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quinta-feira, 23 de abril de 2009

68.8 - Dia 8

Ba, deve ser meu dia de sorte.

A exclamação de espanto e surpresa tão cara aos gaúchos é também o som para o número 8 em mandarim. 8 = ba (八). Vejam que no meu oitavo dia de tratamento, meu peso é 68,8kg. Seria sinal de boa sorte?

O número 8 na China é considerado um número afortunado. Isso porque a leitura "ba" se assemelha à de sorte ou prosperidade, "fa". O caracter para este segundo é 发, a palavra, na verdade, é 发财, ou facai. A fixação chinesa pelo 8 é tanta, que a Olimpíada de Beijing começou em 8.8.2008 às 8:08pm. Deve ter dado sorte. Eles lideraram de longe as medalhas douradas, 51, ante as 36 dos Estados Unidos, prata no ouro.

Como mesmo em dieta a gente tem sorte, fui liberada para me esbaldar em iogurtes. Chineses tomam pouco leite, fogem do queijo. Para eles, ambos são fontes de gordura e trazem problemas de pele e sei mais o quê. Mas o iogurte, resultado de leite fermentado, pode. E pode até gelado.

Eu sou fã do iogurte, que aqui se fala suannai e se escreve 酸奶, e tomo todas as manhãs. As especiarias de Beijing vêm em copinhos de cerâmica como estes aí abaixo.



Agora, se estou na rua e a fome aperta, corro para uma banquinha para me abastecer do líquido pastoso e deliciante. À noite, se fico acordada até mais tarde, é ele novamente que me salva.

Beba iogurte

Em dieta ou não, iogurte é sempre bom. Tem vitaminas, minerais, proteína. Ajuda a estimular o sistema imunológico e a matar bactérias nocivas. No sistema digestivo, o seu efeito antibiótico age para combater inflamações e proteger o intestino de toxinas. Como fonte vital de cálcio, previne osteoporose. Ginecologistas também recomendam para recuperar a flora vaginal.

Chineses tão apegados à doutrina da alimentação como passaporte para uma vida saudável talvez já tenham se dado conta dos benefícios da bebida há muito, muito tempo. Aliás, iogurte ainda é bacana porque não é só bebida. Aí abaixo, deixo uma receitinha de molho praquela salada saudável e saborosa.

Molho de iogurte

• Ingredientes
1 xícara (chá) de iogurte desnatado
1 xícara (chá) de vinagre de maçã ou aceto balsâmico
½ colher (sopa) de salsinha picada
½ colher (sopa) de cebolinha picada

• Modo de preparo
Misture bem todos os ingredientes e leve à geladeira até a hora de servir

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Repeteco - ou cobra dobrado

A quem interessar possa, este é o post de número 500 deste blog. Para marcar o número, vou republicar um post de que gostei muito num outro blog que gostei muito de escrever, o China in Blog, que durou de dezembro de 2007 a dezembro de 2008. Segue o baile. Quer dizer, o post.



Cobra dobrado

Ontem fui a um dos restaurantes mais estranhos aqui de Beijing, o Guolizhuang - pelo menos na minha concepção. Estranho pelos pratos que oferece: uma infinidade de sopas, ensopados, cozidos, saladas e até bebidas preparadas com pênis ou testículos de animais. Em alguns casos, um sanguezinho cai bem, como o de cervo, que, misturado a um aguardente de sorgo promete milagres! Sim, milagres afrodisíacos, se é que foi nisso que você pensou.

Aberto a homens e mulheres, o restaurante teria mais apelo masculino, digamos assim. Isso porque a crença segundo a Medicina Tradicional Chinesa é de que a ingestão destas iguarias traria potência sexual. Aliás, para nós, meninas, há que se evitar alguns ingredientes, como o testículo de boi, que, segundo os chineses, pode engrossar a voz e trazer pêlos ao rosto. Alguns pênis, no entanto, dão mais vigor a pele das mulheres, ou seja, também podemos comer pensando nos benefícios a nossa saúde e beleza - e não apenas ficarmos pensando que vai trazer algo de bom para o namorado, marido, amigo, amante. Bem, quer dizer...

Voltando ao restaurante. O cardápio do Guolizhuang é amplo. Oferece pênis de cachorro, de touro da Mongólia, de urso de não sei onde e por aí vai. Os preços variam de acordo com os animais. Quanto mais exóticos, mais caros, como o caso de focas canadenses, cujo prato com um pênis é vendido a mais de R$ 770 (e é preciso ser encomendado com antecedência. Além disso, é preciso comprar a iguaria fora da China. O cliente encomenda, paga e depois vai receber uma ligação do dono do restaurante dizendo que o prato será servido. Em dia incerto e não sabido).

Uma garçonete acompanha os preparativos, explicando os benefícios de cada ingrediente. Pena que é em chinês (claro, a gente está na China) e muitas das explicações foram perdidas. Mas a incursão no restaurante foi didática, mesmo que seja anatomicante falando. Graças a ela, fiquei sabendo que o pênis dos cães tem uma cartilagem e que as cobras (assim como os lagartos, pesquisei depois) possuem hemipênis, ou dois orgãos copuladores - apesar de somente um hemipênis ser introduzido de cada vez no corpo da fêmea durante a cópula. Para o jantar, os dois orgãos vem juntinhos.

A verdade é que fui com amigos, registrei, me diverti, mas não cedi aos - supostos - apelos afrodisíacos. Achei que poderia passar minha existência sem comer tais quitutes, motivo pelo qual eu não tenho como contar o gosto, a textura, etc. Quem comeu, aliás, ainda não me contou se os tais orgãos garantem o efeito prometido. Caso a satisfação não seja garantida, no entanto, duvido que você obtenha seu dinheiro de volta.

Aliás, falando em preços, discutíamos o sexo dos animais e quanto custavam cada um de seus órgaos quando perguntei:

–No caso das cobras, que têm dois pênis, praticamente, o preço fica pela metade?

–Não, cobra dobrado – respondeu prontamente meu amigo Bernardo Brasil, num dos trocadilhos involuntários mais perfeitos que já ouvi até agora. Tudo bem, talvez você não ache, mas eu achei engracadíssimo. Eu tenho problemas com trocadilho, admito.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Um restaurante

Dali Courtyard 北京 (caracteres que significam Beijing) é um dos melhores restaurantes a que já fui na capital chinesa. Por menos de R$ 40, incluindo uma bebida, você faz um passeio gastronômico pelo sudoeste do país, mais precisamente à província de Yunnan, que faz fronteira com o Vietnã. Dali é o nome de uma cidade da região.

O restaurante fica no hutong Xiaojingchang, na região de Gulou, próximo a Nanluoguxiang, uma das ruas de bares e restaurantes mais cool da cidade. Ficar dentro do hutong, as antigas vilas da capital, neste caso, significa ser construído numa casa que preserva o mesmo design daquelas construídas séculos atrás, conhecidas em chinês como siheyuan (四合院) - nome que se refere aos quatro pontos cardeias, leste, sul, norte, oeste. Em termos bem simples, é uma caixa com um jardim no meio. E mais explicações ficam para outro post, porque agora nós vamos falar de comida.

Dali tem mais de 4 mil anos de história e reúne 25 minorias étnicas da China, entre as quais a Bai é a maioria, representando 65% da população. Hoje, a cidade é paraíso de hippies mochileiros, um tanto pela natureza, outro tanto pelo astral, que dizem ser ótimos. Eu nunca fui. Ainda!

Fato é que a comida de lá é maravilhosa. Ou a comida de lá servida em Beijing. Se você pensa em uma comida chinesa muito saudável, certamente irá procurar pelos sabores de Yunnan.

O restaurante a que fomos tem uma regra especial. Você não escolhe os pratos, apenas informa aos garços se tem alguma restrição alimentar. Não tendo, prepare-se para uma um banquete de delícias. Ontem começamos com uma salada de tofu em lascas, numa espécie de talharim, temperado com vinagre e hortelã. Tivemos ainda carne de gado, macarrão de arroz frio temperado com pimentas vermelhas e... um camarão a vapor temperado com folhas de limoeiro que vou te contar. Come-se de joelhos.

O mais legal do restaurante é ir no verão, quando a gente senta ao ar livre. O único truque é ligar para reservar, sob pena de você chegar e bater com a cara na porta. Se estiveres em Beijing, aqui está o site. Pegue o telefone e vá com fome, muita fome. Ah, para beber, a cerveja Dali é a pedida.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Massinhas chinesas

Dia desses fui a um restaurante chamado Loft MianKu (escrito assim em madarim: 面酷), um local onde se comem massas (mian) oriundas da província de Shanxi (山西). A região, famosa pela produção de carvão, também responde pelos mais deliciosos vinagres da China. E vinagre é assunto sério nestas bandas. Vai com a massa, com saladas, com jiaozi - os famosos gyoza, como ficaram popularizados no Brasil.


O restaurante tem um astral muito peculiar. As paredes são pintadas num clima meio grafite. Panelas imensas com água fervendo lembram os restaurantes de lamen (ラーメン) que encontramos às pencas no Japão - pra quem está em São Paulo, a dica é ir ao gracinha Aska, na Liberdade.



Voltando a Beijing, o MianKu se notabiliza pelas massas feitas na hora, o que inclui modelar os pedaços em frente aos clientes. De um pedaço considerável de massa saem deliciosos espaguetes, bastando para isso que o cozinheiro antes se dedique a um intrincado estica e puxa - a expressão notabilizada pela Xuxa, vejam só.

Para quadradinhos, pega-se uma tira e vai-se arrancando nacos quadrados até que todo o pedaço tenha ido parar dentro d'água. Outro show. Tem foto aí abaixo, mas ao vivo é bem melhor. Quem diz isso acho que é o Faustão. Nossa, que fase a minha.



Uma das especialidades da casa é o macarrão de espinafre. Um fio comprido, comprido é cozido junto (sério, as massas ficam menos de dois minutos na água fervente, al dente, al dente!) e depois colocado inteiro no prato. Comprido é tipo uns 2 metros, imagino. Pois no dia do aniversário, o vivente tem de comer o fio de massa de cabo a rabo sem quebrá-lo ou mordê-lo, a fim de garantir que terá uma vida longa e sem percalços. Haja coração! Ai, não, Galvão Bueno só poderia aparecer por aqui pra indicar que esta é a rua onde fica o Aska, no número 466 (e pra quem perdeu o fim da meada, o Aska é o restaurante de lámen em São Paulo).

Bueno, o MianKu tem características chinesas que vão além da feitura das massas e do vinagre como condimento especial. O horário é o de jantar chinês, o que significa que é melhor nem pensar em ir até lá se já tiver passado das 21h30min. O preço segue os padrões chineses e, com duas cervejinhas por pessoa, a refeição custa uma média de 60 kuais, ou em torno de R$ 20.

Aqui abaixo, você vê dois tipos de massa, a de espinafre e um espaguete. Ao lado, estão diferentes molhos que acompanham. Você pode escolher entre sabores como refogado com carne de gado, beringela em conserva, entre outros. A pequenina chaleira - marrom que se vê na foto - traz o vinagre.



Pulinho no Japão

Se pela China as massas de Shanxi fazem sucesso, no Japão são as de Kyushu que têm boa reputação. O nome remete à ilha mais ao sul do arquipélogo, considerando-se as principais do país, que incluem ainda Hokkaido, Honshu e Shikoku.

O lámem de lá é o tonkotsu ramen (os japas escrevem ramen, e em katakana fica assim: ラーメン), massa também al dente cozida num ensopado consistente de porco. Na hora em que o prato é servido, dá-lhe fatias de porco para completar o visual e o sabor.

Quem estiver por Tokyo ou de viagem marcada para lá, é bom guardar o nome Kyushu Jangara Ramen, que em japonês é escrito assim 九州じゃんがらラーメン. Espalhado pelos principais bairros da capital japonesa, como Harajuku e Shibuya, a rede é simplesmente deliciosa - Taihen oishi desu!

Dica: o cardápio vem só em japonês e escolhido o prato, você faz o pedido no caixa e paga antes. Depois fica atento até o cozinheiro chamar.


De volta pra casa




Depois do passeio oriental, observe como terminou a noite no MianKu.




Enquanto os meninos que antes preparavam a massa matavam a fome,



outros davam um jeito de deixar tudo limpo pro dia seguinte.



Achei o maior barato a limpeza. Juro.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Comer, comer


Este post é só para dar uma dica deliciosa: a reunião dos melhores blogs grastronômicos do Brasil numa só página. Fiquei com água na boca, depois de roubar a dica ali do Sérgio.

Engraçado é como há posts sobre comida chinesa, especialmente porque com a chegada do Ano-Novo chinês, teve muito blogueiro que resolveu aproveitar a data para se aproximar da culinária deste lado de cá.

Aqui tem uma história bacana do jornalista Daniel Buarque, que foi ao Chi Fu, restaurante chinês no bairro da liberdade, em São Paulo - que eu não conheço, mas fiquei com vontade de desde que o Sérgio havia me falado sobre ele.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Queijo da Serra com Guacamole


Morar fora, em geral, significa fazer amigos estrangeiros. Mais ou menos porque as pessoas do lugar já tem seus amigos e suas vidas e as pessoas de fora estao sozinhas, loucas por companhia. O resultado é que voce acaba por formar uma família multicultural, um grupo de gente que se torna unido e começa a planejar de passeios a jantares juntos, um grupo que se torna meio inseperável. Bem, pelo menos esse é o caso em que eu e meus amigos nos encaixamos.

A turminha reúne brasileiros, italianos, franceses, egípcios, portugueses, mexicanos, espanhóis e, claro, chineses. É, acho que estas sao as nacionalidades predominantes nos nossos encontros. Desta (con)fusao, uma das maiores delícias sao as trocas culturais. Em termos linguísticos, sempre dá pano pra manga. Em termos culinários, hum, eu que sou meio glutona, sempre fico com culpa depois de experimentar - e exagerar no consumo - delícias estrangeiras.

O queijo Serra da Estrela, ou só queijo da serra para os íntimos desta iguaria portuguesa, é um dos casos. Desde que conheci o Ricardo Duarte, ele me falava de o quao bom era o tal queijo. Produzido em pequenas propriedades na Serra da Estrela, é resultado da mistura do leite tirado das ovelhas Bordaleira da Serra da Estrela - o segundo maior rebanho portugues (na foto voces veem alguns exemplares) - ao cardo, uma flor típica de Portugal (que também aparece pela Argentina e algumas regioes da África) usada para coagular o queijo, além de sal.

O resultado é um queijo molinho, que vai do branco ao ligeiramente amarelado, numa consistencia amanteigada. A gente come de colher e bota em cima de torradinhas. Delícia. Entre conhecer o Ricardo e conhecer o queijo que o Ricardo nos trouxe, levou uns nove, 10 meses. Mas valeu a pena esperar. Ele nos trouxe um queijo da Casa Matias.

Agora, nem tudo o que é bom vem sozinho. A Alma, nossa mexicana fofa, fez um guacamole que vou te contar. Eu já tinha comido na rua, mas assim, em casa, nunca. O pure de abacate salgado é companhia perfeita pros nachos. E o Ricardo ficou reclamando que se comia a fruta com sal, nao com açucar. Pois a mistura ao doce é comum em Portugal e no Brasil, mas impensável no México. Pra quem quer seguir a receita, anota aí.

- Abacates maduros
- Cebola média cortada em pedacinhos minúsculos
- Um dente de algo super picado
- Salsinha picada
- Pimentas verdes
- Suco de limao
- Sal a gosto

Mistura tudo numa tigela, amassa, amassa, amassa e depois sirva com nachos. No México, me contou a Alma, algumas vezes ainda se bota tomate verde. Em receitas que vi em sites brasileiros, havia o tomate vermelho mesmo (aliás, já comi assim em outros bares de Beijing). Outras receitas ainda falam em pimenta malagueta e coentro. Bueno, tempere a gosto, mas coma guacamole! E se fores a Portugal, já sabes o que pedir.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Sabado estarei de casa nova

A terceira aqui em Beijing, a primeira que escolhi com a marida Paula. O apartamento é uma gracinha, no meio do bairro muçulmano da capital chinesa. Os chineses muçulmanos vêm, na maioria, da região autônoma de Xinjiang. O que tem lá... bem, ainda não sei bem, nunca fui.

Mas o que tem aqui de melhor é a culinária daquela região. Já era fã do dapanji, um prato de galinha e massa regado com muito, muito molho de tomate. Sem contar os churrasquinhos de carne de ovelha e os modos como eles preparam arroz, muitas vezes misturados à carne ou legumes, com destaque pra cenoura.

Pois ontem eu e a Paula descobrimos ao lado de casa o kaobaozi, uma maravilha que consiste em minis-pastéis de forno com recheio de carne de ovelha num tempero pra lá de no ponto. Viramos absolutamente fãs. Sem contar o seguinte, no restau, a cerveja é gelada.

Nos avisaram que não teríamos problemas no bairro muçulmano, a menos que gostássemos muito de carne de porco. O maior super da região não vende...

Então, bem-vindos a uma nova viagem dentro da mesma cidade, às vésperas das férias. Tou na contagem regressiva. Falta um pouquinho mais de um mês, bem pouquinho!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Tomo guaraná, suco de caju


Frutas fresquinhas esperando pra virar suco
Foto: Jana Jan/China in Blog

Lembra da letra do Tim Maia? O refrão da música que inspira o título deste post ainda emenda um "goiabada para sobremesa". Aí, você canta, se diverte e, vivendo do outro lado do mundo numa parte nada tropical, chora num cantinho de saudade das delícias gastronômicas do Brasil. Nem tudo pode ser perfeito, viver coisas novas pela China teria de ter seu preço.

Eu aqui tenho surtos de saudades de suco de fruta natural. E olha que sempre fui bem fã ou de água com gás (alias, NUNCA VI ÁGUA COM GÁS AQUI), água tônica e coca-light (outro artigo difícil de encontrar, principalmente agora que está entrando no mercado a versão limão que eu sempre detestei com todas as minhas forças. Se antes já era ruim de achar, agora tá um pouco pior). Mas voltando ao suco... Então, era assim. No Brasil, vez que outra eu lá recorria a um suquinho. Melancia e melão estão entre os preferidos, fora aquela delícia quase indecente chamada smoothie de frutas vermelhas servida no Saúde no Copo no Moinhos de Vento, Porto Alegre, mas que eu conheci mesmo na beira da praia de Atlântida. Como aqui não tenho nada disso, saudades: SAUDADES!

Na minha ida a Macau ano passado, havia tirado a barriga da miséria. Tem barraca de suco em várias esquinas. A Rute, colega chinesa que me hospedou, ficou fã da misturinha de papaia e água de coco que a gente resolveu pedir. Daí, saudades do Brasil e de Macau. Isso até quinta passada!

Eis que andando com meus colegas Glênio Paiva e Felipe Barreto - dois outros jornalistas que vivem aqui - na minha rua preferida, a Nanluoguxiang, encontramos uma loja recém aberta de... SUCOS NATURAIS E SMOOTHIES - além de milk shake. Pronto, ponto de honra no verão. O smoothie de manga que eu tomei tava um espetáculo. O suco de pêssego do Glênio, uma maravilha. E o de melancia do Felipe, nota 10.

Vai te arriscar no verão beijinense? Vale a dica!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O churrasquinho na China


Chuan'er (串儿) é supercomum por aqui
Foto: Agência Xinhua

Chega o verão e um dos programas preferidos por aqui após o trabalho é ir para a rua, sentar num botequinho, mesinhas ao ar livre e comer churrasquinho, ou chuan'er, como me explicou há pouco a Mariana.

Para mim, é dos programas mais chineses que posso curtir no meu lazer noturno (não sei cantar em chinês para ir ao Karaokê :(, não é a qualquer filme no cinema que posso assistir, apenas os legendados em inglês. E comer churrasquinho é simplesmete um barato! O trocadilho vale porque é legal mesmo e porque acaba saindo baratinho.

Um espeto de coração de galinha pode custar algo em torno de R$ 0,50. Carne de gado e asa de frango, então, menos do que isso. Entre meus chuan'ers favoritos estão os de coração de galinha e o de carne de ovelha.

Bom, vou ter de dizer, né? Apesar de hoje ser segunda-feira, tenho um motivo para ir em busca de um bom chuan'er. Um não, oito! Hoje, quando acordei, a Paula, que divide apartamento comigo, contou do glorioso Colorado. Ontem mesmo meu pai havia dito que estava se preparando para o jogo. Eu, do outro lado do mundo, fui vencida pelo sono e não acompanhei a partida. Imagino que os colorados de Porto Alegre que fizeram festa ontem talvez agora leiam este post meio de ressaquinha, mas de alma lavada, né?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fome de quê?


Maíra e eu fazendo pose enquanto pensávamos em encarar o tomate com muuuuuuito açúcar (viram, né? Os pescoços de galinha foram quase todos)
Foto: Rafa Debastiani, Especial

Então, estava de férias. O motivo era nobre: não era um simples descanso, mas a recepção aos meus queridos irmãos Cristiano e Maira e da irmã de coração Rafa. A vontade que dá de mostrar tudo ao mesmo tempo agora te leva a propor programas de índio. E ainda dá vontade de mostrar o quanto se está adaptada ao novo país - onde, no meu caso e em se tratando de China, além de praticamente analfabeta, ainda estou aprendendo a falar.

Na saída do passeio à Cidade Proibida, íamos a Xidan, bairro de compras aqui de Beijing. Pegamos um táxi e ao ler - só com caracteres - que passávamos em frente a um restaurante de jiaozi (os bolinhos estilo ravioli que no Brasil costumamos chamar de gyoza - numa cópia do nome japonês), um dos meus pratos chineses favoritos, não tive a mais mínima dúvida:

- Dao le! - anunciei ao motorista, o que significa: "Chegamos!". Assim, de supetão, sem avisar aos meus irmãos. Pronto, hora de todos descerem.

Desceram, né? Afinal, quem conhece Beijing sou eu. Eles meio que não entenderam por que estávamos entrando em um dos maiores pé-sujo jamais visitado por eles durante toda a vida, mas, pensaram: "ela deve conhecer o dono", "com certeza esse lugar é um dos segredos que só um local da cidade pode desvendar" e outras coisas assim.

Que nada, eu só tinha lido mesmo o caractere de jiaozi.

Aliás, li e devo ter esquecido na hora. Chega o garçom, me dá o cardápio, eu começo a "ler". Totalmente no comando da situação, comecei a pedir os jiaozi. Vi um caractere de galinha e pedi. Outro de tomate, pedi. Outro de carne de gado, pedi. Depois, pedi outro com tofu. É que os jiaozi têm recheios diferentes. O garçom anotou o pedido e foi. Voltou...

- Vocês não vão querer pedir jiaozi? - ele perguntou num chinês tão português que até a Rafa, há dois ou três dias na China, entendeu.

- Hum... Acho que eu não pedi, então, né? - pensei eu em voz alta, já sabendo que viria problema pela frente. Pedi jiaozi, outros dois sabores e respirei fundo, só à espera do que poderia acontecer.


Rafa e Cris amaram os pescocinhos com alho
Foto: Maíra Akemi, Especial

Bem, o que aconteceu foi: uma das primeiras refeições dos meus queridos irmãos em solo chinês foram - nem tão - saborosos salame de carne de gado com temperinho verde, salada apimentada de tofu, pescoço de galinha com muito alho e o tradicional, imbatível e estranho pra maior parte dos brasileiros, imagino, tomate com açúcar. Tomate com muitooooooooooo açúcar. Um milhão de risadas depois e um esforço pra comer algo tão típico, chegaram os jiaozi. A gente até tentou beliscar, mas decidimos que tem horas em que ou o fast food salva, ou o negócio é procurar restaurante cujos cardápios ofereçam fotos.

Sério, ainda tenho muito mico pra pagar antes de ser uma boa anfitriã em terras chinesas...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Bichinhos estranhos



É botar o pé na China pra receber um e-mail, scrap, messenger ou sinal de fumaça perguntando: "E aí, já comeu escorpião?".

Minha resposta, até agora, pelo menos, é não. Pra desapontamento geral, a resposta pra segunda pergunta também é negativa: "Tá, mas carne de cachorro já, né?". Tenho uma paixão grande por gastronomia, sou boa de garfo, manjo pouco de cozinha - infelizmente - e sou parceira pra muitas aventuras no delicioso mundo das misturas de ingredientes. Mas, ai, inseto e carne de cachorro, tou passando.

Agora, querem saber? Eu não vejo inseto por aqui nos lugares. Existem, em restaurantes, espetinhos de bichos-da-seda, e dizem que é crocante. Quem nunca comeu uma tatuíra frita retirada do mar? Eu já. Acho que o sabor deve ser parecido. Então, pra mim, até aí, tudo normal.

Pra ver insetos meeeeeeesmo em espetinhos e fotografar para vocês, fui a Wangfujing. Casualmente... uma avenida superturística aqui de Beijing, centro de compras para estrangeiros. Logo, comida chinesa pra inglês ver.

Aliás, perguntando pra amigos meus aqui, eles não comem estas especiarias, nem fazem a mais mínima questão de. Vale o passeio e o folclore. E observar algum estrangeiro curioso que se aventure nos sabores exóticos.

Um brasileiro amigo meu, aliás, provou o escorpião. Diz que é crocante. Tem o gosto da casquinha e do óleo. Bueno, se alguém estiver de malas prontas pra vir pra cá e quiser provar, pode me contar depois. Já sabem o endereço: Wangfujing!

Ah, quanto à carne de cachorro. É o seguinte. Esta é mais uma especiaria coreana que chinesa. Eu nenhum restaurante a que eu tenha ido, vi a dita cuja. Logo, não é tão comum assim. Até hoje, só uma chinesa que conheci aqui disse que aprecia, ainda assim, numa espécie de sopa.

Gerson, tu me perguntaste sobre outras carnes e ainda sobre toda a gama de cores, sabores e texturas da comida chinesa. Nossa, fico devendo por hoje, mas, sério, ô, gente que sabe cozinhar! Tenho me apaixonado tanto pelos pratos daqui... Nham! Prometo, logo, logo, começar a falar sobre as delícias daqui.


Aula de chinês: Acima dos números, está o caracter para espetinho - chuan'er, na pronúncia em chinês


Estrela-do-mar também é atração. O espetinho mais caro sai por 3 kuais, ou cerca de R$ 1


Nos espetinhos coloridos, muitos bichos não foram identificados por esta que vos escreve


Em Wangfujing, diversas barraquinhas iguais a esta se espalham lado a lado

Pra matar a sede, água de coco, bem mais fácil