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quarta-feira, 11 de março de 2009

É bom viajar

Viajar é uma das melhoras invenções do mundo.



Nós brasileiros temos de agradecer ao ímpeto português de percorrer mares. Afinal, não fossem eles, nós não seríamos os brasileiros. Falamos um português diferente, maroto, enviesado, ou qualquer outra coisa que o valha. Nos apropriamos do caldo português, entornamos a mistura, botamos mais água para ferver bem e, no final das contas, com pitadas de exagero tropical, aprendemos, entre tantos outros, o valor de uma saudade.

Há quem sustente que somente os portugueses poderiam ter inventado a palavra saudade. Passavam tanto tempo a ver navios, longe de casa, saudosos de algo familiar, que precisavam batizar o sentimento. Pois foi por misto de saudade com certa familiaridade - ainda que apenas linguística - agora sem acento - àquele tempo que conheci o Paulo em Chengdu, capital da província de Sichuan.

Português viajando não seria bem uma novidade, mas parece que uma brasileira por aquelas bandas era coisa meio rara, tanto que o dono do bar onde estávamos, o Pepe (esse é o nome do dono, não o do bar), veio me falar, assim que soube minha nacionalidade:

- Quero que você conheça o Paulo, ele mora aqui e está com saudades de falar português.

Feito, conheci o guri, que é gente boa pra caramba e no dia seguinte já estava num restaurante com ele e os amigos, donde seguimos para uma danceteria. Os nomes, esqueci todos, tanto dos lugares, quanto dos amigos. Pra minha sorte, mantive contato com o Paulo, e vez que outra nos falamos via msn. Aqui ao lado na lista, tem o blog dele. Ali mantenho um baita contato, fico sabendo das andanças do moço.

Ele é português... curioso por conhecer lugares! Mas melhor do que isso, ele ainda partilha as experiências, que se revelam deliciosas em fotos lindas e textos leves.



Vez que outra ele fala do cotidiano, afinal, descobrir o novo é também olhar ao nosso redor - especialmente quando estamos em outro país. Mas agora, especialmente, está contando a viagem que fez nas últimas férias.



O mapa que abre este post - e mostra o roteiro percorrido pelo Paulo, cujo sobrenome é Xavier - te interessou? As fotos roubadas lá do blog do Paulo te chamaram a atenção? Não perca tempo e clique aqui para saber mais e mais o que este gajo está a contar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O mundo lusófono está na China


"É um ópio...esta China! Que o vício da escrita (e o da leitura também) venha dar a este blog!". É acertando na mosca em relação ao ópio que é a China e pedindo leituras e escritas viciantes que a jornalista Vera Pêneda apresenta o seu De olho no Dragão.

Eu ontem estava procurando mais e mais blogs em português que falassem sobre a China (até agrupei-os na lista aí ao lado) e me deparei com o De Olho. A Vera é conhecida desde os tempos que chegou a Beijing, amiga de festas, amiga de outras horas. Mas não sabia que ela tinha um blog. Foi depois de buscar referências em Macau que descobri o diário desta jornalista portuguesinha que está por estas bandas há bem mais de um ano.

Minha intenção é, mesmo que os links estejam ali ao lado para vocês clicarem, falar um pouco de por que escolhi os blogs que estou recomendando. Algo como: leiam porque eu acho isso. Tudo bem, minha opinião pode até nem ser tão válida, mas se você está me lendo por aqui, imagino que dê bola para o que eu penso.

O blog da Vera tem inúmeras coisas giras. O layout é agradável, só pra começar. Os textos são uma delícia e a construção tem uma unidade que poucos conseguem dar, especialmente porque a moça é fã do teclado e digita posts grandes. Mais do que recomendadíssimos. Leitura é um vício, a Vera já avisou.

Para mim, outro destaque nos textos da Vera são a diversidade de temas que ela aborda e a quantidade de fontes que usa ao discorrer sobre os temas. Trabalho de quem pesquisou, se interessa, conhece e quer dividir o que sabe. Eu virei fã, irei sempre lá me informar mais e mais.

E, bom, tem mais uma coisinha. Ler em português de Portugal é um prazer por si só. Parece que a língua tem um tratamento mais elegante. E, claro, vários "c" que eu não sei pra que servem, de facto, mas que fazem parte da prosa escrita dos nossos lusófonos europeus.

Bueno, chega de ler sobre a Vera aqui. Quem perdeu a chance de clicar lá em cima, agora não tem mais desculpa. Tó o link!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Eu e o português

Paulo:
o que vais fazer no feriado?

Jana Jan:
ficar por aqui. nao gosto de viajar no feriado.

Paulo:
eu entendo.. é a pior época para viajar. cheio de chinocas em todo o lado

Jana Jan:
exato. chinoca la na minha terra, rio grande do sul, significa put*

Paulo:
ahahaha. nao sabia

Jana Jan:
ahan

Paulo:
para nós é chinês, só

Jana Jan:
as diferencas do portugues

Paulo:
isso já nem é português.. é dialecto de rio grande do sul!

Jana Jan:
haha, como pandorga, que significa papagaio. soh se usa no rio grande do sul

Paulo:
nunca tinha ouvido

***
Aliás, um pouco mais sobre pandorga aqui

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O mundo na China


Diliana é uma búlgara que veio à China mostrar a bossa no jazz
Foto: Arquivo Pessoal/China in Blog

Dia desses conversava pela internet com meu amigo português Ricardo, que vive aqui em Beijing. E ele sai com esta pérola - quase nestas palavras, vou tentar reproduzir da forma mais fiel possível:

"Jana, tive de ler duas vezes esta mensagem para entender. Quer dizer que tu vais encontrar uma búlgara quer quer aprender português na China porque gosta de música brasileira"

E eu disse: "Sim!".

Bueno, havia conhecido a Diliana Georgieva numa sexta-feira, numa apresentação de jazz por aqui. Fomos apresentadas e na quarta seguinte estava na casa dela para dar umas dicas de português e dirimir algumas dúvidas dela, que estuda português online e por meio de dicionários.

Ah, o dicionário! Eis que todo o dicionário tem ao lado da palavra os sinais gráficos que representam como é o fonema, o som que devemos pronunciar. Então, lá foi ela pedir pra pronunciar "divertido". Ok, divertido bem do jeitinho que gaúcho fala soou estranho pra ela:

- Mas não é diverrrrtido? - perguntou ela, num sotaque meio carioca.

Bom, expliquei as diferenças de sotaque no Brasil, mas nunca pensei que explicar português significasse também uma aula sobre a cultura das diversas regiões do nosso país. Claro, além do "r" puxadinho carioquês, ela tinha uma lista das palavras mais usadas no "Brasil". Querem ver? Óculos de sol, prancha de surf, praia, areia.

Bem, acho que tá mais pra praia do que pra o país inteiro, não acham?
;)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Português e brasileiro em Macau?


Estive em Macau no ano passado. Precisava ir, não acham? Lugar onde se fala português em plena China é imperdível, né? Olha, bem, não é bem assim falaaaaaaaaaaaar português. À exceção das placas (algumas escritas em português errado), só quem é de Portugal, do Brasil ou estudante de língua portuguesa pra se comunicar nesta língua.

De resto, esqueça. Nem mandarim rola muito, pois o povo lá fala mesmo o cantonês. Eu quero contar mais pra vocês sobre Macau. Mas hoje vou ficar no Orkut, na geografia e nas explicações.

As explicações
Estava eu na rede de relacionamentos pra achar brasileiros perdidos por aqui - e que poderiam ser fontes minhas, ou inspiração, ou novos amigos - quando me deparei com a comunidade Brasileiros em Macau (para este link funcionar, é preciso estar registrado no Orkut). Não tive dúvidas. É aí que eu vou achar uma galera bacana, pensei, ao ver a foto que identifica o grupo: uma bandeira brasileira mixada a de Macau. E eis um tópico interessante: Sou de Macau. Pensei: "Nossa, tem filho de brasileiro nascido em Macau. Que doido! Que passaporte deve ter esta pessoa?" Já tava eu doida pra descobrir tudo sobre o cara.

É aí que entra a Geografia... O amigo confundiu totalmente o Macau chinês a Macau, que fica no Rio Grande do Norte - e cuja existência, aliás, eu ignorava.

O amigo explica que trabalha em Quixadá (Ceará) e manda um abraço a todos os macauenses. Até estas alturas, eu ainda estava mega-curiosa pelo suposto brasileiro nascido na Macau chinesa, que havia retornado ao Brasil. Aí outra pessoa foi ao tópico e explicou a diferença (pra mim e o amigo também perdido na geografia) entre as duas cidades. A parte mais engraçada, pra mim (azar, eu achei, sei que não é exatamente politicamente correto), foi um moço espirituoso, ao tirar uma ondinha no mesmo tópico: "Maldita inclusão digital".