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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Feliz Dia do Amigo

Hoje vocês no Brasil comemorarão o Dia do Amigo, então dêem aquele upa apertado em quem vocês gostam. Eu aqui darei na Paula e mando virtuais para todos. Junto, notícias do final de semana.

Minha sexta-feira começou chuvosa e vestindo calças brancas, uma combinação perfeita para caminhar por Beijing e indício de que a coisa poderia dar errado. Não que chegasse a ser promessa, mas uma amiga canadense estava indo embora e pediu que todos vestíssimos branco, a cor do luto na China. Então já vim para o trabalho paramentada e incrivelmente cheguei até limpinha à festa.

Foi uma noite memorável, em que eu e a Cláudia subimos ao palco junto a uma dupla roqueira argentina para cantar Calhambeque, do Roberto, sei lá em que língua. Só lembro do "bi, biiiiiiiiii! Quero buzinar meu calhambeque, biribi bubu". Mico pouco é bobagem e lá estava o francês por quem tenho paixões, e lá fui eu desavisadamente dar em cima do moço, ai se arrependimento matasse.

Cês sabem, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Tomando esse ditado como base, quem sai por aí ficando com uma galera, uma hora vai levar na cara o que não quer. Eis que tou eu lá linda e faceira dando em cima do francês quando ele sutilmente me pergunta.

- Você ainda não percebeu que eu só fico com você quando estou bêbado e depois sou super frio?

Tipos, vocês não perceberam a minha cara de tacho. Nem tem o que dizer, acho que nunca tinha ouvido uma grosseria semelhante (e olha que já ouvi um monte de bobagem por aí). Só falei para ele que ele não deveria nunca jamais falar isso para outra pessoa, mesmo que fosse verdade, que era melhor dizer simplesmente que não era a fins, sem ficar machucando. Daí fui dormir. Dormir na Praça.

Não bastasse eu ter de acordar no dia seguinte para ir viajar, isso eram 3h e eu tinha de acordar as 6h, esqueço minha chave no meu quarto, sem poder pegar, e a Paula não tinha voltado comigo. Resultado, dormi no banco da praça até ela voltar. Nestas horas, você agradece por não haver violência na China. E se sente mais coitadinha, depois de levar um fora daqueles, dormir na praça. Bah!

Bueno, até deu tudo certo e eu cheguei no meu destino no horário previsto, uma cidade quente, boba e chata perto de Shanghai. O sábado foi sem percalços, eu até consegui me comunicar em chinês dizendo que queria ficar num hotel barato perto da feira de produtos importados. E para lá o taxista me levou.

No domingo, como tinha de fazer um trabalho free e secreto, lá fui eu enfrentar o calor. Calor lembra banho, banho lembra que eu tenho banheira em casa, banheira lembra pato e eu vi um patinho de borracha que faz Quack, Quack pra vender. Daí comprei. Pouco depois comprei uma mala de mão, já que minha mochila pesava nas minhas costas. Então ainda na loja resolvi tirar a mochila das costas, botar as coisas na mala e aliviar o peso da bolsa.

E saco o pato da bolsa, a mulher saca uma gargalhada. Me senti, juro, o Mister Bean. Não sei se ele tem cenas com patos de borracha que fazem Quack Quack, mas ele tem com o urso de pelúcia. Então me senti tão idiota quanto ele. Dei um sorriso idiota de quem saiu de calça branca na chuva, cantou calhambeque com um casal de argentinos, ouviu de um francês que só era companhia para noites de bebedeira, dormiu na praça e chegou a um lugar bobo, chato e feio no meio da China, comprou um pato de borracha, e fui embora.

Muito, muito mais tarde consegui chegar a Shanghai, onde havia reservado um hotel perto do aeroporto. Só tinha puteiro em volta. Nunca tinha visto isso. Uma casa de massagem ao lado da outra, mocinhas de minissaia lá dentro, iluminadas por lâmpadas cor de rosa. Então entrei num boteco pé sujo como o que levei meus irmãos e a Rafa aqui em Beijing. Nao li nada do cardápio, juro que tentei. Enxerguei um troço que parecia vegetal e pedi. E pedi algo gelado para beber, já que estava derretendo quase à meia-noite em Shanghai. Então primeiro vem a bebida. Num prato de sopa, uma sopa rala de lentilhas doce e gelada. Como eu já tinha saído de calça branca na rua, cantado calhambeque com um casal de argentinos, ouvido de um francês que eu era uma companhia para noites de bebedeira, dormido na praça, visitado um lugar bobo chato e feio e comprado um pato de borracha, encarei. Depois veio o prato principal. SÓ o tal vegetal incerto e não sabido temperado com alho. E frito. Com muito alho.

Voltei ao hotel e depois, de manhã, aeroporto. Como eu tinha laptop, tive de abrir a mala para passar pela segurança. Antes mesmo de abrir, a moça do scanner pergunta

- Você tem um pato, daqueles que faz Quack Quack? - e se mija de rir, chamando a atenção do povo que tava em volta. Como idiota, idiota e meio, tirei o pato da mala, fiz Quack Quack para os guardinhas e fui embora. Nada mais aconteceria, não?

Não, ou sim, sei lá qual a resposta certa. Meu avião teve uma pane, ou faniquito, elétrico ainda em solo e desligou tudo. Tipo luz, som, ar-condicionado. Tivemos de esperar alguém fazer não sei o que por uns bons 20 minutos, tempo em que cozinhei no avião e pedi que a pane não se repetisse nos ares. Afinal, se não tivesse chegado segura aqui, não poderia ter dito que neste final de semana eu saí de calça branca na rua quando chovia, cantei calhambeque com um casal de argentinos, ouvi de um francês que eu era uma companhia para noites de bebedeira, dormi na praça, visitei um lugar bobo, chato e feio e comprei um pato de borracha, passeei na rua das putas pobres de Shanghai, comi sopa gelada de lentilha doce e rala para depois praticamente cozinhar num avião.

E, claro, desejar a vocês feliz dia do amigo.

domingo, 19 de abril de 2009

Acupuntura para quem precisa

Você meu leitor já entendeu que estou de dieta e passando por um tratamento de acupuntura, né? Conto isso tudo aqui, mas hoje, só hoje, resolvi republicar um post quase que na íntegra, até porque ele fala um pouquinho sobre o que é acupuntura, então acho que cabe. Pra ilustrar, minhas joaninhas quase à beira de um ataque, em fotinho da Paula.



A acupuntura integra a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e é utilizada na China para combater males há centenas de anos. Os primeiros registros datam de coisa de entre 2 mil e 3 mil anos. O princípio seria simples, manter a harmonia do corpo, alcançado através de estímulos em pontos específicos, que corresponderiam aos diversos órgãos. Para isso, a MTC delineou um mapa que aponta os hemisférios, ou os pontos onde deverá ocorrer a intervenção. No mapa aí de baixo, roubado daqui, você pode ter uma idéia do que estou falando.



O conceito trabalha com a questão do equilíbrio da energia no corpo, outra crença tão cara aos chineses, cujo símbolo máximo, o do equilíbrio, é o taoista Yin e Yang.

Até hoje a eficácia da acupuntura é debatida no Ocidente. Não é de agora que a técnica causa estranhamento e provoca desentendimentos. O primeiro deles ocorreu já na tradução, quando o tratamento foi mostrado fora dos limites asiáticos.

Acupuntura em mandarim é zhenjiu, ou 针灸, cujos caracteres significam agulha e moxa (este último, outra técnica da MTC que se utiliza de ervas incandescentes). Mas o jesuíta apressado (ou vítima de um mal entendido) traduziu para agulha e punção, o que no latim fica acumpunctum e dai você já entendeu. Resultado é que até hoje ligamos o nome às agulhadas e muitas vezes ignoramos que a técnica abarca outras modalidades, como a própria moxa e as ventosas.

Em resumo seria assim, a MTC tem mais de uma maneira de estimular os pontos, ou hemisférios, do nosso corpo, a fim de garantir a esse equilíbrio de energia e, logo, harmonia.

Organização Mundial de Saúde

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a acupuntura como Medicina Alternativa ou Complementar (MAC). Isso significa que a entidade acredita no tratamento como aliado às técnicas da medicina ocidental. Segundo a OMS, em países desenvolvidos, entre 70% e 80% da população já fez uso de técnicas da Medicina Tradicional – que inclui ainda fitoterapia e terapias manuais, como massagens.

No site da organização (em inglês), a entidade afirma que evidências mostram a eficácia da acupuntura no alivio de dores (e de yoga para prevenir crises de asma e de Taichichuan para o equilíbrio dos idosos, se vale a informação). No entanto, alerta que ainda são necessárias mais pesquisas. O que a entidade já faz e trabalhar junto aos países para que estes acrescentes a MT aos sistemas nacionais de saúde, a fim de que se garantam politicas sobre produtos e práticas e, por conseguinte, segurança e qualidade nos procedimentos.

Brasil

O Brasil também reconhece a acupuntura como Medicina Alternativa ou Complementar e desde 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) reconhece tais terapias como eficazes para a prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde. Assim, estão autorizadas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas a mesma politica abriu um debate no meio médico e de saúde ao garantir o carater multiprofissional destes métodos. Segundo o texto, as práticas integrativas e complementares podem ser exercidas por profissionais de saúde de áreas diversas, desde que devidamente capacitados. A acupuntura, no Brasil, é realizada por profissionais da área da biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, medicina e psicologia.

Aliás, de repente lembrei que não faço ideia da formação da minha terapeuta.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eu agora

tenho 71 quilos.
E também tenho um mantra: eu sou uma pessoa legal, mesmo sóbria. Eu sou uma pessoa leagl, mesmo sábria. Eu sou uma pessoa legal, mesmo sóbria. Eu sou ...

Até 12 de maio, nada de álcool. Nada de jantar após as 19h. Por apenas três dias, ainda bem, distância de carboidratos. Sem doces, o que é ouquei para mim. Sem bebida gelada. Nada.

Divirtam-se num diário de Brasileira em Dieta na China aqui.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Quantos celulares eu terei na vida?

Eu sei, não basta ser estúpida o suficiente para viver coisas estúpidas, é preciso ter azar também. Não fosse assim, não teria histórias para contar. Podem me chamar de avoada, mas, reitero, acho que é só azar.

A Patrícia, amiga aborígene aqui de Beijing, tem uma frase bacana para aqueles momentos em que o convite não só é desinteressante como totalmente digno de não. Em algumas ocasiões, ela não pode fazer tal coisa porque tem de estudar para passar no exame de sangue. Eu sempre rio, porque acho engraçado. Nunca contei, até pra não desapontá-la e deixá-la com vergonha desta amiga que vos escreve, que eu já rodei em exame médico. Havia trabalhado no Terra por uns dias, como teste, e fui fazer o exame pró-forma. Quando a médica perguntou se eu havia tido tendinite alguma vez na vida, eu disse que sim, há alguns anos, havia tido uma crise.

Naquele dia, aprendi que eu crepitava. Ou pelo menos meus ossos crepitavam, apesar de eu nem entender direito o que isso pudesse significar no jargão médico. Até agora não entendo, aliás. Aprendi também que ser sincera pode ser uma merda. Mas eu sou sincera, que merda. E algumas vezes ainda cometo o disparate de superconfiar na raça humana. Não sei porque insisto. Deveria me cercar dos exemplares de que gosto e parar por aí. Mas ontem foi um dia, ou uma noite, como queiram, em que eu confiei na humanidade.

Depois de assistir a emocionantes partidas de sinuca da dupla brasileira Paulo e Patrícia contra australiano, chineses, colombiano e turco, fomos mostrar o suíngue brasileiro bailando funk e popzisses oitentistas no bar do Tom, outro brasileiro amigo. Lá chegando, deixei minha bolsa pendurada numa cadeira e fui me acabar na pista. A Patrícia foi embora, o Paulo tava dançando comigo. Quando o bar ficou chato, convidei o Paulo para uma última ceva ao ar livre, no Lugas. Cadê bolsa?

Tipo assim, cadê bolsa, cadê o celular que estava dentro da bolsa, assim como cartões (meu e da Paula) e chave de casa. O Paulo, que é fotografo, mas jura que sabe arrombar portas sem ser assaltante, resolveu ir à minha casa. Eu ainda tinha uma esperança de ter deixado a porta aberta, como estupidamente fiz semana passada. Nada. Nem pra arrombador nós servimos. Decidimos ir ao posto de polícia que fica dentro do meu condomínio. Entramos nas salas, subimos dois andares, ninguém. Fiz até xixi num dos banheiros. Ninguém. O Paulo está aqui de férias, num hostel, nenhum jeito de dormir com ele.

Estávamos os dois sem passaportes, fomos a um hotel foleiro perto da minha casa, onde nos deixaram entrar sem mais o quê. O lugar era tão nojento e com cara de mau (aliás, tinha um quadro do Mao no corredor) que o Paulo decidiu dormir por ali pra não me deixar só. Sem tocar nem no travesseiro, o que foi bastante engraçado. Eu bravamente encarei o cobertor. Pela manhã, 8h, uma chinesa nos acorda. Me traz o dinheiro do depósito que havia deixado e pede as chaves. Entrego e só muito mais tarde perceberia que, em caso de fiscalização policial, o nosso quarto apareceria como desocupado, pois não estávamos registrados.

Com o celular do Paulo, ligo pra Noha, amiga egípcia que mora aqui. Ela conta que a Paula está vindo do aeroporto, há horas tentando falar comigo, sem grana (porque tava sem o cartão, que tampouco está comigo) e precisava de alguém para pagar o táxi. A Noha pagou. Eu tomei café com o Paulo, que pagou meu táxi, hotel e café - e pra quem eu devo horrores, não só em grana, mas em apoio moral porque, segundo ele, o hotel de ontem compete acirradamente com um do Peru na categoria de pior lugar pra dormir. Não basta vir pra China, tem de conhecer a Jana. E não basta saber que a Jana se mete em estipidices vez que outras. Há que compartilhar.

Voltando ao relato, voltei pra casa, onde a Paula já estava, com chave e sem cartão. Ela já sabia do ocorrido, pela Noha. Demos boas risadas. Pra que voltar de férias sem uma confusão, né? Acharam minha bolsa numa lata de lixo, com minha chave e meu cartão da agência. Agora preciso comprar outro celular. Só o dinheiro que já gastei com celulares daria uma bela poupança, juro. Será que compro IPhone?

No almoço, pelo menos, levei uma cantada do cozinheiro. Sempre cumprimento o moço porque ele faz umas comidas deliciosas, aplausos para o kaobaozi, um tipo de pastel de forno recheado com carne de ovelha de comer de joelhos, agradecendo à raiz muçulmana dos chinesinhos. Semana passada ele já havia feito kaobazi na hora pra mim e meu amigo francês. Hoje, foi até a mesa levar os quitutes (o que ele não faz nas outras mesas) e me olhou super no olho e disse:

- 今天你太漂亮 - o que a gente lê jintian ni tai piaoliang e traduz como "hoje você está muito bonita".

Ah, deve ser meu ar de sofrimento, né não?

**

Mariana, ao saber do roubo.

- Jana, há alguma coisa que tu tenhas adquirido e não tenhas perdido? Até agora eu sei de celulares, bolsa, roupa, computador, sem falar em namorados.

**
Tou de calças novas, esta eu não pretendo perder, lindonas, presente da marida Paula, recém chegada do Brasil, sem cartão, sem dinheiro.

**

Domingo a previsão é de 30 graus. Vamos fazer picnic de Páscoa no parque.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Coisas muito estúpidas que já fiz na vida

- Perdi meu computador no táxi.
Entrei com a bolsa, larguei ao meu lado, tava conversando com a Paula e só quando já havíamos andando um pouco, ela pergunta: onde está o teu computador?
E me dei conta que havia esquecido no táxi.

- Troquei a data de um voo, o meu, o da Tati e o da mãe da Tati.
Estávamos passeando em Yangshuo, indo para uma vila de pescadores, quando a Mariana, minha colega chinesa que fala português, liga para dizer que o motorista que nos levaria do aeroporto de Chongqing para o pier onde pegaríamos um cruzeiro para andar pelo Rio Yangtze estava nos esperando. Aeroporto?Mas tipo assim, não era amanhã?Não, não era amanhã. Com este esquecimento, perdemos a passagem para Chongqing, o cruzeiro pelo Yangtze e, ainda, depois, o passeio para Xi'an.

- Deixei o carro do meu pai totalmente aberto na rua em Porto Alegre (essa eu não sei se ele e minha mãe sabiam)
Depois de uma cobertura de eleições no clic, fomos beber todas naquela churrascaria no Praia de Belas, agora escapou o nome, e como tava bêbada e com o carro do meu pai, liguei para dizer que dormiria na Tati. Meus pais moram em São Leo, em tava em Porto Alegre. No dia seguinte, ao descer do prédio da Tati, penso "nossa, que sorte que ninguém arrombou o vidro para roubar minha carteira", ao ver a dita cuja em cima do painel. Daí ao chegar bem perto do carro, me dou conta que sorte foi ninguém ter levado o carro inteiro. Ou ter só pego a carteira sem nem quebrar vidro. As portas estavam alegremente destrancadas.

- Bati o carro do meu pai na parte de cima, tipo assim, no teto.

Saindo da garagem do apartamento em São Leo, esperei demais embaixo da porta eletrônica, que começou a descer e, pléim, bateu no teto. Amassou.

- Dormi com a porta do apartamento aberta.
Depois de passar horas dormindo feliz e contente com a porta do meu quarto fechada porque tou usando ar-condicionado no quente, vou ao banho, volto do banho, boto o volume no máximo e começo a me preparar para preparar o café, vou saindo pela sala sem roupa, dou de cara com a porta do apartamento aberta. A-BER-TA. Isso foi hoje de manhã, que susto. Minha carteira em cima do sofá, logo perto da porta, computadores todos em casa, checagem geral, nenhum problema. A pergunta é "COMO eu esqueci de fechar a p. da porta?".

Fora isso, já perdi uns seis ou sete celulares, o último dos quais achei dentro de uma bolsa dois meses depois.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Vida privada

Algumas coisas na vida nao sao explicadas. Por exemplo, meu computador consegue reconhecer caracteres japoneses e chineses, mas nao consigo digitar em portugues.

Outra questao eh, tudo bem que meus vizinhos estao fazendo reforma na casa e tudo isso dah uma sujeira e faz com que surja um monte de entulho. Mas precisa botar a privada no corredor comum?



Esta cena foi clicada no sabado a noite quando chegava em casa. Hoje o vaso sanitario esta na frente do elevador, ao lado da pia do banheiro e de um pedaco do armario da cozinha. Espero, sinceramente, nao encontrar uma familia vivendo por ali na semana que vem.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Breve desabafo sobre o mandarim

Estudar chinês é uma das coisas mais difíceis que já vivi. Eu que até hoje só tinha rodado em exame de direção (porque esqueci de desengatar a porcaria da - do, nunca sei - ré) e em exame médico de admissão (porque falei pra médica que poderia permitir que eu trabalhasse no Terra que eu sofrera de tendinite anos antes - e então ela me vetou para a vaga), estou passando por um teste em relação à humildade, dedicação e exposição em frente aos colegas. Sério, isso é meio duro pra mim.

Passei para o nível 3 sem ter feito o 2, o que impõe alguns obstáculos, como não saber ler muitas frases, não conhecer muitas palavras e não saber formular frases gramaticalmente corretas. Vejam que nem estou falando dos tons que o mandarim tem (quatro, mais um neutro, que pra mim é tom também) ou sobre escrever caracteres. Então, as aulas em que devo ouvir diálogos são uma tragédia, no período em que devo responder às perguntas da professora sobre o que os personagens do diálogo estavam fazendo eu sou um zero à esquerda, no tempo em que deveria fazer os exercícios gramaticais eu sou uma ameba que não entende ou o que é pra fazer, ou o que a frase está dizendo e por aí vai. Estudo numa turma que tem uns 10 adolescentes russos, o que complica bastante. Tem dois CDFs que, juro, tenho a impressão que fazem gracejo com a minha cara. Além de serem adolês, eles devem só estudar mandarim, provavelmente filhos de empresários-diplomatas que vieram parar na China por causa da vida dos pais. O chinês deles é simplesmente invejável. E eu me resigno à minha burrice, pela primeira vez na vida indo TODO O TEMPO fazer perguntas à professora. Até as mais idiotas. Às vezes conheço as palavras, mas não faço idéia do caracter, assim, não consegui reconhecer lavar roupa, apesar de saber que é xi yifu. Não soube dizer o que era mesa, mesmo conhecendo zhuozi. Mas eu não sabia que o verbo xi é grafado 洗, muito menos que zhuozi se escreve 桌子. Aprendeu não leu, pau comeu. Essa é a regra do mandarim.

Alem das três horas diárias, tenho estudado de duas a três horas em casa. Mas pensava que poderia revisar o nível 2 neste meio tempo. No entanto, neste período apenas faço os temas de casa - às vezes, nem acabo estes. Gente, chinês é desesperador. Preciso muito ter um objetivo, senão esta dedicação será infrutífera. Seria melhor que continuasse fazendo meus textos e, quem sabe, começando meus minidocumentários. Por outro lado, não conheco jornalista brasileiro que fale mandarim...

E estou começando a pensar que poderia fazer pesquisas relativas à internet na China, sociedade, política, redes sociais, participação, etc. LENDO EM CHINÊS, mesmo que na volta ao Brasil. Isso parece interessante e me estimula a ficar que nem uma pateta na frente dos russinhos. Na frente dos chineses eu nem preciso dizer, né?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Quem bate?

13h, hora do banho, já que trabalho às 14h30min. Estava saindo do box, fiquei sem luz. Quem leu há poucos dias o blog, lembra que não pude voltar pra casa porque meu prédio estava sem energia, sem elevador, eu sem energia para subir 19 andares.

Lembrando disso, bateu certo panicozinho e alguém bate à campainha. Melhor atender, né? Vai ver é um moço que vai me explicar o que está acontecendo e resolver o problema.

Ainda perguntei:

- 谁啊?- Ou, Shei a? (uma expressão que significa "quem é", na qual o "a" final está ali por puro cacoete linguístico comum aos moradores de Beijing).

O moço do lado de fora respondeu muitas coisas que totalmente escapam à minha compreensão, mas entendi o 公司 (gongsi) do final, ou seja, companhia, empresa. Abri a porta, deixei entrar, não entendi xongas, liguei pra dona da casa, também chinesa, com quem pouco me comunico e deixei os dois conversando. Ela explicou alguma coisa que eu não entendi e então, fiquei olhando pro moço, que não ia embora.

Talvez nesta altura seja conveniente eu explicar que como eu havia recém saído do banho, eu estava vestindo uma camiseta e tinha uma toalha enrolada à cintura (sim, eu faço coisas ridículas na China que no Brasil não faria nem sob tortura, do tipo, abrir a porta mal vestida. Mas, poxa, imagina ter de descer 19 lances de escada... Eu jurava que era urgente).

Bueno, o cara não ia embora. Eu não entendia o que ele queria, a não ser cobrar 4 mil kuais, um montante que dá aí uns R$ 500, numa conversão grosseira e preguiçosa que fiz agora de cabeça. Liguei pro meu escritório, a fim de que alguém servisse de tradutor pra mim. Expliquei a situação pro meu chefe, que falou com o chinês e depois veio falar comigo, ao telefone:

- Jana, eu acho que ele é um ladrão.

- Ah, tá. Que que eu faço com um ladrão dentro da minha casa agora?

Bueno, a coisa era que o cara era de uma empresa de reforma de casas e apartamentos e não iria embora sem receber o dinheiro, grana que a dona ficou devendo pra ele. A dona não iria lá para pagar para o cara, eu precisava sair para trabalhar, o cara não saia da minha casa, meus colegas falavam comigo, com a dona, com o cara, tudo por telefone. Eu de toalha, já nervosa, quase ficando com um certo medo. Pedi pra chamarem a polícia.

A estas alturas, eu já gritava com o cara, num mandarim sofrível. Ele me dizia:

- Daqui não saio, daqui ninguém me tira. A dona vai chegar em cinco minutos.

- Eu não tenho cinco minutos. Eu preciso trocar de roupa. Você pode esperar ali fora, não pode esperar dentro do apartamento - eu respondia.

- 不明白 - ou, bu mingbai, que é não entendi, insistia.

E eu replicava que ele entendia, sim. E voltava a dizer:

- 我没有五分钟。 我想换衣服。 你可以等外边。 不可以等房子里边 - que é justamente "Eu não tenho cinco minutos. Eu preciso trocar de roupa. Você pode esperar ali fora, não pode esperar dentro do apartamento", ou "Wo meiyou wu fenzhong. Wo xiang huan yifu. Ni keyi deng waibian. Bu keyi deng fangzi libian". Sacou o mandarim?

Isso já era aos gritos, eu meio que empurrando a criatura e segurando a toalha já que, totalmente exasperada, a última coisa que eu poderia fazer naquele momento era jogar a toalha.

Passados uns 40 minutos, com a promessa de que a polícia subiria ao meu apartamento (a gente tem uma base da polícia dentro do nosso condomínio, exatamente em frente ao nosso prédio), alguém ligou para o chinês maluco, suposto ladrão, e ele foi embora.

Troquei de roupa, bateu a polícia. Minha explicação foi maluca, eu não sabia dizer tudo isso em chinês, liguei de novo pro meu chefe, que explicou o que tinha ocorrido, agradeceu a gentileza dos policiais e eu desci com os dois moços. Eles me ofereceram um cigarrinho, prontamente recusado, e eu fiquei contando que era brasileira, morava há um ano e meio em Beijing, era jornalista e não tinha tempo de estudar chinês, em resumo, as únicas coisas que sei dizer.

A dona é uma caloteira, eu agora não abro mais porta para estranhos e ainda fico me perguntando por que minhas semanas não podem passar sem uma emoção doméstica.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Só comigo

2h, alguma coisa abaixo de 0C. Volto pra casa louca pela minha cama, após me fartar com paellas, tortillas espanholas e depois ainda dar uma de olho grande pra cima de quesadilla de pollo mexicana. Cama, cama, cama... Só isso o que eu gostaria de enxergar pela minha frente.

Ops, gostaria de enxergar alguma coisa pela frente. Prédio sem luz, corredor sem luz, caminho até os elevadores - até com um pouquinho de medo, pois é preciso andar prédio adentro na total penumbra - e tateio os botões. Nada, necas, nem em sonho. Óbvio, estamos sem energia.

Saio pra tentar alguma informação, só vejo uns chineses com lanternas, se dirigindo ao subsolo do prédio. Técnicos eletricistas, me parece óbvio. Ensaio uma conversa, mas não entendo nada. A não ser que não tem luz, mas isso se entenderia em qualquer língua.

Exasperada, nunca imaginei que um dia usuria esta palavra, ligo pra meu amigo que jantava comigo pra que ele me ajudasse na tradução. Tempo de espera para que se reestabeleça a energia: entre uma hora e algum período indeterminado. O chinês me olha curioso: "você mora em qual andar?". Respondo: "Décimo nono". Ele faz cara de quem tem pena de mim.

O meu amigo, acho, também sentiu pena. Convidou pra dormir na casa dele. Assim resolvi meu problema. A luz, pra quem quiser saber, voltou as 10h da manhã seguinte. Eu cheguei em casa às 11h.

No ano retrasado, nunca imaginei que usaria isso tão cedo pra me referir a 2007, já havia ficado fora de casa durante o inverno. Mas, veja bem, até calefação eu tinha, ainda que apenas a do corredor. Tem horas em que reclamamos de barriga cheia.

***

Ah, o décimo nono andar

Há dois meses moro num apartamento supimpa em Beijing. Foi o primeiro que escolhi com a marida Paula, pois os outros dois anteriores foram escolhidos por indicação, acomodação. Este foi todo pensado: perto do trabalho, numa região bonita, decoração decente, recém reformado. Fica no décimo nono andar e tem uma vista para algum canto da cidade que não consigo identificar. Não vejo nenhuma construção conhecida, nada de Cidada Proibida, Praça da Paz Celestial ou prédio da CCTV.

Vivo numa região conhecida como Niu Jie, ou rua da vaca - hmmmmmmmmmmm. Ali se concentra a maior comunidade de chineses muçulmanos de Beijing, o povo huimin. Não se come porco, a maior parte dos restaurantes servem os pratos que se comem em Xinjiang, região autônoma ao leste do país, na fronteira com um monte de países que terminão em quistão, como o Quirguistão e o Cazaquistão. Sinônimo de culinária maravilhosa. Muito tomate, pimentão, massas e batatas no cardápio.

Tudo perfeito. E, cerejinha do bolo, viver no décimo nono andar. A possibilidade de ver a cidade de dia ou de noite me é tão cara que foi este o principal critério de desempate na hora de eu escolher meu quarto - Paula havia me dado o privilégio porque no apartamento antigo, ela havia escolhido. Meu quarto tem janelões pra rua. O décino nono andar me encanta. Só nunca tinha pensado que talvez um dia teria de deixar de dormir em casa por justamente morar tão alto.

Será que tenho de levar lanternas quando for passear à noite? Subir 19 andares no escuro não é exatamente a experiência que quero ter na China.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fome de quê?


Maíra e eu fazendo pose enquanto pensávamos em encarar o tomate com muuuuuuito açúcar (viram, né? Os pescoços de galinha foram quase todos)
Foto: Rafa Debastiani, Especial

Então, estava de férias. O motivo era nobre: não era um simples descanso, mas a recepção aos meus queridos irmãos Cristiano e Maira e da irmã de coração Rafa. A vontade que dá de mostrar tudo ao mesmo tempo agora te leva a propor programas de índio. E ainda dá vontade de mostrar o quanto se está adaptada ao novo país - onde, no meu caso e em se tratando de China, além de praticamente analfabeta, ainda estou aprendendo a falar.

Na saída do passeio à Cidade Proibida, íamos a Xidan, bairro de compras aqui de Beijing. Pegamos um táxi e ao ler - só com caracteres - que passávamos em frente a um restaurante de jiaozi (os bolinhos estilo ravioli que no Brasil costumamos chamar de gyoza - numa cópia do nome japonês), um dos meus pratos chineses favoritos, não tive a mais mínima dúvida:

- Dao le! - anunciei ao motorista, o que significa: "Chegamos!". Assim, de supetão, sem avisar aos meus irmãos. Pronto, hora de todos descerem.

Desceram, né? Afinal, quem conhece Beijing sou eu. Eles meio que não entenderam por que estávamos entrando em um dos maiores pé-sujo jamais visitado por eles durante toda a vida, mas, pensaram: "ela deve conhecer o dono", "com certeza esse lugar é um dos segredos que só um local da cidade pode desvendar" e outras coisas assim.

Que nada, eu só tinha lido mesmo o caractere de jiaozi.

Aliás, li e devo ter esquecido na hora. Chega o garçom, me dá o cardápio, eu começo a "ler". Totalmente no comando da situação, comecei a pedir os jiaozi. Vi um caractere de galinha e pedi. Outro de tomate, pedi. Outro de carne de gado, pedi. Depois, pedi outro com tofu. É que os jiaozi têm recheios diferentes. O garçom anotou o pedido e foi. Voltou...

- Vocês não vão querer pedir jiaozi? - ele perguntou num chinês tão português que até a Rafa, há dois ou três dias na China, entendeu.

- Hum... Acho que eu não pedi, então, né? - pensei eu em voz alta, já sabendo que viria problema pela frente. Pedi jiaozi, outros dois sabores e respirei fundo, só à espera do que poderia acontecer.


Rafa e Cris amaram os pescocinhos com alho
Foto: Maíra Akemi, Especial

Bem, o que aconteceu foi: uma das primeiras refeições dos meus queridos irmãos em solo chinês foram - nem tão - saborosos salame de carne de gado com temperinho verde, salada apimentada de tofu, pescoço de galinha com muito alho e o tradicional, imbatível e estranho pra maior parte dos brasileiros, imagino, tomate com açúcar. Tomate com muitooooooooooo açúcar. Um milhão de risadas depois e um esforço pra comer algo tão típico, chegaram os jiaozi. A gente até tentou beliscar, mas decidimos que tem horas em que ou o fast food salva, ou o negócio é procurar restaurante cujos cardápios ofereçam fotos.

Sério, ainda tenho muito mico pra pagar antes de ser uma boa anfitriã em terras chinesas...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Dias de Fúria e um bom Ano-Novo


Paguei mico na agência pra mostrar o ketchup
Foto: He Meng (Mariana)/Especial

Primeiro, as explicações. Tenho uma lista no Brasil pra quem mando minhas novidades. Esse era um e-mail pessoal, pros amigos mais íntimos. O Márcio Gomes, meu editor no clic, achou engracado e disse que ele deveria estar no blog. Pois bem, agora ele está...

Fiz um texto grande, do tamanho das minhas saudades, com pitadas de bom-humor, do tamanho da minha vontade de rir até quando não tá tudo bom. Aí deu pau no computador, e eu perdi tudo. Vamos rir, respirar, digitar de novo. Será que com a mesma naturalidade?
Ai...

A primeira parte, bem, esta é daqueles desejos gostosos de um novo ano repleto de alegrias, conquistas e amor, muito amor pra todos vocês. Polar gelada também cai bem, Tsingtao quente é a maior curtição!

Meu ano-novo eu contei ali na outra casa, a www.clicrbs.com.br/chinainblog, prestigiem esta que vos escreve, passem lá, vejam meus amigos. Meu ano-novo foi tão comportado que não há nem partes impublicáveis, todas estão no blog.

***

Bem... Aqui na China o impublicável às vezes vai até pra televisão. O mico do final de ano foi a apresentadora de TV que invadiu o programa do marido, também apresentador, ao vivo, e denunciou o infiel. Ela havia descoberto há duas horas que tinha um par de chifres. E resolveu contar pro país todo. No fim, o mundo soube da história. Se alguém quiser ver a cena, está aqui!

Aliás, você que ficou longe da internet no feriado ficou porque, provavelmente, precisou ir pra praia, usar bronzeador, se sujar de areia, tomar cerveja gelada, comer peixe, camarão, beijar na boca, dizer "não, muito obrigado" pro vendedor de canga, e também pro vendedor de óculos escuros e também pro vendedor de brincos, saiba que eu estou morrendo de inveja. Ai, coisa chata! Eu fiquei a menos zero, com um casaco que parece uma barraca, me sentindo uma bruxa vestida de preto e vermelho e jurando: ano que vem, ou estarei no Brasil, ou na Tailândia, Filipinas, algum paraíso à beira-mar. Sério. DEPRÊ PASSAR ANO-NOVO NO FRIO. Odeio com todo o meu amor cada um de vocês que estava na praia. Mas com o maior, carinho, respeito e de coração!

E, que super, né? Não que eu tenha marido, nem que trabalhe numa rede nacional de televisão, mas eu tenho um blog. Sei lá, numa dessas, vai que eu tenha algum babado forte pra publicar... Adorei esta idéia de acesso fácil à mídia!

***

Agora, sobre meu dia de fúria.

Dia desses eu disse pra Paula que o sistema interno de trancar a porta da nossa casa era aberto à chave pelo lado de fora. Dias desses depois, tou eu voltando de uma noitada de ceva no meu bar favorito na minha rua favorita na minha cidade favorita para trabalhar na China quando, depois de subir seis andares de escada (sim, nosso elevador não funciona da meia-noite às seis, dizem que pra poupar energia) me deparo com a porta trancada. De jeito maneira consegui abrir e me grudei a ligar pra casa. Ao tentar o celular da Paula, uma chinesa me fala no meu celular:

- Duibuqi. Nin xi ni zhi xi qi ni zhai pin tin de - ou alguma coisa parecida com isso, e logo emenda:

- Sorry, you have late money. Please, recharge in time.

Ou seja, tava quase ficando sem crédito no celular! Depois do recado bilingüe, a chinesa completa a ligação. Ouço o celular da Paula bem ao meu lado, na cozinha, ou seja, a quilômetros do quarto dela. Tremo mais do que tremia de frio com os -5C certo que estavam fazendo naquela madrugada! O medo? A guria não acordar... Liguei pro fixo, que fica na sala e, sim, ninguém ouviu... 3 e tantas da manhã, sem muitas opções...

Beijing é tão cidade do vento quanto Osório, e isso pode ser interessante quando as janelas do corredor do teu prédio estão quebradas. Na madrugada gelada e escura, interessante por dois motivos. Um é que o frio aumenta, outro é que o barulho de vidro e porta de metal batendo é uma loucura. Descobri duas coisas. Eu não tenho medo do escuro, nem de fantasmas. Também comprovei a tese do Cláudio: O inferno é gelado. Na sala de quem fez muito mal na Terra, ainda tem vento, que é pra gelar e cortar!

Eu, boa que dói, vou pro céu com certeza. Ainda mais que fiquei algumas horas experimentando a péssima sensação do inferno e da inveja. Invejei a praia, o calor, as pessoas felizes, os pandas, os peixes, o universo, a cama quente, a cerveja, me perguntei que diabos estava fazendo na China e pensei: 2007 foi um ano em que tudo deu certo! Tinha de ter um perrengue, nao é mesmo? Ah, mas perrengues servem pra gente resolver, que tal descer os seis andares e ir até o hotel que FICA EXATAMENTE embaixo do meu prédio?

Fui!

- Boa noite, o senhor fala inglês?

- Sim.

- Quanto custa um quarto?

- 232 yuans.

- Olha, eu estou sem meu passaporte. Moro no prédio justamente aqui em cima, mas minha amiga dormiu e me deixou na rua, não consigo entrar, está frio e eu gostaria de dormir, pois estou muito cansada. Eu tenho aqui meu crachá da Xinhua, trabalho há seis meses em Beijing.

- A senhora tem amigos na cidade?

- Sim, tenho, o senhor gostaria de telefonar para algum deles para comprovar as informações?

- Não, pra senhora telefonar e pedir pra dormir na casa de um deles. Não aceitamos estrangeiros.

- Não aceitam estrangeiros?

- Não, senhora.

- Não aceitam estrangeiros mesmo ou não aceitam estrageiros sem passaporte?

- Não aceitamos estrangeiros.

- Mas então por que inferno o senhor me informou o preço, ficou falando horas comigo e por que diabos o senhor é um dos únicos recepcionistas da China que fala inglês decentemente se não aceita uma porcaria de estrangeiro neste inferno de hotel com seis andares e uma porr** de um milhão de quartos?

- Desculpe, senhora.

- Ok, desculpe - me resignei eu com frio, sem achar um sofá pra me atirar e fazer escândalo, caso ele quisesse engrossar. Tentei celulares da Mariana e da Elisa, nada. Ok, subamos mais seis andares...

Gente, que péssima, minha noite de despedida de 2007, eu, sentada ao lado do aquecedor do corredor do prédio que não aquece nada, enrolada no meu casaco-barraca (eu já achando a fantasia de ketchup a melhor aquisição de até então aqui na China) querendo matar a chinesa que me avisava em duas línguas que meu crédito tava acabando a cada ligação que fazia todo o tempo pra tentar acordar a Paula. Sério, na 35151° vez que tu ligas pra casa e ouve a mensagem, isso comeca a irritar. MUITO. Se estiveres com sono, irrita MAIS AINDA. Se estiveres com frio, ÉS CAPAZ DE QUASE ENTRAR EM SURTO.

Pronto, uma hora e meia depois de ligações, a Paula acordou. Entrei em casa extremamente mal-educada, eu sei... Eu podia matar alguém, e nem era culpa dela, mas eu estourei mesmo com a minha amiga quando ela disse:

- Jana, mas foi tu que disse que a porta poderia ser aberta a chave pelo lado de fora.

- Sim, claro, desculpe, a culpa foi minha...

Depois da manhã, fui acordada pela Paula e pelo Iugo com café da manhã na cama!

Um bom início de último dia de 2007

Que acabou sem comida. Fui a um bar cubano novo pra ceia de réveillon, paguei 250 kuais e só me serviram a salada e a entrada. O prato principal chegou gelado, à meia-noite, quando não importava mais e eu já estava quase bêbada. Sério, ainda bem que 2007 foi. Foi ótimo!

Mas 2008 há de ser melhor ainda!

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Quem vai pra praia comigo na próxima virada???

** Aliás, na última virada, um casal de argentinos na minha frente foi o primeiro a achar super eu ter um blog na RBS. De Misiones, viam RBS durante a infância e adolescência.

O outro assunto em comum? Este é o primeiro ano da vida deles que eles não vão nesta época a CAPÃO DA CANOA... Os pais dele, inclusive, estão indo pra lá semana que vem.