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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os 51 mil budas de Datong

Visite Datong. Fica a seis horas de trem de Beijing, mais ou menos, e há 23 opções de horários, saindo da capital. Dizem que de ônibus a viagem é ainda mais curta, mas aí quem estiver interessado pode procurar por si próprio. Aqui, as dicas são mesmo ferroviárias.

Desde que comecei a estudar chinês, Datong (大同) estava no roteiro de viagens. Talvez pelo pouco vocabulário apresentado no livro de mandarim até o momento, a única referência que aparecia sobre a cidade é que ela estava perto de Beijing - motivo, aliás, de riso. Vivia perguntando à minha professora da época que conceito de perto era esse dos chineses, ao considerarem um local seis horas distante algo próximo. Bueno, os gaúchos também acham que Floripa está ali ao lado e ainda encaram a BR-101.

Voltando à China, fato é que nunca me interessei tanto. Era uma cidade que estava ali e a qualquer momento eu poderia visitar. O título de capital do carvão não era nada tentador. Datong é uma das principais produtoras do mineral, o que dá à cidade uma fama de poluída e garante, por outro lado, grana e investimento em infra-estrutura logística, a saber ferroviária e rodoviária.

Claro que eu já havia lido que se tratava de um antigo centro político e cultural da China, do tipo antigo com 2.400 mil anos de história. Mas tipo assim, o que na China não tem um, mas milhares de anos de história? Sério, ainda não era esse o diferencial para mim.

Dizer que há 51 mil budas esculpidos em pedra, numa coleção de grutas que se estendem por cerca de um quilômetro e cujo trabalho envolveu cerca de 40 mil pessoas ao longo de 50 anos não foi suficiente para despertar minha curiosidade. Pena.

Tamanho desdém não tem nenhuma razão de ser. Dá até vergonha admitir. O cenário é fantástico e o passeio mais do que recomendado. Estou falando agora especificamente do complexo de grutas Yungang, 云冈石窟 – que a gente facilmente lê Yungang Shiku.


Um passeio pelas grutas demora, em média, entre uma hora e meia e duas horas


O bilhete custa 30 yuans na baixa temporada, outubro a maio, e 60 yuans na alta

Imagino que as fotos falem bastante, mas como escrever está bom, quem tal vocês saberem pelo menos um resumo bem resumido destes tais de 2,4 mil anos de história de Datong?


Na alta temporada, o horário de funcionamento é das 8h às 17h30min


Na baixa, prepare sua visita entre 8h30min e 17h

A gente já começa pulando etapas, e chegamos a 368, quando um grupo chamado Tangut (拓跋,tuoba, em mandarim) fundou ali a Dinastia Wei do Norte. Pois em 453 este povo daria início às grutas, que ficaram prontas em 494. Naquele tempo, Datong era um entreposto cultural, por onde circulavam influências da Índia, da Ásia Central e da Mongólia. Além disso, o povo que andava pelo poder era fervorosamente budista. Logo…


Segundo a lenda, um conselheiro pediu ao imperador de então que renunciasse ao budismo - e o mandatário caiu doente


O conselheiro foi executado, o imperador recobrou a fé e a saúde e o seu sucessor, para evitar o destino do anterior, resolveu dar início às estátuas incrustadas na pedra


O que ficou esculpido na pedra revela bastante da cultura da época. Hoje, diz-se que a compleição dos budas lembra o que era o povo local, com lábios grossos, olhos oblíquos e ombros largos. Aliás, os budas das grutas 16 a 20 representam cinco imperadores daqueles idos, o que demonstra a crença de que os imperadores eram uma espécie de buda. Ou acabariam se tornando um.


As grutas de 16 a 20 são as primeiras construídas no complexo, no reinado Heping (460-65)


O local foi declarado Patrimônio Cultural pela Unesco em 2001


A economia carvoeira da região provoca o desgaste das estátuas, que ficam cobertas por fuligem

Os pesquisadores ainda dizem que figuras de bodisatvas, seres de sabedoria elevada, e de apsarás, espíritos femininos das nuvens e das águas nas mitologias hindu e budista, revelam traços de culturas indiana, sem contar as influências persa, grega e bizantina, presentes nas representações de armas, instrumentos musicais e vestuário.


A fusão das diversas culturas da Datong próspera cultural e politicamente se revela nas esculturas


As estruturas variam de entre alguns centímestros a até 17 metros de altura

A cerca de 16 quilômetros do centro de Datong, o passeio é incrível. O pulo do gato é negociar com um taxista já desde o início da manhã e com ele seguir viagem.

Depois das grutas, o nosso próximo destino foi o Monastério Suspenso. Mas esta serão cenas do próximo post. Antes de chegar a ele, vale saber que o governo chinês recém começou um programa para evitar infiltrações nas grutas. Segundo o vice-presidente do Instituto de Pesquisa das Grutas Yungang, o objetivo é evitar água na parte superior das estruturas.

Entre as 45 unidades principais das grutas, 21 têm problemas com infiltração. É preciso melhor o sistema de drenagem para evitar que a chuva destrua as estátuas, já ameaçadas pelo pó de carvão. Em 1998, para evitar erosão, as indústrias próximas foram desclocadas e o trânsito de caminhões, afastado. Além disso, cinco aldeias foram realocadas e houve a plantação de árvores nos arredores.

Ah, aqui duas palhinhas do que ainda Datong nos reserva.


Localizado na Montanha Heng, ou Heng Shan - 恒山 -, o monastério tem mais de 1,5 mil anos de história


Se arrisca a subir na estrutura de madeira engenhosa e precariamente colada à montanha, um dos cinco picos sagrados da China?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Eu e o carste


Os picos rochosos se enfileiram pela beira do rio
Foto: Jana Jan/China in Blog

Hoje saio para novas férias. Desta vez, o destino é o Vietnã, país vizinho à China. Além da capital, Hanói, vou a Halong Bay e Sapa. Mas é em Halong Bay que encontrarei uma das paisagens mais espetaculares de carstes. Carstes? Bom, eu não sabia. Na verdade, são formações rochosas - e porosas -, em geral de calcário. Formam o que se chama dolinas (parecem montanhazinhas) e cavernas. Caverna eu conhecia por caverna. Agora sei que o nome da rocha é carste.

Bueno, nas últimas férias, fui a Guilin e Yangshuo, cidades chinesas famosas pelos carstes e natureza exuberante, localizadas na província de Guangxi. Merecem o título. Mas meu guia sobre o Vietnã diz que são apenas um ensaio para o que verei em Halong Bay. A mesma formação se repete em Krabi, na Tailândia, caso alguém esteja querendo ir até lá. De novo: dizem que o top é Halong Bay.

Antes da ida ao país vizinho, deixo vocês com um pouco de carste em Yangshuo, mas da parte visível sobre as águas. Se é um ensaio para o que conhecer depois, não sei. Mas fiquei encantada com a paisagem: muito verde, água e rochas.

Yangshuo fica a cerca de uma hora de ônibus de Guilin. Bem menor, é recanto de mochileiros e lugar pra se fazer escalada ou curtir os rios da região, como o Rio Li. Aliás, de barco de Guilin para Yangshuo, a viagem dura cerca de quatro horas e meia, com paisagens muito bonitas - carste, carste, carste! - em todo o percurso. Vale muito a pena.

Além de tudo, é barato viajar por lá. Hospedagem e comida caem bem para um turista estrangeiro - e mesmo nacional. É possível dormir por menos de 10 dólares em bons hotéis (nada de quatro estrelas, mas com ar-condicionado, chuveiro quentinho) e jantar por uma média também de 10 dólares, ou até menos. Olha, o tal paraíso de mochileiros ainda é pródigo em comida ocidental. Sou da opinião de que quem está na China, tem de comer comida chinesa. Mas o café da manhã é difícil para a maioria dos brasileiros, pelo menos, então outra vantagem de Yangshuo: os inúmeros pubs e cafés da cidade abrem logo cedo e oferecem opções de café ocidental. Ah, o café chinês traz pães diferentes, massas, conservas de verduras e umas sopas de arroz bem típicas.

Se pensarem em férias na China, incluam Yangshuo, pelo menos, no roteiro de pesquisa.


Yangshuo tem rafting com estes barquinhos de bambu para duas pessoas


Yangshou tem o parquinho Shangri-La. Cês não têm noção da minha alegria com este verde todo


Yangshuo é paraíso dos mochileiros, muita gente vai pra escalar


Yangshuo tem cenários deslumbrantes, como este no fim da tarde no Rio do Dragão alguma coisa


Yangshuo tem este passeio de barquinho em que o verde é deslumbrante


Yangshuo tem barqueiros que falam ao celular numa boa enquanto "dirigem" a embarcação

sábado, 10 de maio de 2008

Mapa de Beijing


É fácil utilizar o gráfico
Foto: Reprodução/Site oficial da Olimpíada

Preparando a viagem para Beijing? Que tal um mapa em mãos? É certo que há guias turísticos que podem ser comprados nas melhores lojas do ramo, mas pra quem gosta de navegar pela internet, aqui tem uma boa dica de mapa online.

Todo em inglês, aponta as principais lojas de vendas de produtos olímpicos, onde há hutongs - as vilas chinesas construídas há séculos e que ainda servem de moradia para muita gente em Beijing -, por onde passam as linhas de metrô. É bem útil e ajuda na hora de começar a se situar por esta mega cidade!

terça-feira, 6 de maio de 2008

A moeda do Tio Patinhas


A nota de 20 patacas do Banco Nacional Ultramarino
Foto: Bi Yuming/Especial China in Blog

Fãs do Tio Patinhas sabem muito bem qual a moeda corrente em Patópolis, não? A Pataca.

Bem, em Macau tambem é a Pataca que circula. A cidade esteve sob o governo de Portugal até 1999 e hoje é uma Região Administrativa Especial da China. Com cerca de 600 mil habitantes, tem características especiais nesta mistura ocidente-oriente. Nas placas, é obrigatório o uso do mandarim e do português e o nome da moeda que hoje circula por lá se mantém o mesmo herdado pelos portugueses.

Ontem conversava com a Tati e ela me perguntava sobre a moeda corrente em Macau. Bom, é outra que não o Reminbi chinês ou o Dólar de Hong Kong mesmo. Há um detalhe: para pegar ônibus, é preciso ter moedinhas à mão - e no valor exato da passagem (muitas vezes quebrado, como 5,20 patacas). É que os ônibus não têm cobradores, e o passageiro precisa depositar o valor em moeda (apenas de metal) para usar o serviço. Sem direito a troco!


Em Tempo


Segundo a taxa de conversão publicada pela Bloomberg nesta terça-feira, 8 MOP (sigla para designar pataca) equivalem a US$ 1.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Cheguei, e agora?


Terminal 3 é um luxo só, novidade em Beijing
Foto: Jana Jan/China in Blog

Há poucos dias, o Clery, internauta assíduo aqui do blog, perguntava: "Como faço para ir até o hotel?". Ele chega em Beijing em 6 de agosto e precisa de uma ajuda.

Bem, chegar até a China não é exatamente fácil. Depois de pelo menos 36 horas de exaustiva viagem, é preciso passar pela imigração, recolher as malas e enfrentar o mundo aqui fora. Sem saber ler, sem saber falar. Claro que inglês ajuda, tanto para o turista quanto para quem recebe os visitantes. A estrutura do Aeroporto Internacional da Capital é satisfatória (e o recém-inaugurado Terminal 3 é show!). Dá para ir sem medo. Pode perguntar em inglês, alguém responderá - mas treine o ouvido, sotaque de inglês é praga: tem inglês brasileiro, inglês alemão e, claro, inglês chinês. Todo o mundo bota seus próprios sotaques e cacoetes linguísticos no inglês, impressionante.

Para não criar pânico, há três opções:

- Ter a comodidade de ter alguém esperando
- Optar por ônibus especiais para a cidade - Airport Shuttle Bus
- Pegar um táxi.

Vou de ônibus

Esta é a opção mais barata (caso você não tenha uma carona amiga). Cada bilhete de ônibus custa 16 yuans, algo em torno de R$ 5. Há cinco linhas por Beijing, que você pode consultar de antemão aqui no mapa, em inglês. Ideal para quem tem uma certa noção sobre a capital chinesa ou para quem pegou direitinho a dica da linha certa com algum amigo ou o local onde ficará hospedado.

Há guichês de venda de passagens dentro e fora dos terminais (hoje, a maior parte dos vôos chega mesmo no Terminal 3) e basta seguir as placas de Shuttle Bus para saber onde ir. Mole!

Vou de táxi

Pode ser a opção mais segura para quem está inseguro. Não é tão barato, mas é bem em conta, considerando-se as tarifas por aqui. BEM acessíveis na comparação com os serviços de São Paulo ou Porto Alegre.

Não aceite negociar o preço ANTES de sair. Os táxis aqui ligam o taxímetro. Pegue o carro na fila indicada para isso. Ali, há fiscais que dão, inclusive, informativos sobre valores e telefones para eventuais reclamações.

Agora... o pulo do gato: não fala chinês? JAMAIS tente explicar onde você quer ir se não falas chinês. E como fazer? Ainda no Brasil, antes de vir para o outro lado do mundo, imprima o endereço em que deseja ir: do hotel, da casa do amigo, do albergue. Mas não é imprimir o endereco em pinyin, ou seja, nas letras que conhecemos e que reproduzem o som dos caracteres. É imprimir nos caracteres mesmo, que assim, não tem erro.

terça-feira, 25 de março de 2008

É Primavera

Viver em Beijing é espantar-se com o tempo. O clima, melhor dizendo. O tempo, este que contamos no relógio ou no calendário, há muito que passa rápido, em todos os lugares, mal nos apercebemos.

Já o clima é o seguinte: nem bem acabou o inverno de -10ºC, vivemos em confortáveis 10ºC, com picos de 20ºC em dias ensolarados. É a primavera que chegou.

Estava já acostumada ao cinza da cidade e à falta de folhas nas árvores, e agora nem só tudo está mais verde, como também mais colorido, mais cheio de flores.

Hoje ainda me espantava com a mudança na cara de outra cidade, Beijing, onde eu moro.

Detalhezinho sobre o clima beijinense: inverno e verões rigorosos - com temperaturas bem baixas no primeiro, bem altas no segundo. Primavera e outono, considerados por muitos como as épocas mais gostosas de curtir por aqui são curtinhos, curtinhos, algo em torno de 40 dias. É sempre seco, bem seco!

Meninas e meninos vaidosos - e mesmo quem não for tão dado a creminhos: tragam hidratante na mala quando visitarem estas terras. A dica é super válida!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Os anéis e a bússola


Vocês sabem que não é só Saturno que tem anéis, né? Beijing também! E são cinco! Sei que a gente às vezes fala nos anéis, mas, pelo que me lembro, nunca falamos muito que história é essa. Pois bem, vamos lá, então.

A cidade de Beijing é dividida em cinco anéis rodoviários, como vocês podem dar uma conferidinha ali no mapa. Cinco, que na realidade são quatro, porque o primeiro ninguém viu. E isso eu não descobri o motivo... Esses anéis, além de facilitarem o fluxo de carros da cidade (mesmo que desafogando as avenidas alguns deles vivam engarrafados), servem sempre como ponto de referência. Por exemplo: eu trabalho no segundo anel, moro no terceiro, gosto de sair para me divertir em lugares que ficam no segundo, comprei computador no quinto e por aí vai. Eles são sempre importantes. Me disseram que, beeeeem antigamente, lá por priscas eras, a cidade de Beijing ia só até o segundo anel. Mas o tempo foi passando e a cidade crescendo...

Outra coisa importante por aqui é esquecer que existe direita e esquerda. Aqui é bom saber onde ficam norte, sul, leste e oeste. Não sei se é pelo fato de terem inventado a bússola, mas por aqui eles se orientam assim mesmo. Quando alguém explica onde fica algum lugar nunca diz: "saia do metrô, dobre à esquerda e ande três quadras". É infinitamente mais fácil ouvir: "saia do metrô pela saída leste, vire à oeste e ande três quadras". As ruas seguem essa orientação (por exemplo: meu trabalho fica na xuanwumen oeste, mas tem a parte leste tb), os anéis rodoviários, o metrô... enfim, tudo. Isso, principalmente porque as avenidas da cidade são horizontais e verticais.

Eu ainda me perco muito nessa história. Se bem que chineses, de outras províncias, também se perdem neste esquema aqui na capital! A Mariana me disse que porque em outras províncias, e cidades, tal como Qingdao (cidade natal dela), onde as ruas são construidas ao longo das montanhas, e não são verticais e horizontais, fica mais difícil se orientar pelos pontos cardeais e o costume é dizer direita e esquerda mesmo. O negócio é acostumar. Por via das dúvidas não custa perguntar: alguém por aí tem uma bússola sobrando para me dar de presente?

Errei: Pois é, errei. Vamos corrigir. Quando falei do resultado do ano novo chinês cometi um engano. Na realidade os fogos de artifício só foram permitidos, a partir de 2005 (2006 foi o primeiro ano), do quinto anel para dentro, da véspera do ano novo chinês até o dia 15 do primeiro mês do calendário lunar. Para além do quinto anel era permitido. Ah, e fora do ano novo ainda não é. Desculpem a confusão.

Paula Coruja

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

De trem


Na viagem a Chengde, a galera tava curiosa com os "laowai' (estrangeiros) que estavam ali (Crédito:Jana Jan,Chinainblog)

A Tati perguntou ali no blog dela que impressões eu tinha dos trens pela China, visto que Paul Theroux relata no livro Viajando de Trem Através da China muito do país de dentro do, dan, trem, como o próprio nome sugere.

Escrito há 20 anos, o livro diz que há banheiros imundos - e às vezes corredor também -, alto-falantes ligados, vagão-restaurante confuso e barulhento, beliche confortável, boa comida, garrafa térmica com água quente para se fazer chá e lindas paisagens pela janela.

Bem, já que fui perguntada, vamos responder. Eu andei quatro vezes de trem por aqui - ou melhor, sete, pois fui e voltei (à exceção de em uma das viagens, quando retornei a Beijing de ônibus). Vamos por ordem? Fui a Beidahe, 北戴河, (praia), Qingdao, 青岛, (praia e terra da Mariana), Pingyao, 平遥,(cidade cercada por muralha - não a Grande - e que guarda arquitetura das dinastias Qing e Ming) e Chengde,承德,(antiga residência de verão de imperadores, local da réplica do Templo de Potala, no Tibete).

Assim, Tati, tem gosto pra tudo. A ver...

Beidahe - 北戴河


Esta é a única do trem chique para Beidahe (Crédito: Manuel Martinez, Especial)

A viagem é de cerca de duas horas, partindo da Estação Beijing (Beijing Zhan, 北京站), no centro da cidade. Coisa de louco: o trem era bem melhor que muito avião. Poltrona confortável, moças de uniforme bem cortado nos servindo, um luxo só. Esta viagem fiz com meus colegas e amigos de Xinhua Manuel e Oliver. Melhor impressão impossível! O trem é um luxo na China, esqueça as impressões de há 20 anos. Ou não...

Segunda jornada: Qingdao - 青岛


Achei que não caberia tanta gente no vagão, mas o povo aguentou firme de pé até Qingdao (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

Com uma super boa impressão da viagem anterior, partimos eu, Mariana, o Brian (marido da Mariana), Manuel e Helena, que trabalha no departamento de francês da Xinhua, para Qingdao. O que seriam oito horas de trem, não é mesmo? A Mariana já havia nos avisado que não havia camas disponíveis (sem chance de, nesta vez, experimentarmos se os beliches eram ou não confortáveis). Mas depois da ida a Beidahe, qualquer poltrona seria melhor do que as que encarei na vinda do Brasil pra cá.

Hm... Chegamos ao trem, assentos duros para a gente, ou seja, esqueça o reclinável. Os bilhetes haviam sido vendidos aos montes, o que significava muita gente em pé ao nosso lado, o que impediria, mais tarde perceberíamos, aquela espichada boa nas pernas. Tive de ir ao banheiro uma vez e foi engraçado. Pulei por cima de um monte de gente que já tinha se entregado ao sono atirado pelo corredor mesmo. E tem foto do banheiro. Não digo imundo, mas é o tradicional buraco no chão - pouco espaço, o trem balança... olha, boa experiência para testar o equilíbrio.


O banheiro é este buraco e quando o trem está parado, não pode usar! (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

O trem está longe de ser imundo, não gostei desta palavra. Mas a farofada tão familiar aos brasileiros corre solta no vagão, certo. E fica todo mundo meio família lá pelas tantas. Tem gente que joga conversa fora com o vizinho, joga carta, forma novos amigos... Uma festa sobre trilhos madrugada a dentro. E um teste para quem está acostumado só a conforto...


Com caminha: ida a Pingyao - 平遥



Para ir a Pingyao, a estação é a Oeste, ou Beijingxizhan (北京西站). Por favor, preste atenção no que diz os luminosos (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

Fui a esta cidade bonitinha (e recomendadíssima) com a Viviana e o Nathan. Quer dizer, o trecho de trem, percorri só com ela, pois o Nathan conseguiu perder, pois saiu tarde do trabalho e acabou preso no trânsito. Logo... pontualidade na saída do trem!

Na viagem, de 12 horas, encarei a primeira caminha: um compartimento com seis pequenas camas - beliches de três "andares". Era verão, saímos cedo, vi paisagens lindas, sim! Curtam as fotos. Não temos foto da mesa, mas, sim, as térmicas para abastecer as garrafinhas de chá estavam presentes. Prometo fotografá-las da próxima vez.


Legal este verde no caminho a Pingyao, né? (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

O legal é que o compartimento é compartilhado supernaboa, sem estresse nenhum mesmo! Em todas as vezes que viajei, nunca cheguei a ir ao restaurante, então não sei como é este vagão. Mas passam vez que outra tiozinhos vendendo comidas, especialmente macarrão instantâneo. O que a gente comprou tava uma bela... porcaria! Quem manda não saber ler nada de chinês pra tentar imaginar o sabor, né?


Olha o carrinho com o jantar e as bebidas, gente (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

Ah, outra coisa, o trem parava e parava e parava, motivo para a viagem ter sido de 12 horas. Mas desta vez, uma tia sempre passava pra avisar em que estação estávamos chegando. Dormir que foi bom, difícil, bem difícil. O pára, apita, arranca, apita, pára, arranca torna a tarefa mais difícil...

Ah, o Nathan? Conseguiu comprar uma passagem num trem pouco depois do nosso e nos achou já em Pingyao. Ele foi sentado...

A última - que viagem - a Chengde, 承德


Achei lindo o rosto e o estilo antigo deste chinês, não descansei enquanto o Cláudio não emprestou a máquina pra eu registrar o tiozinho (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

Minha última aventura de trem começou uma viagem já na hora de comprar os bilhetes. Resolvi, eu e meu mandarim perfeito, comprar sozinha a passagem na estação. Iríamos eu e Cláudio, um amigo brasileiro que conheci aqui - conhecido há pouco tempo na época. Bem que achei estranho que uma passagem para um trecho de quase cinco horas custasse só 20 kuais (menos de US$ 3), mas tudo bem. Já ao chegar à Xinhua, meus colegas disseram: "Olha, aqui está escrito que tu não tem assentos, as passagens são para viajar de pé".

- Hm... Melhor avisar o Cláudio, vai que ele desiste, né? - pensei.

Bom, sem conseguir telefonar pra ele, o jeito foi avisar bem perto da hora de sair. Tudo ótimo, ele topou a indiada. Entramos num vagão mega-lotado, só com os tais assentos nada reclináveis e ficamos de pé. Por menos de 15 minutos. Eis que uma chinesa de um inglês mínimo expulsou, praticamente, dois chineses dos seus lugares pra que a gente pudesse sentar (na verdade, eles estavam deitados nos bancos e tiveram de dividir o espaço com a gente).

Era um povo supersimples. Com certeza, compramos as passagens mais baratas. E as companhias foram um barato. Com certeza aqueles dois estrangeiros viajando junto a gente simples era uma novidade. Nos deram sementinhas pra comer, ofereceram baijiu (um aguardente meeeeeeega forte que eu polidamente recusei) e queriam nos dar cigarro, muito cigarro. Sim, azar pras plaquinhas de proibido fumar. A fumaça corria solta. Havia também plaquinhas pedindo pras pessoas não escarrarem, ou cuspirem, no chão. Isso, eu realmente não vi. E, outra vez, dispenso o imundo. Agora, claro, depois de um monte de baijiu, um monte de sementinha, um milhão de cigarro, limpo é que o vagão não seria, exatamente.

A gente curtiu horrores a experiência de viajar num vagão megapovo, mas na volta pra Beijing, domingo à noite, cansados, viemos nas caminhas aquelas que experimentei com a Viviana. Mais confortável. E quente. A calefação no inverno funciona que é uma beleza! O preço? Três vezes mais, coisa de US$ 9, ora pois.


Com este casal, treinei o meu então bem mais escasso mandarim. Descobri que eles moram em Tiajin (天津), se não estou completamente errada, cidade que receberá partidas de futebol na Olimpíada (Crédito: Jana Jan/China in Blog)

Hm... este post me deixou com vontade de falar mais sobre trens, de falar um pouco de cada um dos lugares pra onde os trens me levaram. Tati, culpa tua!
;)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Vou de táxi


Os táxis são estes com duas cores, como azul e amarelo
Foto: Jana Jan/Chinainblog

Andar de táxi em Beijing é fácil. E também um mistério. A cidade tem uma boa frota e os preços são incrivelmente em conta - na comparção a Porto Alegre ou São Paulo, por exemplo. Dá pra percorrer bons trechos e não pagar além de US$ 5. E acredite, isso é muito, muito trecho rodado...

Agora, só tem um probleminha básico. A comunicação! Não sabe falar chinês? Duas coisas: conte com a sorte de achar um taxista que fale inglês (olha, pela minha experiência aqui de sete meses, não há muitos) ou DESISTA de tentar explicar onde queres ir, caso não tenhas uma base de mandarim.

Então é impossível andar? Claro que não. Ali no início eu não expliquei que era fácil? Então, é facinho, facinho. O segredo é o seguinte: tenha sempre um endereço escrito em chinês (com os caracteres, não com a pronúncia, isso não funciona). É básico conseguir: imprimindo na internet (pra ir a um restaurante, por exemplo) ou pedindo pra um amigo chinês escrever. Outro segredo: telefone pra um chinês explicar ao taxista. Aliás, telefone aqui é artigo de primeira necessidade, justamente pra ser ajudado por alguém que já está há mais tempo na cidade.

Mostrando o endereço ou pedindo pra que alguém indique ao motorista, relaxe. Eles não costumam pegar caminho mais longo, enrolar estrangeiro e tals. Eu, pelo menos, acho que não. Tive pouquíssimas experiências ruins, e fica por conta da exceção - gente que gosta de passar a perna tem em todo o lugar. Não é a regra mesmo. Fique tranqüilo pra cortar as ruas de Beijing de táxi.

Hm... mas eu queria contar uma outra coisinha que me chama muito a atenção por aqui. Tem horas em que eles param, mas daí eles resolvem não te levar pra onde tu pediu. Simples assim. Te mandam descer do táxi e era isso. Como eu não sei o 156 deles pra ligar pra EPTC deles aqui, fico sem saber pra quem reclamar. Eu e mais uma pá de gente.

Sábado aconteceu de novo. Eu e Paula estávamos querendo sair e eu - que já não uso mais cartõezinhos pra pedir onde ir - pedi:

- Women yao qi Nanluoguxiang. Ni zhidao ma? (Queremos ir a Nanluoguxiang. Você conhece?, que em caracteres ficaria 我们要去南锣鼓巷。你知道吗?) - perguntei.

E o taxista disse que não, ante o que fiz várias outras tentativas: Zhangzizhonglu Zhan (张自忠路站,o nome de uma estação do metrô)? Guloudongdajie (鼓楼东大街,uma rua perpendicular a que eu queria ir)? Houhai (后海)essa, uma das áreas mais famosas pelos bares pra estrangeiros). Nada, ele disse que não conhecia nada. Certo que era má vontade. Ninguém que seja taxista numa cidade pode não conhecer lugares tão óbvios.

Aí foi engraçado, eu e a Paula, minha amiga/jornalista/gaúcha com quem eu divido apartamento aqui, ao mesmo tempo, num chinês perfeito:

- Ni zhidao Beijing ma? (你知道北京吗?Você conhece Beijing?).

Mas é isso, negócio é descer do táxi, dar uma risada, esquecer o mau humor e curtir mais um pouquinho do frio a menos de zero. Pode ter certeza: outro táxi virá rapidinho, a cidade é cheia deles!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Mei you


Cerveja gelada? Mei you
Foto: Paula Coruja/Especial

Sério, antes de vir pra China, é melhor que você esteja preparado para ouvir essa expressão: "Mei you". Diferente do inglês, em que o "you" pode parecer com o som de "iu", aqui fica um "iou" mesmo. O "mei", este continua igual a nossa pronúncia brasileira. O que significa? Hm... deixa ver.

1 - Não tem
2 - Não há
3 - Tem, mas acabou

Arrisque-se a pedir uma cerveja gelada, como estas aí da foto tirada na noite do Natal e ouvirás: "Mei you". Aventure-se num refrigerante saindo da geladeira (ligada! pois aqui muitas são usadas como armário) e provavelmente vais ouvir: "Mei you". Ouse agora tentar um singelo cubo de gelo (caso voce já esteja graduado o suficiente em mandarim pra pedir "You bing kuai?") e, mais uma vez, provavelmente virá um cortês - ou nem tanto - "Mei you".

Essa expressão bate e fica, é uma das primeiras a se aprender por aqui, talvez mais útil do que "Xiexie", ou "Obrigado" - útil, é, pelo menos, saber o significado dela.

Como bem lembrou o queridíssimo Cláudio, comentando no post abaixo, afinal de contas, "Mei you" ou não na hora de comprar? Seja por mímica, mandarim parco ou fluente, sempre que a resposta do atendente for "Mei you", desista. Troque de loja, bar, estabelecimento. Ou mude o pedido. Não adianta insistir, "Mei you" é "Mei you" mesmo.

Aliás, estou preocupadíssima com o "Mei you" ou não. Estou indo com a Mariana e outros colegas da Xinhua ver um filme chinês hoje à noite, sobre o qual quero comentar, ou não, amanhã para vocês. Quer dizer. Vou comentar se houver legenda em inglês - o que me fará compreender a história.

Caso ocorra algo tipo:

- O filme tem legenda em inglês? - pergunta hipotética da Mariana ao chegar ao guichê - e cuja resposta seja um sonoro "Mei you", bueno, amanhã correremos sério risco de "Mei you" post sobre o filme.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Duoshao qian?

Regra básica de viagem: reconhecer o dinheiro do país em que se está e saber como chamá-lo. Antes de chegar a Beijing, sabia que a moeda aqui era o Yuan. Beleza... O símbolo é aquele Y, cuja base é cortada por dois tracinhos, assim: ¥.

Até aí, tudo bem. Tinha algumas dúvidas sobre o que era, afinal, o RMB que via em alguns sites, e não foi difícil perceber que se tratava de uma abreviação para Renminbi, nome da moeda do país. Ok.

No dia-a-dia beijinense, no entanto, eis que me aparece kuai pra cá, kuai pra lá, as vezes mesmo até escrito em alguns lugares desse jeitinho: 元. Não demorou muito pra que eu fizesse a associação com o "pila" gauchês. Se algo custasse 30 kuais, evidentemente, era quase como dizer: "É 30 pila". Logo, me apeguei ao bichinho kuai.

Apeguei tanto que usei o termo para designar a moeda no post sobre os Bichinhos estranhos de ontem. Hoje, quando o meu editor, o Jia, estava aqui conferindo o blog, o kuai chamou a atenção.

- Jana, por que escolheste kuai, em vez de Yuan? - perguntou.

- Ué, porque todo o mundo fala assim - disse, tri convicta.

Bueno, agora segue, então, mais uma aulinha de chinês (estou achando divertidíssimo aprender junto a vocês). Segundo o Jia, o Renminbi (Moeda do Povo) é o nome oficial do dinheiro, cuja abreviação é RMB. A unidade, por assim dizer, o nosso equivalente a Real (R$) é o Yuan (¥). Kuai, entretanto, é linguagem oral, dificilmente se usa para escrever o preço de alguma coisa. Mas está longe de ser uma gíria como o pila - ainda mais regional, pois se usa em todo o país.

Para simplificar, seria assim. É bom saber que o nome oficial da moeda na China é Reminbi, que os preços virão quase sempre grafados com o Y cortado duas vezes nas etiquetas e placas, mas que na hora de perguntares: "Duoshao Qian?" ("Quanto Custa?), provavelmente o chinês te responderá alguma coisa acompanhada de Kuai. Ah, claro, é bom que aprendas os números, mas isso já é outra história... Até porque a gente nunca sabe quando vai querer comprar uma lembrancinha, como estas quinquilharias abaixo.



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E, novamente, cá estou eu num computador em que não consigo achar acentos e caracteres especiais. Como eu tenho anjos da guarda, eis que a Tati Lopes, na redação em Porto Alegre, editou o post e o deixou num português correto. Xiexie, querida!