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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

As redes sociais da rede chinesa

Uma das principais redes sociais chinesas, a Xiaonei, agora não é mais Xiaonei, mas Renren. A mudança no nome não foi bem explicada, mas a novidade é fresquinha por aqui, coisa desta terça-feira.

Numa análise bem superficial, o que se diz é que enquanto o primeiro nome se refere a campus, e por isso acaba atraindo um público prioritariamente de alunos de Ensino Médio e graduação, o segundo significa "todo mundo". Bem, e todo mundo você sabe o que é.







O domínio Renren não tem lá um currículo muito animador. Criado em 1999, o site teve uma curta vida de bons lucros até 2001, quando a bolha internética estourou e fez com o negócio fosse pelos ares. Em 2005, o domínio foi comprado e teve curta vida como site de classificados entre 2006 e 2007. Agora volta à vida. Será que com força? Sei lá, esta coisa de agradar a todos...

Certo que o planeta internético chinês é, para rimar, um tanto hermético, acredite. E aqui a gente não está falando das barreiras governamentais impostas para barrar o que seria pornografia e outras barbaridades, mas é muito mais do que isso, é filtro mesmo para que se evitem trocas de ideias sobre questões políticas e tals. E a gente sabe, sendo brasileiro, o quão bom é viver num país democrático, com imprensa livre e livre troca de pensamentos via internet. É só olharmos para nosso Congresso para nos orgulharmos de nossa liberdade e construção de cidadania e democracia.

Mas voltando à China, o olhar chinês sobre o próprio umbigo é fenômeno antigo, se é que se pode classificar como antigo um comportamento percebido na internet, que há pouco começou a integrar a vida das pessoas. Aqui, 338 milhões de pessoas, até junho - 22% da população, ante os 75% dos Estados Unidos. Imagina o que tem de espaço para crescimento. O resultado, anota Tom Melcher, que atua no mercado de internet da China desde 2005, é uma total falta de percepção dos geeks, nerds e Marcks Zuckerbers e afins de o que os chineses esperam na tela do computador.

Enquanto o fundador do Facebook flana pelo Brasil comemorando um crescimento da rede entre os usuários brazucas, na China, ele vê o fraco desempenho ficar ainda mais capenga. Em julho, o número de usuários no país chegava a 1 milhão, mas caiu pela metade em um mês. Claro que é fácil atribuir a culpa ao governo, já que desta vez, assim como fez com Twitter, Youtube e outras maravilhas do mundo web ocidental, os incansáveis operários que não param de alargar os horizontes do Great Wall of China trataram de barrar o Facebook. A desculpa da vez foi o uso da rede para propagar mensagens separatistas pouco após os espinhosos conflitos étnicos de 5 de julho em Xinjiang, a terra da minoria uigur hoje cheia de moradores da maioria han.

Mas então, voltando ao cenário lindo e do qual pouco lembro da liberdade via bits na China, Melcher dá a primeira dica. Admitir que ninguém de fora entende nada do mercado chinês e que trazer modelos ocidentais é o primeiro passo rumo ao caminho errado. Mal, bem mal, se você pensar que em 2008 a Tencent, responsável pelo QQ, que é o MSN que conta para os chineses, ou serviço de mensagens instatâneas, se é que você lembra do termo, teve uma renda de US$ 1 bilhão e ostenta um market cap de US$ 24 milhões, deixando para trás o Yahoo, por exemplo.

Mas aí Melcher não dá muitas pistas de como conquistar o gosto do internauta chinês. Uma pena. Agora, o artigo, cujo link eu vou deixar ali abaixo, reforça uma crença minha. Que no fundo, muito dos filtros chineses não importam tanto assim para a massa online quando os alvos são sites estrangeiros. Aqui twitter é fanfou, msn é QQ, Google é Baidu, Youtube é Youku. Para você isso pode não ter o menor sentido, mas para quem está deste lado daqui, tem. Tanto tem que o povo da Web Asia 2.0 fez uma lista delícia dos equivalentes chineses das estrelas ocidentais. Essa você confere aqui http://www.web2asia.com/2009/08/05/asian-equivalents-of-western-web-services-part-03-china/.

Agora eu deixo você com o artigo do Melcher
http://www.businessinsider.com/henry-blodget-the-us-internet-industry-leads-the-world-right-wrong-2009-8

E, para quem quiser saber mais sobre os números do Facebook no país, aqui vai a dica
http://www.insidefacebook.com/2009/08/04/facebook-traffic-from-china-drops-by-half-in-the-last-month/

***

Em tempo. Nesta quarta-feira, a agência estatal chinesa divulgou uma notícia um tanto quanto irônica. Só pode ser ironia, penso eu, que cada vez entendo menos de o que se entende por jornalismo aqui (deve ser porque a mídia tem influência direta do poder político, e o poder político tem este vício de fazer pouco caso do coraçãozinho da população). Enfins, a matéria dava conta de que o Facebook mantém a rápida subida rumo ao topo da lista de maiores sites do mundo, em quarto lugar, com 340 milhões de visitantes únicos do mundo inteiro. Do mundo inteiro, menos a China e alguns outros né. Sério, ai minha paciência.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Na internet chinesa você vê de tudo, até o que não vê

A China fechou o primeiro semestre com 338 milhões de internautas, um incremento nada acanhado de 40 milhões de usuários em seis meses, segundo o Centro de Informações da Internet, órgão que regula a rede no país. Ou um dos. Banda larga? Realidade para 94,3% deste batalhão online.

Salto bem mais significativo foi no número de gente que acessa a web via celular. Agora são 155 milhões (ou eram, há coisa de quase um mês, já que o crescimento por aqui é mesmo espantoso), 32,1% a mais do que em dezembro de 2008. Feliz mesmo é quem vende. Num mercado já nada desprezível, quem antes atendia 14 milhões de compradores online, há seis meses, agora tem 87,9 milhões de consumidores à disposição. Quem dá mais?

Privar da companhia desta gente que tecla por meio de caracteres vai além dos mistérios dos 1001 desenhos que compõem o arsenal básico do bate-papo chinês. Perpassa por sensíveis barreiras censoras e o filtro individual.

Veja o Facebook, a rede social que agora chega ao mercado brasileiro e que comemorou faceira nesta semana 250 milhões de usuários. Como ela aparece aqui na China? Escondida sob desvios de proxy e, ainda assim, mais pra lá do que pra cá, literalmente e geograficamente falando. E os internautas chineses? Querem mais é que o Facebook se exploda.

A rede social foi um dos meios de propagação de campanhas pró independência de Xinjiang - a região autônoma muçulmana onde eclodiu a violência entre a maioria chinesa han e a minoria uigur, de origem turca e maioria naqueles pagos a oeste do país -, decretou no dia 8 de julho o jornal chinês Global Times (http://www.globaltimes.cn/), uma versão em inglês de o que os chineses pensam sobre o mundo.

Um grupo criado nas páginas do Facebook clamava a independência da tal região. Para os internautas da China, não clamou por muito tempo. O Facebook foi um dos primeiros alvos das garras sujas e feias da censura, seguindo o rastro do twitter, do blogspot, do wordpress, de tantos outros que de tão distantes até parecem fazer parte do imaginário coletivo dos internautas ocidentais. E só.

Aproveitando a onda, o jornal resolveu perguntar a opinião dos internautas. E, uma vez que tenha sido um meio de propagação de tal mensagem de desarmonia e desunião, o Facebook deveria ser punido. Entre aqueles que votaram, 81,7% apóiam uma punição ao site. Bacana.

O povo aqui anda sem muita paciência e sem meias palavras. Em Xinjiang, palco dos protestos, internet nem com sinal de fumaça. Os negócios via rede estão parados e o único local com acesso é o centro de imprensa montado no hotel Hoi Tak, da capital Urumqi, onde você leva seu laptop, briga por um daqueles famigerados cabinhos azuis e reza para a conexão não cair, não importa seu credo. Reze. Se não rolar, cruz credo, adeus transmissão das notícias quentinhas. Ah, e se você não é jornalista, nem pense em usar o local. É preciso credenciamento para adentrar o salão (onde, de 15 em 15 minutos toca Garota de Ipanema instrumental, porque o DJ local tem um CD com quatro músicas, repetidas à exaustão. Eu diria que até é parte do processo. De tortura psicológica. Quantas Garotas de Ipanema você precisa para gerar uma matéria de TV?).

Divagações à parte, voltemos ao papo sério. Para especialitas chineses em internet, a linha dura adotada agora resulta num dilema para o governo.

Em entrevista ao estatal China Daily, o especialista em novas mídias da Faculdade de Jornalismo e Comunicação da Universidade de Pequim Hu Yong afirma que, se por um lado pela primeira vez o governo admite abertamente que está cortando a internet, provavelmente imaginando que terá apoio popular ao mostrar que a medida visa garantir a segurança, por outro, está restringindo a realização de negócios e outras atividades online, como participação em fóruns e chats.

- Os jovens usuários podem começar a ter dúvidas sobre as políticas governamentais em relação à internet, o que poderá trazer impactos profundos - prediz Hu.

Em tempos de mensagens diretas, Yu Xiaofeng, da Universidade de Zhejiang, alfineta:

- Bloquear informações não deve ser a primeira escolha em uma sociedade aberta.

E esta É uma sociedade aberta? Eu cá tenho minhas dúvidas, mas o tal senhor Yu tem outro conselho.

- O governo deveria permitir a propagação de fontes oficiais e não oficiais. Assim, tanto o governo como os cidadãos poderiam procurar a verdade através do conhecimento.

Falou bonito. Para quem quiser ver, em inglês, a matéria na íntegra, aqui vai
http://www.chinadaily.com.cn/china/2009xinjiangriot/2009-07/16/content_8434260.htm

E clique abaixo para ver a notícia sobre o apoio dos internautas chineses à punição ao Facebook, publicada no Diário do Povo, a principal voz do Partido Comunista.
http://english.peopledaily.com.cn/90001/90776/90882/6697993.html

terça-feira, 7 de julho de 2009

Poderia ser só internet, mas é também mídia e propaganda

Os protestos em Xinjiang provocam tantas discussões que é preciso um quê de interesse sobre a China somado à muita força de vontade para chegar ao fim deste texto. Mas eu conto com você. Os assuntos aqui serão a internet, a mídia e a censura. Preparado? Então ajuste o scroll, porque você vai precisar.

A política chinesa sobre a internet é a do controle. Então, ao primeiro sinal de que há algo errado ou de que algo pode dar errado, o poder central estende os tentáculos sobre a rede e já era espaço para gritaria.
Num jogo entre dissimulações e hipocrisia mal disfarçada adotado rotineiramente, a estratégia é dizer que o governo é contra a pornografia e outros temas que possam perturbar a sociedade harmônica sonhada por Beijing. O que entra em cena são filtros, que ganharam o apelido apropriado de Great Firewall of China. Depois a gente tem a figura malvada da Net Nanny, numa alusão à babá má que simplesmente tira de circulação o que os pimpolhos não devem ver. Exatamente botar abaixo e expurgar do alcance de mouses chineses referências ao Dalai, liberdade ao Tibet ou massacre de 1989.

Hoje, dois dias após o início dos protestos em Urumqi, a ideia foi abolir de vez alguns sites de redes sociais, e o Facebook – imune até então -, além da cópia chinesa do twitter, o Fanfou, pararam de funcionar, embarcando na mesma onda de twitter, youtube, blogspot. No Fanfou, a mesma mensagem deixada em 3 de junho, véspera do aniversário de 20 anos da Praça da Paz Celestial. Manutenção. Agora, a promessa é de que a coisa voltará à vida no dia 10.

Parece que o governo perdeu mesmo qualquer pudor em censurar o que não gosta. Duvida? Hoje mesmo o chefe do Partido Comunista da China em Urumqi, Li Zhi, deu declarações oficiais sobre o corte da rede para toda a cidade de Urumqi. A medida visa garantir que as incitações dos protestos não se espalhem. Uma desculpa boa, sobre a qual falei ontem. Sob o pretexto de preservar a paz e a harmonia, vale qualquer esforço, até o de calar vozes dissonantes. E isso tem apoio popular, acredite. E segue o baile sem internet.

Mas e o que fazer com os jornalistas que querem cobrir tudo isso? Conceder-lhes liberdade e uma sala com 50 computadores plugados à rede, ainda que os terminais sejam disputados quase à tapa, espero que sem disputas étnicas, numa sala de hotel, centro de imprensa montando às pressas na capital de Xinjiang.

Resultado? Declarações como a do correspondente do The Economist Ted Plasker à estatal chinesa de que nunca houve tamanha liberdade para trabalhar, nem mesmo durante os conflitos no Tibete registrados em março do ano passado (houve qualquer tipo de liberdade?), nem no terremoto de 12 de maio de 2008 em Sichuan, este último propagado como um exemplo da abertura da censura chinesa para a mídia estrangeira. Confesso que esta comparação me surpreendeu e encontra eco em outras fontes que estão no local. Tá que é uma festa para a cobertura. Claro, para quem conseguir chegar ao terminal e se manter zen ante a lentidão internética. Detalhes. E tudo contradição em termos. Quer ver um detalhe sutil? A mesma matéria que traz os elogios de Plasker à novidade no tratamento aos coleguinhas jornalistas ante o caos em Urumqi lembra que o entrevistado respondeu em chinês perfeito, resultado de longa experiência acumulada aqui desde 1989. Sutileza e detalhe, 89 é um ano a ser esquecido por aqui.

Mas esta suposta abertura lenta e gradual chinesa tem seus quês de crueldade. Na tarde desta terça-feira, a agência estatal publicou uma galeria de fotos tão de mau gosto que lembram as imagens que eu nunca vi publicadas após o acidente com o grupo Mamonas Assassinas, quando a internet ainda engatinhava e já mostrava que o ser humano tem tendência ao mau gosto e ao horripilante. Fiquei imaginando por que usar imagens fortes - e o quanto esta escolha está distante do jornalismo no qual acredito e que procuro praticar. E ainda usada oficialmente. Talvez para provar o improvável, que os mortos e feridos foram atingidos pelos manifestantes, não por policiais. Isso se daria por dois motivos primordiais. Um porque a maioria foi ferida na cabeça por estocadas ou pedradas, e não balas, e porque se trata de chineses han, os alvos dos supostos terroristas uigures.

Se estou certa, o governo agora quer tratar bem os jornalistas porque sabe que ao garantir acesso o mais facilmente às informações e às fontes, estará também conquistando mais confiança e conseguindo divulgar seus pontos de vista. Mas e por quê este caráter tão compreensivo?

Porque duas coisas, penso eu. Primeiro porque é importante divulgar o próprio ponto de vista. Segundo porque este ponto de vista tem razões para ser propagado, vamos refletir.

Das experiências que tive até agora, aprendi que que há mocinho e bandido nesta história. Nesta história eu digo cobertura sobre a China. Minoria étnica contra o governo chinês é sempre boazinha. População de baixa renda contra o governo chinês é sempre boazinha. ONG ambiental contra o governo chinês é sempre boazinha. O bom velhinho budista aquele exilado na Índia então, nem vou comentar.

Não estou dizendo que todos os que conseguem força e coragem suficientes para lutar por seus direitos dentro de um país que tolhe manifestações e o livre pensar já não tenham só por isso uma grande parcela de mérito. Mas me irrita a preguiça midiática que prefere sempre eleger a China como malvada e se esquece de apurar melhor os fatos. A coisa parte do quase insignifcamente tratamento no masculino para a Rebiya Kadeer (ninguém nem TENTOU BUSCAR UMA FOTO DA PESSOA PRA ILUSTRAR SUAS MATÉRIAS) ao fato de dizer que Xinjiang foi subjugada em 1949, período antes do qual era uma região independente. Até foi, mas foram tão poucos anos durante o combalido poder dos Nacionalistas que vou te contar...

A fórmula fácil de buscar mocinhos e bandidos desta vez não vai funcionar, o enrosco étnico está tão arraigado que vai sobrar maldade para ambos os lados. Ou todos os lados, nem creio que devamos ser maniqueístas neste caso. Assim como não vai funcionar a tentativa de mostrar que a China está preparada para uma cobertura aberta. Já teve equipe jornalística detida em Urumqi, sabe-se lá se não ocorrerão outras. E quanto ao esmagamento internético? Bem, você está me lendo aqui, então sabe que houve um jeito de barrar. Quer dizer, ainda estava me lendo?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

E a internet pifou

É manchete mundial. Os protestos que se iniciaram neste domingo em Urumqi, capital e maior cidade da Região Autônoma de Xinjiang, já deixaram ao menos 140 mortos, número que deve subir segundo as fontes oficiais devido à grande cifra de feridos, que superaria os 800.

O resultado sangrento dos protestos e mesmo as motivações e os desdobramentos que levaram ao confronto entre uigures e hans, a minoria maioria em Xinjiang e a maioria chinesa minoria na mesma região, deverá ganhar contornos apenas oficiais, ou pelo menos esta se delineia como a vontade do poder central.

Por volta das 15h, pouco menos de 24 horas depois do início dos protestos, o twitter foi outra vez bloqueado na China, numa reedição do que ocorreu às vésperas de 4 de junho. Se você acompanha de perto os esforços da Net Nanny para deixar os internautas do continente na mais santa paz, já sabe que há meses não temos youtube e blogspot.

Que todo o mundo dribla a censura, quase todo o mundo dribla. E segue o baile. Mas enquanto a gente dá um intervalinho na questão de Xinjiang, que tal falarmos sobre a internet chinesa, esta dissimulada? Ou, pelo menos, este ser tão na mira do governo chinês?

Que o país tem a maior população de internautas o mundo já sabe - são mais de 300 milhões. Que vive sob o humor da Net Nanny e o rigor do Great Firewall of China também não é novidade. Para aqueles que já leram sobre o tema, talvez também não haja nada de novo em dizer que a web já foi considerada por aqui uma nova zona especial, numa referência ao tráfego livre de informações - e críticas ao governo - e às Zonas Econônomicas Especiais implantadas durante o mandato de Deng Xiaoping e precursoras do salto econômico do país. Algo como comparar os experimentos que resultaram no colosso chinês feitos nas províncias de Fujian e Guangdong nos idos de 1980 a uma suposta democratização da sociedade chinesa conquistada a partir da cidadania expressa na rede.

Nesta onda, o governo que é socialista com características chinesas e não é bobo, tratou de dar o peso à internet que à rede não necessitava e buscou chamar para si a responsabilidade pelos louros do livre pensamento via bits. Pode ser só percepção minha e ninguém veio me dizer ou mesmo eu encontrei em artigos por aí, então posso estar falando bobagem, não tomem como verdade absoluta, mas o que percebi é que houve uma febre internética pós olímpica ante os pensadores da mídia chinesa a serviço do partido que procurou disseminar a cultura da internet como passaporte para a participação política e cidadã.

Não passava dia sem que algum veículo oficial não publicasse matérias baseadas em resultados de pesquisas online ou que desse voz aos clamores dos internautas chineses publicados em fóruns. Top manchete, numa piada interna, bordão que surgiu entre os colegas do meu antigo trabalho, eram mudanças de rumo ou guinadas em decisões articuladas, supostamente, após grita online dos internautas cidadãos chineses. Foi a redenção programada do ambiente web como expressão de desejos, a criação da varinha de condão para quem não pode protestar em praça pública, visto que qualquer demonstração na China pode ser apenas pacífica - e, em muitos casos, ser realizada apenas se obtiver permissão prévia (dan).

Aí que em 28 de fevereiro deste ano, o primeiro-ministro Wen Jiabao resolveu ser super e participou de um chat com os internautas cidadãos chineses. Foram duras horas de elogios, mas também de críticas e o sonho de uma internet mais democrática sendo construído por internautas e um governo atento às mudanças, disposto a tomar para si as rédeas da falação online chinesa. Eu, do alto da minha inocência, jurei que se trataria da estratégia mais do que batida do "já que não pode vencê-los...". E fiquei feliz.

Felicidade de internauta chinês dura pouco. Menos de um mês depois, o espaço web receberia o primeiro ataque, youtube nocauteado - para não voltar até agora. Aí veio um temor de que o 4 de junho pudesse ser celebrado via web e a coisa virou palhaçada, com a criação até do Dia Nacional da Manutenção, uma piada para justificar a queda de todos os sites de redes sociais ao longo de três dias, entre 3 e 6 de junho. Alguns até se recuperaram, mas a coisa do bloqueio foi tão patética que serviu para mostrar que as estratégias aqui são poucas ou toscas quando o momento é de tensão. Calar a boca é mais fácil. Ou continuar a usar o santo nome da internet em vão.

Vamos à estratégia atual, segundo minha opinião, deixe-se claro. Na manhã desta segunda, a versão oficial sobre os protestos iniciados no domingo em Xinjiang já dava conta de que o estopim fora um boato falso na internet. A internet é do mal, a internet provoca o caos. Em uma vista rápida sobre a questão, o governo estaria jogando entre o caos e a paz, esta última tão cara ao país e o primeiro tão temido. Para que se evite o caos é que o governo limita as liberdades e informações. Povo com liberdade e informação demais acaba por ter ideias diversas, cujas defesas podem resultar em confrontos. Em caos. Logo, guiados pelas mãos do governo, os chineses viveriam em paz.

Agora, internautas, não estão vendo os estragos que um boato na internet chata, boba e feia pode causar? Precisamos filtrar os conteúdos, para que se evite o derramamento de sangue como este de Xinjiang.

Bom, tomara que esteja errada. Se tiver, juro que passo no twitter e dou meu piu.

Internet é o estopim de novo episódio de tensão etno-política chinesa

Se você terminou o domingo bem informado sobre o que acontece pelo mundo ou tratou de fazer isso logo cedo na segunda, sabe que há um tumulto ocorrendo na China, desta vez na Região Autônoma de Xinjiang, berço da minoria étnica uigur, os muçulmanos chineses, para simplificar bem a explicação sobre este povo que tem ascendência quiçá turca, escreve em árabe e fala uigur.

Segundo fontes oficiais, nos protestos ocorridos no distrito de Bazaar, na cidade de Urumqi, neste domingo pelo menos 140 pessoas foram mortas. As notícias separam hans, maioria no país, de uigures, numa distinção cujas raízes econômico políticas se formaram há centenas de anos. Pena que a gente vá saber cada vez menos do que acontece por lá. Sim, a internet que botou lenha na fogueira desta última vez já foi bloqueada por aqueles prados.

Por volta das 17h deste domingo começou a confusão. Manifestantes tomaram as ruas para protestar contra o que consideraram atos racistas ocorridos em Guangdong, a antiga Cantão, no final do mês passado, quando uma briga deixou ao menos dois uigures mortos. De centenas para milhares foi um pulo e teve ônibus queimados, ataques a pessoas inocentes, segundo o governo, e tomada das ruas pela polícia. Depois, toque de recolher e atos violentos se espalhando pela cidade até a madrugada. Mas sobre isso, tudo são rumores, fato é que, para variar, as notícias de lá agora estão bem filtradas. Aqui http://www.thenewdominion.net ainda é possível ver algumas imagens.

Comecemos do início, pelo menos do atual capítulo. No dia 29 de junho, a agência de notícias chinesa, Xinhua, divulgou uma notícia que dava conta da prisão de um homem da etnia han que havia espalhado um boato falso via internet sobre um suposto estupro na fábrica de brinquedos Xuri, na cidade de Shaoguan. Os autores da atrocidade seriam trabalhadores migrantes uigures. Pronto, o dormitório onde ficam os empregados desta minoria foi atacado e houve mortes. A motivação seria simples. A fábrica tem 10 mil empregados, 800 dos quais uigures contratados entre maio e junho. Os han não gostaram de ver os postos de trabalho perdidos e resolveram agir.

A interpretação atual do governo chinês? Na verdade, tudo foi orquestrado e premeditado, desde o boato falso, para que os uigures encontrassem uma desculpa para atacar os han. Esta é a terceira versão sobre o mesmo tema. Antes, foi o simples fato de que os uigures são malvados. Depois, que os uigures eram vítimas de um han racista. Agora, que eles são malvados e espertos, sabem usar artimanhas e até a internet.

Isso lembra algo? Para mim, lembra as teorias de que o 11 de setembro foi maquinação do próprio governo norte-americano e lembra, ainda, uma repetição sem fim da expressão ataques premeditados, preferida da mídia chinesa para se referir a qualquer coisa que saia do eixo de controle do partido. Quando surgiu pela primeira vez? No famoso editorial de 26 de abril de 1989, quando o jornal voz do partido publicou falas do então presidente Deng Xiaoping, que afirmava que os protestos na praça naqueles idos eram premeditados e organizados devido a motivações antipartido e antisocialistas. Claro, agora os protestos de domingo já têm autor, a organização separatista World Uyghur Congress, liderada pela dissidente Rebiya Kadeer, que hoje mora nos Estados Unidos.

Acordar com um barulho destes na segunda-feira me faz pensar em outras questões sobre o mundo injusto e malvado. A versão oficial dá conta de que Xinjiang foi libertada pacificamente há 60 anos, coincidentemente o mesmo tanto de tempo da fundação da República Popular da China, aniversário que pode não ser muito bem-vindo, pois os tais libertados não estão muito convencidos disso. O Departamento de Estado norte-americano, por exemplo, também não está e no início deste ano divulgou um comunicado afirmando que o governo chinês estaria implantando severas repressões culturais e religiosas na região. Coincidência ou não, o centro de Kashgar, um dos mais preservados arquitetonicamente no que diz respeito aos traços uigures, foi posto abaixo porque os prédios centenários estavam para desabar. Restauração aqui ganha traços de instauração de tudo o que for han, numa preservação de história milenar sem traços que distoem dos interesses centrais.

O pulso forte em relação à região, que ocupa um sexto do território chinês – tipo assim, acho que quase a Europa inteira – tem nome: petróleo. O recurso é abundante por lá, onde também se produzem algodão e frutas deliciosas.

Pouca gente fala sobre Xinjiang, que faz fronteiras com países da Ásia Central, Mongólia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Afeganistão, além da Caxemira, aquela partezinha do globo espinhosa e causa das tensões incessantes entre Índia e Paquistão. É mole? Não, não é. Mas por que ninguém dá bola, como dá bola pro Tibete (até rimou)?

Outra vez, pensando aqui com meus botões, a problemática dos uigures não atrai olhares mundiais porque eles não têm o apelo Dalai e budista. Alguém já viu outrém levantar bandeira pró muçulmano sem ser taxado de terrorista? A antipatia global ante os seguidores do Corão é tanta que os deixem tentar sozinhos seus sonhos de independência. Buda era um cara bem mais legal e contido, apesar de gordo daquele jeito.

Fato é que nesta papagaiada toda, a única coisa que fica como lição é que as motivações são econômicas, os extremismos são religiosos e a primeira medida para que se possa apertar na repressão é calar a mídia e os ativistas. E a violência aparece como única saída numa espiral de caos e sentimento de injustiça e vitimização.

***

Para a primeira notícia sobre o suposto estupro em Guangdong, em inglês:
http://www.shanghaidaily.com/sp/article/2009/200906/20090629/article_405754.htm

Para um artigo interessante do Wall Street Journal sobre os protestos deste domingo
http://online.wsj.com/article/SB124684826272698823.html

Para a versão oficial
http://news.xinhuanet.com/english/2009-07/06/content_11658819.htm

Para atualizações interessantes via twitter
http://twitter.com/mranti

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dia de Manutenção da Internet na China

3 de junho, céu azul e calor de rachar na capital chinesa. Nas ruas, tudo normal, exceto por até agora quatro equipes de TV terem sido tiradas da praça, onde há 20 anos estavam acampados estudantes que durante a madrugada seriam enxotados dali. À força.

Comecei a manhã checando emails e redes sociais que podia e que não podia. As que não podia, por meio de sites que te ajudam a desviar proxy e vamos lá. E já me preparava para reunir o maior número de material possível, inclusive aqueles postados nas redes chinesas que, segundo minha teoria que mais tarde se mostraria infudada, só seria inacessível devido à barreira linguística.

Então, pela manhã, estava lá usando meu perfil no Fanfou.com (www.fanfou.com/janajan), a cópia do twitter cujo nome significa "Já comeu?" para procurar o que o povo estava escrevendo sobre o 4 de junho, o bloqueio do twitter e tantos outros etceteras. Eles falavam sobre tudo isso, podem acreditar, mas quentes mesmo estavam os tópicos sobre o acidente com o avião da Air France e a GM. Estavam.

Eu iria dizer que os chineses podem, sim, se expressar, que o governo estava barrando mais as vozes estrangeiras, uma interminável sucessão de teorias que reforçariam o que comecei a escrever ontem e que agora à tarde vieram abaixo.

Nem deu tempo de eu dizer que um fanfoufeiro (seria esse o termo para quem ainda não papou?) postou "Harmonizaram o twitter" e explicar que a expressão revela uma crítica social presente na internet chinesa, que ironiza os sempre reiterados pedidos do presidente Hu Jintao para que a sociedade seja harmoniosa. A gente harmoniza, mas do nosso jeito, calando quem distoa. Haja diapasão.

Como numa repetição do que ocorreu há duas décadas, quem tentou falar foi abruptamente interrompido. Desde a tarde desta quarta-feira, a maior parte dos sites chineses de redes sociais, microblog e colaborativos exibem avisos de sob manutenção.

O meu querido fanfou, espero, exibe no seu recado ironia. Ele agradece o apoio de todos os usuários e diz que a fim de melhor servi-los, tem de passar por uma manutenção técnica emergencial, cujo fim está programado para a madrugada do dia 6.

O baile segue em inúmeros outros sites chineses, mas para mim, o mais legal até agora foi o Wordku.com, um dicionário colaborativo. Eles também avisam que a manutenção técnica vai, olha que coincidência, até o dia 6, e que, aliás, estão a fazendo para respeitar o Dia Nacional de Manutenção da Internet.

Eles perdem o direito de serem acessados, mas não perdem a piada. Quer dizer, a piada já perderam, desde ontem, quando o Twitter foi bloqueado. É, pra falar a verdade, tá perdendo mesmo a graça.

**

Só pra constar• Chinese Internet Maintenance Day" (中国网站维护日)




segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um dia em branco

Os dias que precedem a quinta-feira 4 de junho de 2009 são de expectativa na China. Governo e dissidentes, gente ligada ao movimento dos estudantes de há 20 anos, esperam que o dia passe em branco. Enquanto o primeiro apenas no sentido figurado, o segundo, literalmente.

Um dos líderes de 1989, Wang Dan, deu início a uma campanha via web desde Taiwan, onde vive atualmente, para que as pessoas vistam branco na parte continental no dia 4. O branco, que na visão ocidental é a cor da paz, por aqui simboliza luto. Wang, preso por duas vezes após os protestos e finalmente exilado nos Estados Unidos em 1998, ganhou ecos de outros nomes não queridos por aqui, como o do blogueiro Michael Anti.

Anti teve o blog derrubado pela Microsoft devido ao conteúdo em 2005. Hoje, via twitter (http://twitter.com/mranti) também pediu que as pessoas vistam o branco na quinta. Para ele, aliás, tais pedidos via serviço do microblog podem terminar em breve. Segundo ele, o twitter ainda só é o twitter na China porque os sensores ainda não se deram conta de o que ele pode significar. Ou signifca.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Supersister contra Net Nanny

Você já entendeu que a China tem inúmeras restrições quando o tema é falar abertamente, né? Pobrezinha da Tânia por aqui, que me entendam os gaúchos telespectadores da TVCom. Pois bem, não bastasse desde março sermos privados da companhia do Youtube e de seus vídeos maravilhosos, desde sexta-feira passada, 15 de maio, estamos sem blogger e blogspot.

A delícia de situação é provocada pelo filtro chamado Net Nanny, ou a babá virtual, uma espécie de madrasta má, para dizer a verdade. Ela não gosta de algo, faz cara feia e nem disfarça. Manda parar de brincar. Sem choro. Mas como eu tenho meus vícios, e um deles é este blog, estou abusando de minha querida irmãzinha (http://www.mairinhanomundodalua.wordpress.com/) para que ela publique estes textos. E segue o baile.

Pergunta:

A Net Nanny vai fechar os olhos para as peraltices online novamente depois de junho ou só depois de outubro?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Gaúcha de sucesso na China



Sabe por quanto pode sair uma Melissa no site de comércio eletrônico Taobao, o mais popular da China?2.30 yuans, ou a bagatela de R$ 766.

Apesar de eu saber que se vendem as sandálias de plástico de Farroupilha por aqui, não encontrei onde. Pela pesquisa que fiz no site da empresa, não consegui encontrar. Estes modelos vendidos online vêm dos Estados Unidos e são o jeito mais fácil, até para os chineses, encontrar os sapatos nestas bandas. Ou as chinesas encontrarem, no caso.

Conversando com uma amiga minha aqui, a Aida, ela acredita que os sapatos podem fazer o maior sucesso entre as mulheres. Eu não duvido. Mas seria preciso chegar com tudo, aliviando no preço, porque estes estão salgados até pra classe média. Aliás, o valor que usei como referência é mais do que pago de aluguel.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E do Google nasceu um blog

Este post, originalmente, foi escrito para a rede Interatores. Mas achei por bem reproduzi-lo aqui. Quer dizer, fiz umas modificações no texto, mas a informação é, basicamente, a mesma.

Wang Jianshuo é um dos autores de blogs escritos por um cidadão chinês em inglês mais importantes da infosfera chinesa.

Morador de Shanghai desde 1995, Wang escreve desde 2002 todos os dias. O Google foi decisivo. Em 2000, ele havia escrito sobre o aeroporto internacional de Pudong, em Shangai. Publicou em algum canto da internet e um dia, ao fazer um busca no Google sobre Pudong, percebeu que havia apenas um texto em inglês sobre o local. O dele. Então decidiu que escreveria em inglês um artigo por semana. Eu achei tri bacana a história.

Pra melhorar, como veio o blog? Em 2002, recebeu um pedido de entrevista e concedeu. Só depois percebeu que não estava falando para um jornalista no sentido mais formal da palavra, mas para um blogueiro. E aí ele se encantou com o maravilhoso mundo das possibilidades de dividir o conhecimento com um determinado grupo de interesse.

Que grupo seria esse? Bueno, escrevendo um artigo por dia, parece que Wang escreve sobre tudo um tanto. É mais ou menos assim, mas não bem isso. Segundo ele, os temas escolhidos têm de ter a ver com Shanghai e têm de afetar a vida das pessoas de alguma forma. Sejam elas moradoras, turistas, gente de passagem pela cidade.

E eis o nosso garoto Microsoft, agora Ebay, mandando ver na informação. Anyway, o Google já te fez achar um nicho?

terça-feira, 21 de abril de 2009

A febre internética chinesa da semana

O blogueiro chinês Ruan Yifeng postou fotos digamos interessantes eu seu blog, sem identificar a fonte, sem dizer o porquê. Trata-se de uma série feita em um hotel de quinta (e que muito me lembrou o quarto onde dormi há coisa de duas semanas, quando fui roubada).

Especula-se que possa se tratar de uma promoção para um filme ou algo do gênero, mas é febre na infosfera chinesa. Aliás, especula-se que a jogada seria mesmo trabalhar com a divulgação viral tão comum à rede.

E de febres internéticas todos entendemos. A Susan Boyle, inclusive, já veio parar no Youku, o Youtube chinês, megapopular ainda antes de este segundo ser banido (viu uma lágrima escorrer no canto do meu olho esquerdo? ).



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Vamos às fotos? Sério, eu achei megadivertido.

A primeira já começa provocando


Filmes eróticos ou pornográficos são proibidos na China. Filmá-los também, lógico


Aos pés da mocinha drogadita, garrafas de Tsingtao, a cerveja nacional


Tsingtao pra gurizada


Sei lá o que esta dupla tá fazendo, mas o que tem de jornal


Em cima da mesa, potes de massa instântanea, comida baratinha e vendida em qualquer biboca na China


O velhinho mais do que curioso não é tão amado assim, mas que fofo os dois estarem com uma sacola em que se veem os Fuwa, os mascotes da Olimpíada 2008. Nada mais sinocontemporâneo


Esqueçam o só depois do casamento. Sexo aqui existe entre os jovenzinhos da escola, sim


Nosso intrépido homem da tesoura cuecas homem-aranha tem as costas manchadas porque se submeteu há pouco a uma sessão de baguan, ou ventosas, a mesma que farei na próxima quinta-feira. Super MTC, ou Medicina Tradicional Chinesa


O aparato da sadomaso pode ter sido comprado ainda na entrada do hotel. Beijing deve ser a cidade com mais sex shop por metro quadrado do mundo


Bueno, graças, nunca vi policiais atuando neste tipo de situação. Passo o jogo de fotos com características chinesas


Aqui, representantes dos milhões de trabalhdores da construção civil, as massas instantâneas novamente e cigarro, o que não falta em lugar nenhum. Até sobra

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mania



Comecei a ver no twitter, passou pro Facebook e foi parar no msn. Daí resolvi fazer o meu, que está aí acima. Quer um? Só clicar aqui.

O engraçado é que o site faz um alerta antes de mandar a tua versão em mangá via e-mail, a de que uma vez feito o desenho, este é irreversível e para sempre. Até parece tatuagem. :)



Esses aí são de outras quatro amigas. Será que vocês adivinhariam quem são?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

As brincadeirinhas de Patrícia

A Patrícia é o tipo de garota que você conhece e aprende a gostar logo. Nem que esse logo demore uns seis meses, como foi o meu caso. Quer dizer, o não ter gostado antes não foi questão de antipatia, apenas pura falta de oportunidade. Agora eu já sei que ela é a amiga aborígene uberzegzy com quem você come e bebe na árvore.

Sim, talvez nada disso tenha feito sentido pra você, mas fato é que toda a sexta-feira Patrícia vem com suas brincadeiras no Facebook. Hoje ela adiantou para quinta-feira, eu resolvi copiar e colar aqui.



Top 5 - current cute songs I can't stop playing

Patricia Camelo at 18:21 on 02 April
+ Phoenix - 1901
+ The Magnetic Fields - I don't want to get over you
+ Shout Out Louds - Tonight I have to leave it
+ Julieta Venegas - Me voy
+ The Whitest Boy Alive - Figures


Janaina Camara Da Silveira at 18:33 on 02 April
+ Phoenix - 1901 (Patricia, Patricia) (www.wearephoenix.com)
+ Tonho Crocco - Teto Solar (www.tonhocrocco.com)
+ Beck - Girl (www.beck.com)
+ Cachorro Grande -Velha Amiga (www.cachorrogrande.com.br)
+ Bob Dylan - Spirit on the Water (www.bobdylan.com)

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If you wanna go on it, just check on websites. They have the musics

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I'm traveling by land
Traveling through the dawn of day
You're always on my mind
I can't stay away


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E você, tem vontade de me dizer quais são as músicas fofas que não saem da sua radiola no momento?

terça-feira, 24 de março de 2009

Sem Youtube

De quais sites você, meu querido leitor, depende para viver?

Se depender de Youtube, estarás com problemas por estes dias na China. O portal foi bloqueado, sem motivo aparente. Poderia ser por causa de protestos envolvendo tibetanos no Tibete e mesmo em outras regiões chinesas, como Qinghai e Sichuan. Ou devido a vídeos sobre o embróglio envolvendo norte-americanos e chineses no Mar do Sul da China.



Fato é que ninguém sabe ao certo por que não temos Youtube por aqui nestes dias - senti falta nesta segunda-feira, 23 de março. Esta foi a segunda queda no mês de março, obra do Great Firewall of China (um trocadilho para Great Wall of China, ou a Grande Muralha).

Pois o GFC, como é carinhosamente chamado pelas próprias vítimas que vivem por aqui e o mecanismo mais popular no exterior, não é o único sistema de controle sobre o que passa e o que não passa na internet de cá. Ele consiste em bloquear sites e portais inteiros, como o caso do Youtube, mas somente para os internautas que estão dentro da China continental (e que não possuem um endereço de IP falso, como um norte-americano, que engana o controle).

Claro que quando ocorrem estes bloqueios em megaportais, há apenas alguns conteúdos que incomodam, mas se toma a parte pelo todo e se derruba o acesso. Simples assim. Era isso o que ocorria com todos os blogs hospedados no Blogpost, por exemplo, que ressuscitou no ano passado, ou no Wordpress, que apareceu como um milagre na última semana. O GFC é um mecanismo sensível, que permite e bloqueia sites conforme o humor. O mau humor pode levar horas ou anos, o que me leva a crer que o GFC tem belas crises de TPM. PQP!

Ah, o GFC tem um quê de ironia. Na maior parte das vezes em que o acesso é bloqueado, ele tenta disfarçar a censura mostrando mensagens de erro que atribuem o fato a problemas técnicos na rede chinesa.

Hoje, os internautas chineses se referem mais à Net Nanny, uma espécie de babá virtual, mas com todas as características de governanta má. A partir do olhar inquisidor da Net Nanny, o que ocorre é até auto-censura, ninguém quer se expor demais. Auto-censura, neste caso, significa a não publicação de conteúdos. O conteúdo, assim, não é eliminado, ele simplesmente nunca vai ao ar. Logo, nem aí nem na China você verá o que poderia estar vendo caso não houvesse assuntos proibidos e sensíveis ao governo chinês, que age no mundo virtual por meio da Divisão de Gerenciamento de Internet do Departamento de Informação do Conselho de Estado.

Um terceiro mecanismo na web chinesa é a Manipulação de Mecanismos de Busca (SEM, na sigla em inglês para Search Engines Manipulation). Aqui na parte continental, o SEM esconde conteúdos, deixando alguns sites invisíveis. É o preferido de Nanny. Ouve o que a governanta má tem a dizer e harmoniza os resultados das buscas dos internautas de acordo com o que os internautas chineses podem ouvir e ler.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ele voltou

Alexandre Almeida vem e volta do blog (dele), e a cada vez que volta, eu adoro. Hoje ele nos brinda com dois textos gigantes e adoráveis. Um deles caiu como uma luva, reproduzo o trecho aqui, sobre uma discussão surgida nos tempos do mestrado:

"Dizia-se que quem vem à China por um mês pode escrever um livro; quem vive cá um ano pode escrever um artigo; quem vive dois anos, pode escrever um parágrafo; e quem estuda a China durante muito tempo não consegue escrever nada. Estou a sentir esse processo no sangue".

Bueno, ele cá está há sete anos, talvez quase oito, e pode até sofrer o tal processo no sangue - como nós, brasileiros, talvez sentíssemos na carne. Mas a cada vez que arregaça as mangas e conta experiências no blog, deixa um pouco a impressão de que a tal discussão tem seus quês de verdade, mas tantos e tantos outros quês de mentira.

Impossível não se surpreender com a China e eis aí o material farto para quem transforma uma primeira olhada num relato escrito. São tantos os contrastes que fica difícil para o observador atento e talentoso fugir do desejo de escrever. Pensando no Alexandre e nos portugueses, parece-me que a única dica para este panorama fragmentado e fugaz (estou levando super a sério a coisa de um mês de China) vem de outro português, o Pero Vaz de Caminha, o gajo que se encarregou de escrever a Portugal o que recém haviam descoberto no que ainda não era Brasil, mas Terra da Vera Cruz.

"Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para alindar nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu", advertiu Caminha à Vossa Alteza, Dom Manuel I. Uma reprodução do documento original você vê aqui embaixo.



O fenômeno chinês, no entanto, é visto por mim de outras formas. Por mais efêmera que seja a passagem aqui, um visitante curioso se traveste de sinólogo, esquecendo-se de que, apesar da boa vontade, traz consigo enormes ignorâncias. Caminha explica que não quer alindar nem afear, e vai contar o que vê e o que pensa. Pois outro fenômeno dos sinólogos de ocasião, segundo prisma pelo qual vejo e percebo, esquecem-se de se apropriar deste pedaço de mundo a partir das suas próprias sensações e tornam a papagair mitos e preconceitos em relação aos chineses em suas próprias línguas, com toques ora mais irônicos, ora mais sóbrios, ora mais relaxados. Mas quase tudo, repito, já dito.

O que se repete? O estranhamento causado pelos molhos, sabores, temperos e ingredientes da culinária chinesa, das peculiaridades dos hábitos cotidianos chineses e das implicações políticas e socioeconômicas vividas pelo país após a fundação da Nova República pelo Partido Comunista da China, em 1949. Partem-se destes olhares para dar um giro de 360°e voltar ao mesmo lugar. E pronto, temos o livro.

No fim, parece-me, muitas vezes variações sobre o mesmo tema - e isso pode se aplicar a blogs, pílulas de futuros livros, salvo exceções, óbvio. Talento está aí para isso. Para mim, no entanto, dose de talento com base e conhecimento de causa garante uma fórmula certeira para uma análise interessante, um discurso mais profundo e maduro. Eis aí porque gosto de ler o Alexandre, eis porque adoraria lê-lo com mais frequencia.

Aliás, imagino que você também gostará, então se perdeu a oportunidade lá em cima, deixo aqui novamente o link. Não sem antes brindá-los com o espanto - e a ironia - do nosso distante Caminha, ao falar sobre as índias que encontrou no Brasil.



"Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.



E uma daquelas moças era toda tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que a muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela".



As fotos são do Mário Vilela, da Funai. Aliás, a marca d'água ridícula em cima das fotos lindas já denuncia que as imagens são da Fundação Nacional do Índio.

Quando eu amo o Google

Coloquei duas agendas na barra da direita do blog, uma com eventos aos quais gostaria de ir aqui na China e no Brasil. Estão separados por país e respeitam o fuso horário local.

O mais legal é que o Google acha o mapa dos locais. Das três inserções que fiz até agora, todas estavam corretas. Que tudo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Febre de Quizz

Ali no facebook, existe uma febre danada por Quizz. Eu fiz vários e achei a maioria superengraçado.

Começamos bem. I'm Still Standing, do Elton John, é a minha música. Desliguem o rádio, plis! Se eu fosse um personagem da Disney, seria a chinesinha Mulan (pra ir até as últimas consequências lutando pelo meu amor).

A Mulan, no caso, teria nascido na Noruega, falaria espanhol e morarai em Seatle.



A favor da coitada romântica que tem de suportar Elton John nos ouvidos, está o fato de ela estar entre os 5% top top na hora de fazer sexo. Se fosse uma estrela sexy, ela seria Audrey Hepburn, devido à doçura e à delicadeza. E, bueno, a belga era também lembrada pela elegäncia, o que muito me agrada. Aliás, a Audrey fora das telas é encantadora, visite o site oficial pra saber mais.



Sexo, açúcar e romantismo misturados transformaram nossa Mulan sino-latina em Hamlet, caso ela fosse um personagem de Shakespeare. Indecisão, ser ou não ser... Como profissão, a que melhor se apresenta é o cargo de presidente. Simples assim.

Bueno, talvez não seja fácil chegar lá, pois poucas pessoas conseguem descobrir o caráter inventivo que existe em Mulan, porque, caso fosse uma figura histórica, ela seria Leonardo Da Vinci.

Adorei a descrição do homem que vai despertar a Mulan romântica em mim:

Meu coração pertence a alguém com ritmo

Meu futuro amor deverá ser alguém com talento. Alguém que possa driblar a falta de tempo pra fazer esta relação funcionar. Eu e este cara temos algo de realmente importante nesta vida em comum.


Que lindo, adoro talento e criatividade. E ritmo é comigo mesmo.

Pra encerrar este post, adoto um que de noruguês, aproveito a deixa musical britânica para mostrar algo de bom feito por aqueles pagos para contar uma história de romance - mas nada tão grave assim. Norwegian Wood, by Beatles, com vocês.

terça-feira, 10 de março de 2009

单位

Danwei (单位) é unidade de trabalho em mandarim.

Poderia significar apenas isso, o local onde se trabalha. Mas o apelo é mais forte, e quem explica é a Lijia Zhang, uma jornalista chinesa por quem estou apaixonada. Estou lendo Socialism is Great, o livro em que ela conta o começo da vida profissional em uma fábrica chinesa no final dos anos 1970.

Naqueles tempos de controle forte sobre a vida do cidadão, era por meio do danwei (ou 单位) que o governo mantinha o vivente na linha. O documento indicava exatamente o local de trabalho do cidadão - o número da unidade para a qual servia -, o que, na prática, não só garantia acesso à previdência social, mas o direito a casar e ser cremado ou enterrado em caso de morte. Trivialidades...

Pois um dos sites chineses mais bacanas que conheço adotou não só o nome Danwei, como a ideia de formar uma unidade de trabalho. Ali, estão reunidas discussões - mas em inglês - sobre mídia chinesa, propaganda e a vida nas grandes cidades. Imperdível.

Todos os anos (e eles estão ativos desde 1990, então entendem do riscado), eles escolhem os melhores blogs em inglês sobre a China, basicamente Trabalhadores Modelo para a Unidade de Trabalho. Quem quiser ver, pode clicar aqui.



Os tais trabalhadores modelo é outra herança do conceito de 单位. Minha amiga Zhang foi indicada uma vez para o posto, mas, na época, não levou a distinção devido a uma jaqueta de oncinha que costumava usar e que era muito padrão burguês ocidental para a concepção do chefete recém saído do casulo forçado imposto aos chineses nos anos de Mao. Comportamento padrão dentro da fábrica, mas trajes adequados fora dela. E quem liga para uma certa divisão entre vida privada e profissional?

No site, os editores pegaram o conceito de Modelo emprestado e embarcaram de vez na ironia. Segundo eles, os ganhadores são escolhidos pelo Comitê Central do Danwei, sem nenhum tipo de democracia ou votação envolvidas.

Zhang conta no livro sobre o momento em que disputou a vaga com outra colega. "Os nossos nomes foram postos em consideração. A eleição era um exercício de democracia centralizada, democracia sob orientação central, com o líder sempre tendo a palavra final - esse era o jeito como a China se movia". Bueno, pelo menos no site não há pretensa participação.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um primeiro-ministro internético


Wen Jiabao (温家波), o primeiro-ministro chinês, é conhecido aqui na China pela simpatia e pela maneira afável, bonachona, com que trata os chineses. Hoje ele quis ser moderno também e participou pela primeira vez de uma entrevista online.

Apareceu de tudo, como dúvidas em relação ao salário de um premiê, se ele alguma vez na infância havia almejado chegar ao cargo e até uma pergunta infame perguntando o quanto - e quando - de álcool ele bebe, comparando-o a um dos antecessores, Zhou Enlai (bueno, não sabia que o amigo do Mao tinha fama de bebum, mas vai ver que tem). O episódio do sapato arremessado contra ele em Cambridge no início deste ano também veio à baila.

A preocupação central, no entanto, tem a ver com empregos e crise. Ou a falta de emprego e a necessidade de se ampliar o consumo. Apesar de até agora 15,3% dos 120 milhões de trabalhadores migrantes terem abandonado as cidades para voltar às suas aldeias, no chat quem mais perguntava sobre o tema desemprego eram jovens recém saídos da faculdade e também ainda sem ocupação. Aliás, a quantidade de perguntas de jovens pode indicar que a rede é mesmo popular nesta faixa estária.

A China, como diversos outros países, vê o desemprego afetar prioritariamente duas esferas diferentes da sociedade, os pouco instruídos trabalhadores migrantes (mão de obra barata para pegar no pesado) e os graduados ainda sem experiência profissional.

Wen não foi lá muito otimista. Disse que a crise está longe de acabar e que o caminho para superá-la será árduo. Sobre as decisões do governo acerca da questão e de outras más, ele disse que os cidadãos têm o direito de criticar e expressar suas opiniões.

Zona Política Especial

O fórum para a declaração de Wen acerca das críticas populares parece adequado. A Internet é vista na China como um espaço de construção democrática e de discussões que levam a decisões políticas, inclusive. Inclusão digital...

A coisa é levada tão a sério que o espaço, mesmo controlado por diversos filtros impostos pelo próprio governo chinês, é chamado de Zona Política Especial, uma referência às Zonas Econômicas Especiais, as cidades chinesas que têm status diferentes das demais e que, na prática, detém mais flexibilidade na hora de negociar com o Exterior. O modelo foi implantando no país pela primeira vez há 30 anos, mais ou menos.

Os chineses, que aprenderam que podem criticar, também aprenderam ser irônicos. Quando querem falar de algum tema mais sensível, usam a expressão hexie. Um chiste com o significado "harmonioso" que hexie pode encerrar, se grafado 和谐. É assim que o presidente, Hu Jintao, classifica a sociedade da China, uma sociedade harmoniosa - e é neste caminho que ele busca apoiar suas políticas. Os sensores, ao descobrirem que a harmonia pretensa dos internautas trazia vozes dissonantes àquelas almejadas pelo poder central, começaram a censurar mensagens e sites que continha a expressão. Mas o mandarim permite que um mesmo som tenha outro significado - e, na grande maioria das vezes, isso é escrito com diferentes caracteres. Agora, para marcar temas sensíveis, os internautas usam o mesmo hexie, mas para significar caranguejo do rio: 河蟹.

Aberto a críticas

Wen Jiabao disse estar aberto a críticas, não é mesmo? Um internauta aceitou a provocação do premiê. Há poucos dias na China ele provocou polêmica a ajudar com dinheiro uma criança portadora de leucemia de uma província vizinha a Beijing, Hebei, a garantir vaga e tratamento em um hospital da capital.

Durante o chat, Wen teve de admitir que não basta um primeiro-ministro bom, mas é necessária a constituição de um sistema médico que satisfaça as necessidades da população. A China tem 4 milhões de crianças com leucemia. O tratamento para cada uma é avaliado em quase US$ 15 mil. Wen, aliás, doou US$ 1,46 mil à paciente em questão.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Comer, comer


Este post é só para dar uma dica deliciosa: a reunião dos melhores blogs grastronômicos do Brasil numa só página. Fiquei com água na boca, depois de roubar a dica ali do Sérgio.

Engraçado é como há posts sobre comida chinesa, especialmente porque com a chegada do Ano-Novo chinês, teve muito blogueiro que resolveu aproveitar a data para se aproximar da culinária deste lado de cá.

Aqui tem uma história bacana do jornalista Daniel Buarque, que foi ao Chi Fu, restaurante chinês no bairro da liberdade, em São Paulo - que eu não conheço, mas fiquei com vontade de desde que o Sérgio havia me falado sobre ele.