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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Zou Bah!

Para você, o título aí de cima pode não fazer muito sentido, mas quer dizer "vamos lá", em chinês. O Bah do final só confirma uma lenda: a China é mesmo gaúcha (alguém já ouviu falar nesta lenda?).

Bueno, não importa. O que importa é que Beijing vai ficar ainda mais gaúcha no dia 5 de setembro, um sábado, quando as três gauchinhas Fernanda Morena, Paula Coruja e esta que vos escreve tomarão as pickups do Obiwan, bar bacana do mundo underground, cult ou qualquer que seja o rótulo moderninho que você queira dar. Sim, tudo isso existe por aqui.

A trilha sonora do passeio pelo indie rock e outras viagens musicais tem forte influência de casa - para matar a saudade e mostrar com quantos paus se faz rock and roll, já disse o Flávio Basso. Mas não é só de Cascavelletes que a gauchada alimenta iPods e quetais, então os gringos daqui curtirão ainda Cachorro Grande, TNT, Bandaliera, Ultramen, Damn Laser Vampires e outra penca de gente.

Enough of samba é o nome da festa, por razões óbvias. O pezinho na quadra, na roda faz parte da nossa cultura, mas está na hora de ampliar os horizontes do cavaquinho e do pandeiro, dum banquinho e violão da Bossa Nova.

Para botar um tempero neste mix bairrista, as moças vão mostrar novidades do rock n'roll, num passeio que vai das bandas chinesas P.K.14, Snapline, Tookoo e Carsick Cars às francesas Noir Désir, Les Innocents, M e Vive la Fête. Velharia também tem vez, porque AC/DC, Joy Division, The Clash, Beatles e Hendrix nunca fizeram mal a ninguém.

Minhas companheiras de balada também fervem na cena cultural chinesa – e mostram o que veem por lá na infosfera. Fernanda edita e produz o Bsides, site com versão em português (www.bsideschina.net) e inglês e chinês (www.bsideschina.com) sobre cultura pop e contemporânea, enquanto Paula mantém o olho atento no que rola por pelo www.comendodepalitinho.blogspot.com.

A criação do flyer da festa, que está circulando nas revistas, sites e bares de Beijing, também é dos pampas. A assinatura do layout é da Renata Dihl, do www.gaiacriacao.com.br.

Aqui, uma das revistas: http://www.cityweekend.com.cn/beijing/events/51682/?most_viewed=1

E, claro, sem o Melão, nada disso estaria acontecendo tanto assim.

:)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Um restaurante

Dali Courtyard 北京 (caracteres que significam Beijing) é um dos melhores restaurantes a que já fui na capital chinesa. Por menos de R$ 40, incluindo uma bebida, você faz um passeio gastronômico pelo sudoeste do país, mais precisamente à província de Yunnan, que faz fronteira com o Vietnã. Dali é o nome de uma cidade da região.

O restaurante fica no hutong Xiaojingchang, na região de Gulou, próximo a Nanluoguxiang, uma das ruas de bares e restaurantes mais cool da cidade. Ficar dentro do hutong, as antigas vilas da capital, neste caso, significa ser construído numa casa que preserva o mesmo design daquelas construídas séculos atrás, conhecidas em chinês como siheyuan (四合院) - nome que se refere aos quatro pontos cardeias, leste, sul, norte, oeste. Em termos bem simples, é uma caixa com um jardim no meio. E mais explicações ficam para outro post, porque agora nós vamos falar de comida.

Dali tem mais de 4 mil anos de história e reúne 25 minorias étnicas da China, entre as quais a Bai é a maioria, representando 65% da população. Hoje, a cidade é paraíso de hippies mochileiros, um tanto pela natureza, outro tanto pelo astral, que dizem ser ótimos. Eu nunca fui. Ainda!

Fato é que a comida de lá é maravilhosa. Ou a comida de lá servida em Beijing. Se você pensa em uma comida chinesa muito saudável, certamente irá procurar pelos sabores de Yunnan.

O restaurante a que fomos tem uma regra especial. Você não escolhe os pratos, apenas informa aos garços se tem alguma restrição alimentar. Não tendo, prepare-se para uma um banquete de delícias. Ontem começamos com uma salada de tofu em lascas, numa espécie de talharim, temperado com vinagre e hortelã. Tivemos ainda carne de gado, macarrão de arroz frio temperado com pimentas vermelhas e... um camarão a vapor temperado com folhas de limoeiro que vou te contar. Come-se de joelhos.

O mais legal do restaurante é ir no verão, quando a gente senta ao ar livre. O único truque é ligar para reservar, sob pena de você chegar e bater com a cara na porta. Se estiveres em Beijing, aqui está o site. Pegue o telefone e vá com fome, muita fome. Ah, para beber, a cerveja Dali é a pedida.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Massinhas chinesas

Dia desses fui a um restaurante chamado Loft MianKu (escrito assim em madarim: 面酷), um local onde se comem massas (mian) oriundas da província de Shanxi (山西). A região, famosa pela produção de carvão, também responde pelos mais deliciosos vinagres da China. E vinagre é assunto sério nestas bandas. Vai com a massa, com saladas, com jiaozi - os famosos gyoza, como ficaram popularizados no Brasil.


O restaurante tem um astral muito peculiar. As paredes são pintadas num clima meio grafite. Panelas imensas com água fervendo lembram os restaurantes de lamen (ラーメン) que encontramos às pencas no Japão - pra quem está em São Paulo, a dica é ir ao gracinha Aska, na Liberdade.



Voltando a Beijing, o MianKu se notabiliza pelas massas feitas na hora, o que inclui modelar os pedaços em frente aos clientes. De um pedaço considerável de massa saem deliciosos espaguetes, bastando para isso que o cozinheiro antes se dedique a um intrincado estica e puxa - a expressão notabilizada pela Xuxa, vejam só.

Para quadradinhos, pega-se uma tira e vai-se arrancando nacos quadrados até que todo o pedaço tenha ido parar dentro d'água. Outro show. Tem foto aí abaixo, mas ao vivo é bem melhor. Quem diz isso acho que é o Faustão. Nossa, que fase a minha.



Uma das especialidades da casa é o macarrão de espinafre. Um fio comprido, comprido é cozido junto (sério, as massas ficam menos de dois minutos na água fervente, al dente, al dente!) e depois colocado inteiro no prato. Comprido é tipo uns 2 metros, imagino. Pois no dia do aniversário, o vivente tem de comer o fio de massa de cabo a rabo sem quebrá-lo ou mordê-lo, a fim de garantir que terá uma vida longa e sem percalços. Haja coração! Ai, não, Galvão Bueno só poderia aparecer por aqui pra indicar que esta é a rua onde fica o Aska, no número 466 (e pra quem perdeu o fim da meada, o Aska é o restaurante de lámen em São Paulo).

Bueno, o MianKu tem características chinesas que vão além da feitura das massas e do vinagre como condimento especial. O horário é o de jantar chinês, o que significa que é melhor nem pensar em ir até lá se já tiver passado das 21h30min. O preço segue os padrões chineses e, com duas cervejinhas por pessoa, a refeição custa uma média de 60 kuais, ou em torno de R$ 20.

Aqui abaixo, você vê dois tipos de massa, a de espinafre e um espaguete. Ao lado, estão diferentes molhos que acompanham. Você pode escolher entre sabores como refogado com carne de gado, beringela em conserva, entre outros. A pequenina chaleira - marrom que se vê na foto - traz o vinagre.



Pulinho no Japão

Se pela China as massas de Shanxi fazem sucesso, no Japão são as de Kyushu que têm boa reputação. O nome remete à ilha mais ao sul do arquipélogo, considerando-se as principais do país, que incluem ainda Hokkaido, Honshu e Shikoku.

O lámem de lá é o tonkotsu ramen (os japas escrevem ramen, e em katakana fica assim: ラーメン), massa também al dente cozida num ensopado consistente de porco. Na hora em que o prato é servido, dá-lhe fatias de porco para completar o visual e o sabor.

Quem estiver por Tokyo ou de viagem marcada para lá, é bom guardar o nome Kyushu Jangara Ramen, que em japonês é escrito assim 九州じゃんがらラーメン. Espalhado pelos principais bairros da capital japonesa, como Harajuku e Shibuya, a rede é simplesmente deliciosa - Taihen oishi desu!

Dica: o cardápio vem só em japonês e escolhido o prato, você faz o pedido no caixa e paga antes. Depois fica atento até o cozinheiro chamar.


De volta pra casa




Depois do passeio oriental, observe como terminou a noite no MianKu.




Enquanto os meninos que antes preparavam a massa matavam a fome,



outros davam um jeito de deixar tudo limpo pro dia seguinte.



Achei o maior barato a limpeza. Juro.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

奥巴马入主白宫


Os sete caracteres aí de cima devem ser lidos assim: Aobama ruzhu BaiGong. Pra quem precisa de tradução, aqui vai: Obama dono da Casa Branca.

Nesta terça-feira, o afrodescendente se tornou o 44°presidente norte-americano, mas isso todo o mundo já sabe, tamanha a repercussão da posse em Wanshington. Só no local, segundo li em jornais por aí, havia 2 milhões de pessoas enfrentando o frio para ver o moço de perto.

Em Beijing, a Obama Mania garantiu faturamente extra a bares que nem sempre estão lá muito lotados durante a semana. O Saddle Cantina, por exemplo, apostou numa comemoração para a posse, com telões ligados a todo o volume e o resultado foi uma casa abarrotada. Estive lá por dois minutos e decidimos ir ao Lugas Villa, logo atrás do Saddle, ambos no bairro boêmio de Beijing, Sanlitun.

Ali três telões estavam ligados à transmissão da BBC, cujo som estava conectado ao sistema da casa. Volume máximo, outra casa cheia (mas não lotada) e silêncio total durante o discurso de Obama. Na plateia, chineses, norteamericanos, canadenses, indianos, franceses, portugueses, brasileiros e mais um monte que eu talvez soubesse, caso perguntasse prum público estimado - por mim, claro - numas cem pessoas.

Bush foi vaiado, Obama ovacionado, mas a sensação que ficou do discurso foi de uma fala morna, que não teria o impacto daquele de Lula em 2003, quando o petista tomou posse no Congresso Nacional. Pelo menos assim lembravam os brasileiros presentes.

Eu discordo. Pelo menos uma frase está nos discursos dos dois eleitos: A Esperança Venceu o Medo. Frase de efeito? Sim, mas é ela que simboliza a mudança, que marca a escolha pelo diferente - o caso do petista no Brasil, do afrodescendente nos Estados Unidos. Na verdade, interessa muito mais o que Obama fará na Casa Branca (já que é o dono do local, segundo o termo cunhado pelos chineses) do que a fala diante da família Bush, dos seus seguidores e de seus opositores. Ali, ele tinha de ser elegante, polido, burocrático, sim, e inteligente o suficiente pra apontar caminhos.

Neste sentido, acho que ele tocou em temas que precisava. A crise por que passam os Estados Unidos agora é comparada à de 1929, então não estamos brincando de eleger um presidente negro para mudarmos a cara do poder estadunidense. Estamos realmente diante de desafios que exigirão dele maturidade e competência. Uma palavra em todo o discurso me tocou, curiosidade. É desse valor, disse Obama, que os norte-americanos precisam para enfrentar os desafios e chegarem ao sucesso. Curiosidade aliada a trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância, lealdade e patriotismo.

Pra mim, é mais do que bonito falar em curiosidade. E, sim, tolerância ao lado da curiosidade, como usou Obama no discurso, é tudo o que faria do mundo um lugar melhor, na minha visão. Barulho ele já começou a fazer. Poucas horas depois de ser efetivamente o presidente, ele já pediu que os processos conduzidos ante comissões militares da Base de Naval de Guantánamo fossem suspensos por seis meses. Seriam 21 casos, um dos quais envolve cinco homens acusados de tramar os ataques de setembro de 2001 - momento emblemático do governo de Bush filho, em que a guerra ao terrorismo passou a ser a desculpa oficial para ocupações em outros países e aperto nas regras relativas a estrangeiros no país.

***

A imagem deste post é uma reprodução do site especial que a CCTV, a televisão estatal chinesa, fez sobre a posse do Obama, que às vezes vem acompanhado só do Barack, às vezes do H. e, como ele usou na hora do juramento antes da posse, do Hussein que traz no nome.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mas que nada


No último sábado, comemoramos o aniversário da Paula no Yu Gong Yi Shan, casa de espetáculos aqui de Beijing, uma das minhas preferidas pra sair na noite. É ali que quem procura música ao vivo de qualidade deve ir na capital chinesa. Bom, tem o Mao e o 2Kolegas também, mas sobre estes dois bares eu falo outra hora.

As atraçoes vao de gente conhecida por estas bandas - e até de outras, como o caso do AIR -, até gente que está começando por aqui. E o palco é democrático, vai de reggae a música experimental, passa por uma pegada rock n'roll, flerta com funk, se esbalda com blues e cai no samba.

Pois sábado, havia duas bandas, a chinesa Daya Band (大伢乐队) e a Mama Funker, esta última com os vocais e a guitarra do brasileiro Fábio, nascido no Pará, criado em Sao Paulo e expatriado na China - há pouco menos de um ano em Beijing. Foi neste meio tempo que ele deu início ao projeto, que traz a guitarra virtuosa do cubano Hansel, o baixo pesado e melódico de Tim, da ilhas de Dominica, e, pra honrar os donos da casa, os chineses, as baquetas estao sob o comando de Peng Fei.

A mistura multicultural deu um caldo bacana ao suingue brasileiro que nos palcos chineses aposta em funks e souls Tim Maia e Ed Motta, Lenine e até cai num roquezinho fofo do Capital Inicial, com os versos de Primeiros Erros. Pasmem, ou, pelo menos, eu pasmei: a estrangeirada, que na grande maioria nao entende lhufas do que está sendo cantado no palco, embala que é uma beleza e, além de pular e dançar, arrisca umas sílabas dos refroes.

Nem preciso dizer que o aniversário da Paula foi um sucesso, que o show foi um sucesso e que pra quem curtiu e quer mais, a boa notícia é que teremos repeteco. Nos dias 8 e 20 de fevereiro, a Mama Funker tocará no Mao Live (juro, juro que falo desta casa outra hora) e no dia 26 estará de volta ao Yu Gong Yi Shan. Aliás, quer saber mais sobre o YGYS - que é como os íntimos do local grafam o nome -, clica aqui.

domingo, 1 de junho de 2008

Houhai de noite e de dia


Lago congela mesmo no inverno, mas agora é aí que se anda de pedalinho
Foto: Moya Buxton/Especial China in Blog

Praticamente regra. Pegue qualquer guia sobre Beijing e se depare com um roteiro obrigatório para curtir a noite: Houhai (后海). A região de lagos - são dois - é central e cercada por bares e restaurantes. Agito na certa.

Mas eu, moradora da cidade, discordo um pouco sobre Houhai como destino pra balada. Acho uma mistura musical meio demais (agora no verão, principalmente, há um monte de grupos tocando com sons que "vazam" para a rua, e não é possível ouvir nem a música do bar que o vivente escolheu, nem a do boteco vizinho).

Também acho os preços altos - uma cerveja long neck sai por até R$ 10, e às vezes, mais do que isso. E a gastronomia deixa a desejar, salvo honrosas exceções, como a Pizzaria Hutong (bom, mas quem vai querer pizza se está recém chegado aqui?) ou o vietnamita No Name (comida apimentada e nem tanto, preço sempre salgado).

Mas tudo bem, melhor não desencorajar totalmente. A região é agradável, ponto. Agora, pra mim, o segredo está em curtir Houhai de dia. Foi lá que passeei de riquixá com a Tati, assim que ela chegou por aqui. No lago, ainda é possível andar de barquinho, pedalando e pedalando. Seria andar de pedalinho?

No inverno, outra diversão garantidíssima: patinar. Olha, esta é uma das coisas mais difíceis que tentei, a tal de patinação no gelo. Na boa, não consegui mesmo. A foto aí foi de sacanagem, o povo não estava caindo de maduro. Eu mesma, que não consegui sair do lugar, praticamente, só levei um tombão uma vez. Mas a foto ficou legal. Ainda do tempo em que meus irmãos estavam de férias comigo - e pagaram o mico coletivo junto a outros amigos daqui.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Girassol


Aqui em Beijing, ao ouvir falar em Girassol, procure o endereço do bar que receberá os músicos. Você encontrará uma bossa nova daquelas.

- Super Tropicália esse nome - opina o músico Leon Lee, amigo do trio Girassol e responsável pela casa de jazz OT Lounge, localizada na região de Jianguomen, rodeada de embaixadas, cheia de estrangeiros, cheia de chineses, claro.

Foi no OT que ouvi Girassol pela primeira vez. Tive a honra de acompanhar a segunda performance dos músicos. Achei ótimo. Tenho certeza de que serão cada vez melhores. Mas quem são os responsáveis pela bossinha brasileira aqui?

A vocalista é a Kamila Nasr, canadense que vive hoje em Beijing, mas já morou um ano em Recife. Aliás, ela costuma brincar que alem de inglês, fala portuchinês, numa referência a estas duas línguas tão diversas e que tenta de todo o jeito dominar. Cantando, o português sai fluente. A Kamila é responsável por escolher o repertório, junto aos amigos, claro. Chega de Saudade tá lá. Garota de Ipanema também, claro. Ambas da dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes. E vamos a um sambinha gostoso, como Danca da Solidão, de Paulinho da Viola.

A guitarra é do Benny Oyama, de Nova York. O norte-americano descendente de japonês está com viagem marcada de volta para casa: julho. Motivo pelo qual o Girassol procura um integrante.Isso quem me contou foi o percussionista Jimmy Biala, outro norte-americano, este de São Francisco, Califórnia.

Bom, falei do trio, apresentei o povo, e você está vendo quatro pessoas na foto. Loucura minha? Não, é que é assim: Kenny, daqui mesmo de Beijing, está tocando flauta. No entanto, ele é um músico convidado, fazia uma participação especial. E que participação. Parece que tocou música brasileira a vida toda.

O Girassol também conta com o saxofonista Nathanial Gao, outro dos Estados Unidos. Mas neste dia ele não estava, ainda não tive a oportunidade de vê-lo.

E se estávamos falando em oportunidades, a bossa nova vai soar outra vez na noite de Beijing no sábado 7 de junho no Stone Boat Cafe, um bar gracinha dentro do parque Ritan. Ao ar livre, dá quase os ares do Café do Lago, pra quem é de Porto Alegre e já foi até a Redenção (aliás, ouvi dizer que a versão porto-alegrense havia fechado). Depois, no dia 28, eles voltam ao OT Lounge.

Percussão brasileira autêntica

O Jimmy já morou no Brasil dois anos - entre Salvador, especialmente, e Rio. Trouxe o samba de lá. A música já corria nas veias desde os cinco anos, quando aprendeu a tocar bateria. Junto ao samba, Jimmy trouxe percussão brazuca. Nos shows de bossa, lá estão rebolo, pandeiro, tamborim e ganza.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Drinque Proibido?


Vista privilegiada - e ainda inédita para mim - da Cidade Proibida
Foto: The Emperor/Divulgação

Sexta-feira abre o terraço do bar Yin aqui em Beijing, uma delícia que reunirá jazz, espaço para massagens e drinks com uma vista pra lá de especial: a Cidade Proibida. Nada mal para um final de semana primaveril que promete temperaturas de até 30 graus.

O bar Yin fica no hotel The Emperor e que ainda não conheço. Não prometo a visita para a próxima sexta, quando estarei atarefada ajudando em uma feijoada na casa da minha amigona Sofia - e que servirá também de aquecimento para o jogo de sábado entre Brasil e Gana, partida que vale vaga para a competição olímpica de futebol feminino.

De qualquer forma, fica a dica para quem estiver pela cidade por estes dias. E sei que há brasileiros circulando por aqui graças à Feira de Cantão, em Ghanzhou (ou Cantão, no sul da China). O evento bianual está na 103ª edição e reúne empresários do mundo todo. Apesar de ser no Sul do país, muita gente acaba vindo até a capital chinesa por causa dos vôos via Beijing.


Pouquinho mais sobre a Feira
:

O evento é tão importante porque mostra ao mundo os produtos chineses. Todos os anos, há duas edições. Na primeira fase, sempre entre 15 e 20 de abril e de outubro, são expostos produtos manufaturados, têxteis e vestuário, além de alimentos e medicamentos. Na segunda fase, entre 25 e 30 de abril e de outubro, é a vez de lembranças e presentes, além dos bens de uso diário.

Na última feira, em outubro do ano passado, havia 189,5 mil comerciantes de 213 países.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Libélula vermelha


Quais as suas maiores lembranças ao deixar um lugar? Para além da referência visual, do registro da geografia local e dos amigos, claro, o que fica? Para mim, são duas sensações: olfativas e musicais. Lembro o cheiro dos lugares que visitei. E cada lugar tem uma música - ou muitas, vai saber quanto tempo ficaremos num mesmo.

Tonbo, pra mim, é a música dos meus amigos descedentes de japoneses. Pouco importa se eles estejam no Japão ou no Brasil, a música me lembra essa turma querida. Aprendi no Brasil, mas a letra me inspira Japão. Vai entender.

Dia destes, estava caminhando pela minha rua preferida de Beijing, a Nanluoguxiang, e cantava - na verdade, tentava cantar - Tonbo. Nem sei bem por que. Passei o trajeto a pé entre a avenida principal e o bar onde ia com o refrão na cabeça. Estava indo a um bar esperar duas amigas. Entrei no bar, sentei à beira do balcão, pedi uma cerveja. E... começou a tocar Tonbo.

Ouvi meio incrédula, mas incrédula mesmo: estava sendo cantada em chinês! Se a versão em japonês já me escapava ao entendimento, em chinês, então, nem pensar... E foi engraçado continuar embalada pela mesma canção, aprendida no Brasil, que me remete ao Japão, agora em versão chinesa. Sinal de que até mesmo as referências podem se globalizar.
;p

Tonbo

Tonbo é um hit de 1988 do popstar japonês Tsuyoshi Nagabuchi - que, além de cantar e compor, ataca vez que outra como ator na telinha e na telona. O nome da música do hoje cinqüentão é o que batiza uma libélula vermelha.

Em chinês, fica Hongqingting (红蜻蜓). Não achei a versão que ouvi no bar dia destes, mas esta aqui tem até a letra pra acompanhar. É de uma cantora jovem chamada Weiwei.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Santa Sexta-feira


Conhecer culturas diferentes é, também, algumas vezes esquecer um pouquinho, mesmo que bem pouquinho, dos nossos costumes tão caros.

A sensação, pelo menos para mim, é de ser pego de surpresa por datas ou acontecimentos que antes teriam sido previamente planejados. Estou falando de Natal, Carnaval e, agora, Sexta-Feira Santa. De repente, meus amigos brasileiros que trocam e-mails comigo começam a falar sobre o feriado de Páscoa. Ei, Páscoa! Como assim?

Por aqui, ninguém planejou almoço com peixes e frutos do mar para hoje - eu, aliás, saí correndo de casa para a redação e tomei apenas café. Confesso que na janta tentarei comer algo legal e que lembre a data em algum restaurante por aqui.

Mas, para a noite, o mais engraçado para mim é primeiro uma festa funk - de uma banda de amigos meus que tocam o melhor do funk norte-americano 70`s (outro dia falo sobre eles) - e depois a um Carnaval. Sim, festa brasileira promovida por brasileiros aqui em Beijing. O bar é o Kokomo. E, sim, eles também não haviam lembrado que hoje é Sexta-Feira Santa.

Bom, feliz Páscoa para todos!
(ah, por mais supermercados que tu visites por aqui, esqueça que encontrarás ovos de chocolate para vender...)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Rock chinês dá samba



Eu já havia falado sobre o SambAsia pra vocês antes. O que eu não havia dito é que o samba brasileiro fisgou o pai do rock chinês, Cui Jian.

Tipo um Lulu Santos daqui, o Cui Jian é conhecido por fazer músicas de cunho político. A semelhança com o brasileiro é o fato de estar há anos na ativa. Ele começou lá nos idos de 1980, quando ninguém fazia o som roqueiro por estas bandas. Agora, as portas da década de 2010 (ugh!), ele descobriu (a maldição do?) samba.

No primeiro show que fez em Beijing neste ano, convidou o SambAsia para tocar - ante uma platéia de 8,5 mil pessoas! Show de bateria, garanto, apesar de minha opinião ser um pouco suspeita pelo carinho que tenho pelos integrantes da melhor - e única! - escola de samba de Beijing.

Ficou curioso sobre esta mistura de samba e rock (aliás, samba-rock é o que há!)? O vídeo é de 13 minutos, talvez seja necessário esperar um pouco, mas eu aconselho: vale todo o segundinho! Ah, o vídeo: cliquem aqui.

Ontem à noite, fui ver o SambAsia no Mao, reduto do rock ao vivo chinês, conforme o slogan, é só pra provar que o rock tá mesmo apaixonado pelo samba por aqui.


A inspiração da bateria é a Mocidade Independente, do Rio
Crédito: Jana Jan/Chinainblog

Quem tava na platéia? O Cui Jian, claro. Será que ele também se apegou ao povo, assim como eu?

Pra encerrar, deixo com vocês foto das três meninas que cantam.


Esse trio manda ver do samba carioca ao samba-reggae
Crédito: Jana Jan/Chinainblog

A Zoe é uma chinesinha crescida entre Hong Kong e Canadá e samba como ninguém! A Mai é uma japonesinha que mora aqui há um tempo e agora está indo passar um mês na Bahia - junto a outros quatro membros da banda - pra aprimorar a performance. Tocarão com o Olodum por lá. E a Kamila é do Canadá, morou um ano em Recife e canta que é uma beleza. Nossa Marisa Monte!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Joana-boba



Ou o meu presentinho de Natal para vocês.

Dia desses, eu, a Mariana, nossa fiel leitora, o marido dela, cujo nome é Brian, e a Paula Coruja (outra jornalista gaúcha que resolveu vir de mala e cuia pra Beijing e também trabalha na Xinhua) fomos a um café em Nan Luo Gu Xiang, rua charmosérrima aqui de Beijing da qual preciso mostrar cada pedacinho pra vocês - mas isso, noutro post.

Escolhemos o Sandglass por indicação da Elisa Baldan, amiga italiana que mora por aqui. Ao chegarmos ao lugar, mais uma vez dei de cara com um ambiente acolhedor e simpático, bem ao estilo do porto-alegrense Mercatto D'Arte, minha segunda casa na capital gaúcha.
Pedidas as cervejinhas pra relaxar depois do trabalho, chamou a atenção uma bonequinha vermelha perto da janela, estilo o nosso joão-bobo. A Mariana logo se encantou:

- É um brinquedo típico da minha época - disse ela.
No início dos anos 80, era o que dava por aqui. A tal boneca que balança, mas não cai. Em chinês, este tipo de brinquedo se chama bu dao weng (lição da Mariana: bu é não, dao é cair e weng é homem velho - originalmente, os primeiros rostos destes modelos.

Pronto, não demorou pra dita bonequinha vir pra nossa mesa e eu e a Paula nos interessarmos em como comprar. Como comprar? Pela internet. No dia seguinte, a Mariana catou o brinquedo e, qual não é a minha surpresa, me deu de presente hoje, véspera do meu aníver - sim, estou completando 30, como lembrou a Isa ali embaixo e a quem agradeço os parabéns, já me compromentendo: tou te devendo o panda!

A Paula também terá uma surpresa, espero que ela não leia o blog antes de ir à festinha hoje à noite.

A Mariana contou mais: disse que quando era criança, a avó dela poupava todo o dinheiro que sobrava, pequenas moedinhas, para dar um bu dao weng à Mariana. Mas a nossa amiga ganhou um menininho pelado e, por isso, às vezes sentia certo constrangimento junto às outras crianças. No entanto, para a Mariana, aquele boneco sempre significou o amor da avó  por ela. Bonitinho, não?

Então, é mais ou menos isso. A minha bonequinha pra vocês é virtual, mas é uma lembrança natalina!

Deixo dois links - em chinês, mas um tem fotos e outro tem vídeo - presentes da Mariana.

Este, inspirado nas bonequinhas, traz vários brinquedos que faziam o maior sucesso entre as crianças chinesas nos anos 80. Já este, traz uma canção típica da Mongólia Interior. Por que está aqui mesmo? Por que este estilo musical foi a trilha sonora da noite em que encontramos a bonequinha no Sandglass. A Mariana desconfia que o dono seja daquela região!




Ganhei a minha bonequinha hoje, ainda no trabalho (Crédito: Li Hailong/Especial)