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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Porto Alegre no mapa do mundo

Porto Alegre será sede da Copa do Mundo 2014 (http://www.clicrbs.com.br/esportes/rs/futebol-copa2014), o que parece, até onde eu li, nenhuma novidade, pois a escolha por parte da Fifa já era esperada. Agora, para receber as estrelas do futebol, a capital gaúcha ganhará uma melhor cobertura na rede de tratamento de esgoto, em projeto que prevê um salto dos atuais 27% para 80%, a duplicação da Avenida Beira-Rio, Tronco e melhorias na Voluntários, além de uma suposta linha 2 do metrô, até o Menino Deus.

- Confirmada a participação, chegou a hora de colocar a mão na massa - afirmou em entrevista à Zero Hora o secretário da Copa, José Fortunati, por sinal, também vice-prefeito.

Nossa, fiquei superfeliz com a escolha, pois se bem lembro, há coisa de duas semanas a mesma ZH fez uma matéria em que contava o suplício que é sair do centro em horário de pico e tomar um ônibus em direção à zona norte. Imagino que talvez esta melhoria prevista aí na Voluntários, além de agradar os previstos entre 40 e 50 mil turistas que virão à cidade, também signifique alívio a quem rala todo o dia para fazer da cidade uma cidade melhor. Por isso que eu adoro futebol.

Vivendo em Beijing há dois anos, um deles pré-olímpico, eu presenciei um pouco de o que são os esforços de uma cidade para receber um evento de escala mundial, com forte apelo popular, como o caso daqueles esportivos. Os resultados que fazem de uma cidade um modelo de urbanismo capaz de sediar tais eventos são positivos e acabam por beneficiar o cidadão comum. Ampliação de metrô (em Beijing, às antigas duas linhas somaram-se outras seis), a abertura e alargamento de avenidas, etc. Para além da infra-estrutura, ainda há um sem número de empregos temporários, novas oportunidades ainda que efêmeras e o que muito interessa, exposição do nome da cidade no mundo, o que pode significar novos eventos, mais turistas, mais renda. E a economia gira.

Porto Alegre já esteve no foco e até hoje é lembrada por motivos mais nobres que o futebol, com o perdão daqueles que discordam. Quando me perguntam de onde eu sou, ou o interlocutor não sabe, ou sabe que venho da cidade do Fórum Social Mundial. Em termos gerais, o fórum fez sucesso entre os espanhóis e franceses. Com eles, é sempre meio óbvio que vão saber onde fica Porto Alegre. Agora, claro, abre-se a oportunidade para que o mundo venha a conhecer a cidade como aquela perto da Argentina onde vai haver algumas partidas de futebol.

- E a cidade tem potencial no tema, é a terra do Ronaldinho - poderão dizer alguns.

Aliás, na hora de os jornalistas estrangeiros irem retratar Porto Alegre, dar uns toques para os telespectadores mundo afora que não sabem que no Brasil tem lugar onde faz frio e a gente não precisa usar fantasia de carnaval o ano todo e nem biquinis minúsculos, quero ver quantos deles terão a brilhante ideia de bater um papo com a dona Miguelina enquanto ela toma chimarrão, a bebida dos gaúchos, como são chamados os brasileiros que moram em Porto Alegre. Nós enquanto jornalistas somos extremamente criativos, por isso vários coleguinhas comeram muito escorpião no palito em Beijing para mostrar como os chineses têm hábitos estranhos na hora de se alimentar. E o mundo ficou bem mais informado sobre a China. Ai, por isso que eu adoro esportes em geral.

Mas voltando ao Fórum, é daqueles tempos de euforia e debates pelo povo e para o povo que a cidade forjou outra marca, a do berço do Orçamento Participativo, um dispositivo que clamava pela participação popular na hora de definir investimentos públicos. A ideia é tão atrativa no que diz respeito à cidadania que sequer foi abolida pelo atual governo, o do prefeito José Fogaça, que desbancou 16 anos de mando petista, partido que gestou e implantou o OP. Claro que eu nem estou discutindo que o OP nunca deu tão certo assim, afinal o que vale é a intenção.
Agora, Porto Alegre voltará ao centro mundial do debate no que diz respeito à participação popular na Expo Shanghai 2010, aqui na China, no ano que vem. A cidadegarantiu o 22º lugar entre projetos apresentados por municípios do mundo todo na categoria "urbanização sustentável" devido ao projeto de "harmonia social" que mantém, que será apresentado na área de Melhores Prátcas Urbanas. Ao lado de Porto Alegre, apenas São Paulo é outra cidade brasileira com participação em destaque no evento, que pretende atrair 70 milhões de visitantes ao longo de seis meses, 5 milhões destes, estrangeiros.

Bem, um dos objetivos do governo brasileiro é divulgar a Copa 2014. Eu, como porto-alegrense, torço por uma parceria de peso no projeto de revitalização do Cais do Porto, o que pode significar a consolidação da capital gaúcha como um destino charmoso para turismo de negócios e de outro espaço delícia para a entrega à boemia. Shanghai, que tem o coração econômico e financeiro às margens do Rio Huangpu bem que pode servir de inspiração. Afinal, a gente até já batizou de rio o lago lindo o qual damos as costas quase o tempo todo. E viva o pôr-do-sol no Guaíba.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Lula e os 13 acordos com Hu

13 acordos sino-brasileiros , entre os quais US$ 10 bilhões em empréstimos do Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras, numa operação que deverá ajudar a brasileira a desbravar o pré-sal. E agora vai.

De brinde, a instalação de uma unidade da montadora chinesa Chery, (http://www.cheryinternational.com/), negócio que já havia sido anunciado, mas que agora parece ter data para começar. E será ainda neste ano. O que falta é definir o Estado que receberá a fábrica, mas como o Rio Grande do Sul está fora, a Yeda pode se livrar de ouvir, eventualmente, que mandou a Chery embora. Na real, ela tem outras tantas coisas para se preocupar.

Parece que foi mesmo produtiva a visita de Lula a Beijing – que só acaba amanhã. O petista celebrou junto ao colega chinês, o Hu Jintao, o fato de a China ter ultrapassado os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil. E tome fôlego.

Analistas de mercado dizem que os resultados positivos que alavancaram as compras do pais chinês são fruto do pacote de estímulo do governo do Partido Comunista da China para escapar da crise. Na onda do dinheiro vivo, vieram investimentos pesados em infra-estrutura e, logo, a necessidade de compra de minério de ferro. E da necessidade de combustíveis, diga-se petróleo. Santa coincidência. Ao lado da soja, que também bombou no mercado asiático, estes são os produtos brazucas que mais vendem por aqui.



O governo chinês mostrou que tem bala na agulha para deixar a crise para os outros e acabou por ajudar o Brasil. Tem mais. Hoje mesmo os bambambans do poder beijinense anunciaram que a China crescerá 8% em 2009, custe o que custar. E tem caixa para isso, uma vez que até agora, nem foi preciso usar todo o investimento previsto no pacote de estímulo de 4 trihões de yuans. E de onde veio esta desmesura de dinheiro tem mais, se preciso for.

Claro que nem tudo são flores pra Lula. Ele volta pra casa com dois temas a fazer. Um se refere à venda de aviões da Embraer para uma companhia chinesa. Há problemas de internacionalização dos produtchénhos. O outro, as vendas de carne bovina e suína para China. A galera aqui é chegada num porquinho, consumindo 40% da produção mundial – e os suinocultores brasileiros estão loucos para fisgar os glutões. Não é todo o dia que se descobre um quitute apreciado por um mercado de 1,3 bilhão de bocas. Ainda não foi desta vez que os chineses embarcaram nos porcos brasileiros, mas quem sabe avança.


Lula começou o dia na imprensa, ao publicar um editorial no China Daily (http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2009-05/19/content_7790017.htm), jornal estatal chinês em inglês. Ali, o presidente diplomaticamente reforçou o papel de peso dos dos países em desenvolvimento no cenário mundial. Como economias em franca expansão, China e Brasil parecem mesmo estar na dianteira. Mês que vem, outros dois parceiros do bloco Brasil, Rússia, China e Índia, os Bric, têm encontro em Moscou. A ver quem fala mais alto.
Falar em falar, para além dos acordos financeiros e comerciais, que é o que interessa, Lula reforçou a necessidade de mais entendimento cultural entre chineses e brasileiros. Eu estou aqui me esforçando. O cartunista do China Daily também.



segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lula aqui


Lula e Hu durante a Olimpíada, foto de Ricardo Stuckert, Agência Brasil

A estas alturas, Lula e dona Marisa já jantaram com o excelentíssimo presidente da República Popular da China, Hu Jintao, casado com sabe-se lá quem. Acabei de me dar conta que não sei o nome da primeira-dama da China, sequer sei se ela existe. Mas deve existir.

Falemos, pois, do que interessa. O jantar no Jardim Imperial da Casa de Hóspedes do Estado, ou Diaoyutai (钓鱼台国宾馆) (http://www.chinadyt.com/index.htm) foi o primeiro compromisso oficial de Lula na viagem de três dias à China. Provavelmente, o mais diplomático, se considerarmos que este não previa o fechamento de contratos, anúncios de parcerias e cooperações bilaterais e etc. Mas diplomacia pode ser tudo, especialmente em se tratando do maior parceiro comercial do Brasil, status conquistado pela China em abril, quando o país asiático desbancou 80 anos de hegemonia norte-americana.

Gestada desde o ano passado, a viagem de Lula à China foi a segunda em um ano, pois o presidente esteve por aqui para a abertura da Olimpíada, em agosto último. No entanto, é a segunda visita em cinco anos à China na busca de parcerias estratégicas. Os objetivos são financeiros, deixe-se claro, mas também políticos, numa tentativa de afinar os discursos e jogar com mais força e em conjunto no cenário internacional. O papo de unir forçar Sul-Sul e etc. Nada mais oportuno.

O mundo vive a crise. A crise gerou previsões catastróficas. As exportações brasileiras para a China aumentaram 64,7% no primeiro quadrimestre em relação ao mesmo período do ano passado. A China passou os Estados Unidos como maior destino de produção verde e amarela. Opa, bom sinal. Tão promissor que Lula trouxe na pauta propostas como a de os países selarem contratos em moeda nacional, numa operação batizada como swap no jargão economês e que, em tese, escanteia o dólar e permite que os bancos centrais dos países envolvidos enviem dinheiro local um ao outro. Peso pesado político.

Ao presidente brasileiro cabem outras tarefas árduas, como convencer a China a comprar frango e suíno brasileiros, além de garantir acordos para áreas como tecnologia, biotecnologia, biocombustíveis e petróleo. A estratégia parece boa, já que Lula veio munido de um plano quinquenal, expressão tão recorrente no vocabulário político chinês, que estabelece as metas para o país em grandes congressos nacionais do Partido Comunista da China a cada cinco anos e depois lança os tais planos quinquenais, os verdadeiros guias do desenvolvimento por estas bandas. Como comentava ontem com amigos, melhor do que falar a língua é conhecer os meandros da cultura sociopolítica de um país para garantir bons negócios.

Amanhã Lula deve estar com a cartilha do mandarim na ponta da língua, seja esta recitada com ou sem tradutor. A agenda presidencial brazuca inclui encontros com a nata do poder chinês, a começar pelo primeiro-ministro, Wen Jiabao, que ocorrerá em Zhongnanhai, complexo onde vivem os figurões do partido. Dali, Lula seguirá para o Grande Palácio do Povo, onde se encontra com o vice-presidente, Xi Jinping, retribuindo a visita do chinês ao Brasil no final do ano passado, com o presidente da Conferência Consultiva do Povo Chinês, Jia Qinglin e, finalmente, com Hu. Antes de outro jantar entre a dupla Sul-Sul, ocorrerá uma sessão de assinaturas de acordos, que, se saírem do papel, podem significar números ainda mais animadores do que os 64,7% que alavacaram a China à posição de compradora número 1 do Brasil. A ver.

Ainda nesta terça-feira, o presidente concede entrevista à estatal chinesa de televisão CCTV e participa da cerimônia de inauguração do Centro de Estudos Brasileiros da Academia de Ciências Sociais da China, além de almoçar com empresários dos dois países.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Indie com safona do café da manhã ao jantar


Precisando de trilha nova pro radinho? Apolônio nele.

A trilha é nova, a banda é nova. Mas depois que a gente ouve, cai de amores e repete sem parar, caso da fofa Bitter Escape, a música de trabalho da moçada com os pés em São Paulo e raízes Brasil afora. Batidas repetidas, no entanto, não fazem com que o frescor se perca. Até dá vontade de ouvir mais.

Quem está pelo Brasil tem sorte. Pode conferir de perto. Sábado a pedida é o Clube Praga (SP), casa do Mairena, casa da banda. É que o Mairena, guitarra e vocal, estavá lá batendo um papo com Ablo quando começaram a compor as sete músicas que deram origem à Apolônio. Ablo responde pela sanfona e beats - e pelo toque de originalidade ou sofisticação da sanfona como uma guitarra base. Puro luxo. Ou puro talento.

Do som da dupla para a estréia da temporada como um sexteto foram só sete meses. E a coisa vai bem, obrigado. Em junho, dois shows estão programados. Outra vez dia 9, no Studio SP. E no dia 18, ai, vontade de estar em Porto Alegre, eles estarão no Porão do Beco. Eu iria.

Quem me contou estas novidades, e também que a turnê mundial no sul do Brasil ainda passará por São Jerônimo e Santa Maria (Amén), foi o Malásia, que assumiu a percussão neste balacobaco. A conversa sobre a Apolônio foi mais ou menos assim:

- Tu vai gostar - disse ele, via msn.

- Cara, essa Bitter Escape é tão fofa. Dá pra ouvir o dia inteiro - respondi eu.

- Eu achei lindo o som. Calmo. Bonito, tranquilo, gostoso de ouvir. Lindo, lindo - disse de novo, que era pro Malásia sacar que eu curti mesmo.

- Que bom. Fico feliz em saber. Ao vivo é mais orgânico, na verdade - respondeu ele.

Pô, meu filho que está no Brasil. Tá esperando o que pra ir ver este povo? A história toda da banda, aliás, me pareceu tão orgânica e tão natural, que aposto como dará supercerto.

Mais um pouquinho, contado pelo Malásia.

"A banda começou só com o Mairena e o Pablo, que fizeram as músicas. Mairena fez guitarra, batidas e voz e letras. E o Pablo gravou a sanfona, fez baixo e algumas outras batidas. Largaram as 7 músicas no myspace, rolou um feedback e eles chamaram uns amigos pra tocar essas músicas ao vivo, num show pra mulher do Pablo, que adora. Aí embalou e virou banda mesmo, nos estrosamos rapidamente".

E eu me entrosei na turma de fãs.
:)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Comer, comer


Este post é só para dar uma dica deliciosa: a reunião dos melhores blogs grastronômicos do Brasil numa só página. Fiquei com água na boca, depois de roubar a dica ali do Sérgio.

Engraçado é como há posts sobre comida chinesa, especialmente porque com a chegada do Ano-Novo chinês, teve muito blogueiro que resolveu aproveitar a data para se aproximar da culinária deste lado de cá.

Aqui tem uma história bacana do jornalista Daniel Buarque, que foi ao Chi Fu, restaurante chinês no bairro da liberdade, em São Paulo - que eu não conheço, mas fiquei com vontade de desde que o Sérgio havia me falado sobre ele.