quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Vivendo pra cachorro
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Neve em Beijing
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
The Village
Um flagra no metrô
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Pulinho na Coreia
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Um pouquinho de comunismo
266 Baijialou, Dongwuhuan,
Chaoyang
东五环白家楼266号
Abre das 9h30min às 14h30min e das 16h às 21h30min
6574-8289
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Sambinha no Rio
Por volta das 2h estaremos (eu e Tonho) em Copacabana para a já tradicional Black Friday. Tonho assumirá seu lado DJ pela segunda vez na festa com seu set "para a pista" que abrange o melhor do dancehall/ragga, hip hop, MPB e old school funk. Para quem quiser ir somente na festa (e não no show) a lista amiga é de R$ 10 (até 01h). Para entrar nesta lista dê um reply com qtos nomes quiser para o meu email mesmo (jocavidal@gmail.com). Para aqueles que vão na Sambadelic! e depois na Black Friday, o preço desta última fica ridículo: apenas R$ 5!
Acústico MTV Bandas gaúchas - Ultramen e Falcão d´O Rappa:http://www.youtube.com/watch?v=LwgW8qostnA
Marcelinho da Lua feat. Tonho Crocco - Ela partiu (do Tim Maia):http://www.youtube.com/watch?v=gi7YF7gC8E0
Tonho Crocco - Teto solar: http://www.youtube.com/watch?v=ecexCb1fNo0
Site do Tonho Crocco: http://www.myspace.com/tonhocrocco
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A parada
A parada
O aniversário chinês seguiu o roteiro. Sol como o prometido, apesar de o dia ter amanhecido nublado. Façanha alcançada graças a 18 aviões que desde a noite de quarta bombardeavam as nuvens no coração de Beijing com iodeto de sódio e gelo seco.
O sol a pino e o azul do céu contrastrando com o vermelho do Portão Tian'anmen eram o que faltavam para a festa. Apareceram e, então, era hora de o Politburo entrar em ação. O presidente chinês, Hu Jintao, surpreendeu no modelito quando apareceu, isso perto das 10h. Usou um terno à Mao, no estilo em que o Timoneiro vestiu para fundar a República Popular, há 60 anos. Os demais companheiros vieram com ternos normaizinhos, combinando as gravatas vermelhas, embora algumas aparecessem lisas, outras riscadas, outras com bolinhas. Sem muitas surpresas.
Surpresa, aliás, é o que menos se viu no desfile, que durou quase três horas. Suspiros provocaram as esbeltas militares, beldades que desfilaram de minisaia, em uniformes verde-musgo, branco e vermelho - este último, combinando com botinhas brancas. Super 60s! Até o Hu soltou uma risada marota ao ver as meninas, provando que tesãozinho amigo não tem barreira cultural.
Pois a chinesada gostosa, avisou a agência estatal, tinha uma média de idade de 22 anos. Todas moram em Chaoyang, que, apesar de ser um dos maiores distritos de Beijing, é também o mais habitado por estrangeiros. Rapazes, se você é deste time de ocidentais loucos por orientais, taí uma dica.
Claro que a mensagem pretensa da festa era bem outra. Não foi nem o terninho Mao de Hu, nem as pernocas torneadas das gurias. Mas estas mensagens propagandistísticas são sempre tão chatas que até preciso puxar da memória para lembrar quais elas eram. Ah, sim. Dizer que as 56 minorias étnicas que oficialmente compõem o país vivem em harmonia, que o país é dono de um poderio militar consistente, que trilha o caminho do desenvolvimento junto à conquista de tecnologia própria, que as crianças darão segmento ao socialismo com características chinesas, que é a atual doutrina do partido.
Mas deixa pra lá. Hoje é dia de celebrar a China, de curtir um feito do governo, o de fazer o céu ficar incrivelmente azul. Vou brindar com uma cervejinha, porque ninguém é bobo. E esperar a queima de fogos das 21h, que dizem, será maior do que a da abertura da Olimpíada.
Aqui, para você curtir aí um sem fim de fotos, imagens para quem curte a China. Aliás, é deste monte que roubei esta que abre o post.
国庆快乐!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O retrato do Mao
Mao já estava no portão desde antes da fundação oficial da Nova China, de boné e roupinha comunista pobre. Nem assim tinha a lata carismática do Che. Vai ver por isso a imagem nem vingou, e o que faz sucesso junto ao argentino com características cubanas é mesmo a estampa setentista – já bem mais careca, mas ainda assim, com mais cabelo do que a imagem agora imutável. É você pode não ter percebido, mas muita coisa mudou por aqui.
Em 1 de outubro de 1949, a data lembrada nesta quinta, o líder apareceu sozinho e mais sério no pórtico. O primeiro retrato como presidente já o mostrava sem boné. E cabeludo. Durou pouco. Um ano depois, tomadas as providências mais urgentes, era hora de trabalhar o culto ao líder. Foram selecionados 30 estudantes do Instituto de Arte de Beijing e coube a Zhang Zhenshi a tarefa do retrato oficial.
De 1950 a 1964 ele foi o responsável pelo quadro a óleo de 6m x 3m, que mesmo baseado em fotos oficiais, evoluiu conforme avançava a idade de Mao. E daí a coisa de perder cabelo.
Em 1967, no entanto, um detalhe sutil revelaria uma faceta chinesa, a arte interminável de leituras das mensagens subliminares nas pinturas. Esporte nacional, as interpretações de obras já renderam boas dores de cabeças, provocaram perseguições e prisões, especialmente nesta época, a do início da Revolução Cultural (1966-1976). Mao, que assim como Warhol se apropriou, aparecia até então com apenas uma orelha voltada ao exterior, passou a ter as duas retratadas, numa tentativa de mostrar que ele ouvia a todos durante a revolução e não apenas a selecionados do seu grupo de camaradas.
O retrato do Mao até já mudou de cor com a pop art, mas depois de Zhang, virou preto e branco somente por um curto período, após setembro de 1976, quando o retratado morreu, em sinal de luto. Depois – assim como aconteceu agora – voltaram as cores e o quadro só é trocado para se manter sempre novo em folha.
E ele se renova em outros objetos, de canecas a camisetas, relógios e bolsas, passando pelas notas. De 1 a 100 yuans, ou seja, a maior unidade da medida da moeda chinesa, lá está ele.
Por aqui, a velha dúvida sobre se Jesus Cristo ou John Lennon é o mais famoso nem tem vez. Houve brasileiro que já tenha sido perguntado
- Quem é esse? – por um chinês que via uma imagem do Redentor, sim, o que está de braços abertos sobre a Guanabara.
Os 60 anos em 200 mil
Mas talvez muita gente fique espantada com sincronismos e movimentos massivos ensaiados à exaustão pelos 200 mil que, dizem, desfilarão nesta quinta-feira pela principal avenida de Beijing, a Chang'An, tão importante que é justamente a que separa a Cidade Proibida da Praça da Paz Celestial.
Esta tudo milimetricamente estudado. Até os narizes dos pobres soldadinhos foram medidos. Até as golas dos uniformes exibiam agulhas espetadas em cada borda, a fim de que as microestocadas intermitentes nos pescoços ensinassem os músculos o quão importante é não mover a cabeça. Olhar certeiro, para frente e sem piscar. Sim, os soldadinhos foram treinados a não piscarem por um período que vai de entre 40 segundos e dois minutos.
Todas as bizarrices não se aplicam aos pitocos, cuja participação vai somar 80 mil crianças amanhã na praça. Eles vão segurar bandeiras, acenar, fazer coreografias. Tudo ensaiado em pequenos grupos diariamente ao longo de quatro meses, marcado in loco em três ocasiões, quando ensaios gerais provaram que o caos também visita Beijing e que a parada iria sair como no script.
Pois os pequetitos escolhidos para a festa exibem orgulhosos por aí mochilas que viram banquinhos, conforto para quem terá de esperar horas a fio até iniciar a participação. Nada muito grave.
Li Mei, de 11 anos, vai sair de casa às 6h30min. Vai para a escola. É de lá que seguirá para a praça, junto aos colegas com quem ensaiou a coreografia de flor. Ela está feliz em participar da festa nacional. Como quase todo o resto dos moradores de Beijing, os pais vão assistir pela TV, grudados na telinha para tentar identificar o rosto familiar na multidão. Para isso, até pediram folga dos trabalhos, num descanso que vai custar à mãe pouco menos de R$ 10, o que ganha como empregada doméstica por três horas de faxina. Mas e quem se importa de ficar um pouco mais pobre num dia em que o país celebra a pujança?
O quão longe a bici te leva
A festa da República Popular promete terminar em carnaval, donde concluo que um detalhe me preocupa: o povão não foi convidado. Mas sabe que eu acho que ele nem se importa? Ele o povo, eu digo. Chinês, para deixar claro.
Desde os tempos em que as massas foram chamadas para juntos construírem uma nação, elas aprenderam que por estas terras a união nacional tem um preço, o do credo cego na liderança – que por ser líder e doar a vida ao bem nacional não faz mais do que a obrigação em aceitar alguns privilégios. Amanhã os vips representarão o povo nas tribunas instaladas em frente à Praça da Paz Celestial, exatamente no mesmo lugar onde o Timoneiro declarou a fundação da Nova China, daquela vez, outubro de 1949.
Hoje ao sair do trabalho, peguei a bici para ir até a praça, o palco da festa – que estará interditado à maioria dos normais durante a quinta-feira. O passeio me mostrou muito mais do que uma praça cujas cercas metálicas que a separam da via pública foram retiradas. Muito mais do que o espaço que agora abriga telões gigantes, 56 colunas em vermelho e dourando lembrando as 56 etnias chinesas ou gigantescas lanternas vermelhas. Bem mais do que os telões ao lado de Sun Yat-sen, o cara considerado o pai da raiz democrática chinesa circundado por imagens marcantes – e lindas – de momentos históricos oficiais do país.
Mostrou que o povo se apropria da festa como pode. Sem ser convidado para a pompa oficial, hoje fez vigília por ali. Quem estava por perto, aproveitou a noite de luar para uns dedinhos de prosa com os amigos. Tinha família de bandeirinha da China na mão. E o que tinha de pedestre e ciclista de celular em punho, camera de foto e até de video registrando a véspera do desfile não era brincadeira. Eu tinha também, mas sem bateria, lamentável. Enquanto meus camaradas mal disfarçavam um sorriso orgulhoso, ouviam pelos megafones da segurança pedidos para que não parassem por ali, seguissem adiante.
A ideia é manter sigilo sobre a festa, que tem toques da grife Zhang Yimou e presença confirmada do jeito chinês de fazer propaganda, numa mistura de estilos que beira o kitsch. Ou ultrapassa e bem este limite, já diria outro sábio chinês.
Tudo era motivo para clique. Até os guardinhas que desembarcavam aos pelotões de caminhões do exército, cada um segurando seu próprio banquinho de madeira, provavelmente o bem mais valioso desta madrugada, onde vão se apoiar para uma descansada. Ou a turma da limpeza, gente que vai participar no apoio da festa toda, e que, às 21h30min de quarta-feira, já mostrava as credenciais e passava pela inspeção de segurança. Gente pobre que para participar tem de dar o sangue. Uma pena mesmo não ser VIP. Mas quem se importa.
O meu passeio de bicicleta serviu para pensar no orgulho destes chineses todos, os das bandeirinhas, os das máquinas em punho, os dos banquinhos de madeira e daqueles que já devem estar entre insones e automatos para deixar tudo brilhando. Eles estão vibrando com a data, que não é ruim em si. Eles comemoram os resultados de 60 anos de governo de união de um país cuja história recente é permeada de grandes períodos de fome, escassez, incertezas. Eles se orgulham de voltar à posição geográfica que atribuem a estes pagos desde os tempos imperiais, o de Império do Meio, ainda que seja figurativamente, dada à importância politico-econômica da nação hoje. Muitos têm banheiro dentro de casa, comem melhor, se vestem melhor e têm promessas de sistemas universais de acesso à saúde e à previdência. Não, ninguém remotamente nem sonhava com tais conquistas há 60 anos – e bem verdade que se alguém sonhasse há 30, correria sério risco de sumir do mapa.
Meu passeio de bici me fez viajar. Em tentar descobrir as motivações dos donos da casa, a identidade nacional chinesa, o jogo de poder do Partido Comunista. Confesso que viajei longe e não cheguei a lugar algum. Devo passar a quinta-feira grudada na TV, o jeito pop de não perder a festa. Vou ser mais uma a digerir a informação filtrada, a ouvir a ladainha ultrapassada de ode a uma ideologia que não existe em si, a do socialismo com características chinesas, este cujo molde se fixa à harmonia e ao desenvolvimento científico, num desfile de conceitos tão fantasiosos quanto a parada desta quinta, que vai celebrar uma paz que não existe.
E quando eu de novo me emocionar com algum olhar sincero de um chinesinho orgulhoso e sorridente qualquer, vou voltar à velha questão que justapõe felicidade e ignorância, o oposto do que acredito, mas formula fácil de satisfação de massas. E viva a República Popular.
Tempos de festa popular sem povo e com paranoia
A contagem é regressiva. Está tudo pronto para a celebração dos 60 anos da fundação da República Popular da China. Tudo mesmo, até os textos de o que vai acontecer amanhã, 1° de outubro, quando Beijing para para que o mundo e o povo chinês vejam o poderio militar e econômico que a mão forte do Partido Comunista moldou no país.
Nada deverá estragar a festa, nem o tempo. Apesar de os dois dias que antecedem a parada terem sido cinza, a promessa do governo é que amanhecerá céu azul. Se amanhecer, eu conto a vocês e ficarei pensando seriamente que esta gente brinca de Deus. Controle sobre a vida das pessoas eles já tem faz tempo.
Desde às 12h desta quarta-feira, a principal avenida da cidade está com todo o comércio fechado. Todo o comércio da Chang'An significa uma pá de coisa, e considerando-se que nela estão as maiores empresas e os escritórios multinacionais, isso quer dizer muita gente usando laptops, netbooks e outras geeks gadgetices para continuar trabalhando em meio a uma cidade que demonstra também na intervenção cotidiana o quanto pode. Aliás, para os moradores, a ordem é de que não se abram as janelas que dão para a avenida.
Por ali, a partir da manhã desta quinta-feira desfilarão os feitos e as conquistas dos últimos 60 anos da China, numa festa que incluirá Hong Kong, Macau e Taiwan, estas duas primeiras celebrando à volta ao continente. O espetáculo popular em que o povo ocupa o papel de telespectador - todos vão ouvir as mensagens de casa, já que o acesso à Praça só será garantido por escassos convites - ainda promete acabar em carnaval, o que eu tou recebendo para ver.
Um carnaval com 60 carros alegóricos, alas, avenida. Mas sem povo. A paranóia aqui tá grande. Amanhã, no grande dia, todos os pilotos estrangeiros que atuam em empresas chinesas estão proibidos de cruzarem o espaço aéreo nacional. O aeroporto de Beijing ficará fechado das 9h às 12h. Nos caças que darão o ar da graça, mísseis prontos para o disparo trarão ogivas ativas. Os pilotos, estes da Força Aérea chinesa e chineses, já foram instruídos a não dispararem. Me sinto muito mais tranquila. Este será o 14° desfile militar da era pós Mao, mas o segundo em que os mísseis estarão prontos a disparar. A gente nunca sabe, né. A primeira, ocorreu justamente na parada de fundação, quando o Partido Nacionalista ainda não tinha sido totalmente derrotado no continente. Tempos de ameaças.
Esta paranóia ou mania de perseguição que deixa o país sempre alerta lembra um pouco a coisa do gato escaldado ter medo de água. E gato aqui se chama mao, numa mera coincidência.
A véspera do aniversário da república rende histórias inusitadas. Objetos cortantes, perfurantes, machucantes, estilos facas, tesouras e familiares não podem ser mais vendidos em Beijing já há coisa de duas semanas e até o fim das comemorações. Tudo para evitar violências – estilo o ataque que aconteceu no dia 17 de setembro em Dashilan, perto da Praça da Paz Celestial, e que deixou dois mortos. Claro, quem mataria alguém usando uma faca usada, tirada da cozinha de casa, não é mesmo?
Turistas estrangeiros ao Tibete, não depois de 24 de setembro, não antes de 10 de outubro. Quem já está por lá, pode ficar. Mas que não está, fica para a próxima.
Tanta coisa que até fica difícil lembrar. O bloqueio mais evidente, no entanto, é o da internet, que afeta estrangeiros e locais, num controle que recrudesceu nos últimos dias, quando mesmo o batalhão que costumava lançar mão de VNPs e proxy viram seus subterfúgios sucumbirem aos censores, no que se chama Great Firewall of China. Minha aposta é que logo, logo, tudo será restabelecido, até porque depois dos 60 anos o que a China quer é mostrar os ares de modernidade, sustentabilidade e urbanismo consciente na onda da Shanghai 2010, a Expo Mundial que na internet começará ainda neste ano, num ambiente em 3D, que tem perfil no twitter e no Facebook. Não, você não está enganado. Estes dois últimos ainda não funcionam por aqui.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Jovem Guarda na China
Desta vez, os 60 da vez serão os Anos, aqueles dourados de Beatles e Rolling Stones, em que a Jovem Guarda estourou no Brasil e transformou as histéricas fãzocas do Roberto nas eternas caçadoras de rosas em shows do Rei - síndrome, aliás, que parece hereditária, e algumas vezes passa de mãe para filha.
Estas e outras paradas serão curtidas graças a esta que voz escreve, que discotecará junto à Fernanda Morena e à Paula Coruja.
O que falta na minha play list abaixo?
Aretha Franklin
Son of a Preacher
Geral
I Only Want To Be With You Tell The Boys (Medley)
Jovem Guarda
Biquíni de Bolinha Amarelinha
Rua Augusta
Os Vips
A Volta
Roberto Carlos
Calhambeque
É Proibido Fumar
Eu Sou Terrível
Namoradinha de um Amigo Meu
Não Vou Ficar
Todos estão surdos
Rolling Stones
Honky Tonk Women
Jumping Jack Flash
Paint It Black
Susie Q
Under My Thumb
Sérgio Reis
Coração de Papel
The Animals
Dimples
Don't Let Me Be Misunderstood
I'm Mad Again
The Beatles
Come Togheter
Day Tripper
Eleanor Rigby
Get Back
We Can Work It Out
The Fevers
Menina Linda
The Hollies
Bus Stop
Stay
The Monkees
Im a Believer
Mary, Mary
The Zombies
Time of the Season
Trini Lopez
If I Had a Hammer
Wanderléa
Pare o Casamento
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Solucionado o mistério
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Janaína Camara da Silveira
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Mobile: 0086 1352-151-4145
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Xuanwu District - Beijing - China
Variação sobre o mesmo tema
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Janaína Camara da Silveira
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Casar é Pop
A China que eu conheço, esta que acontece agorinha mesmo, em 2009, tem duas características marcantes, entre tantas outras tão marcantes quanto.
A primeira é uma total guinada na vida da população, que experimenta uma liberdade um tanto impensada há pouco mais de 30 anos e enfrenta novos paradigmas, que fazem do outrora condenado modelo capitalista o sistema em que todos embarcaram. A segunda é resquício dos tempos duros de controle estatal, em que vida pública, profissional e privada se resumiam numa só. Hoje você bem pode mudar de cidade, ter dois ou três filhos, escolher que profissão seguir. Basta que tenha dinheiro. Ou quase isso. Sério, antes não podia.
Hoje ao chegar ao trabalho, me deparei com uma galeria de fotos celebrando as novas leis para o casamento, promulgadas no início da década de 1950, logo nos primeiros anos de Mao. Aliás, é dela que roubei a foto que ilustra este post. Para quem quiser ver todas, o que fortemente recomendo, siga este link http://www.chinadaily.com.cn/china/2009-09/24/content_8727518.htm .
Voltemos ao casamento. O que se celebra na Nova China é uma ruptura com os moldes casamenteiros do passado, tachados como feudais oficialmente, quando, a partir da estrutura civil da República Popular homens e mulheres passaram a ser iguais - ainda que na prática, nunca tão iguais assim. Até hoje, o Comitê Central do Politburo, as nove cabeças realmente importantes na esfera política chinesa, nunca teve participação feminina. Mas, bueno, no Politburo eles não são tão iguais assim. Falemos do povo - essa entidade que sempre se ferra e é feliz, já ensinava uma música qualquer.
Casar na China após 1950 deixou de ser arranjo entre famílias, e as mulheres puderam defintivamente abandonar o costume cruel de terem os pés atados para criar os famosos pés de lótus, um fetiche masculino que consistia na deformação dos tais pés, num esforço iniciado ainda na infância, quando as mães enfaixavam os pés das meninas para que estes não crescessem para além de 13cm, 14cm - mas o ideal mesmo eram aqueles que mediam 10cm. Com a deformação, as mulheres tinham um caminhar cambaleante, e o homem sabia que não perderia sua presa, praticamente impossiblitada de fugir de casa. A tradição já havia sido banida na criação da República, em 1911, mas foi com a ascensão de Mao ao poder que passou a ser crime. E viva a igualdade.
O que fica omitido na galeria de fotos que celebra a liberdade matrimonial foi o peso gigante da estrutura estatal nas decisões caseiras. Nos primeiros dois anos em serviços estatais, por exemplo, era proibido namorar. Os casais, muitas vezes, eram apresentados pelo representante local do Partido, num jogo em que a sugestão deveria ser aceita, sob pena de retaliações para a família do jovem que se recusasse. Afinal, só quem tão bem conhecesse sua comunidade para sugerir as uniões. Uma cena contudente está no filme de Zhang Yimou Viver (To Live, em inglês, 1994), proibido na China e que conta a história recente do país - notadamente a maoísta - sob a perspectiva de uma família. Pois a filha do casal protagonista é muda. E lá vem o chefete local arranjar o casamento da moçoila com um par manco, uma vez que dois portadores de deficiências não poderiam esperar casar com alguém "normal". Sutilezas do jeito chinês de arranjar as vidas, como eu disse, numa mistura geral de o que é de foro privado ou público. Na vida real, divórcio, só com permissão da unidade de trabalho - e ninguém tá preocupado em saber porque o casal queria divorciar.
As fotos mostradas no China Daily, jornal estatal, aliás, revelam aspectos típicos da sociedade, como o passeio de bicicleta após o casamento - cena, aliás, muito bem ilustrada em Viver. Não pense que o costume hoje tenha se perdido, apenas o meio de transporte mudou. Ao ver uma fila de carrões pretos decorados com flores, saiba que se trata de um desfile para recém casados. Juro que da primeira vez pensei se tratar de um cortejo fúnebre, impressão desfeita ao encontrar um colega chinês, que logo tratou de explicar que a procissão pomposa e em ritmo lento pelas ruas de Beijing se tratava de comemoração.
Muita coisa mudou, não apenas o abandono das bicicletas. Mas nos 60 anos, outro flagra mostra ainda Mao abençoando o casal, cena típica dos tempos de Revolução Cultural, quando as fotos que lembravam o casório eram tiradas em frente a retratos do Timoneiro e nas quais os pombinhos seguravam o famoso Livro Vermelho. Sinal de que a mística ainda é forte. Longa vida!
Se o Partido tenta dar esta cara de fim de casamentos arranjados na Nova China, esquece de dizer que segundo as palavras de Mao, os casais deveriam guardar energia para o trabalho, em vez de fazerem sexo. A vida privada envolvendo o prazer era um tabu tão grande que ainda hoje há quem esteja focado no trabalho e deixando de literalmente gozar a vida para não desperdiçar gás. Sinal de que a máquina propagandística é eficaz, alguns ecos ainda reverberam nas novas gerações. Gerações estas que podem ver no jornal a felicidade da união entre uma moça han com um tibetano, de casais celebrando a união em românticas carroças por ruas em Xinjiang. Tou falando da galeria do jornal estatal. Se você ainda não viu, clique. Mais uma chance:
http://www.chinadaily.com.cn/china/2009-09/24/content_8727518.htm .















