quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

China Daily nos Esteites



O maior jornal chinês em língua inglesa agora tem uma redação nos Estados Unidos. Desde segunda-feira, 23 de fevereiro, o China Daily USA circula nas bancas norte-americanas com uma proposta um tanto ousada, transformar o inverno econômico em primavera, segundo escreveu em carta aos leitores o editor-chefe da publicação, Zhu Ling.

O braço estatal do governo chinês chega com pompa e anuncia que é espaço para os tomadores de decisões e os pensadores independentes. Sem crise. Com tanto jornalão norte-americano pedindo água, o aporte chinês pode ser até alívio para os jornalistas. Entre as propostas, está a apuração dos fatos em cima dos fatos, com repórteres in loco. Certa contradição para uma imprensa - a chinesa - vista com ressalvas. Seria a forma de apuração o pulo do gato? Em tempos de enxugamento de redações, os chineses vão contra a maré.

Mas há mais coisas neste caldo do que só salvar jornalistas aflitos por empregos. Por mais que eleger modelos midiáticos mais modernos - e objetivos, digamos assim - possa ser um truque interessante, o alvo parece outro. O slogan do jornal é claro ao dizer a que ele veio: "Traga o seu negócio para perto da China". Somado a isso, o desejo claro dos chineses de propagandear o seu país por meio de uma visão sem preconceitos ocidentais.

Por enquanto, o China Daily USA circula em todos os estados norte-americanos e no Canadá na edição de segundas-feiras. Já de terça a sexta, a tiragem abrange apenas a cidade de Nova York.

Na China, a publicação em inglês, o único jornal nacional do gênero, tem uma tiragem diária de 260 mil exemplares. No celular, o número de assinantes supera os 150 mil. Segundo o próprio China Daily, 85% dos leitores estão na faixa dos 31 a 55 anos. Gente que consome - e que gera renda pra isso -, saca?

Para o outono de 2010 na Europa, o que a gente pode contar como algo perto de setembro, está previsto o lançamento da edição China Daily Velho Continente.

A iniciativa norte-americana é o primeiro passo concreto de um pacote governamental não anunciado formalmente, mas que vazou em janeiro na imprensa de Hong Kong. O governo planejaria gastar mais de US$ 6,5 bilhões para melhorar a imagem do país no Ocidente. Toda esta grana, voltada às principais mídias estatais chinesas.

Com uma estratégia a ser construída junto a consultores internacionais, o objetivo seria ganhar notoriedade. A Xinhua, agência oficial, por exemplo, ampliaria a presença exterior dos atuais 100 países para 186. Aliás, este mesmo ramal seria o responsável pela criação de um canal de televisão em português, o que até agora não consegui confirmar. Ai, mal de fontes. Para a telinha, um dos modelos a serem seguidos é o da televisão Al Jazeera, do Qatar.

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