tempo real do casamento da chinesa Zhang Qi e do alemão Chris, no dia 5 de agosto do ano passado.

A cerimônia aconteceu na província chinesa de Shangdong, mas foi transmitida para que amigos e parentes do noivo pudessem acompanhar todos os detalhes pela rede. Aparentemente, outros internautas foram fisgados pela celebração via internet.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Panda é fashion


O macho Fu Wa faz pose e sonha com uma vaga em Beijing
Foto: Xinhua

Os pandas estão com tudo aqui na China. Para a Olimpíada, 16 exemplares, com até dois anos, estão concorrendo a uma vaguinha para exibição no zôo de Beijing, a fim de virarem atração turística. Símbolo da China tem de estar no lugar que turista pode ver, não?

Este da foto é um dos concorrentes, o macho Fu Wa. Dos 16, apenas entre oito e seis estarão classifcados...

Panda é ecologia

Agora, bem mais produtivo para a espécie, ameaçada de extinção, é saber que o país deu início à construção do maior centro mundial de criação para os ursos. O local fica no principal habitat natural da espécie, em Wolong, província de Sichuan, no sudoeste da China. Quando ficar pronto, a reserva poderá abrigar 200 pandas.

A China agora tem 239 pandas gigantes em cativeiro, e se acredita que 1.590 vivam em liberdade no seu habitat natural, principalmente na província de Sichuan, além de nas províncias de Gansu e Shaanxi, noroeste do país

Projeto bacana

Em Gansu, um programa do governo junto à ONG WWF - que, por sinal, também tem um panda como símbolo -, garantiu o aumento da população na reserva da Montanha Minshan. Desde 2005, o número de ursinhos branco e preto pulou de cem para 120.

Mas o programa vai além da reprodução dos pandas. Graças à participação da ONG, o número de reservas para pandas gigantes na região dobrou para seis, numa área total de 708.600 hectares. Todas as reservas estão interligadas.

domingo, 20 de abril de 2008

Baxi x Zhongguo


O futebol masculino do Brasil chegará à China nesta Olimpíada com a dura tarefa de enfrentar já na primeira fase os donos da casa. No sorteio que ocorreu neste domingo (clique aqui e veja o vídeo - em inglês e chinês), o Brasil caiu na mesma chave dos anfitriãos. Considerada fácil (ainda teremos a companhia da Nova Zelândia e da Bélgica na chave C), a caminhada da seleção de Pato para o primeiro ouro olímpico da modalidade começará em Shenyang, a 700 quilômetros de Beijing e um centro industrial do nordeste da China.

A disputa pelo sonhado ouro olímpico será aberta antes mesmo da abertura oficial da olimpíada, no dia 7 de agosto, contra a Bélgica.

A seleção de futebol feminina, que garantiu a vaga ao derrotar gana por 5 x 1 neste sábado, terá o mesmo endereço de estréia, um dia antes, quarta-feira. Mas as adversárias impõem respeito e dividem as apostas quanto ao favoritismo: as alemãs, para quem as brazucas amargaram uma derrota aqui mesmo na China no ano passado, no campeonato mundial. A chave F ainda tem Coréia do Norte e Nigéria.

Pra quem torcer?

Será difícil não torcer para o Brasil, mas ter de torcer logo contra a China já na primeira fase da Olimpíada parece tão injusto...

E pra chineses que tem laços com o Brasil? O Sebastião, colega da agência e que morou por dois anos no Rio de Janeiro, não titubeou. Louco por futebol, ontem ele, a mulher e o filho estavam comigo na partida das meninas, todos com a camiseta da seleção canarinho. Mas hoje quando perguntei para quem torceria na Olimpíada, a resposta veio rápida e certeira: China!

Ele lembrou a Copa 2002, quando no confronto das mesmas seleções, na Coréia, o Brasil levou a melhor, aplicando um 4 x 0.

É apoiado no retrospecto que outro colega chinês, o Tiago, torcerá pelo Brasil. A explicação? É que no futebol, a seleção daqui desaponta.

Sem tanta confiança, mas também mega-fã do esporte, um terceiro colega, Oliver, que agora está em uma temporada em Portugal, adota uma estratégia que talvez seja interessante. Não vai olhar a partida!

Será? O diplomata brasileiro Benhur Viana não concorda. Ainda é cedo para dizer se vai assistir Brasil e China, mas quer muito ver jogos da Olimpíada, e acompanhará este, nem que seja pela televisão. Sobre o jogo contra os anfitriãos?

- O resultado do sorteio, ao colocar o Brasil e a China no mesmo grupo, deixa o torneio olímpico ainda mais interessante na primeira fase. A torcida chinesa será numerosa, mas esperamos, com confiança, uma vitória do Brasil - diz Viana, diplomaticamente.

Ah, em tempo. Baxi (巴西)  é Brasil por aqui. Zhongguo (中国), alguém já adivinhou? É China. Na tradução literal, segundo o sentido dos caracteres que formam o nome, fica "País do Meio".

sábado, 19 de abril de 2008

Um passeio até a Olimpíada


Aí tem representantes alemães, portugueses e italianos - e brasileiros, óbvio
Foto: Jana Jan, China in Blog

A seleção de futebol feminina do Brasil passeou em campo e venceu fácil Gana por 5 a 1 nesta noite em Beijing. Era o que faltava pra garantir a presença na Olimpíada - e a terceira viagem até a China em menos de um ano para as meninas. A primeira da série foi durante a conquista do vice-campeonato mundial, em setembro do ano passado.

A partida deste sábado foi no Estádio dos Trabalhadores e serviu como teste para o local, que será sede de partidas de futebol durante os Jogos. O público, no entanto, não estava lá muito curioso. O que se viu foi muito, mas muito espaço vazio.

Para a torcida brasileira, foi dia de festa. Depois de 10 meses aqui, foi ideal pra reencontrar velhos amigos, conhecer novos brazucas perdidos por aqui e saber que até que tem bastante gaúcho. Pelo menos três disseram que deveriam ter vindo com uma camiseta igual a minha (do Colorado), enquanto também ouvi piadinhas de gremistas - devidamente fardados!

Brasil para todos

Curtir o futebol quando se tem a melhor jogadora do mundo, a Marta, e ao lado de quem sabe fazer festa (os brasileiros, onde quer que estejam, são conhecidos pela alegria) é bom, não? Deve ser muito bom! Hoje nossa torcida teve reforço internacional: italiano, português, alemão, mexicano, egípcio, indiano! Esse povo todo não se intimidou na hora de pintar bandeiras pelo corpo, vestir camisetas de clubes brasileiros - como Botafogo e Coritiba - e botar o verde e amarelo.

O dia já havia começado brasileiro com uma feijoada e samba na casa da portuguesa Sofia! De lá, fomos a pé até o estádio. Perfeito para chamar a atenção pela rua. Saímos em bando. Resultado? Confraternização total com a torcida de Gana. Verdade seja dita: eles também esbanjam alegria e bom humor.

Ah, querem saber? As cadeiras do estádio bem que mereciam estar mais limpas. Como ainda devem haver obras por ali, havia bastante cimento e restos de tinta. Pra quem passou o jogo de pé, sem problemas. Mas vale o capricho até a Olimpíada!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Love China


Corações nos nicks chineses
Foto: Reprodução/China in Blog

A internet é mesmo o espaço para quem deseja se unir em torno de uma causa mostrar seu espaço. Ontem, durante o trabalho, foi com curiosidade que vi amigos chineses com o nick do software de mensagens instantâneas MSN com um Love China. Na verdade, um coração vermelho e a palavra China.

Pronto, certo que havia um significado. E o significado é este: uma campanha de união dos chineses, especialmente em razão do espírito olímpico, promovida pelo MSN aqui do país. A página ensina como fazer para ter este nick especial (quem quiser se arriscar no mandarim, basta clicar aqui) e informa que até a tarde desta quarta-feira já eram mais de 2,3 milhões o número de usuários do msn adeptos ao Love China.

Mais uma da internet

Por meio da web, os internautas chineses estão incentivando um boicote à rede francesa de supermercados Carrefour por aqui. Tudo para protestar contra as paralisações que ocorreram durante o revezamento da tocha olímpica em Paris. A rede ainda não se pronunciou sobre o tema. Mas o boicote teria data marcada para começar: 1º de maio. Outros internautas advertem: boicote pode causar desemprego aos próprios chineses e ainda não afetaria exatamente quem organizou os protestos na capital francesa. A ver no que dá.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Drinque Proibido?


Vista privilegiada - e ainda inédita para mim - da Cidade Proibida
Foto: The Emperor/Divulgação

Sexta-feira abre o terraço do bar Yin aqui em Beijing, uma delícia que reunirá jazz, espaço para massagens e drinks com uma vista pra lá de especial: a Cidade Proibida. Nada mal para um final de semana primaveril que promete temperaturas de até 30 graus.

O bar Yin fica no hotel The Emperor e que ainda não conheço. Não prometo a visita para a próxima sexta, quando estarei atarefada ajudando em uma feijoada na casa da minha amigona Sofia - e que servirá também de aquecimento para o jogo de sábado entre Brasil e Gana, partida que vale vaga para a competição olímpica de futebol feminino.

De qualquer forma, fica a dica para quem estiver pela cidade por estes dias. E sei que há brasileiros circulando por aqui graças à Feira de Cantão, em Ghanzhou (ou Cantão, no sul da China). O evento bianual está na 103ª edição e reúne empresários do mundo todo. Apesar de ser no Sul do país, muita gente acaba vindo até a capital chinesa por causa dos vôos via Beijing.


Pouquinho mais sobre a Feira
:

O evento é tão importante porque mostra ao mundo os produtos chineses. Todos os anos, há duas edições. Na primeira fase, sempre entre 15 e 20 de abril e de outubro, são expostos produtos manufaturados, têxteis e vestuário, além de alimentos e medicamentos. Na segunda fase, entre 25 e 30 de abril e de outubro, é a vez de lembranças e presentes, além dos bens de uso diário.

Na última feira, em outubro do ano passado, havia 189,5 mil comerciantes de 213 países.

domingo, 13 de abril de 2008

Brasil, sil, sil


Último treino no Brasil foi sábado, na Granja Comary

Sábado tenho programa - quase - marcado: assistir Brasil x Gana, jogo de seleções femininas de futebol que vale a vaga na Olimpíada. As brasileiras já embarcaram pra China e chegarão aqui por volta das 6h desta terça-feira, ainda tarde de segunda para quem estiver no Brasil. Meu programa só não está totalmente marcado porque ainda tenho de comprar os ingressos.

O jogo será numa região bem central de Beijing, no Estádio dos Trabalhadores, sede do futebol durante os Jogos.

Eu já assisti a uma partida da Seleção Feminina aqui na China, em Tianjin, no ano passado. Na ocasião, a Austrália perdeu por 3 a 2. Agora, vale a torcida.

Sei que já há brasileiros mobilizados pra partida e na verdade estou louca para ir conferir - e contar pra vocês depois como foi. Vai ser interessante sentir bem de perto o clima da Olimpíada. Aqui, apesar de quase tudo lembrar os Jogos todo o tempo, é mesmo no campo, torcendo, que se sente a vibração que o esporte dá. Pelo menos pra mim!

Ah, a partida está marcada para sábado às 19h45min, horário da China. No Brasil, 8h45min. Acordem cedinho, grudem na TV e vamos torcer juntos, ok?

As 18 jogadoras que estarão na China

Goleiras
Bárbara
Maravilha

Zagueiras
Aline Pellegrino
Mônica
Renata Costa
Tânia Maranhão

Laterais
Danielle
Maycon
Rosana

Meio-campo
Daniela Alves
Ester
Formiga
Francielle

Atacantes
Fabiana
Grazielle
Marta
Maurine
Cristiane

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Libélula vermelha


Quais as suas maiores lembranças ao deixar um lugar? Para além da referência visual, do registro da geografia local e dos amigos, claro, o que fica? Para mim, são duas sensações: olfativas e musicais. Lembro o cheiro dos lugares que visitei. E cada lugar tem uma música - ou muitas, vai saber quanto tempo ficaremos num mesmo.

Tonbo, pra mim, é a música dos meus amigos descedentes de japoneses. Pouco importa se eles estejam no Japão ou no Brasil, a música me lembra essa turma querida. Aprendi no Brasil, mas a letra me inspira Japão. Vai entender.

Dia destes, estava caminhando pela minha rua preferida de Beijing, a Nanluoguxiang, e cantava - na verdade, tentava cantar - Tonbo. Nem sei bem por que. Passei o trajeto a pé entre a avenida principal e o bar onde ia com o refrão na cabeça. Estava indo a um bar esperar duas amigas. Entrei no bar, sentei à beira do balcão, pedi uma cerveja. E... começou a tocar Tonbo.

Ouvi meio incrédula, mas incrédula mesmo: estava sendo cantada em chinês! Se a versão em japonês já me escapava ao entendimento, em chinês, então, nem pensar... E foi engraçado continuar embalada pela mesma canção, aprendida no Brasil, que me remete ao Japão, agora em versão chinesa. Sinal de que até mesmo as referências podem se globalizar.
;p

Tonbo

Tonbo é um hit de 1988 do popstar japonês Tsuyoshi Nagabuchi - que, além de cantar e compor, ataca vez que outra como ator na telinha e na telona. O nome da música do hoje cinqüentão é o que batiza uma libélula vermelha.

Em chinês, fica Hongqingting (红蜻蜓). Não achei a versão que ouvi no bar dia destes, mas esta aqui tem até a letra pra acompanhar. É de uma cantora jovem chamada Weiwei.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Conversas roubadas


A imagem do Cubo à noite foi registrada no último domingo
Foto: Agência Xinhua

Domingo, tarde de primavera, Beijing. Uma amiga brasileira vai a um restaurante de jiaozi (饺子) - as espécies de raviolis chineses que muitas vezes chamamos de gyoza no Brasil - com uma amiga chinesa. Enquanto a chinesa escolhe os sabores, passa na televisão uma reportagem sobre a Olimpíada.

– Onde será mesmo a Olimpíada? – pergunta um chinês próximo, olhando mais para a TV do que para a minha amiga.

Minha amiga brasileira olha para a chinesa e chega a duvidar do que entendeu – vai ver, não domina tanto quanto pensa o mandarim.

– Tu entendeste bem, ele perguntou mesmo onde ocorrerá a Olimpíada - respondeu a chinesinha, também surpresa.

Gente, fiquei espantada com a história. Não tem um lugar por aqui que não tenha um mascote olímpico, o lema da Olimpíada (Um mundo, Um sonho) ou alguma outra referência aos jogos... Impressionante!

Aliás, falando no evento...

O Cubo de Água passou por uma limpeza geral esta semana e está prontinho para receber o evento teste de natação agora no meio de abril. A obra foi concluída em 28 de janeiro deste ano e, em agosto, será a sede de 42 competições.

A primeira vaga


Jianhuananlu é o nome da rua do antigo prédio
Foto: Jana Jan, China in Blog

Qual o maior medo ao deixar um lugar? Pra mim, o medo de se perder. E se não encontrar minha casa, onde dormirei? Não interessa se isso não seja bem uma casa, mas o hotel naquela viagem de fim de semana ou os diversos locais em que nos hospdemaos nas férias merecidas. A perspectiva de mudança sempre deixa a sensação de que terei de novo de saber quem é meu vizinho, o dono do mercado - e onde é o mercado -, qual o melhor salão de beleza da redondeza, onde comer bem e barato. E pra qual rua virar? E qual o ponto de referência?

Eis o ponto, as referências. Quando mudei para a capital chinesa, aos poucos fui me acostumando a minha região. Sabia andar a pé e de bicicleta, metrô e taxi. Até guiar eventuais amigos motoristas durante caronas já conseguia. Com a chegada da minha amiga e colega Paula, nos mudamos de Jianguomen (建国门) para Fangzhuan (方庄). Novamente, outras descobertas. E na ruazinha onde vivi os primeiros seis meses de Beijing, lá ficou minha bicicleta. Até hoje.

Calor chegando - agradaveis 20ºC por volta das 15h desta quarta-feira -, resolvi reaver a magrela, quatro meses depois de tê-la abandonado no saguão do antigo prédio (apartamento, aliás, que "herdei" do Sergio Capparelli, a quem vim substituir). De novo, as referências, ainda que por tão pouco tempo.

O sistema de interfone mudou, agora está mais moderno. As paredes do hall também foram pintadas de branco. E minha bicicleta - outra herança do Cappa - uma sujeira de dar dó. Mas tudo bem. Enchi os pneus, dei uma primeira limpada, voltei ao antigo salão de beleza, depois à antiga conveniência e me toquei pra casa (que, depois de quatro meses, já nem é tão nova, é meu lar de verdade). Em dois trechos, me perdi. Tudo bem, até não foi tão mal.

Andar de bicicleta é uma curtição. Enquanto não pedalo, achei novo endereço para o meu veículo: a primeira vaga que aluguei num condomínio (visto que nunca tive carro) é para ela. Por menos de R$ 20, a bike tem endereço seguro durante um ano. Agora, estou louca pra desbravar de verdade meu novo bairro. Enquanto não faço isso, deixo foto do antigo prédio - imagem ainda de uma gaúcha recém chegada a estes pagos, lá por junho do ano passado.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Qingming Festival


Mulher homenageia seus mortos na cidade de Changchun, na província de Jilin
Foto: Wang Haofei/Agência Xinhua

A última sexta-feira foi o dia de homenagear os mortos aqui na China, em razão do festival QingMing (清明节), ou, na tradução, o dia para varrer os túmulos. Neste ano, houve o primeiro feriado em razão da data. Até então, o dia de homenagens não era feriado. A novidade aconteceu porque o feriadão de uma semana em comemoração ao 1°de maio foi desmembrado.

Em Beijing, se registrou recorde de visitantes nos cemitérios, uma cifra de mais de 2,2 milhões.

Mas e como se dá esta homenagem? Os parentes vão ao local onde estão enterrados os seus mortos e os levam flores, oram, acendem incensos e levam bebidas e comidas - como é possível ver ali na foto.

- E o que acontece com a comida? - perguntei ao meu colega Sebastião.

Ele explicou: após as orações, os parentes que estão ali reunidos recolhem os quitutes e fazem o lanche.

Ainda sobre mortos e comida, uma dica de etiqueta chinesa: nunca deixe seus dois palitinhos (os kuazi (侉子), em chinês, ou hashi, em japonês e como ficou popularizado no Brasil o par de palitos que fazem às vezes de talheres) JAMAIS devem ser deixados espetados na comida, na vertical. Por quê? Porque lembra justamente a posição dos incensos sobre os túmulos para homenagear quem já se foi. Ou seja, você estaria praticamente desejando a morte de quem está partilhando a refeição com você.


QingMing


O QingMing é um festival tradicional chinês que ocorre no 104º dia após o solstício de inverno - ou 4 ou 5 de abril.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Abordagem chinesa


Policiais prenderam 20 suspeitos, oito estrangeiros
Foto: Agência Xinhua

Sexta à noite em Beijing, feriado nacional em razão do dia para varrer os túmulos - um dia de finados por aqui. Pelo feriado, ocasião para um drinque em um bar ao ar livre, especialmente porque já estamos na primavera, e a temperatura está agradável. O destino escolhido por meus amigos? Sanlitun.

Sanlitun é uma das regiões boemias da cidade, reduto de estrangeiros e chineses, uma mistura de gente que procura diversão à noite - seja para dançar, curtir um drinque, um jantar gostoso e até um flerte.

Sentamos eu e meus amigos - àquelas alturas, dois brasileiros e um português, no bar Aperitivo (que apesar do nome familiar em português, é italiano). Comentei: "Aqui é divertido, sempre acontece alguma briga aí em frente, na calçada, a gente acaba vendo muito da vida noturna sem fazer esforço", falei brincando. Meia hora depois...

Vimos uns seis homens passando correndo muito em direção à rua principal. Olhamos para os caras correndo e percebemos que todo o mundo olhava justamente para o lado contrário. Motivo? Uma batida policial, daquelas que até já presenciei no Brasil.

A rua onde estávamos é uma via pequena, e a polícia a fechou dos dois lados. Quem estava do lado de dentro, não saía. Quem estava do lado de fora, não entrava (em resumo, rimos do fato de estarmos "presos" em um bar, numa sexta à noite, com cervejinhas geladas). Teve gente que não riu tanto assim.

A batida policial tinha endereço certo. Foram direto aos bares chamados Phoenix Café e Pure Girl porque tinham um alvo: apreender drogas e traficantes. Os locais agora estão fechados, os donos estão sendo investigados e, além de realmente terem apreendido entorpecentes, foram presos 20 suspeitos, entre os quais oito estrangeiros.

Pelé

Enquanto uma massa de curiosos se reunia em frente ao cordão de isolamento que impedia o acesso à rua, ouvi uma batida de samba. Samba? Só a batida policial já estava sendo meio surreal por aqui.

Foi assim. Um brazuca que vive por estes lados e que atende pela alcunha de Pelé estava, como eu, "preso" em Sanlitun. Os outros brazucas que estavam ali para se encontrar com ele ficaram retidos do lado de "fora". Como tinham pandeiro e surdo na mão, não tardaram a improvisar uma roda de samba, devidamente registrada pelas câmeras de TV que filmavam a ação policial, e darem início ao grito da noite: "Soltem o Pelé!". No final, nem vou dizer, mas o Pelé driblou o cerco e saiu de cena, com o povo da roda de samba. E, claro, teve estrangeiro que não entendeu nada do "protesto" brasileiro.

Em resumo, o crime não compensa, mas que brasileiros reunidos em qualquer situação, em qualquer lugar, sempre acaba em piada, ah, isso acaba.